quinta-feira, 5 de setembro de 2019

Raio-X Quebrado


Há dias circula a informação de que o aparelho de raios-x do Hospital Margarida se encontra quebrado. Outro aparelho de imagem importante, o tomógrafo, também deixou de operar no hospital por falta de pagamento.
A verdade é que o Hospital Margarida não tem dinheiro para manter os mais básicos dos serviços hospitalares, como o fornecimento de exames de raio-x, mas tem para outros. Enquanto a paralisação de exames básicos atesta a grave crise administrativo-financeira vivenciada pelo único hospital do Município, para outras situações muito menos emergenciais não falta dinheiro. É o caso da contratação de funcionários e da manutenção de contratos de prestadores de serviço, como o plano de saúde Top Vida Card ou os empreiteiros de sempre que já reformaram o Hospital Margarida, pelo menos, umas três vezes. Será que uma instituição que não tem conseguido honrar com o custeio da manutenção de equipamentos básicos, estando também em atraso com o pagamento de honorários médicos desde fevereiro, pode ter condições de manter contratos onerosos de obra de reforma de construção civil, etc ou de abrir vagas para nova contração de pessoal? A resposta deveria ser não. Mas, não é o que acontece no Hospital Margarida. Com a aproximação do período eleitoral, mais e mais cabos eleitorais da prefeita são contratados, enquanto outros nunca têm o faturamento atrasado, apesar da alegada crise.
Como o Hospital Margarida é substancialmente subvencionado pelo Município, é preciso aprovar com urgência na Câmara lei que obrigue a ASVP a prestar contas quadrimestrais à sociedade sobre a verdadeira situação financeira e patrimonial do hospital, de forma a trazer a transparência que hoje não existe na gestão financeira do Margarida, inclusive revelando a verdade sobre as contratações de prestadores de serviço e de cabos eleitorais do governo. Somente assim, se poderá prevenir o HM da situação em que se encontra hoje. Porque não se engane. Quando a turma que está no poder lavar as suas mãos e entregar o Hospital Margarida com uma dívida de 30 milhões, à beira do fechamento, tudo deverá ser revelado.

segunda-feira, 26 de agosto de 2019

Belmar Diniz é uma Vergonha!



Ontem, circulou a notícia de que a comissão de Orçamento e Finanças da Câmara aprovara, com voto favorável do vereador Belmar Diniz, o empréstimo de 3 milhões de reais junto ao BDMG para a prefeita asfaltar ruas no apagar das luzes do mandato.
Trata-se de mais um voto favorável do vereador Belmar Diniz a projeto político conservadorista destinado à manutenção do grupo de situação no poder, que se soma à lista de outros votos, igualmente, favoráveis e prestados pelo vereador petista à turma de Carlos Moreira, como também foram os casos da aprovação da terceirização do DAE, da implantação do Rotativo terceirizado e da autorização para a Enscon cobrar a passagem a bordo do coletivo apenas por meio de bilhetagem eletrônica. E agora, vem me dizer que Belmar votou favorável a projeto, visivelmente, eleitoreiro da turma de Carlos Moreira, contrário ao conteúdo programático de seu partido, sem barganhar nada? Votou pelo ideal!? Logo Belmar, um idealista que, em áudio vazado há pouco tempo, foi flagrado pedindo para Carlos Moreira cargo no governo! A visão de um vereador como Belmar Diniz no Partido dos Trabalhadores de João Monlevade dá vontade da gente sumir, literalmente.
É óbvio que o asfaltamento pretendido pela prefeita não trará desenvolvimento algum para Monlevade. Trata-se de ação desesperada de um governo que não conseguiu demonstrar qualquer liderança política na produção de resultados. Tudo que demanda a liderança pessoal da prefeita para acontecer, simplesmente, não acontece em João Monlevade. Já o asfaltamento não precisa de liderança política para acontecer, basta a contratação de alguma empresa para fazer o serviço. A prefeita não vai asfaltar porque quer, ela não tem outra opção, na tentativa de mostrar alguma realização. E a experiência que se tem é que o asfaltamento de ruas em véspera de ano de eleição, invariavelmente, se dá sem a instalação prévia da rede pluvial, meio-fio, passeios, etc. No governo de Simone já se viu até grama crescer do asfaltamento.
Em Monlevade, mais do que em qualquer outro lugar, asfaltamento por si só não é sinônimo de desenvolvimento. Ao contrário, o asfaltamento eleitoreiro e inconseqüente, sob o ponto de vista ambiental, tem se tornado sinônimo de inundação e prejuízo. É que com exceção da Avenida Getúlio Vargas, que foi uma movimentada rota de tropeiros e carreteiros, as demais avenidas de Carneirinhos e entorno foram construídas sobre ribeirões canalizados. Significa dizer que, muitas casas e comércios de Carneirinho se encontram, literalmente, localizados nas margens de ribeirões que, muito embora não possam ser mais vistos, estão ali. Dessa forma, nas ruas, o recomendado é o pavimento de blocos que permitem a absolvição da água da chuva. Do asfaltamento da área de eventos do Parque do Areão ocorrido recentemente, sem o estudo ambiental devido, pode-se esperar maior quantidade de água a verter para as avenidas no período chuvoso que se aproxima, potencializando o risco de inundações.
Resumo da Ópera: mais um projeto aprovado por Belmar Diniz com o objetivo de manter a situação no poder, em troca da potencialização das inundações em Carneirinhos e sabe-se lá mais o quê. A vontade é mesmo de sumir!

terça-feira, 20 de agosto de 2019

Da Fundamental Produção de Carvão à Gastronomia possível nos Caldeirões da Senzala Monlevade




