Na disputa do atual provedor do HM contra a AAHM, quem deve deixar o Hospital?

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

½ Jornal

Em toda edição, vem estampado na capa: A Notícia / o primeiro jornal brasileiro com certificação internacional de qualidade. Não há que se confundir certificação de gestão empresarial de determinado jornal, com a qualidade das notícias que ele publica. Confesso que o jornal A Notícia, naquilo que exclui a política, é sim um jornal bastante razoável. É um jornal com substancialidade e, na maioria das vezes, traz notícias de interesse do cidadão. E, pelo que parece, é também bem administrado, sob o ponto de vista empresarial. Pena o certificado ISSO 9000/2008 não conseguir influenciar o perfil editorial do jornal. Quando o assunto é política, o periódico se transforma numa ferramenta destinada a adestrar a comunidade monlevadense na cartilha do deputado Mauri Torres e do ex-prefeito Carlos Moreira. E isso, obviamente, não é surpresa, vindo de um jornal de propriedade do marketeiro daquele grupo político. Marketing e jornalismo são atividades antagônicas e insolúveis. É como um advogado ser o juiz de seu próprio cliente. Vamos examinar a realidade: o A Notícia vem acompanhado, ato a ato, todo o processo de cassação do prefeito de Monlevade. Desde instaurado, foi rara a edição do A Notícia que não trouxe matéria sobre a cassação. Por outro lado, foi noticiado, nacionalmente, que o Supremo Tribunal Federal iniciou um processo criminal contra Azeredo, por suposto envolvimento no Mensalão Minero, processo no qual o Deputado Mauri Torres também figura como investigado. O A Notícia não trouxe nada a respeito do fato, tão pouco tem noticiado o desenrolar do processo, ato a ato, assim como o faz no caso Prandini. Quanto a política, o A Notícia não tem credibilidade nenhuma. É ½ jornal. E disso ISO nao dá conta, somente a ética.

Frase da Semana

"Uma sociedade só avança quando seus homens de bem tem a mesma audácia que seus canalhas."


Retirada de www.dropsdesanidade.blogspot.com

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Rapadura no Ponto

Saiu no Rapadura:O RISCO DO ATO 183

Vereadora em quarto mandato consecutivo, Dorinha Machado nunca foi política de oposição. Não é seu perfil e ela jamais escondeu que é sempre governo, independente de quem esteja no poder. Não é também de seu feitio ficar debruçada em cima de projetos de leis, estudando e apresentando proposições, exceção para as homenagens e distribuição de títulos.
Dorinha gosta é de conversar para tomar suas decisões e definir seus votos em plenário, além de atender e ajudar a resolver os problemas de seus eleitores.
Dizer que este é o melhor exemplo de postura de vereador seria falta de bom senso, do mesmo jeito que seria hipocrisia não reconhecer que, apesar disso, a grande maioria deles age assim.
Essa postura só passa a ser problema quando a dócil vereadora ocupa, também, a presidência da Câmara Municipal, cargo da maior importância e responsável pela garantia das prerrogativas, independência, representatividade e legitimidade do Poder Legislativo.
E o problema se transforma em crise de conseqüências inimagináveis quando essa relação permite que idéia surgida dentro do gabinete do executivo se transforme em Projeto de Resolução assinado pela Mesa Diretora do Legislativo com o único objetivo de facilitar a aprovação de projetos de interesse do governo.
É o que aconteceu com o ato 183 no final do ano passado, que tirou a soberania e o poder de desempate da presidência em nome do interesse público, para lhe dar um voto definitivo de aprovação dos projetos em plenário.
Como primeiro e vergonhoso desastre está o novo Código Tributário votado a toque de caixa no apagar das luzes do ano passado, quando os vereadores não se deram nem ao trabalho de ler as quase 200 páginas do projeto.
Mesmo assim ele foi aprovado e, agora, descobre-se que contém uma série de erros graves e que terão que ser corrigidos sabe-se lá como e quando.
Se um Código Tributário é votado assim, imagine o que pode vir por aí.
Culpa do executivo? De forma alguma. O papel de fiscalizar o governo e analisar os projetos é do vereador, por sinal muito bem pago para isso.
Culpa dos vereadores e, agora, o risco permanente de se ter uma presidência aliada, mas com os olhos sempre fechados e indiferentes para a conta que o cidadão terá que pagar.


Essa é boa. Relacionar a aprovação de um Código Tributário, supostamente, atrapalhado ao dever constitucional da chefe do Legislativo Municipal ao voto é, no mínimo um contra senso. O dispositivo do Regimento Interno, que concedia à presidência da Câmara apenas o voto de minerva era claramente inconstitucional. Diz a Constituição Federativa:

Art. 29. O Município reger-se-á por lei orgânica, votada em dois turnos, com o interstício mínimo de dez dias, e aprovada por dois terços dos membros da Câmara Municipal, que a promulgará, atendidos os princípios estabelecidos nesta Constituição, na Constituição do respectivo Estado e os seguintes preceitos:
[...]
VIII - inviolabilidade dos Vereadores por suas opiniões, palavras e votos no exercício do mandato e na circunscrição do Município;
[...]
Assim, o vereador, qualquer que seja ele, até mesmo o presidente da mesa diretora, é inviolável em seu voto. O ato 183 tão somente regularizou a vontade do Constituinte. Além do mais, durante os 8 anos de governo Carlos Moreira, a Câmara não discutiu nada. As propostas enviadas pelo Executivo foram, prontamente, engolidas pelo Legislativo. Até mesmo diante de graves acusações relacionadas ao governo Moreira, como o caso dos CDs Bomba, nada foi discutido na Casa Legislativa. Essa realidade não se percebe apenas aqui, em Monlewood City. No Brasil, ela é geral. As Câmaras são mal aparelhadas e o sistema político brasileiro não permite que as casas legislativas (Câmaras, Assembléias e Congresso) discutam o interesse público. No caso específico, a discussão de um projeto da envergadura de um código tributário demandaria uma assessoria técnica também específica, através de comissões temáticas. No Legislativo de Monlevade quem presta tal assessoria é o Procurador da Câmara que é um cargo de confiança da presidência, ou seja, político. E técnica e política não se misturam facilmente. Falta reforma política e maior aparelhamento técnico.

Educação, Já.


