terça-feira, 26 de abril de 2016

Relação com Laboratório de Ciência e Tecnologia é de Ociosidade



A rádio Cultura e o jornal A Notícia não divulgam, mas João Monlevade conta com um moderníssimo Laboratório de Ciência e Tecnologia, nas áreas de química, física, elétrica, informática e eletrônica, devidamente instalado nos campus monlevadense da UFOP (foto).
Dentro do programa de extensão universitária fornecido pela UFOP, o Município poderia celebrar uma série de convênios com a universidade, até com contrapartida aos já existente, no sentido de que as experiências do Laboratório de Ciência e Tecnologia fossem revertidas em benefício do interesse público, ou seja, do bem comum.
Assim, enquanto estudam, experimentam e adquirem prática no Laboratório, os estudantes poderiam produzir ferramentas a serem empregadas nas diversas atividades que integram o cotidiano do município. Dentro de um projeto de, por exemplo, fomento do setor de indústria e comercio, os estudantes poderiam desenvolver softwares que trouxessem soluções para determinada categoria de lojista no Município, etc. Drones poderiam ser desenvolvidos para monitoramento ambiental, etc. As possibilidades são infinitas. No entanto, nada acontece neste sentido. Falta é vontade política, ou seja, prefeito.

Por Falta de Telhado Peças Históricas se Perdem no Museu Monlevade




Não é por menos que o Museu Monlevade do Ferro e do Aço encontra-se fechado à visitação. Como demonstram as fotos anexas, todo o telhado que cobria e protegia as peças originais da Fábrica de Ferro de Monlevade veio à baixo há muito tempo e ainda não foi reconstruído pela Arcelormittal.
Entre as peças que se encontram expostas à chuva e às intempéries, destacam-se o Martelo/Pilão e sua fornalha - a primeira máquina a vapor da indústria brasileira - e vários outros equipamentos chegados à sua fábrica através da Expedição Monlevade pelo Rio Doce, em 1828, além de outros, com especial preocupação para os de madeira, como uma das rodas hidráulicas utilizadas para soprar os fornos da Fábrica Monlevade. Tais rodas são citadas por João Monlevade em seu relatório de 1853:


..."Na fábrica velha existem duas rodas hidráulicas poderosas... um bicame ou tanque d’água, colocado a trinta palmos acima do fundo do canal, e no meio da casa está recebendo a aguada tôda do ribeirão, dando a fôrça motriz para as duas rodas, e o vento necessário por meio de quatro trompas, repartidos com canais de braúna por tôdas as partes".

A madeira não suporta a ação da chuva, etc, e, sem o telhado, em pouco tempo a Roda D’água, o carro de boi e outros objetos do Museu Monlevade se perderão para sempre.
Até o tempo em que o Grupo Arbed foi proprietário da Usina Monlevade, o Museu funcionou, aparentemente, bem na conservação de seu precioso acervo. Hoje, com a era Mittal, o Museu é mantido fechado para que o monlevadense não seja testemunha da absurda perda de mais de patrimônio histórico e identitário. O indiano Mittal não investe um centavo sequer em Monlevade se não for para o lucro. Ora, se não tem interesse no patrimônio histórico monlevadense, deveria entregá-lo a seu povo.

quinta-feira, 14 de abril de 2016

Monlevade Vive Surto Velado de Dengue


Apesar do silêncio da Administração Municipal, a sensação geral é de que Monlevade vive um dos piores surtos de dengue de sua história. A todo momento chega a notícia de mais um tombado pela dengue. A situação de atendimento no Hospital Margarida e nos postos de saúde é de apuros. 
É certo que o estado de imundice em que se encontra a cidade favorece o surto de dengue. Os criatórios do mosquito transmissor são urbanos. 
Diante de uma situação desta natureza, qualquer protocolo de saúde pública, minimamente eficiente, conduziria as autoridades locais para o acionamento de um alerta geral a ser divulgado em todos os meios de comunicação do município, informando sobre a conjuntura e convocando a população para se engajar no controle dos criatórios do mosquito, etc. 
Mas o protocolo dos Torres é o silêncio. A rádio Cultura, um concessão pública outorgada ao pai do prefeito, que deveria ser utilizada para informar a população em eventos dessa natureza segue nada divulga. A Secretaria de Saúde não solta uma nota sequer, nem mesmo os números. 
Enquanto isso, o Município segue sem curso, tal qual um navio fantasma e um após o outro, a dengue vai tombando o monlevadense, que também não encontra atendimento médico no Hospital Margarida.