Atividade fundamental para o funcionamento da Fábrica de Ferro de João Monlevade foi a produção do carvão em escala fabril. Antes de se fixar em S. Miguel do Piracicaba, o próprio Monlevade já havia estabelecido fornos para a redução do ferro em Sabará e Caeté, onde encontrara imensa dificuldade de produção devido a inexistência de matas abundantes para o fabrico do carvão de forma ininterrupta. Aqui, onde hoje é o município homônimo, João Monlevade encontrou não apenas acesso ao Rio Piracicaba, por meio do qual transportaria as pesadas máquinas importadas da Inglaterra para sua indústria, como também o minério de ferro com fartura e qualidade extraordinária, além de uma luxuriante e extensa faixa de Mata Atlântica, que seria determinante para o processo de produção de seu fabuloso estabelecimento, fornecendo-lhe, sobretudo, a madeira para o fabrico do indispensável carvão. 
Sem dúvida, a produção em escala do carvão foi atividade chave para a Fábrica de Ferro Monlevade e, portanto, exigia imenso esforço de trabalho do empreendimento, ocupando porção significativa de sua mão-de-obra. Dos 150 escravos de Monlevade, grande parte se dedicava à derrubada da madeira, corte e transporte da lenha, enfornamento e transporte do carvão. 
No Relatório de 1853, Monlevade registra que mantinha "duas pontes lançadas sobre o Rio Piracicaba as quais por longos anos facilitarão o ingresso do carvão, etc, etc, de ambos os lados do mesmo”. Trata-se de preciosa informação, da qual se infere que eram, pelo menos, duas as suas carvoarias de Monlevade, cada uma de um lado do rio. Acredito que uma delas se localizava nas imediações de onde é hoje o Clube de Caça e Pesca e a outra no Bairro Vila Tanque. É muito provável que as vias que hoje representam o traçado da Avenida Aeroporto, da Rua Dr. Geraldo Soares de Sá e do acesso ao Campo de Aviação foram, originalmente, abertas no meio da mata por Monlevade para condução da lenha e do carvão até os fornos de sua fábrica. Como eram transportados por imensos carros de bois de quatro rodas, faz muito sentido que os mesmos subissem para a mata vazios e, depois de carregados com a lenha para o enfornamento ou com o carvão já pronto, desciam o morro, favorecidos pela gravidade, até a Fábrica de Ferro, que se localizava onde hoje é a Rua dos Contratados, logo abaixo do Solar Monlevade. 
No mesmo relatório Monlevade não registra o quanto de carvão sua fábrica produzia, diariamente. Contudo, revela que, por dia, ela rendia "30 arrobas de ferro”, ou seja, 450 quilos diários do metal. A partir de tal informação e da relação existente de 6 toneladas de carvão para uma tonelada de ferro produzido pelo método catalão, pode-se estimar que a Fazenda Carvoeira de Monlevade não podia produzir menos do que 3 toneladas de carvão por dia.É preciso considerar ainda que o fabrico do carvão se tratava de serviço sazonal, já que no período das chuvas, por motivos óbvios, se tornavam muito mais difíceis os trabalhos de corte da madeira, de enfornamento e de transporte da mesma. É possível ainda que Monevade produzisse mais de 3 toneladas de carvão, diariamente, estocando parte deste essencial insumo para ser consumido durante o período chuvoso, quando o serviço era quase interrompido devido as más condições das estradas e ao encharcamento da lenha. 
Aspecto também muito interessante sobre a produção de carvão vegetal em Monlevade é que tal atividade colocava a mão-de-obra do estabelecimento em contato direto com a Mata Atlântica local. Muitos escravos monlevadenses passavam o dia inteiro dentro da mata, derrubando, picando e transportando a madeira para as carvoarias. E neste contato direto com a mata, é esperado que dela os escravos não retiravam apenas a madeira para o carvão ou para as demais necessidades do estabelecimento. Considerando que, muito além da madeira, a mata é riquíssima em alimentos, é bastante possível que dela os escravos de Monlevade também aproveitavam muitos itens para incrementar a comida que lhes era preparada na cozinha. 
Infelizmente, o arquivo de registros, de relatórios, de correspondências, de periódicos e a biblioteca mantida por João Antônio de Monlevade foram extraviados para o Rio de Janeiro, quando a propriedade da família foi vendida para a Companhia Nacional de Forjas e Estaleiros em 1891, encontrando-se, ainda hoje, em local desconhecido. Assim, faltam subsídios específicos, capazes de revelar com precisão o que era preparado pela cozinha da Senzala Monlevade. Contudo, ainda no Relatório de 1853, João Antônio de Monlevade descreve uma série de características de seu estabelecimento que, conjugadas com o conhecimento sobre os víveres disponíveis na mata, nos permitem um pequeno vislumbre de alguns pratos, possivelmente, servidos na cozinha da Senzala Monlevade, durante os mais de 50 anos de funcionamento da maior e mais importante Fábrica de Ferro do Brasil Império . Ele registrou:
“ ... a superfície do terreno é geralmente coberta de matos e pouca produtiva de milho e feijão, mas sendo geralmente arenosa em muitas localidades frescas, produz muita batata doce, mandioca, etc... Em roda destes edifícios, o terreno está sempre ocupado de plantações úteis... Esta aguada é muito importante dando, mesmo no terreiro, impulso a um engenho de pilões, moinho para o fubá à moda européia , ralador de mandioca, etc.”
Dos trechos destacados acima e extraídos do Relatório de 1853, pode concluir-se que a base da alimentação na cozinha Monlevade eram o feijão, o milho e a mandioca, todos alimentos de origem indígena. Naquela época, o arroz e a farinha de trigo eram muito menos difundidos do que hoje. Ao citar moinho de milho e ralador de mandioca, Monlevade indica que o milho e a mandioca eram consumidos também em forma de farinhas e da canjiquinha. Quando Monlevade assinala que “o terreno está sempre ocupado de plantações úteis”, pode-se compreender que em torno do Solar havia um grande pomar e uma imensa horta, repleta de variedades de pimentas, condimentos, o urucum, etc. Monlevade também criava muito gado bovino, que era empregado na em juntas na tração dos imensos carros de bois de quatro rodas, donde se pode deduzir também que, esporadicamente, algum corte bovino deveria integrar o cardápio do almoço de seus trabalhadores. Monlevade não cita o porco. Mas, partindo do princípio da auto-suficiência com que era conduzido seu empreendimento, buscando sempre produzir todo o necessário para tudo, pode-se crer que existissem também os chiqueiros para a engorda de porcos, já que a carne suína já era muito difundida em Minas, naquela época. Muito difícil pensar em comida no sec. XIX, sem o porco, cuja banha era utilizada como meio geral de fritura e conservação da carne. E todos estes ingredientes, somados ou não aos produtos da exuberante Mata Atlântica local, resultam numa variedade pratos que podem ser muito interessantes sob o ponto de vista gastronômico, como veremos a seguir. 
O primeiro deles é uma exceção, é o feijão tropeiro. A Fábrica de Ferro de Monlevade era considerada a Meca dos Tropeiros, atraindo muitas tropas das diversas regiões da província, já que produzia cravos, ferraduras e prestava serviço completo de ferragem de animais. Lá era possível ferrar uma tropa inteira em muito pouco tempo, por preço cômodo. Havia também muitos tropeiros que viviam, exclusivamente, de revender os mais variados artefatos de ferro fabricados por Monlevade, Minas Gerais afora. As estradas abertas por Monlevade na região e as duas pontes mantidas por ele sobre o Rio Piracicaba também atraiam muitas outras tropas que delas se serviam. Além do mais, dentre seus escravos, Monlevade contava com ótimos carreiros, que conduziam os carros de bois de quatro rodas para os diversos fins e até longas distâncias, além de ótimos arrieiros, responsáveis pelo transporte das tropas próprias do estabelecimento. De modo que, por influência do intenso tropeirismo incidente sobre a Fábrica de Ferro, o feijão tropeiro era, sem dúvida, um dos principais pratos preparados na cozinha da Senzala Monlevade que não se pode deixar de citar nesta oportunidade, apesar de não relacionado com os produtos da mata, já que é composto basicamente de feijão, farinha de mandioca e toucinho de porco conservado na banha, produtos estes menos perecíveis e, portanto, capazes de perdurar às longas viagens que os tropeiros faziam. E ainda sobre o feijão é de se deduzir que o mesmo também era cozido com trupicos de porco, em grandes caldeirões de ferro fabricados pelo próprio Monlevade, numa espécie de embrião da feijoada, que não podia deixar de ser servida com farinha de mandioca e pimenta malagueta. O feijão cozido, servido com o angu também deveria ser um prato muito comum, assim como a Vaca Atolada, que é a mandioca cozida com carne bovina. 
Mas, de volta à Mata Atlântica local, sabe-se que ela é muito rica em gêneros alimentícios como frutas, palmitos, tubérculos, folhas e a caça que era muito difundida, antigamente, como fonte de alimento. Sabe-se que foram os primeiros habitantes destas matas - os índios botocudos - quem trouxeram por meio de inédita navegação pelo rio as sete toneladas e meia de maquinário para equipar a primeira Fábrica de Ferro Monlevade, a partir de 1828. Caso os escravos de Monlevade tivessem mantido alguma troca de conhecimento com os botocudos sobre o aproveitamento dos alimentos da floresta, então, as possibilidades de pratos derivados de itens da mata são infinitas. 
A Mata Atlântica local é abundante de uma ave chamada jacu, muito parecida com o frango, de palmito Jussara e do ora-pro-nobis, que também é nativo. O cruzamento do jacu com frango doméstico gera até um híbrido. Daí, no âmbito da cozinha da Senzala Monlevade,pode-se pensar num prato semelhante ao frango cozido, com ora-pro-nobis, salsa e cebolinha servido com farinha de mandioca e pimenta malagueta. Ou, então, frango cozido, com palmito Jussara, servido com angu e pimenta malagueta.
Quem conhece a Mata local, sabe que ela também é muito rica em chuchu e bananeira, que não são nativos. A difusão do chuchu, das bananeiras e de outras espécies nas matas do Hospital Margarida e do Clube Embaúba merece estudo e pode significar que a Mata Atlântica local representava, de fato, uma fonte de alimentação complementar tão importante para os trabalhadores da Fábrica de Ferro Monlevade, a ponto de seus escravos terem, além da prática do extrativismo, também introduzido e disseminado espécies exógenas na mata, buscando sempre uma maneira de incrementar a alimentação que lhes era devida. Ora, se não são nativos, quem teria plantado chuchu e bananeiras na mata inteira (fotos)? 
Daí, se pode pensar também num prato de chuchu, refogado com urucum, cozido com carne de boi, salsa, cebolinha, servido com farinha de mandioca ou angu e pimenta malagueta.
Pode-se pensar também na canjiquinha cozida com toucinho defumado, servida com banana da terra frita na banha, salsa, cebolinha e pimenta malagueta. 
Além dos alimentos salgados também há outros dos quais se pode fazer doces. Da batada-doce, expressamente, citada por Monlevade, se pode fazer o correspondente doce, assim como das abóboras, que também são nativas. O palmito Jussara também produz um açaí, especialmente, frutado. Há ainda na mata muito abacate, do qual também se pode fazer doce e extrair o óleo. E ainda há o ingá, o morango silvestre e as ameixas, que não são nativas, apesar de muito difundidas na mata. 
Como já mencionado, trata-se de tema que merece estudo muito mais aprofundado e cuja passagem rápida já nos enche de água na boca e nos permite um pequeno e apetitoso vislumbre dos pratos originais que alimentaram os pioneiros da história local e embasam nossa culinária ancestral, lembrando ainda que por óbvia influencia da culinária mineira, tudo era preparado mediante alho, cebola e urucum refogados. 