O maior legado que se pode deixar aos filhos é a educação. Você que é pai ou mãe, participe da educação de seus filhos. Deixe de assistir as cinco novelas diárias na televisão. Assista apenas uma ou duas e no tempo então livre, dedique-se à educação de seu filho. Demonstre interesse à educação dele de forma que ele possa entender o quão importante é ser educado. Transfira a ele os bons valores, o respeito e a cidadania. Lembre-se, o filho é o reflexo da educação que recebeu dos pais. Se a criança é mal educada é porque os pais também o são. Este ano, a participação dos pais na educação de seus filhos se faz ainda mais importante, considerando que o governo Prandini, não apenas interrompeu a trajetória de anos aumentos sucessivos de investimentos na Educação do Município, como fixou uma despesa para o setor menor que a fixada para ano de 2009.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Polliana Prandini X Emerson Duarte

Já era notória a queda de braço entre o assessor de governo, Emerson Duarte, e a irmã do prefeito, Polliana Prandini. Há algum tempo, Polliana vinha, corajosamente, se insurgindo contra o fato do prefeito ter delegado o comando do município, exclusivamente, às mãos de seu assessor de governo. E com muita razão, o poder delegado pelas urnas é indelegável. O fato é que, deslocando a ex-secretária de administração para fora do ambiente da Prefeitura, Duarte deu seu primeiro passo na tentativa de neutralizar Polliana, politicamente.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Semana do Holocausto


27 de janeiro é o dia, internacionalmente, dedicado à memória das vítimas do genocídio que exterminou a vida de mais de 6 milhões de judeus, no contexto da segunda grande guerra. Temos a falsa impressão de que tragédias como a vivida pelos judeus são coisas de um passado distante e decadente, de um momento de insanidade que não se repetirá no futuro, como se a humanidade estivesse numa inexorável trajetória ascendente de evolução. Ledo engano. Há apenas dez anos, a Iugoslávia foi palco de uma espécie de reedição do Holocausto judeu, em que milhares de albaneses de origem mulçumana foram perseguidos e massacrados, à moda nazista. A evolução não é uma lei natural que ocorre, progressivamente, na medida em que a linha do tempo avança. A evolução é fruto do trabalho árduo. Para que episódios como o dos judeus e dos albaneses não voltem a ocorrer, temos que arregaçar as mangas e levantar a voz rumo à evolução. Por exemplo, toda essa violência, hoje, vivida nos centros urbanos, nas rodovias, etc é fruto de nossa inércia evolutiva diante do avanço da linha do tempo. Ao longo do tempo, o país cresceu, tornado-se complexo e nós não nos preparamos para administrar tal complexidade. Crescemos sem evoluir. Na verdade, em relação à segurança pública, à qualidade da educação, ao trânsito, vivemos uma verdadeira involução. Más voltando ao assunto.... Holocausto nunca mais!

Ciranda Cirandinha

Parece que a dança de cadeiras no governo Prandini continua. A secretária da Saúde, Gisele, foi substituída pela secretária de Administração e irmã do prefeito, Polliana Prandini, e vice-versa.

Blog Resistindo

Lamentável o fato de terem calado o Blog RESISTINDO. Era um Blog irreverente e divertidíssimo. Pura censura. Penso que quem processou o blog deveria deixar de agir conforme era caricaturado no blog. Assim, não haveria motivos para o blogueiro fazer o que fazia. Tudo era uma caricatura da realidade. Parece que quem processou o blog se incomoda com a repercução de seus próprios atos. Bons atos repercutem bem. Maus atos repercutem mau.

CMT (ENSCON LTDA II)

Outra instituição que necessita de mais transparência e de se enquadrar diante do interesse público é o Conselho Municipal de Transito. O CMT é o órgão consultivo que auxilia o prefeito a fixar o preço da tarifa do transporte coletivo. Portando: um órgão importantíssimo! Já participei de várias reuniões do conselho e a impressão que tive não foi das melhores. Não percebi, entre os conselheiros, compromisso com o interesse público e o bem comum. Muito pelo contrário, vi grande parte dos conselheiros defender a ENSCON como quem defende a própria vida. Parece que muitos têm mesmo relação simbiótica com a empresa.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

ENSCON LTDA

A ENSCON está em Monlevade há vários anos. Em julho de 2005, a empresa venceu a licitação do transporte coletivo, o que lhe garantiu mais 17 anos de exclusividade na prestação do serviço. Posteriormente, o Ministério Público ajuizou uma ação civil pública, carregada de fortes indícios de fraude contra licitação, requerendo o cancelamento do procedimento licitatório, haja vista, segundo a promotoria, ter havido favorecimento ilícito em relação a ENSCON. As suspeitas de fraude talvez expliquem o abusivo valor da tarifa que tem sido praticado pela empresa, durante esses últimos anos. O fato é que há chegado o momento da ENSCON se abrir e revelar, definitivamente, ao povo de Monlevade os motivos que justificariam tarifas tão altas, comparadas somente àquelas praticadas em capitais como, Rio, São Paulo e Brasília. A planilha usada pela empresa na composição do valor da tarifa está totalmente obsoleta e não permite transparência quanto a percepção do lucro da ENSCON. Obviamente que a atividade empresarial busca sempre o lucro, no entanto, tratando-se de prestação de serviço público essencial, diretamente, relacionado ao direito constitucional de ir e vir, deve haver uma ponderação entre o lucro e o interesse público. Assim o lucro da empresa deve circular em torno do lucro médio do setor. Não há como se discutir o valor da passagem, sem antes se conhecer o lucro da empresa. Além do mais, o serviço prestado pela empresa é insatisfatório. Em Monlevade, os ônibus só circulam no horário do rush e da troca de turnos na Usina e, mesmo assim, lotados. Se você precisar de um ônibus fora do horário do rush, vai amargar uma hora no ponto.

domingo, 24 de janeiro de 2010

História das Minas de Ouro e Diamante: Eschwege, o Barão do Espinhaço


No início do século XIX, diante da diminuição da produção aurífera nas Minas Gerais, Dom João VI, então regente, determina a contratação de naturalistas e engenheiros estrangeiros para o estudo da mineralogia do país, com o propósito de se desenvolverem novas técnicas de extração do metal precioso. Neste contexto, em 1810, chega ao Brasil Wilhelm Ludwig von Eschwege, conhecido entre os mineiros como o Barão de Eschwege.
Eschwege nasceu em Hessen, na Alemanha, formou-se nas universidades de Gottingen, de Marburg, e na Academia de Minas de Clausthal. Em 1802, foi contratado pelo governo português, tendo trabalhado sob a direção de José Bonifácio, então Intendente Geral das Minas e Metais do Reino. Quando a Corte migrou para o Brasil, o barão permaneceu na Europa e participou da luta contra os franceses, como Capitão de Artilharia do Exército Português. No início de 1810 embarcou para o Rio de Janeiro, aonde chegou em 29 de março, recebendo a patente de Sargento Mor do Real Corpo de Engenheiros.
No mesmo ano, o príncipe regente cria, no Rio de Janeiro, o Real Gabinete de Mineralogia e nomeia Eschewege como seu curador. Posteriormente, é nomeado Intendente das Minas de Ouro, igressando na Capitania de Minas Gerais, onde é recebido com intusiasmo.
Ainda em 1810, iniciou em Congonhas do Campo, local bem próximo ao centros mineradores de ouro, os trabalhos para implantação de uma forja de ferro, denominada de "Patriótica de Sao Julião", empreendimento privado, sob a forma de sociedade por acções. Em 1811, sua siderurgia já produzia ferro em quantidade.
Apesar desta proeza, a fábrica Patriótica não adota meios industriais de produção, pois não contava com a maquinaria necessária, o que furta de Eschwege o título de patrono da metalurgia nacional, que é concedido ao francês Jean de Monlevade, embora sua fábrica de ferro em São Miguel do Piracicaba tenha iniciado sua produção em momento posterior à de Eschwege. Trocou conhecimento e experiência com Monlevade nos estudos para a exploração da galena de prata e chumbo do Abaeté.
No ano de 1812, Eschwege, em fato até então inédito, extrai ferro por malho hidráulico, em Itabira do Mato Dentro (atual Itabira). Também em Itabira, projeta um engenho com o objetivo de aprimorar a produção do ouro, melhorando o aproveitamento dos veios auríferos. O aparelho revolucuinário era composto por uma roda de engrenagem fixa no eixo da um roda hidráulica, integrado a pilões, usados para processar o minério aurífero. Ainda existe um exemplar deste engenho no Museu do Ouro, em Sabará.