Inaugurações de Reformas Torres


Tudo que dependa da liderança política direta do prefeito encontra-se parado em João Monlevade. O pouco que se realiza na atual administração é por meio de empreiteiras.
Neste 4º ano de mandato de Teófilo Torres em que o prefeito já é pré-candidato à reeleição, a imprensa oficial divulga com estardalhaço uma série de inaugurações da atual administração, como no caso da Estação de Tratamento D’água, de escolas e postos de saúde. 
Ocorre que todas essas inaugurações são relativas a reformas realizadas em prédios públicos. E manutenção em bens do patrimônio municipal nada mais é do que a obrigação do prefeito. Tanto é assim que a Lei de Responsabilidade dos Prefeitos prevê punição para o chefe do Executivo Municipal omisso na manutenção dos bens públicos.
Como tudo no governo Torres, tais reformas são realizadas por meio de empreiteiras terceirizadas, as mesmas que receberam os 22 milhões de reais na absurda e fracassada tentativa de adaptar o prédio do antigo terminal rodoviário num hospital de 100 leitos – o pretenso Santa Madalena.
As empreiteiras que, umbilicalmente, orbitam a administração Torres demonstram uma ânsia especial para a contratação, justamente, de obras de reforma, pois assim faturam mais dinheiro em maior velocidade. 
É que, diferentemente, de se empreender uma obra de construção civil integral, em que muito do tempo da execução do projeto é empenhado para a implantação da base e o levantamento da alvenaria que, relativamente, têm menor valor agregado, na reforma, que lida com a re-instalação de redes, de equipamentos, de acabamentos, etc, o valor dos materiais empregados é muito maior. Assim, com as reformas, as empreiteiras faturam mais em menor tempo. 
O próprio Santa Madalena foi uma dessas reformas, com o agravante de que pouco importava o que se reformava ali, já que ainda hoje aquele trambolho de concreto não se encontra, estruturalmente, apto ao funcionamento, conforme as normas da Vigilância Sanitária.

sexta-feira, 8 de abril de 2016

188 Anos da Chegada da Máquina a Vapor a Monlevade


Nas fotos, o Martelo/Pilão de Monlevade, movido a vapor, e sua respectiva caldeira. 

 Hoje, 08/04/2016, completam 188 anos da chegada da Máquina a Vapor a Monlevade. O monlevadense nunca ouviu falar sobre ela, mas trata-se da primeira a ser empregada em método industrial no Brasil. Antes da de Monlevade, houve emprego de máquina a vapor na Bahia, a partir 1810. No entanto, era utilizada como força motriz de engenhos de cana-de-açucar, isto é, de uma manufatura. A primeira empregada em método industrial, certamente, é a de Monlevade, 17 anos antes do Barão de Mauá lançar-se como o pai da Indústria Brasileira.  Aliás, em momento muito posterior, depois da morte de Monlevade, o próprio Barão de Mauá adquiriria sua Fabrica de Ferro, através da Companhia de Forja e Estaleiros
Trata-se se um Martelo-Vapor, com malho cambiável de até 1.200 quilos, chegado à Fábrica de Ferro de Monlevade, junto de outros equipamentos, em 8 de abril de 1828, através de intrépida navegação pelos rios Doce e Piracicaba, conforme noticiado na edição do periódico ouropretano "O Universal" de 19 de abril do mesmo ano .
Após a instalação da máquina a vapor, a Fábrica de Ferro de Monlevade passou a produzir também os trituradores para o processamento do minério de quartzo aurífero nas Companhias Inglesas que exploravam as Minas de Ouro do Congo Soco, Morro Velho, Pari, além de outras. Somente em Morro Velho, funcionavam, dia e noite, 36 pilões de 80 quilos de peso, cada um, que nesse trabalho contínuo tinham de ser substituídos a cada 90 dias, situação que não apenas impunha escala industrial à Fábrica de Monlevade, como também representava a indústria pesada da época. Além de uma variada gama de artefatos e ferramentas de ferro, alguns bastante elaborados como se tem relato de um de seus escravos que  fez dois relógios de parede e uma máquina de costura, Monevade também produzia bens de capital, o que atesta o emprego industrial de sua Máquina a Vapor.    
Sem precedentes na história de Minas Gerais e chefiada por Lourenço Aquiles Lenoir, a Expedição Monlevade durou cerca de sete meses, percorrendo mais 1.100 quilômetros, desde o Rio de Janeiro até João Monlevade e foi uma verdadeira operação de guerra, que, com auxílio decisivo dos índios Botocudos, mobilizou  4 divisões militares do Rio Doce, comandadas por outro ilustre francês, Guido Thomaz Marlièri.