sexta-feira, 9 de agosto de 2019

NOTA DA CLÍNICA UROLÓGICA DO HOSPITAL MARGARIDA

No dia de ontem, com o título “Médicos urologistas entram na justiça para barrar a entrada de novo profissional para atender a clínica urológica do Hospital Margarida”, circulou nas redes sociais texto sobre o qual, apesar de apócrifo, não resta dúvida de que se trata de manifestação do presidente da ASVP, José Roberto Fernandes.
Primeiramente, é preciso relembrar que não é a primeira vez que o presidente da ASVP se dirige de maneira hostil e inapropriada a membro da Clínica Urológica, com o objetivo de tentar denegrir o exercício da medicina dentro do Hospital Margarida e de desinformar a população, conforme seus interesses. Logo que foi empossado, o atual presidente da ASVP utilizou-se de meio de comunicação social para proferir uma série de graves e infundadas ilações contra membro da Clínica Urológica. Foi processado, não conseguiu comprovar nenhuma das acusações infundadas que fizera e foi condenado pela Justiça. Em seguida, inventou o descumprimento de uma suposta quota de 60% de atendimentos médicos pelo SUS para denunciar membro da Clínica Urológica junto ao CRM, a fim ter mais uma oportunidade de denegrir o exercício da medicina no Hospital Margarida. O médico denunciado foi absolvido por unanimidade junto ao Conselho de Ética do CRM. Depois, valendo-se de meio impresso de comunicação local, violou sigilo processual da tramitação do procedimento que inventara junto ao CRM para ter outra oportunidade de denegrir o exercício da medicina no Hospital Margarida. Foi condenado pelo Tribunal de Justiça a se abster de denegrir o médico e, o respectivo jornal, a proceder ao direito de resposta devido. Agora, o presidente da ASVP, novamente, se vira contra a Clínica Urológica, com o objetivo de denegri-la e de desinformar a população, conforme lhe convém.
Não é verdade que os “médicos urologistas entraram na justiça para barrar a entrada de novo profissional para atendimento da clínica urológica”.  A admissão do médico em questão será apreciada de forma autônoma e em tempo hábil pelos membros do Corpo Clínico, conforme preceitua o Regimento Interno, havendo inclusive, grande possibilidade de sua aprovação. Contudo, o que a Clínica Urológica não pode admitir é qualquer tipo de imposição autoritária em suas decisões de natureza médica, como intentou, recentemente, o presidente da ASVP, frustrando-se de fazê-lo por liminar correta e justa concedida pela Justiça, em sede de Mandado de Segurança. O inciso X, do Capítulo I, do Código de Ética Médica é muito claro no sentido de que “o trabalho médico não pode ser explorado por terceiros com finalidade política”.   
Na oportunidade, a Clínica Urológica reafirma seu compromisso médico diante da população regional, esclarecendo que todos os casos de urgência e emergência a ela encaminhados são, prontamente, atendidos, assim como os casos eletivos que obedecem a agendamento próprio, cujo atendimento não pode ser de maneira alguma submetido a interesse político de terceiros.  
Por fim, a Clínica Urológica se vale da oportunidade para, publicamente, requerer à Associação São Vicente de Paulo e a seus associados que apresentem, urgentemente, nome alternativo para presidir a entidade de forma a reconduzir o Hospital Margarida à normalidade necessária ao exercício da medicina e ao bom atendimento da população.

João Monlevade, 09 de agosto de 2019.

Dr. Getúlio Garcia            Dr. Jamilton de Sousa  
  



quarta-feira, 7 de agosto de 2019

Liminar da Justiça Invalida Interferência Abusiva do Provedor no Corpo Clínico do Hospital Margarida



O juiz de Direito da 2ªVara Cível de João Monlevade, Wellington Braz, determinou em caráter liminar de urgência a invalidade da notificação ASVP-13/2019, expedida pelo provedor do Hospital Margarida, José Roberto Fernandes, e dirigida à Clínica Urológica daquele nosocômio.Trata-se de ação de Mandado de Segurança, impetrada pelos médicos Getúlio Garcia e Jamilton de Sousa contra ato indevido de ingerência médica praticado por José Roberto Fernandes em perigosa ofensa à autonomia do Corpo Clínico do Hospital Margarida. 
Mediante a expedição da notificação ASVP-13/2019, datada de 18 de julho, José Roberto Fernandes intentava interferir na composição da Clínica Urológica, mandando que profissional indicado por ele fosse, sob pena de apuradas as responsabilidades, integrado à respectiva escala de sobreaviso, sem a devida aprovação dos membros do Corpo Clínico, o que viola o Regimento Interno do HM e extrapola a competência, meramente, administrativa do presidente da ASVP. Ao prolatar a decisão liminar, o magistrado destacou que “no que se refere ao perigo de dano, resta devidamente demonstrado que o adiamento do deferimento da medida é potencial de causar dano ao funcionamento autônomo do Corpo Clínico do Hospital Margarida, por violação do disposto nos artigos 3º e 14º, J, do Regimento Interno”.
É a primeira vez que médicos se vêem obrigados a processar o provedor do Hospital Margarida, a fim de se afastar a possibilidade de dano no funcionamento autônomo do Corpo Clínico, causada por grave violação do Regimento Interno, praticada por quem deveria zelar pelo bom funcionamento técnico do único hospital do Município. José Roberto foi intimado para cumprir a decisão e a apresentar resposta no prazo de 10 dias.