Engenho de Eschwege, Museu do Ouro, Sabará,

Em Vila Rica, onde tinha uma bela casa rodeada de frondoso jardim, construiu ruas e recuperou estradas. Estudou o sertão de Minas e produziu um mapa da capitania (1821) muito superior aos então existentes. Teve importante papel na anexação do Sertão da Farinha Podre (atual Triângulo Mineiro) ao território de Minas, em 1816, e considerado o mentor da Carta Régia de 12/8/1817, pela qual passou a ser permitida a formação de sociedade de ações para explorar minas de ouro. Batizou a cordilheira central da capitania de Serra do Espinhaço. É justamente ao longo da Serra do Espinhaço e que estão concentradas praticamente todas as jazidas de ouro e ferro de Minas. Desenvolveu os mais completos estudos, até então, sobre a geologia brasileira e elaborou o grande mapa do Brasil.
Em 1819, utilizando-se da legislação que ele próprio inspirara, criou uma associação, a Sociedade Mineralógica da Passagem, para explorar a mina de ouro do Fundão, próxima a Mariana. Foi também uma iniciativa pioneira que apontou novos rumos para o desenvolvimento da mineração aurífera ao longo do século XIX. Eschwege retornou à Europa em julho de 1821, menos de três meses após a partida da família real. Continuou servindo à Corte portuguesa por vários anos e publicou importantes livros sobre Minas Gerais

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

A Notícia Falsa


Ao contrário do que, maliciosamente, informou a edição do A Notícia desta sexta-feira, o Humanista e Secretário de Serviços Urbanos, Luiz Pena, não vai e nem cogita se aposentar. Luiz Pena está no apogeu de sua vitalidade e ainda tem muito o que fazer pelo povo de Monlevade. Além de ser uma cartilha política de Mauri Torres, o jornal A Notícia virou central de boataria. Boatos inverídicos não haverão de incidir sobre a imagem inabalável do homem mais respeitado do governo.

Rapadura no Ponto


Diante da postagem O Hospital Precisa de Mais Política, publicada no Rapadura,nesta sexta-feira, sou obrigado a atualizar e republicar uma postagem antiga, intitulada Leviandade Política no Margarida:

O Hospital Margarida foi inaugurado em 1952 pelo então governador de Minas, Juscelino Kubitscheck, que na ocasião chamou a atenção de seu secretário de saúde e disse:"construa um desses em Belo Horizonte, que seja a quarta parte deste...".
Durante Décadas, mantido pela Usina, o Hospital Margarida foi tido como referência regional em excelência de atendimento, até que há alguns anos a Usina resolveu, de uma hora pra outra, transferir sua responsabilidade para com o hospital e o Margarida ingressou num ciclo de decadência.
Talvez seja compreensível o fato da Usina ter se abstido em relação ao hospital, já que se dedica ao ramo da siderurgia e não ao hospitalar, apesar de sua atividade ser considerada como de alto potencial poluidor, o que afeta a saúde das pessoas, demandando atividade hospitalar. Todavia, me pareceu imprudente a forma como a coisa foi resolvida, principalmente em se tratando do único hospital da cidade. A Usina não poderia ter deixado o hospital do modo como o fez, ou seja, repentinamente e sem planejamento. Deveria ter havido um programa de desligamento do hospital a ser implementado, gradativamente, num período mínimo de 5 anos. Mas, o fato é que após o desligamento da Usina, o hospital se viu na condição de órfão e passou por inúmeras situações de desmando, negligencia e politicagem.
O Município, então governado por Carlos Moreira foi por muito tempo, totalmente, negligente com o Margarida, até enxergar nele a oportunidade de usá-lo como plataforma política para a construção de um candidato a prefeito: Lucien Marques. Antes de Lucien assumir a cadeira de provedor do hospital, nada ou quase nada foi feito pelo Margarida por parte do governo Moreira ou pelo governo do estado. A estratégia era colocar Lucien como o messias que salvaria o Hospital Margarida e, com isso, legitimá-lo a concorrer às eleições municipais de 2008. Contudo, apesar de todo o esforço de Moreira e de todo o dinheiro gasto no hospital, por questões próprias do processo eleitoral, o provedor do hospital não se posicionou, satisfatoriamente, nas pesquisas eleitorais e Moreira teve de apelar para Dr. Raílton Franklin, o terceiro nas pesquisas, atrás de Dona Conceição e Prandini. Com Lucien no comando do hospital, o deputado Mauri Torres passou a articular vultosas somas de dinheiro, advindas do orçamento do governo Aécio Neves que, somadas aos investimentos do próprio governo Moreira, tiraram o Margarida da penúria que se encontrava. A Gervásio Engenharia, empresa que se tornou especialista em vencer licitações no governo Moreira e de propriedade de um parente do deputado Mauri Torres, assumiu a obra do novo CTI e, então, com recursos, o Margarida passou a prosperar. No entanto,obviamente, não é esse o papel que o povo de Monlevade espera do Margarida: o de servir de instrumento para o lançamento de candidaturas e tantas outras divergências politiqueiras. O hospital deve ser administrado longe das disputas políticas. A única política que deve afetar o Margarida é aquela destinada a liberar recursos para o hospital. Toda a politicagem protagonizada pelo provedor Lucien Marques tem comprometido a administração do Margarida e embaraçado sua imagem junto a opinião pública, o que confirma a inaptidão de uma figura política a frente do hospital.Ao contrário do afirma Marcio Passos, o Margarida não precisa de mais política e sim de mais responsabilidade. É o que o povo exige.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

A Trincheira do Moreira


Na semana passada, funcionários da Secretaria de Obras, mais uma vez, efetuaram reparos na trincheira construída pelo prefeito Carlos Moreira. Como se confirmou no ano passado, a tal trincheira não respondeu ao propósito para que foi construída, o que, no mínimo, configura mau gasto do dinheiro público. Apesar dela, a inundação tornou a assolar aquela região, trazendo perdas e prejuízos aos cidadãos. Nada me tira da cabeça que aquela trincheira contribuiu, decisivamente, para a formação da forte torrente d’água que arrastou o veículo dos estudantes da FUNCESI para a morte. Antes dela, a água era represada pela própria topografia da região e era drenada, paulatinamente, pela rede do canal, ou seja, a água não percorria a superfície da avenida, formando grande correnteza. No entanto, depois de construída, a trincheira permitiu que uma grande quantidade de água descesse em alta velocidade pelo leito da avenida, o que reuniu as condições para que a forte torrente se formasse.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Rapadura no Ponto

Saiu no Rapadura EMENDA PARLAMENTAR

Emenda parlamentar não significa recurso garantido para obra.
O presidente da República ou o Governador do Estado não é obrigado a liberar recursos prometidos por deputados através de emendas ao orçamento.
E isto fica bem claro, principalmente, em ano de eleição. Difícil acreditar que os deputados que não apoiarão os candidatos do governador ou do presidente tenham suas emendas liberadas.
O eleitor precisa ficar atento e não se deixar enganar.


