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terça-feira, 6 de outubro de 2015

João Monlevade: a Primeira Máquina a Vapor de Minas Gerais

A foto acima é da Caldeira da Máquina a Vapor importada da Inglaterra por Jean de Monlevade, chegada aqui em 1828. Hoje ela se encontra exposta no museu mantido no Solar Monlevade

Pioneiramente, a maneira mais provável de se ter introduzido uma maquina a vapor no território de Minas Gerias seria por meio da navegação, ou seja, por uma incursão ao território mineiro através de um rio caudaloso e navegável, como o São Francisco, de preferência, a bordo de um Vapor, que, como o próprio nome diz, trata-se de uma embarcação cuja propulsão é gerada pela energia do vapor.  Uma vez ingressado o Vapor em território mineiro, ali estaria a primeira máquina a vapor a operar em Minas Gerais. O primeiro Vapor a singrar as águas do Velho Chico foi o Saldanha Marinho,  em 1871. O famoso Benjamin Guimarães, ainda em funcionamento num percurso turístico em Pirapora é de 1919.
Outro meio presumível de se introduzir uma máquina a vapor em Minas seria através da implantação da primeira ferrovia, não apenas porque o trem é capaz de transportar com facilidade uma máquina a vapor, mas também porque uma locomotiva à lenha é uma máquina a vapor por excelência. Assim, a primeira “Maria Fumaça” a trafegar pelo território mineiro seria, mesmo que genericamente, também a primeira máquina a vapor a operar em Minas Gerais. A primeira ferrovia instalada em Minas foi a Estrada de Ferro Leopoldina, inaugurada em 1874, ligando a cidade de Leopoldina a Porto Novo do Cunha (Além Paraíba). Comparativamente, a primeira ferrovia instalada no Brasil foi a Estrada de Ferro Mauá, inaugurada em 1854.
Já a máquina a vapor de Jean de Monlevade chegou à sua Fábrica de Ferro em 8 de abril de 1828, importada da Inglaterra, através da navegação de canoas militares pelos rios Doce e Piracicaba. Muito, provavelmente, deve ser a primeira máquina a vapor a operar em Minas Gerais ou até mesmo a primeira do Brasil já que não encontrei dado algum na Internet sobre o tema. Em Portugal, a primeira máquina a vapor empregada na indústria é de 1835, ou seja, 7 anos depois da de Jean de Monlevade.
E o mais interessante é que a monlevadense não se trata de uma máquina a vapor móvel destinada ao transporte, como uma locomotiva ou uma embarcação, concebida para se deslocar, mas sim de um aparato fixo empregado na produção de artefatos de ferro. Era, portanto, uma máquina a vapor empregada numa embrionária indústria metalúrgica que, passados 187 anos, ainda prospera no Município.
Infelizmente, o museu mantido pela indiana Arcelormittal no Solar Monlevade não se encontra disponível à pesquisas e visitações, o que dificulta a apuração de tais informações, mas deveria ser um grande martelo a vapor, utilizado para forjar o ferro. Outra peculiaridade é que a Máquina a Vapor de Monlevade, por ser tão precoce, era operada por escravos, situação bastante contraditória, uma vez que foi justamente o advento da indústria que revolucionou o processo produtivo, possibilitando a abolição da escravidão.
Como ocorre com Minas Gerais, em João Monlevade aspectos importantes da história local são mantidos, propositalmente, trancafiados e escondidos de seu povo. Com isso, temos nossa identidade tolhida para sermos conduzidos como gado e, desconhecendo nossa história, somos impossibilitados de compreender o presente e de projetar nosso futuro, além de perdermos um imenso potencial turístico.  
Enquanto a pioneiríssima Máquina a Vapor de Jean de Monlevade eleva o Município à condição indelével de Berço da Indústria Siderúrgica Brasileira, Prefeitura e CDL se engajam numa campanha publicitária intitulada “Monlevade, Capital Mundial do Fio-Máquina”, para bajular e promover o produto do grande capital. E assim, seguimos sem rumo e sem identidade. Aliás, nunca me ensinaram nada sobre a Máquina a Vapor de Monlevade nas escolas em que estudei neste Município. E quem pensa que esta máquina a vapor ficou perdida no passado engana-se. Ela tem tudo a ver com o Laboratório de Ciência e Tecnologia, recentemente, inaugurado pela UFOP/Campus Monlevade.