Os Quebra-Molas e o Aumento da Poluição



Em João Monlevade os quebra-molas se tornaram uma praga endêmica, que vem se multiplicado rapidamente. É difícil rodar mais de 300 metros sem que haja a necessidade de transpor mais um quebra-mola, que geralmente é feito fora dos padrões técnicos, danificando a suspensão e desalinhando a direção dos veículos. 
Trata-se da única ação da Prefeitura e Settran, destinada a se fazer cumprir a regulamentação de trânsito no que diz respeito ao limite de velocidade das vias. O quebra-molas é um meio coercitivo para fazer o motorista cumprir o limite de velocidade local, eis que, no caso de se passar sobre ele em velocidade mais elevada, o veículo sofre choque mecânico, de baixo para cima, que pode danificá-lo, seriamente. Não se vê em João Monlevade, por exemplo, a inclusão efetiva da matéria “Trânsito” nos currículos escolares, já que o conhecimento das normas de trânsito também deve ser encarado como uma questão de cidadania. O bom cidadão não pode ser, ao mesmo tempo, um mau motorista. Também não se vê campanha educativa nem nada do gênero. E dá-lhe quebra-molas, que, invariavelmente, também são instalados, sem qualquer estudo técnico, para atender algum eleitor leigo que acha que ali existe a necessidade para mais um deles. 
Mas, se a prefeita manda instalar quebra-molas a torto e a direita, sem qualquer critério técnico, pouco se importando para com o transtorno e o dano ocasionado pelos mesmos nos automóveis dos contribuintes, deveria, pelo menos enxergar as questões ambientais e de saúde pública que envolvem os mesmos. É óbvio que a instalação massiva e indiscriminada de quebra-molas pela cidade aumenta o consumo de combustível da frota local, aumentando também a emissão de poluentes, o que significa um ar muito mais poluído e tóxico para o munícipe. No caso dos ônibus, caminhões e carretas, que utilizam o óleo diesel como combustível, a situação é muito mais grave. Segundo a OMS, os gases provenientes da queima nos motores diesel são umas das principais fontes de substâncias cancerígenas presentes na atmosfera dos centros urbanos. Resumo da Ópera: para atender seus eleitores, visando a manutenção do projeto de poder, a prefeita enche a cidade de quebra-molas, o que resulta numa cidade muito mais poluída para se viver e, conseqüentemente, submete o monlevadense à uma série de riscos respiratórios e de saúde. Será que vale o risco?

terça-feira, 23 de julho de 2019

Hospital Margarida: Silêncio Sepulcral da Imprensa Marqueteira



Embora já se tenha anunciado a grave situação financeira do Hospital Margarida, o tema não tem sido pautado com afinco pela imprensa local. Ainda hoje, o valor consolidado da dívida do hospital sequer foi anunciado. E pior, não se sabe o quanto cresce a dívida nem como vem se comportando o excesso de gasto do hospital. Observa-se que, apesar da crise, o hospital vem contratando mais pessoal e não abre mão de algumas prestações de serviço que deveriam ser consideradas inoportunas no momento de dificuldade financeira, como por exemplo, a de reforma de construção civil. Ninguém reforma a casa quando está desempregado, porque gera endividamento. Mas o que se vê é o contrário, sugerindo que a dívida do hospital tem acelerado seu crescimento.
Há alguns meses, o provedor José Roberto Fernandes anunciou que o hospital poderia fechar suas portas e que o problema financeiro do hospital era a dívida de 4,5 milhões do governo do estado. Veja que o valor apontado pelo provedor não é muito distante da soma corrigida dos recursos que o hospital poderia ter arrecadado com a realização do Bingo em 2016, 2017, 2018 e 2019. Valores tais que apenas não entraram nos cofres do hospital porque o próprio provedor descaracterizou a natureza filantrópica do evento, forçando uma liminar da Justiça que se viu forçada suspender o Bingo, que jamais voltou a ser realizado: a verdade é que, depois do ocorrido, ninguém mais teve coragem de adquirir cartela do até então tradicional Bingo do HM.
O fato é que ninguém revela o tamanho exato da dívida do hospital nem sua projeção. É o segredo mais bem guardado da atualidade em João Monlevade. O provedor jamais revelará, pois os números - que nunca mentem- atestariam, matematicamente, a verdade sobre o hospital, que é palanque eleitoral para 2020. Os jornais locais também não revelarão, pois não revelaram nem o que aconteceu no pretenso e interditado hospital Santa Madalena ao desperdício de muito mais de 22 milhões de reais. Quando foi que um jornal local entrou no prédio do antigo terminal rodoviário e revelou para a comunidade monlevadense tudo o que fato aconteceu ali? Nunca! Hospital tem sido palanque eleitoral, tanto um como a promessa do outro. Com raras exceções, os impressos locais são controlados ou associados a marqueteiros de políticos, de prefeitos, de presidente da Câmara, de provedor de hospital, de vereador, etc. Quando é que o marqueteiro vai revelar a verdade que denigre a imagem de seu cliente? Jamais! Então, quando ler matéria sobre o hospital Margarida nos impressos locais ou sentir falta delas nos jornais, lembre-se de pesquisar se aquele que se declara jornalista tem ou já teve contrato de marqueting político aqui no Município, porque jornalismo e marqueting são atividades, eticamente, incompatíveis que só produzem desinformação quando conjugadas. Trata-se de um estado de coisas muito custoso para a população, já que favorece a manutenção do mau gestor no poder, possibilitando que o mesmo tenha nova oportunidade para gerir mal e a bola da vez é o HM. Já escrevi e volto a dizer. Se não houver uma mudança de postura em relação ao que acontece com o HM, o único hospital da cidade não terá destino muito diferente do que teve o pretenso Santa Madalena. É preciso começar a pensar numa lei municipal que obrigue a Associação São Vicente de Paulo a prestar contas semestrais em audiência pública na Câmara de cada centavo de dinheiro público que é gasto no Hospital Margarida, além das contratações de pessoal, prestadores de serviço, terceirizados, etc. Só não sei se vai dar tempo.