Dou a mão à palmatória: certíssimo, Marcio Passos. No Brasil, ao contrário do que ocorre na Alemanha,por exemplo, a Lei Orçamentária Anual não possui caráter impositivo e sim, meramente, autorizativo. De tal modo que a verba autorizada por emenda parlamentar só se efetiva mediante canetada do Executivo, o que demanda muita articulação política.

Ai de Ti, Haiti III


Boinas Azuis brasileiros em patrulha na capital Porto Príncipe.

Desde de 2004, o Brasil se faz presente no Haiti, através de uma forca de paz, autorizada pela ONU. Os brasileiros são muito bem vistos pelo povo haitiano e têm contribuído, substancialmente, para o restabelecimento da ordem e da paz no país caribenho. A mais expressiva façanha realizada pelos Boinas Azuis brasileiros foi a pacificação da capital Porto Príncipe, desmantelando um sistema de gangues e milícias fortemente armadas que, historicamente, tem aterrorizado o povo haitiano com assassinatos, violência e bandidagem, não muito diferente daquela presente no Rio de Janeiro. Naturalmente, tal acontecimento força a seguinte reflexão: Por que o Brasil conseguiu pacificar Porto Príncipe e não consegue pacificar o Rio de Janeiro?

Ai de Ti, Haiti II

Diante da catástrofe haitiana, vejo autoridades do Itamarati, afirmando que o Brasil tem uma dívida histórica com o Haiti. Senão, vejamos: se o Brasil, buscando reconhecimento da comunidade internacional para obter assento permanente no Conselho de Segurança, envia tropas pacificadoras ao Haiti. Tudo bem. Mas, dizer que temos uma dívida histórica com o país caribenho é uma confusão sem tamanho. Quem possui dívida histórica com o Haiti é a Fraça, que durante séculos, explorou aquele país, que foi a mais lucrativa colônia francesa nas Américas, produzindo açúcar cacau e tabaco. Posteriormente à independência do Haiti, a França impôs um bloqueio naval a sua ex-colônia que somente foi desfeito, após o Haiti concordar em pagar uma indenização de 150 milhões de francos à sua ex-metrópole, o que exauriu sua economia. Temos, sim, dívida histórica com os descendentes dos milhões de escravos que, por quase quatrocentos anos, foram a única mão de obra da nação, ou seja, foram os únicos responsáveis pela produção de toda a riqueza de nosso país. Considerando que a população negra brasileira gira em torno de 50%, somente poderemos dizer que o Brasil resolveu sua dívida deixada pela escravidão , quando na Câmara dos Deputados, no Senado da República, no Judiciário, no Ministério Público, nos governos, nas empresas, nas escolas, nas faculdades de medicina, direito, engenharia, pedagogia, etc houver, no mínimo, 50% de pessoas negras e quando, nas penitenciária, presídios e cadeias, houver, no mínimo, 50% de pessoas brancas.

Ai de Ti, Haiti

A República do Haiti foi, em 1804, o primeiro Estado a se tornar independente, nas Américas. Fundado por escravos rebelados, inspirados pelos ideais de igualdade da Revolução Francesa, o Haiti, desde então, foi totalmente isolado pela comunidade internacional, o que explica seu total fracasso econômico e sua pobreza extrema. Completamente devastado por um intenso terremoto, há alguns dias, o Haiti representa, hoje, uma das maiores catástrofes humanitárias dos últimos tempos. A verdade é que o país caribenho está passando fome há duzentos anos. Centenas de pessoas, mesmo antes do terremoto, morrem no Haiti, diariamente, vítimas das péssimas condições sanitárias, da falta de água e alimento, da violência dos grupos armados, da miséria e da ignorância. E só agora, o mundo olha para o Haiti. Parece que o fato de ser o país mais pobre do hemisfério ocidental não é suficiente para acionar a benevolência dos países ricos. Parece que para tal, a nação tem que ser engolida por placas tectônicas e enterrada nos escombros de sua própria pobreza.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Cross Credo


Outro elemento emblemático do governo Prandini é esse já famigerado Cross Walk (que já foi apelidado de Cross Credo). Digo emblemático, porque demonstra e confirma a falta de compromisso que o governo municipal tem para com a Educação, em geral. (não se esqueça que Prandini interrompeu a trajetória de cinco anos de crescimento de investimentos na Educação, diminuindo a despesa para aquele setor). Educação é necessária em todos os setores da atividade humana e, principalmente, no trânsito. Após terem sido instalados os tais Cross Walk, nada se fez no sentido de educar e orientar os motoristas e transeuntes, principalmente, os estudantes do Centro Educacional, para que aquele misto de quebra molas e faixa de pedestres fosse usado como travessia dos estudantes, ou mesmo, respeitado pelos condutores como lugar de preferência de pedestres. O fato é que ninguém respeita os tais Cross Walk. Os motoristas não dão preferência aos poucos pedestres que se aventuram a utilizá-lo, tão pouco os estudantes o utilizam para atravessar a avenida. Sem uma campanha de educação, que deve começar dentro do próprio Centro Educacional e depois ser trazida para a rua e para o trânsito, os Croos Walk nada mais serão do que imensos quebra molas coloridos que, além de embaraçar o trânsito, estão matando Bela Vista de inveja.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Rapadura no Ponto

Saiu no Rapadura: A QUEM INTERESSAR

Desde o primeiro dia do ano novo não presto mais serviços profissionais de consultoria particular ao político Gustavo Prandini, prefeito de João Monlevade, a quem agradeço a confiança e a oportunidade.