"Botocudos em Marcha", Debret.

Ao contrário do que se conta, a submissão da gente indígena que habitava os chamados “impenetráveis sertões do Rio Doce” não foi feita, facilmente, à troca de espelhos ou bugigangas. Na região vivia um índio guerreiro, antropófago, extremamente, temido, da etnia Krenak, chamado pelo de Botocudo por usar a botoca que lhes transfixava o beiço e nas orelhas.  Em 1808, havia-se declarado “guerra justa” aos Botocutos que viviam da abundância da pesca, caça e coleta de alimentos, proporcionadas pelo rio e pelas densas e pródigas florestas de Mata Atlântica que se estendiam por toda sua bacia. Uma das missões de Marlièri era "pacificar" os Botocudos, o que impunha a manutenção de consideráveis e contingentes militares ao longo de todo o trajeto do Rio Doce, que, por isso, já se encontrava seccionado em circunscrições entre várias divisões de guerra.
As mais de 7 toneladas de equipamento, incluindo a máquina a vapor, haviam sido importadas da Inglaterra, tendo chegado ao Rio de Janeiro, em meados do ano de 1827, num navio de carreira. Na alfândega do Rio, foram transferidas para um barco menor, de dois mastros, chamado de Sumaca, e, a temer a ação de Piratas, deixaram a Baía de Guanabara, com atraso, rumo ao litoral-norte do Espírito Santo, comboiadas  por duas pequenas embarcações de guerra, vencendo a foz do Rio do Doce, até Linhares. Lá, a carga foi dividida entre 12 canoas militares da 6ª Divisão Militar do Rio Doce (DMRD), que, devidamente, abastecidas de víveres e guarnecidas dos respectivos soldados, canoeiros e muitos índios Botocudos para auxiliarem nas baldeações nas cachoeiras e corredeiras que se seguiriam, deram continuidade à longa e inédita viagem rio acima.
Na Cachoeira de Baguari, próxima de onde se localiza, hoje, a cidade de Governador Valadares, as cargas foram baldeadas para as canoas da 1ª DMRD e seguiram até a Cachoeira Escura (Belo Oriente/MG), de onde foram, novamente, baldeadas, desta vez para as canoas das  2ª e 4ª DMRD, sempre com a ajuda de dezenas de índios, e seguiram para a localidade de São Miguel do Piracicaba, onde Monlevade as esperava, ansiosamente, para equipar sua Fábrica de Ferro que, em pouco tempo, se tornaria a mais equipada e importante do Brasil Imperial.


Do porto do Rio de Janeiro a João Monlevade/MG, de 18 de setembro de 1827 a 8 de abril de 1828, totalizando 7 meses de viagem , 1.100 quilômetros percorridos, sendo 600 por cabotagem entre o Rio de Janeiro e Regência/ES e 500 através de navegação pelos rios Doce e Piracicaba acima, abrangendo 3 estados brasileiros e transportando 7.500 quilos de carga.
Hoje, 188 anos depois da verdadeira epopeia que foi introduzir tão pesado e relevante maquinário em Minas Gerais, os equipamentos trazidos pela Expedição Monlevade, inclusive o Martelo-Vapor de 1.200 quilos, sua caldeira, etc, encontram-se expostos ao tempo, no Museu fechado à visitação, mantido pela Arcelormittal no Solar Monlevade, na cidade de João Monlevade.   

quinta-feira, 7 de abril de 2016

"Teófilo precisa é de uma boa Monlevade"


Em meados dos mil e oitocentos a famosa Fábrica de Ferro de Monlevade já se encontrava em franco funcionamento, produzindo ferramentas de todas as formas e tamanhos e até mesmo bens de capital, que eram empregados nas Companhias Inglesas que exploravam as Minas de Ouro do Congo Soco, Morro Velho, etc.
Dentre os inúmeros artefatos de ferro, eram, especialmente, famosas as enxadas de três libras (1,5 kg), conhecidas pelo nome do fabricante e terror dos preguiçosos a quem se advertia:

 -“Fulano precisa é de uma boa Monlevade!"

Quase duzentos anos depois, é a cidade de João Monlevade que precisa de uma boa enxada. O Município nunca esteve tão sujo e dominado pelo mato! As touceiras se multiplicam e tomam passeios, praças, canteiros e vias.
A terceirização do serviço de limpeza pública, efetivada no início do governo Teófilo Torres, não tem dado conta de manter a cidade limpa. Teófilo chega a seu 4° ano de mandato com a cidade, literalmente, imunda, apesar do empenho de moradores, como o da foto.