quinta-feira, 18 de julho de 2019

Redescobrindo a História de João Monlevade

 Através dos textos publicados pelo Blog Monlewood, a partir do bicentenário da chegada ao Brasil do minerálogo e metalurgista francês João Antônio de Monlevade, você descobriu que:
a)O traçado da Avenida Getúlio Vargas corresponde a um muito distinto ramo da Estrada Real que dava acesso à Fábrica de Ferro Monlevade, por onde transitavam numerosas tropas e os famosos carretões de quatro rodas, puxados por muitas juntas de bois, que escovam parte da produção de artefatos de ferro de mesma.
b)A Fábrica de Ferro Monlevade era considerada a Meca dos Tropeiros, atraindo diversas tropas de todas as regiões de Minas, não apenas pela prestação do serviço completo de ferragem de animas, como pela grande circulação do comércio de cravos, ferraduras e, sobretudo, pela extensa rede de boas estradas abertas e mantidas por Monlevade, muitas delas carroçáveis e dotadas de pontes para travessia sobre os rios Santa Bárbara e Piracicaba, o que era muito incomum na época.
c)A Fábrica de Ferro Monlevade não produzia apenas enxadas e ferramentas para a agricultura. Monlevade foi por mais de 50 anos o fornecedor preferencial de artefatos de ferro para as dezenas de companhias inglesas de mineração do ouro que se estabeleceram em Minas a partir de 1826, produzindo para elas, principalmente, as cabeças de oitenta quilos de ferro dos trituradores dos engenhos de pilões (foto) empregados no processamento do quartzito aurífero na atividade mineradora. Produzia também para os ingleses peças de ferro muito maiores, de mais de 900 quilos de peso. Outras eram muito mais elaboradas. Há registro de mestre-ferreiro de Monlevade que produziu um relógio de parede e uma máquina costura.
d)As peças de ferro mais pesadas eram entregues ao cliente pelo próprio estabelecimento de Monlevade, não importando a distância. Eram famosos na região seus carretões de quatro rodas, puxados por muitas juntas de bois. Há registro de carretão de Monlevade que entregou um aguilhão de ferro (eixo de transmissão de engenho de pilão) de mais de 900 quilos de peso na Mina do Morro Velho, em Nova Lima, a mais de 80 léguas de distância.
e)Os primeiros martelos e equipamentos para Fábrica de Ferro chegaram a Monlevade em 1828, através de expedição inédita e tripulada por uma centena de índios botocudos, que, em 12 canoas militares (foto), conduziram os 7.500 quilos da preciosa carga do litoral do Espírito Santo ao interior de Minas, através de arriscadíssima navegação pelos rios Doce e Piracicaba.

f)Sob a ótica do estabelecimento em si, não houve apenas uma fábrica de ferro em Monlevade. Elas foram três: a primeira, chamada de Fábrica Velha, funcionou de 1828 a 1853, a segunda, chamada de Fábrica Nova, funcionou de 1853 a 1891 e a terceira, a Fábrica de Ferro de Francisco Monlevade, neto do patrono do Município, funcionou de 1891 a 1897.
g)O Martelo-Vapor (foto), que hoje integra o acervo do Museu do Ferro, pertenceu à Fábrica de Ferro de Francisco Monlevade. Seguramente se trata da primeira máquina a vapor da indústria siderúrgica brasileira e de único exemplar do gênero na América - Latina.
h)E por último, mas não menos interessante. Você descobriu no Monlewood que a Belgo-Mineira instalou a casa de máquinas da Hidrelétrica do Jacuí (foto) no prédio onde funcionou a Fábrica de Ferro de Francisco Monlevade, construído pela Companhia Nacional de Forjas e Estaleiros do Barão de Mauá, prédio este que se encontra de pé ainda hoje, apesar de desconhecido por muitos.

Como se vê não foram poucas as coisas da história local descobertas pelo Blog Monlewood. Continue a segui-lo, pois ainda existe muito mais a descobrir sobre a interessantíssima história fabulosa Fábrica de Ferro de João Monlevade.

quarta-feira, 10 de julho de 2019

Novo Centro: Engenharia e "Custo Quase Zero"?


Assisti ontem a entrevista que circula na internet concedida pelo chefe do SETTRAN, Brenno Lima, em que o entrevistado afirmou que existe projeto de engenharia para o “Novo Centro” e que o custo das intervenções seria “quase zero”. 
O projeto de engenharia que se questiona não é aquele referente à planta das pistas, com a implantação de canteiros, guias, etc. O projeto de engenharia que se cobra é aquele referente à engenharia de trânsito daquela área do centro, em que dados do tráfego de veículos automotores foram previamente coletados nos momentos de pico e em que as características dos fluxos de influência foram analisadas para subsidiar a equação matemática, cuja interação das variáveis será igual a zero, ou seja, o projeto técnico que chega à conclusão matemática de que as alterações realizadas irão facilitar o fluxo de veículos naquele local. Este projeto de engenharia de tráfego não existe, repito. 
Também não se pode admitir a fala de que o chamado “Novo Centro” tenho "custo quase zero” para o erário. Dizer isto é subestimar o dinheiro público.Mesmo que grande parte das alterações no trânsito tenha sido realizada diretamente pela Prefeitura, não é possível crer que aqueles dois semáforos, a substituição do pavimento, a instalação de canteiro, guias, quebra-molas e os vários dias de trabalho, etc, não tenham custado algumas dezenas de milhares de reais para o contribuinte monlevadense. E qualquer soma que ultrapassar o milhar de real ficará bem longe de zero.

segunda-feira, 8 de julho de 2019

Eleições 2020: Railton recebe convite para compor chapa com Guilherme Nasser




O vôo solo do vereador Guilherme Nasser para 2020 é cada dia mais certo. Com as malas prontas para o PSL, Guilherme Nasser é pré-candidato a prefeito. Trata-se de um considerável racha na base política do grupo de Carlos Moreira. Não é de hoje que Guilherme apresenta postura descolada do governo na Câmara. Chegou, recentemente, até a propor projeto de lei que proibia a inauguração de obras  inacabadas, depois que Simone inaugurou a ETE do Cruzeiro Celeste. Nasser vê o mandato de Simone como algo que furou a fila no processo de formação de candidatura a prefeito de seu grupo. Em suma, se sentiu postergado, com razão.  Ele, que é afilhado político de Mauri Torres, deseja ser prefeito e acredita que seu momento é agora. Tanto é que já apresentou convite ao médico Railton Franklin para compor sua chapa como vice, numa dobradinha PSL/PDT. Dr. Railton obteve uma respeitosa segunda colocação nas ultimas eleições, por diferença de apenas 126 votos, quando disputou a prefeitura tendo como vice, o ex-prefeito Dr. Laércio Ribeiro (PT). Dr. Railton também é sogro do irmão de Guilherme Nasser,  o que explica a, até então, incompreendida pressão familiar apresentada pelo pedetista como justificativa para retirar sua candidatura, como havia feito há pouco mais de 90 dias.  