O fato de Márcio Passos ter assessorado o prefeito de monlevade, durante seu primeiro ano de mandato, é emblemático e traduz a completa confusão política que marca o governo Prandini, confirmando o que já é proverbial nas ruas do município: brigou com os amigos e culiou com os inimigos.
Prandini foi um candidato que se elegeu com uma plataforma política voltada para a mudança: mudar o que tem que mudar. Lembra? Mudança é sempre um ato difícil de implementar, já que aqueles que se beneficiam pelo estatus quo, naturalmente, são resistentes às modificações. Além do mais, a mudança somente é viável diante de um ambiente político favorável. Assim, é primordial que a mudança seja implementada já nos primeiros meses de governo, que é quando se percebe uma relação quase romântica entre governante eleito e os governados. Obviamente, nenhum governante eleito assume o governo com grande rejeição, pelo contrário, o que se vê é uma grande aceitação. Lembro-me de que, se logo após a vitória nas urnas, eu tivesse contabilizado o número de pessoas que se disseram eleitoras de Prandini, chegaria ao número de mais ou menos 40.000. É neste contexto de aceitação e de expectativa que as mudanças se tornam possíveis. No caso de Prandini, tal momento já passou, sem que houvesse a prometida mudança. O que se viu neste primeiro ano de governo foi uma quase completa manutenção do estatus quo, no qual se deu abrigo e espaço para figuras que não possuíam nenhuma afinidade política ou ideológica com as promessas de mudança proferidas por Prandini. E o crescente índice de avaliação negativa que o governo tem percebido, decorre justamente de sua incapacidade de implementar aquilo que prometeu. A avaliação tem relação direta com a expectativa. Quando a expectativa por mudança é alta, diante da falta de mudanças, a avaliação do governo será, inexoravelmente, ruim. Márcio Passos, que é uma das principais figuras do grupo político de Moreira e Mauri e, portanto, defensor natural do estatus quo, deixa o governo (digo governo, porque a figura do prefeito ou do político, não pode ser separada da de seu governo), com agradecimentos, ciente de ter cumprido o seu papel de dificultar as mudanças prometidas por Prandini. Esperar mudanças futuras no governo é frustrar-se. Se não foram feitas nos primeiros dez meses, num ambiente favorável, não será agora, quando o governo se encontra vazio e confuso politicamente, que mudará o que tem que mudar.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Carlos Moreira, o Filho de Quem?

Márcio Passos, o eterno marketeiro de Carlos Moreira, pessoa de quem auferiu um imóvel da prefeitura para a sede de seu jornal, publicou em seu blog e na cartilha política do Deputado Mauri Torres, o periódico de que é proprietário, o A Notícia, uma descabida, atrapalhada e infeliz comparação entre a biografia do Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e a vida de Carlos Moreira, ex-prefeito de João Monlevade. Tão trucada é a comparação que, já de início, no título, Márcio Passos se equivoca: “Moreira, O Filho Do Médio Piracicaba”. Segundo o próprio Passos, Moreira nasceu em Major Ezequiel. Tal município não integra o Médio Piracicaba, de modo que o ex-prefeito não pode ser filho de uma região onde não nasceu. O título correto seria: Moreira, o filho adotivo do Médio Piracicaba. No entanto, como se trata de uma clara jogada de marketing eleitoreiro e a região que será alcançada pela campanha eleitoral de Moreira é a do Médio Piracicaba, Márcio Passos já se adianta para tentar inserir Moreira numa situação de afinidade com a região que já é objeto da campanha eleitoral do ex-prefeito. Passos continua:
“Lula deixou Garanhuns ainda menino e desceu de pau de arara até São Paulo, maior centro industrial do País. Moreira, também menino, acompanhou a família que deixou Major Ezequiel em direção a João Monlevade, maior centro industrial do Médio Piracicaba.” Tal paralelo só confirma a artificialidade da malfadada tentativa de comparação feita por Márcio Passos. Todos nós sabemos que o maior centro industrial do Médio Piracicaba é Itabira, de tal forma, ao que parece, Carlos Moreira errou de cidade quando migrou.
A bem da verdade, diferentemete de Moreira, Lula iniciou sua vida em São Paulo, dedicando-se ao sindicato, defendendo trabalhadores brasileiros de interesses de multinacionais, as quais, via de regra, colocavam-se contrapostas aos interesses da nação. A eleição do Presidente Lula, em 2004, representou um fato inédito. Pela primeira vez na história do Brasil, desde 1500, um candidato proletário, emergido das classes populares, ocupou a Presidência de República. Ao contrario de Moreira que sempre esteve envolvido com figuras elitistas, conservadoras e reacionárias como Mauri Torres, Lucien Marques e o próprio Márcio Passos. A vida política de Carlos Moreira pode ser resumida da seguinte forma: o prefeito mais processado pela Justiça na história de João Monlevade ou, se quiser, o primeiro prefeito a ser processado por fato definido como crime na história do Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais. De outro lado, a biografia do Presidente Lula somente pode ser comparada com a de líderes natos como Nelson Mandela, o Líder Negro, que colocou fim a segregação racial na África do Sul ou Lech Valesa, presidente de origem, igualmente, proletária, que comandou a democratização da Polônia, num movimento conhecido como Solidariedad, considerado o embrião da queda do Muro de Berlin e do fim da Guerra Fria.
O Governo Lula deu viabilidade econômica ao Brasil. Deu aos pobres acesso a mínimas condições de dignidade, com o Programa Bolsa Família. Com austeridade fiscal, democratizou as riquezas do país, diminuindo a taxa de juros básica da economia - a SELIC -, que no governo FHC, alcançou a ordem de 50% e, hoje, exibe a histórica taxa de 8,75% ao ano, o que possibilitou ao pobre contrair financiamento e acesso ao mercado de bens de consumo. Moreira é um pigmeu diante da grandeza do Presidente Lula, um dos homens mais respeitados e aclamados do Mundo. Se o Presidente Lula não fosse virtuoso, obviamente, Marcio Passos não tentaria associá-lo a Carlos Moreira. O Fato é que, a desventurada tentativa de comparação feita por Marcio Passos, além de confessar o reconhecimento e a admiração enrustida que o marketeiro tem pelo Presidente Lula, já que nada mais é que uma fracassada e absurda jogada de marketing para tentar fazer Moreira tomar carona ou se aproveitar do sucesso e das virtudes indiscutíveis do Presidente da República, confirma que o ex-prefeito já está em campanha e já tem marketeiro. O de sempre, pra variar.

Lucien Marques

Li no blog do Tiago Moreira que Lucien Marques pretende deixar a administração do Hospital Margarida. Não acredito. Como já disse antes, a saída de Lucien somente poderá ser cogitada, depois que a Gervásio Engenharia, empresa de propriedade de parente do deputado Mauri Torres, concluir as obras de construção do CTI. As recentes declarações de Lucien sugerem aquela velha jogada política: diz que vai sair, então é simulada uma conjuntura de aclamação para fique e ele acaba ficando. Como também já disse aqui no Monlewood, o Hospital Margarida somente passou a receber recursos do Estado e da Prefeitura do então governo Moreira, quando perceberam a possibilidade de usar a recuperação do Margarida como plataforma eleitoral para o lançamento da candidatura de Luciem ao cargo de prefeito de Monlevade, que não vingou, diante da má performance de Marques nas pesquisas pré-eleitorais.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Edição do Periódico Ouropretano, O Universal, de 19 de Abril de 1828, Noticiando a Chegada das Máquinas para a Fábrica de Ferro de Jean de Monlevade






Na data de 19 de abril de 1828, o jornal ouropretano O Universal publicou entusiasmada carta remetida por Guido Thomaz Marlieri, dando conta da chegada da máquina a vapor para a Fábrica de Ferro de Jean de Monlevade, a qual transcrevo a seguir, em português da época, exatamente, como na original:


RIO DOCE.
CORRESPONDENCIAS.
Sr. Editor do Universal.