sexta-feira, 5 de julho de 2019

Novo Centro Piorou




O não alcance do resultado desejado no projeto chamado de “Novo Centro”, da prefeita Simone/Carlos Moreira, não surpreende e é mais uma conseqüência de um governo marcado pela aversão à engenharia e aos procedimentos técnicos.
O tráfico de veículos automotores é objeto de estudo da disciplina conhecida como Engenharia de Trânsito. É muito difícil encontrar resultados satisfatórios no trânsito, sem que as ações destinadas a seu aprimoramento sejam precedidas do devido estudo de engenharia, como ocorreu no caso das alterações provocadas pelo projeto executado pelo SETTRAN. Infelizmente, Monlevade não conta com um engenheiro de trânsito na chefia do SETTRAN, de modo que não se pode esperar outra postura do órgão a não ser a de “tentativa e erro”, o que não é admissível numa administração pública, que deve nortear suas  ações no princípio da eficiência, como determina a Constituição. Ao contrário do que dizem os governistas e vinculados, as situações de acessibilidade e de congestionamento naquele ponto do centro comercial, no horário de pico, de fato, pioraram a olhos vistos.  Antes, era possível trafegar pelas ruas paralelas à A. Getúlio Vargas,  para subir em direção aos bairros, voltando pela R. Joana d’Arc ou pelo beco do hotel e contornando no Cabritinho para seguir em direção ao B. Santa Bárbara ou para a A. Gentil Bicalho. Agora, tal caminho alternativo não é mais possível, forçando o motorista a utilizar apenas as avenidas mais congestionadas do centro, o que afeta a acessibilidade.  Se, antes, o congestionamento, era maior apenas para quem descia do Hipermercado, agora, há contenção em ambos os sentidos da via, em conseqüência do semáforo instalado.  Aliás, não se compreende porque a direita não é livre naquele semáforo, já que não há cruzamento de veículos quando se trafega em direção ao Hipermercado. Trata-se de mais uma conseqüência da falta de estudo técnico.
O que aconteceu em relação ao projeto “Novo Centro” da prefeita, ou seja, a incapacidade de entregar para o povo o resultado anunciado não é novidade em governos influenciados por Carlos Moreira. Guardadas as devidas proporções, o “Novo Centro” não é muito diferente da tentativa também fracassada de se improvisar um hospital de 100 leitos no prédio do antigo terminal rodoviário. O enredo é o mesmo:  se prometem melhorias mil, gastam-se tempo, trabalho, recursos públicos e o resultado não é alcançado. Pode ter certeza, no projeto congestionado da prefeita foram gastas dezenas de milhares de reais, tempo trabalhado de servidores públicos, além dos transtornos para a população, apenas para piorar o que já se tinha. A administração pública deve ser, obrigatoriamente, competente. É o que determina a Constituição.  O monlevadense não pode aceitar a incompetência recorrente na administração pública  já que quem ocupa o poder firmou o compromisso com o povo de que contava com a capacidade necessária para resolver os problemas da cidade com eficiência, responsabilidade e competência.    
  
       

quarta-feira, 3 de julho de 2019

Hospital Margarida passará por prova de fogo



Do período compreendido entre o início do segundo semestre de 2019, até a realização das eleições municipais de 2020, o Hospital Margarida passará por uma verdadeira provação no que diz respeito à gestão de suas finanças e, por consequência, sua viabilidade econômica. 
Apesar  da visível relutância por parte do provedor José Roberto Fernandes em  revelar com a devida transparência o verdadeiro tamanho de sua dívida, sabe-se que o Hospital vai de mal a pior, apresentando atraso considerável no pagamento de médicos, fornecedores, etc. A falta de pagamento já compromete muitos serviços, havendo muitos equipamentos quebrados, e médicos estão optando em realizar procedimentos em clínicas particulares para não ficar sem os salários.
Contudo, apesar do momento de grave crise financeira, não se constatam  ações visando o enxugamento das despesas do hospital. Ao contrário, a notícia que se tem é que a contratação de pessoal, por exemplo, tem  se intensificado. E , invariavelmente, são contratados apenas cabos eleitorais da turma de Carlos Moreira, de quem o provedor é fiel escudeiro.  Funcionários técnicos com mais de 15 ou 20 anos de casa são sistematicamente demitidos para dar lugar à contratação de mais um moreirista.
E, certamente, a tendência é de que a utilização eleitoreira do hospital se intensifique ainda mais até a efetivação das eleições, pouco importando se o Hospital Margarida goza ou não de saúde financeira para tal, como já acontece. Será uma prova de fogo, sobre a qual não se sabe se o hospital sobreviverá.    

terça-feira, 21 de maio de 2019

Gongo Soco: de maior Mina de Ouro do Mundo à Bomba Relógio Iminente


Como a imensa maioria das minas de ferro, em Minas Gerais, o Gongo Soco teve seu início como uma mina de ouro, a mais célebre de todas. O Gongo Soco foi a mina que mais produziu ouro em toda a história da humanidade. Inicialmente, o Gongo Soco foi de propriedade de João Batista de Sousa Coutinho, o Barão de Catas Altas, que, a partir de 1818, apurou somas fabulosas de ouro daquelas lavras a céu aberto. Durante dois anos, o Barão extraiu, por dia, nada menos do que 7 quilos e meio de ouro puro dos talhos abertos do Gongo Soco, o que fez de Catas Altas um dos homens mais ricos do Império Brasileiro e bancou todas as excentricidades pelas quais ficaria conhecido. Posteriormente, julgando, esgotada a mina, Catas Altas a vendeu para os ingleses da Imperial Brazilian Mining Association, que passariam a empregar tecnologia mecanizada na exploração do ouro, como o trem de vagonetes e o engenho hidráulico de pilões, cujas cabeças dos trituradores eram produzidas pela Fábrica de Ferro de João Monlevade. Monlevade foi o fornecedor preferencial de artefatos de ferro das companhias mineradoras inglesas por mais de 50 anos, forjando não apenas as cabeças de ferro dos trituradores do quartzito aurífero, cada uma pesando 80 quilos, como também qualquer outra ferramenta demandada pela mineração, além de peças muito maiores. Há registro de peça de ferro de mais 900 quilos de peso fabricada por Monlevade e enviada até o Gongo Soco através de seus famosos carretões de quatro rodas, puxados por muitas juntas de bois. Mecanizado, constituído na forma de uma companhia e conformado aos moldes de uma vila européia, contanto com mais de 1.000 habitantes, de 1826 à 1856, o Gongo Soco produziu na mãos dos ingleses 27.887 quilos de ouro puro, algo sem precedente ou paralelo no mundo. Foram quase mil quilos de ouro por ano, mais de 2 quilos e meio de ouro por dia. 
Minas como o Congo Soco foram importantíssimas, não apenas pela grande quantidade de ouro que produziram, mas principalmente pelo emprego intensivo da mecanização a que foram pioneiras, sendo consideradas hoje pela historiografia como o alvorecer da indústria mineira. Tais minas deixaram uma marca tão indelével na construção da identidade regional que ainda hoje a herança daqueles idos pode ser observada no jeito de falar do mineiro. Manter o processo de mecanização sempre funcionando não era tarefa fácil. O inglês estava sempre cobrando do mineiro o porquê da interrupção do funcionamento. Então o inglês indagava: “why (?)”, que é a tradução de “por que (?)”. Daí a origem da interjeição “uai”, tão utilizada pelo mineiro para exprimir surpresa ou espanto. “Sô”, que em Minas é utilizado como pronome de tratamento e “trem”, que é utilizado pelos mineiros como sinônimo de qualquer coisa, também são originários do convívio dos mineiros com os ingleses nas companhias mineradoras do ouro. “Trem” é referente ao “train” de vagonetes, sob trilhos, que eram empregados nas companhias mineradoras para extrair o minério aurífero das galerias subterrâneas; “sô” é a adaptação do vocábulo “sir”, que era como os ingleses eram tratados nas companhias.
Depois de extinta a Companhia Inglesa do Gongo Soco, a mina passou a ser explorada pela Vale também por seu minério de ferro que é puríssimo e, obviamente, muito rico em ouro. Outrora, um colosso aurífero, indutor do desenvolvimento da região, agora, o Gongo Soco se transformou numa verdadeira bomba-relógio que pode explodir a qualquer momento, mediante o risco da ruptura de mais uma barragem da mineração. É, terrivelmente, vergonhoso testemunhar como a mineração virou sinônimo de medo em Minas Gerais.

segunda-feira, 13 de maio de 2019

MOREIRA INELEGÍVEL ATÉ 2024 EM APENAS 1 PROCESSO: HÁ MAIS DE 1 DEZENA DELES A SEREM JULGADOS




Recentemente, circulou a especulação de que o ex-prefeito Carlos Morteira estaria, juridicamente, apto a se candidatar ao cargo de prefeito, nas próximas eleições municipais de 2020.
A verdade é que quem se encontra cumprindo penal, em regra, não pode se candidatar a cargo eletivo. Atualmente, Carlos Moreira cumpre pena em regime aberto em função de condenação criminal por desvio de verba pública, na ação penal de número 0998430-91.2009.8.13.0362, em que foi condenado, em 27/01/2012, a 2 anos de prestação de serviços à comunidade e a 5 anos de proibição expressa do exercício de mandato eletivo. Como o processo transitou em julgado, isto é, apenas se encerrou em 03/06/2016, Moreira segue inelegível e impedido de se candidatar a qualquer cargo eletivo.  Segundo o respectivo atestado de pena em anexo, apenas no âmbito do aludido processo, a previsão é de que Moreira volte a se tornar elegível somente em 12/05/2021, considerando exclusivamente a pena em concreto. A remeter a condenação de Moreira à Lei da Ficha Limpa, ele se encontra inelegível até 12/05/2024, apenas neste processo.
Contudo, este é apenas um dos vários processos que correm contra Moreira. Ele tem mais de uma dezena de outros processos por ato de improbidade administrativa em tramitação que devem torná-lo inelegível para as próximas décadas. Mesmo se hoje, Moreira estivesse em condições de elegibilidade, o que não acontece como demonstrado acima, uma candidatura sua representaria o imenso risco de cassação no curso do mandato, diante da longa esteira de processual a que responde, por inúmeros atos lesivos ao patrimônio público cometidos, enquanto foi prefeito.         

terça-feira, 7 de maio de 2019

Dívida do Hospital Margarida na casa dos 23 Milhões


Sites, blogs e impressos fazem circular a informação de que, caso o estado de Minas Gerais e o governo federal são efetuem o pagamento das dívidas de 4, 5 e 1,5 milhão de reais, respectivamente, contraídas junto ao Margarida, o hospital terá que fechar suas portas. 
Contudo, nenhum deles informou o valor da dívida do Hospital Margarida com médicos, profissionais da saúde e fornecedores de bens e serviços, que é o que verdadeiramente interessa. E a relevantíssima informação sobre a dívida do HM só não foi prestada porque a corrida eleitoral para 2020 já se encontra deflagrada e o Hospital Margarida já é um de seus principais palanques. 
Nos bastidores políticos locais circula a informação de que a dívida do Hospital Margarida com profissionais da saúde e fornecedores chega a 23 milhões de reais. Façamos então a conta: 23 milhões de dívida, menos o crédito de 6 milhões que tem com o estado de Minas e com o governo federal é igual a 17 milhões de dívida gerada em função apenas do gasto interno do Hospital Margarida. Por decorrência, a pergunta que não quer calar é a seguinte: por que o Hospital Margarida tem gastado tanto e com o quê, ultimamente, sabendo que não poderia contar com a renda do Bingo nem com as doações da AAHM?

segunda-feira, 6 de maio de 2019

Dívida do Hospital Margarida não foi Informada



Em capa cuja manchete foi “se o estado não pagar, hospital vai fechar as portas, afirma provedor”, a edição da última sexta-feira do jornal A Notícia fez circular matéria alarmante sobre a situação financeira do Hospital Margarida. Segundo o impresso, caso o estado de Minas Gerais e o governo federal não paguem as dívidas de 4,5 milhões e de 1, 5 milhão de reais, que, respectivamente,  mantêm com o HM, o hospital terá que fechar suas portas.
Estranho foi o impresso abordar o tema da difícil situação financeira do HM, sem, contudo, trazer para o leitor monlevadense o valor da dívida que o hospital tem junto a médicos e fornecedores.  Ora, se é o hospital subvencionado pelo Município que corre o risco de fechar, a informação que o cidadão merece obter é aquela que diz respeito à dívida do HM, principalmente, porque aquela tão importante casa de saúde é subvencionada pelo Município.
Quanto deve o Margarida? Isso o jornal deixou de informar.  Com o pretenso hospital Santa Madalena foi a mesma coisa, o jornal jamais descortinou o que aconteceu ali.

sexta-feira, 3 de maio de 2019

O Risco de Fechamento do Hospital Margarida na Inconsequência da gestão Administrativa



Hoje circulou a informação de que, segundo o provedor do Hospital Margarida, José Roberto Fernandes, caso o estado e a União não paguem as dívidas de 4,5 e de 1,5 milhões de reais, respectivamente, a casa de saúde fechará suas portas em meio ao maior surto de dengue das últimas décadas. 
Então, vejamos. Façamos as contas. Em 2016, na gestão de José Roberto Fernandes, a Justiça suspendeu o Bingo do HM, por considerar que o evento havia perdido o caráter filantrópico. Desde então, o Bingo jamais foi realizado. Naquele ano, o HM deixou de faturar 1 milhão de reais. Em 2017 e 2018 o Bingo também não foi realizado, até porque depois de José Roberto Fernandes, ninguém mais teria coragem de adquirir cartela do mesmo. Para 2019, a perspectiva é de que o Bingo também não se realize. Até aí, serão 4 milhões de reais que o HM deixou de arrecadar só com o Bingo, soma que atualizada monetariamente se aproxima muito do valor devido pelo estado de Minas ao hospital. Outrossim, a AAHM, num passado recente chegou a doar cerca de 1,5 milhão de reais para o HM em bens e serviços, valor equivalente à anunciada dívida da União com o hospital. Contudo, a partir da gestão de José Roberto Fernandes, a AAHM foi de todas as formas impedida de funcionar junto ao HM. 
A pergunta que fica é a seguinte: será que o HM corre risco de fechar em função dos débitos do estado e da União ou tal situação é, na verdade, o produto direto da má-gestão, da inconsequência e da irresponsabilidade?

quarta-feira, 24 de abril de 2019

Manifesto pela Liberdade de Expressão



Recebi como ato de extrema violação ao direito constitucional de livre expressão do pensamento a decisão do Juizado Especial Cível que arbitrou indenização em meu desfavor por ter me referido ao atual provedor do Hospital Margarida, como “evaporador de recursos” e “provedor à avessas”. Ora , quem evapora os recursos do Bingo do Hospital Margarida deve ser chamado de quê? 
Trata-se do sexto processo que o provedor moveu contra mim, utilizando indevidamente advogado contratado pelo Hospital Margarida para me processar. Quatro já foram arquivados.
Sinto por parte do judiciário local certo desejo de fustigar a advocacia, até porque é o advogado quem concretiza os direitos dos cidadão e, infelizmente, a Justiça tem se portado como a ponta de lança da covarde luta de classes em que se encontra o país. 
Obviamente, vou recorrer. Provedor do Hospital Margarida é cargo equiparado ao de agente público e, portanto, necessita de controle social, principalmente diante do abismo em que se encontra, devendo a médios e a fornecedores 5 meses de pagamentos . É parte da Luta! Vamos seguir fieis a nossos princípios de liberdade e firmem no controlo social dos serviços de saúde pública prestados pelo HM. 
Ademais, sou pobre no sentido legal. Fiz voto de pobreza diante do rapa-pés de São Francisco de Assis de Ouro Preto. Não tenho bens em meu nome, apenas despesas.