Ouropreto  18 de abril de 1828.
Queira vm. em ocasião opportuna inserir no seu prestante Periodico a noticia não pouco interessante  para esta Provincia, que acabo de receber, de haverem chegado a salvamento á 8 do corrente no Porto da Onça Pequena abaixo  d‘Antonio Dias humas máquinas cilindricas, para a Fabrica de Ferro de Mr. de Monlevade (*) no sitio do seu nome na Freguezia de S. Miguel, do pezo de perto de 500 arrobas (7.500 Kg) vindas d’Inglaterra  por Êscala ao Rio de Janeiro, donde sahirão á 18 de Setembro do anno p. p. em huma Sumaca (pequeno barco de dois mastros) para a costa do Espírito Santo em que tiverão demora talvez por temor dos corsários, e falta de Embarcações pequenas para transportar tão pesadas maquinas á Barra do Rio Doce, pelo qual subirão até o Sitio do Pau Gigante, muito abaixo das escadinhas, e forão recebidas as Cargas em Canoas militares da 6ª Divisão guarnecidas de bons   Canoeiros, todos soldados habilmente dirigidos pelo Sargento da mesma Manuel Antonio, auxiliados nos Varadouros por outros Soldados e Índios Botocudos,  e que independentemente do auxilio ordenado prestassem ás outras divisões estacionadas no Rio Doce, quizerão conduzir pessoalmente as Cargas ao sobredito Porto da Onça Pequena, no Piracicaba. O auxilio que por ordem deste Governo dei a Mr. de Monlevade (que bem lho merece) foi prestado galantemente.

Nota de quem nos remetteo a Carta (*) Sr. de Monlevade, que he quase nosso Compatriota, por ter-se cazado com huma ilustre Brasileira, e residir á muitos anos no Brasil; He aquele mesmo que gratuita , e espontaneamente foi ás Minas do Abaithé, apurou e remetteu mais de 600 (9.000 Kg) arrobas de chumbo, e dellas extrahido nesta Cidade huma porção de finíssima prata que se apresentara no Rio de Janeiro pelo Ex.mo Sr. Visconde de Caethé. Tudo isto fez o Sr. De Monlevade com módica prestação pecuniária da Fazenda Pública, e entregou o restante logo que aqui chegou. Bem haja este sábio Francez que tão relevante serviço fez ao Brasil; outro tanto não fizera algum dos que gritam contra a admissão dos Estrangeiros. Os profundos conhecimentos metalúrgicos que possue, coadjuvados com a grande Maquina, que recebera da Inglaterra, nos darão em pouco tempo uma Soberba Fábrica de ferro, tão necessária á exploração das Minas, e aos trabalhos rurais
Sem custo da Nação, pelos intrépidos Canoeiros da 6ª. Divisão e o seu benemérito Alferes Commandante Joaquim Rodrigues de Vasconcellos, que pela sua actividade, zelo do bem publico, e da Civilização dos Índios, merece os agradecimentos da sua Pátria, e recompensa de S. M. O IMPERADOR,  que mais de huma vez tem premiado as virtudes de vários Soldados da 6.ª Divisão do Rio Doce, por salvarem de naufrágios á muitos Brasileiros naquelle Soberbo Rio, cuja navegação, cultura, e commercio dezejamos ver animados pelo Corpo Legislativo, e o mesmo AUGUSTO SENHOR.
Sou com muita estima –Sr. Editor-
De vm. Attento Venerador.
O Coronel Commandante das divisões Militares do Rio Doce, e Director Geral dos índios.
Marlieri


quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

História das Minas de Ouro e Diamante: Jean A. F. D. de Monlevade, O Patrono de Siderurgia Nacional


Jean Antoine Felix Dissandes de Monlevade nasceu em 1789, ano do início da Revolução Francesa e da Inconfidência Mineira, no Castelo de Bogenet, região de Creuse, França. Terminou o curso de Engenharia de Minas na Ècole Polytechnique em 1812 e entrou para o corpo de engenheiros militares em 1917. Em agosto do mesmo ano, veio ao Brasil estudar a geologia e a mineralogia do País. Foi autorizado a ingressar na Capitania de Minas Gerais por carta régia de Dom João VI, rei do Brasil, Portugal e Algarves, documento no qual, curiosamente, se lê:

...desviando-o porém de passar ao Distrito Diamantino do Tejuco (atual Diamantina) se por ventura ele pretender pois Sua Majestade não julga prudente que se facilite o ingresso de estrangeiros naquele Distrito.

Por razões obvias, o Rei não queria que um frances tivesse acesso às ricas jazidas de diamantes de Minas. Em suas andanças por São João Del Rey, São José (atual Tiradentes), Vila Rica (atual Ouro Preto), Sabará, Caeté e São Miguel do Piracicaba (atual Rio Piracicaba) trocou conhecimento com o Barão de Eschwege (contarei a história de Eschwege em oportunidade futura) . Em 1818, em sociedade com o senhor das terras da Fazenda da Barra do Rio Preto, em Caeté, construiu um forno para fusão de ferro com o qual eram produzidos bigornas, almofarizes e recipientes de ferro. Foi em Caeté que Monlevade conheceu João Batista Ferreira de Souza Coutinho, o famoso Barão de Catas Altas (vide postagem O Barão de Catas Altas de 31/10/2009) com quem manteve estreita amizade, parceria em negócios mineralógicos e de quem acabou desposando a sobrinha, Clara Sofia de Souza Coutinho. Em 1827, adquiriu algumas sesmarias, 2 léguas e meia ao norte do arraial de São Miguel do Piracicaba, lugar este que, apesar de distante dos mercados consumidores, reunia as condições para a implantação de sua pioneira fábrica de ferro: havia a ocorrência de jazidas de minério de ferro em abundância e de altíssima qualidade; água perene e farta o suficiente para o movimento de rodas hidráulicas; extensas reservas de mata para a produção do carvão e, mesmo que arriscada, ligação hidroviária com o porto do Rio de Janeiro através da navegação pelo Rio Doce e Piracicaba, o que foi imprescindível para o ingresso do maquinário necessário à instalação de sua Fábrica de Ferro.  Com o dote de 80 contos de reis recebido pelo casamento com Clara Sofia, Jean de Monlevade importou as 7,5 toneladas de equipamentos metalúrgicos da Inglaterra, incluindo a primeira máquina a vapor de Minas Gerais, que foram então transportados em canoas através do Rio Doce e Piracicaba sob a responsabilidade de Guido Tomas Marlière (vide postagem Guido Marlieri, o Imperador do Rio Doce de 28/11/2009), do porto do Rio de Janeiro até o Solar de Monlevade, em São Miguel do Piracicaba. Equipada a fabrica, ela passou a produzir 30 arrobas diárias de ferro. Contava com 150 escravos treinados na arte do ferro, além de ótimos pedreiros, carpinteiros, terreiros, carvoeiros, telheiros, arrieiros e etc. Segundo relatos, despendia bom tratamento a seus escravos:

Ali, na paróquia e distrito do São Miguel de Piracicaba, um afluente a dez ou doze léguas do verdadeiro rio Doce, fica a fundição de ferro do M. Monlevade, um colono francês da velha escola. Embora octogenário, ele trabalha mais que qualquer um de seus vizinhos... Seus escravos são bem alimentados, vestidos e alojados; como forma de pagamento, eles aproveitam o domingo para lavrar ouro no córrego e muitas vezes fazem 1$000 durante o dia; se tiverem de trabalhar dia-santo, recebem uma pequena quantia, a título de indenização. (relato de viajante inglês que passou por Minas na década de 1860)

Na Fábrica eram produzidos machados, pás, picaretas, enxadas, martelos, bigornas, caldeirões, panelas, freios de animais, ferraduras, mancais de roda, moendas de esmagar cana, engenhos de serrar madeira, pilões e aguilhões para o processamento do minério aurífero das minas do Gongo Soco e Morro Velho, além de tudo mais que se podia fazer com o ferro, naqueles idos. A Fábrica de Ferro de Monlevade foi a primeira do Brasil a contar com o maquinário necessário a produção de tal vasta gama de produtos. Em outras palavras, foi a primeira vez que se produziram no Brasil os artefatos necessários à atividade da mineração, da agricultura, da construção civil e etc, de maneira realmente industrial. Os produtos de Monlevade eram afamados por sua boa qualidade e apreciados por toda a capitania. Em 1872, morre Jean de Monlevade, com 83 anos. Com a abolição da escravidão, em 1888, a fábrica passa por grande dificuldade econômica, já que a obrigatoriedade da remuneração do operariado eleva os preços de seus produtos que não resistem à concorrência das manufaturas inglesas. Em 1891, a fábrica é vendida por 1.000 contos de réis à Companhia de Forjas e Estaleiros de José Evangelista da Silva, o Barão de Mauá, que deu continuidade ao empreendimento metalúrgico, porém sob a direção do neto do fundador, Francisco Monlevade. Jean Antoine Felix Dissandes de Monlevade foi sepultado no cemitério histórico ao lado do Social Clube.

Engenheiro frances, homem raro, digno de toda a estimação.Grande minerólogo, grande químico, além de muitos outros conhecimentos de física, matemática, literatura, amigo do Brasil como se fosse indígena (dizeres de Antônio Gonçalves Gomide, senador do Império do Brasil de 1826 a 1835)

Não se acomodou entre os prazeres e as facilidades da vida palaciana da nobreza francesa. Cruzou o Atlântico numa época de corsários e naufrágios, ingressou e percorreu Minas em lombo de moares, conquistou o respeitado e a estima do povo mineiro, tornou-se brasileiro, casando-se com uma brasileira, foi visionário, colaborou para o desenvolvimento da mineração de Minas como poucos; foi o pioneiro da metalurgia nacional, criando o embrião do setor que hoje prospera em nossa cidade.

Rapadura no Ponto

Saiu no Rapadura:PREFEITURA E MARGARIDA

Quem acreditou que o clima entre a Prefeitura de Monlevade e o Hospital Margarida melhorou após a crise dos médicos plantonistas, pode estar redondamente enganado.
Vencido desde o último dia de 2009, o convênio de repasse de recursos entre as partes está em situação indefinida e, pelos recados oficiais através do blog do assessor de Governo, nova crise vem por aí.
Sempre é bom lembrar que o mandato do provedor Lucien Marques vence entre abril e maio e ele quer continuar no cargo para concluir as obras de recuperação do hospital.
Resta saber se o atual governo municipal quer isso...


O Hospital Margarida é de importância, literalmente, vital para Monlevade e região. No entanto, apesar de receber recursos públicos, o Margarida tem se tornado um hospital elitizado. Dificilmente aceita internação de pacientes sem plano de saúde e constantemente repassa pacientes carentes para o Pronto Atendimento. O hospital é hoje reflexo de seu gestor. Independente disso, o problema maior do Margarida foi envolvê-lo na disputa política. Como Luciem Marques é uma das principais figuras do grupo político de Mauri Torres, ele nunca poderia assumir a gestão de uma instituição tão importante para Monlevade. Instituição esta incompatível com a politicagem que se tem observado. Quem perde somos nós. A gestão do Margarida deve ser técnica e não política. Quando o Rapadura diz que Luciem pretende permanecer à frente do Margarida, está sendo obvio de mais: Luciem só sai do Margarida, depois que a Gervásio Engenharia, construtora de propriedade do primo de Mauri Torres, terminar a obra de construção do novo CTI. Capite?

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Rapadura no Ponto

Saiu no Rapadura:VIDA DE PREFEITO

Não há dinheiro que pague a vida de prefeito.
Antigamente até que a função tinha seu glamour, o prefeito era saudado e aplaudido onde quer que passasse, todos os respeitavam.
Hoje, mudou muito. É só reclamação em cima de reclamação e, se não tomar cuidado é vaiado e provocado nas ruas até por crianças.
Antigamente os prefeitos multiplicavam o número de amigos; hoje multiplicam o número de inimigos.
Os que querem se arrumar na vida não estão nem aí; os idealistas e corretos pagam um preço muito caro.


Para ser Prefeito (isso mesmo PREFEITO com letras maiúsculas) tem que se dar ao respeito. A prefeitura é o reflexo da personalidade do prefeito. Para ser respeitado, o prefeito tem que respeitar as pessoas, os partidos, as instituições, os ditames democráticos e republicanos. O prefeito, ou quem quer que seja, nada mais é que o reflexo de seus atos. Se respeitar, será respeitado. Do contrário, não há que se reclamar que está sendo vaiado por crianças, na rua.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Comentação

WERTON disse...
Num primeiro momento reduzir gastos com educação parece coisa de político maluco, porém é sabido que na gestão que antecedeu o atual prefeito muito se gastou sem planejamento adequado, prevalecendo a vontade do então prefeito na época, sem antes um estudo adequado, sem projetos realmente inovadores. Acredito que a redução de valor não implica em queda de qualidade no ensino se este dinheiro for melhor apropriado. Eu jamais reduziria investimentos em educação se tivesse poder para tal, pelo contrário, seria sem dúvida a área em que procuraria gastar ao máximo, com planejamento e eficiência é claro. Temos que aguardar pra ver, o importante é o resultado.

Meu prezado amigo Werton, sou forçado a discordar, quando é dito que o governo Prandini está revestindo de qualidade os gastos com a Educação do Município. Descordo que haja planejamento adequado no setor. O governo pevista já demonstrou sua aversão ao planejamento administrativo, quando, no fim do ano passado, faltou dinheiro até para o pagamento do décimo terceiro de funcionários, o que foi, falaciosamente, atribuído à crise financeira. Na verdade, o que houve foi uma total falta de planejamento. Se no governo houvesse, verdadeiramente, planejamento, ele seria, primordialmente, notado nas contas públicas. Todos sabíamos que o ano de 2009 seria marcado pela crise, o que, conseqüentemente, afetaria a receita da prefeitura. De tal forma que o orçamento deveria ser contingenciado entre dez e quinze por cento, se houvesse planejamento. Mas nada foi feito. O que se viu foi uma gastança desenfreada com cavalgadas, festas e etc, corroborando, definitivamente, a falta de planejamento de Prandini.