quinta-feira, 11 de abril de 2019

Sinval esfrega livro na cara de Belmar


Não reunião ordinária de ontem na Câmara, o vereador Sinval literalmente esfregou o livro de inscrições da mesa na cara de seu colega, o vereador Belmar Diniz.
Vídeo do episódio circulou rapidamente pelas redes sociais, tornado evidente a grande humilhação vivenciada por Belmar Diniz, diante do gesto desrespeitoso do vereador Sinval Dias.
Muito embora, a ação de Sinval tenha extrapolando o que se espera do decoro parlamentar, Belmar bem que mereceu. Sinval sabe que Belmar, apesar de vereador pelo PT, votou a favor do Rotativo, da terceirização do Dae, de autorizar a Enscon a não cobrar a passagem em dinheiro a bordo do coletivo, etc, sabe que Belmar é encima do muro, não faz oposição substancial, negocia com Moreira, pede voto para deputado da direita, sobrinho da Miriam Leitão, e agora, que já se auto-declarou candidato a prefeito, numa disputa pouco cordial com o ex-prefeito Laércio Ribeiro, Belmar Diniz quer aparecer para assumir uma pretensa e eleitoreira oposição ao atual governo. Foi ótimo e hilariante ver Sinval esfregar um livro na cara de Belmar que é para ele aprender a ler o conteúdo programático de seu partido e também um livro de ética clássica.
Outrossim, não podemos esquecer da contribuição decisiva de Belmar Diniz para a derrota da chapa Railton e Laércio, nas ultimas eleições por uma diferença de apenas 126 votos. É que nos últimos 25 dias de campanha, a ex-vereadora Filinha pegou, indevidamente, a estrutura do comitê do Bairro Cruzeiro Celeste que deveria ser empregada, exclusivamente, na campanha para prefeito e vice e a direcionou para pedir votos apenas para Belmar. Assim, faltaram os 126 votos para eleger Railton e Laércio. 
Acho que, diante da merecida humilhação sofrida pelo vereador Belmar, todo aquele que deixou sua vida particular de lado para, de boa-fé, engajar seu tempo e seus esforços na eleição de um projeto político desenvolvimentista para Monlevade,covardemente, impedido pela esperteza de alguns, agora, pode dizer que se encontra com a alma, parcialmente, lavada. Nada como o testemunho da justiça divina!

terça-feira, 9 de abril de 2019

João Monlevade, o Barão de Eschwege e a difundida tecnologia romana de mineração do ouro

    

  







Ainda não encontrei documento que pudesse associar ou vincular, diretamente, o Barão de Eschwege e ao minerálogo e metalurgista francês João Antônio de Monlevade. Contudo, o legado de um está diretamente ligado à obra do outro. E como ambos são egressos da grande leva de naturalistas e de estudiosos que se seguiram à transferência da corte portuguesa para o Rio de Janeiro em 1808, é muito provável que tenham mantido certa interação técnica. 
O Barão de Eschwege era alemão e de mesma formação técnica de Monlevade. Chegou ao Brasil em 1810, encarregado por Dom João VI de “reanimar a decadente mineração do ouro e a trabalhar na nascente indústria siderúrgica”. Eschwege realizou muitos estudos mineralógicos em Minas Gerais e fundou, em Ouro Preto, uma fábrica de ferro, denominada Patriótica e considerada a primeira do país. Entretanto, para Monlevade, mais importante do que os estudos e o pioneirismo de Eschwege, foi a tecnologia introduzida por ele em Minas Gerais. Tratava-se uma grande roda d’água, acoplada a um eixo giratório que transmitia a força necessária para erguer uma série de pilões de madeira, cujas as bases eram pesados blocos de ferro . O eixo girava, erguendo os pilões que , com meia volta, perdiam o apoio e, por gravidade, caiam sobre a rocha, triturando-a , num movimento de sobe e desce contínuo. Também chamado de Engenho de Eschwege, tal tecnologia se difundiu muito pelo território mineiro, sendo adotada principalmente pelas companhias de mineração inglesas que se fundaram às dezenas em Minas a partir de 1825, o que demandou pela produção de muito ferro. E é neste ponto, que entra Monlevade. Durante os mais de 50 anos que sua fábrica de ferro funcionou sob seu comando, Monlevade foi o fornecedor preferencial de uma série de artefatos de ferros para as companhias inglesas de mineração do ouro e, principalmente, o fornecedor exclusivo das cabeças de ferro dos trituradores do Engenho de Eschwege. 
Para se ter uma ideia do aprimoramento tecnológico que representaram os moinhos de pilões de Eschwege, apenas a Mina do Gongo Soco, depois de julgada esgotada diante das técnicas rudimentares de mineração do ouro até então utilizadas, foi vendida em 1826 para os ingleses que nela passaram a empregar intensivamente a tecnologia do Engenho de Eschwege, fazendo com que apenas nos 12 anos seguintes, o Congo Soco produzisse nada menos do que 15 mil quilos de ouro puro, ou seja, 5 quilos de ouro por dia. 
Todavia, a tecnologia então introduzida por Eschwege em Minas, apesar de encarada como uma novidade pelos os mineiros, não era tão nova assim. O Moinho hidráulico de pilões já havia sido amplamente utilizado no norte de Portugal , na região das Tresminas, há mais de 2.000 anos, quando o território português se encontrava sob o domínio do Império Romano. 
Durante a antiguidade, as Tresminas foram um dos mais importantes complexos de mineração aurífera de todo o Império Romano, produzindo ouro para a cunhagem de moedas. E naquele tempo, Roma já empregava com sucesso o Engenho de Pilões, movido por roda hidráulica para também triturar o quartzito retirado das galerias subterrâneas, antes da lavagem do metal precioso, o que aumentava muito o rendimento das minas. A diferença estava apenas no tamanho dos maquinismos e no material empregado nas cabeças dos pilões. Enquanto os engenhos das Tresminas eram menores e utilizavam blocos de granito nas cabeças dos trituradores para esmagar a rocha aurífera, os engenhos de Eschwege eram muito maiores, muito mais pesados e utilizavam blocos de ferro de 80 quilos produzidos por Monlevade para o mesmo fim. 
No Museu do Ouro em Sabará existe exemplar do Engenho de Eschewege (fotos) que, apesar do mau estado de conservação, permite um vislumbre desta tecnologia romana de processamento do ouro que tanto se difundiu por Minas Gerais, a partir do primeiro quartel do sec. XIX. Este exemplar operou por 50 anos na região de Santa Bárbara. Nas fotos, é possível verificar que um dos blocos de 80 quilos de ferro forjados na Fábrica de Ferro de Monlevade se soltou do corpo de madeira do pilão, o que permite observar que o mesmo possui um cabo de encaixe. Vê-se também muito desgaste dos blocos, o que demonstra o quanto o trabalho de trituração era duro, demandando substituição contínua dos mesmos para felicidade de Monlevade que as produziu em escala industrial por mais de meio século.