Comentário de um Leitor sobre a postagem Prefeito Sem Educação, de 07/01/2010

Investimentos em educação, saúde e segurança sempre são necessários e oportunos. Ainda mais nos dias de hoje, em que o diferencial de qualquer pessoa é a sua bagagem educacional (e a educação social, digamos por assim).
O prefeito, bem como a maioria do seu secretariado, carece de números e dados. Ele não tem à sua disposição nada que suporte a tomada de decisão (pesquisas não contam como dados factíveis). Informação requer coleta, monitoramentro, tratamento e ação. A maioria das prefeituras não tem ferramentas gerenciais para isto.
Quanto à verba, realmente, sempre será insuficiente. Espero que ele tenha a contraprestação correta para esta "queda", já que o IPTU (mesmo com a alta indadimplência) deve ter seus reajustes de valores.
É uma montanha acidentada esta. E, muitas vezes, a escalada é mais solitária que tudo.

Manthis

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Prefeito Sem Educação

Pra mim foi a gota d’água. Como se já não bastasse ter virado as costas aos partidos, aos companheiros de luta e aos apoiadores, como já é proverbial na cidade: “brigou com os amigos e culiou com os inimigos”. Como se não bastasse ter contrariado a vontade popular, delegando o governo do município a seu assessor de governo, Emerson Duarte. Como se não bastasse ter instituído um governo hermético, reacionário, autoritalóide, paranóico, confuso, apolítico e elitista, agora Prandini interrompe a trajetória de anos de sucessivos aumentos dos investimentos em educação, o que é inadmissível. Na campanha ele não prometeu que sucatearia a Educação municipal. Fomos enganados, novamente. Já disse que a campanha eleitoral passada foi uma das maiores e melhores experiências de minha vida, da mesma forma que digo, hoje, que Prandini é a maior decepção que já vivenciei. Parece que é da natureza do prefeito dar as costas a tudo que lhe serviu, já que, no passado, se educou na rede pública de educação, mais precisamente, no Centro Educacional e, hoje, age de fora a deprimir a instituição na qual estudou. O fato é que a decisão de interromper a trajetória de aumento de investimentos na Educação repercutirá, terrivelmente, no futuro do município e contribuirá para que Monlevade se torne uma cidade de ainda mais desordem, analfabetismo, desemprego, violência, inconsciência e caos.

"A única coisa que interfere com meu aprendizado é a minha educação."
(Albert Eisntein)

"Educar mal um homem é dissipar capitais e preparar dores e perdas à sociedade." (Voltaire)

"Não é possível refazer este país, democratizá-lo, humanizá-lo, torná-lo sério, com adolescentes brincando de matar gente, ofendendo a vida, destruindo o sonho, inviabilizando o amor. Se a educação sozinha não transformar a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda." (Paulo Freire)

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Inaceitável!!! Prandini Sucateia a Educação de João Monlevade


A Lei Orçamentária do ano de 2010, proposta pelo prefeito Gustavo Prandini, não apenas interrompeu a trajetória de aumento de investimentos na Educação do Município, como fixou uma despesa para o setor menor que a fixada para ano de 2009, em quase um milhão de reais.
Em 2005, a despesa fixada para a Educação foi da ordem de R$ 16.671.200,00. Em 2006, foi de R$ 18.608.200,00. Em 2007, foi de R$ 20.855.500,00. Já em 2008, a despesa saltou para R$ 26.844.000,00, ou seja, teve um acréscimo de surpreendentes 6 milhões de reais. Em 2009, dando continuidade à trajetória de crescimento, a despesa foi fixada em R$ 27.698.000,00. Então, para o ano de 2010, o prefeito Gustavo Prandini fixou uma despesa para o setor no valor de R$ 27.070.900,00, ou seja, inaceitavelmente, menor do que a do ano passado.E tudo feito na surdina, sem se ouvir os partidos da base de sustentação do governo, sem se ouvir os professores e profissionais da Educação, sem se ouvir o povo, bem ao estilo Prandini.
Na prática, o orçamento do governo Gustavo Prandini significa menos vagas na rede pública de Educação, perspectiva de baixos salários aos professores e tendência de sucateamento da infra-estrutura educacional de nossa Monlevade. Querem criar uma cidade de analfabetos, ignorantes e desqualificados. Isso, não podemos permitir. O que falta a este país para que se torne o Brasil que queremos é o estabelecimento de uma educação pública e universal de qualidade. Não é diminuindo os investimentos na surdina que conseguiremos aprimorar o sistema publico educacional. Sinto-me mais enganado ainda.

E Por Falar em Irmandade do Rosário...




Márcio Passos é fichinha. Virei "Maquetero" de vez. Ficou pronta minha maquete da Igreja do Rosário.






Construção setecentista, tipicamente mineira.Frontispício chanfrado, com presença de três porta-sacadas no alto do coro, cobertas por cimalha; torre sineira central e frontal única de três sinos, com telhado de quatro águas; possui ainda nave com telhado de duas águas; altar com telhado de três águas e sacristia com uma janela externa e telhado de uma água; altar barroco, com quatro colunas salomônicas, adornado por querubins dourados e emoldurado por arco-cruzeiro com douramentos.


Destaque para a imagem da Virgem do Rosário, do crucifixo barroco dourado e do Santíssimo Sacramento.


(materiais usados: gesso, madeira, palito de picolé, palito de churrasquinho, tinta spray, canudinho de refrigerante, resina, fibra de vidro e muita cola)

Feliz Dia de Reis!

Hoje é Dia de Reis

Em 6 de janeiro de 1747, data em que o calendário católico comemora o Dia de Reis, Vila Rica foi surpreendida por uma festa que desconhecia. Galanga, rei do Congo, batizado Chico, como todo escravo trazido a Minas, é coroado pelo Arcebispo de Mariana rei da Irmandade do Rosário dos Homens Pretos Alforriados.

Gravura de Chico Rei em Ouro Preto

Assim, Chico Rei (vide postagem Chico Rei: O Rei do Congo no Brasil) e seus súditos alforriados congregam-se na Igreja Nossa senhora do Rosário, vestidos numa indumentária surpreendente e, ao som de caxambus, pandeiros, marimbas e ganzás, dançam o Congado. A partir da inclusão de Chico Rei na Irmandade do Rosário de Vila Rica, a confraria ganha forte contorno social e se torna a primeira entidade abolicionista do Brasil colônia, difundindo por todo rincão de Minas, onde se tem erigida uma capela ou uma igreja dedicada à Virgem do Rosário, a esperança da liberdade e da igualdade. Viva Chico Rei! Viva o Congado! Viva a liberdade e a igualdade!