segunda-feira, 21 de julho de 2025

Lucão Eleito Presidente do PT


É excelente a notícia de que Lucão foi eleito presidente do PT de João Monlevade. Lucão tem muita formação política, o que o PT está precisando. E encontra-se mais apto a reconectar o PT com sua base. Lucão venceu a eleição com 122 votos contra 89 votos da segunda colocada, Isaura, que muito embora tenha levantado a bandeira da renovação, era a candidata do governo e da velha guarda do PT, desconectada da base e incapaz de fazer cumprir o conteúdo programático do partido no governo Laércio.  

Lucão tem sobretudo muito estomago para agüentar a velha guarda antiquada do PT. Já tive a oportunidade de acompanhar as coisas que acontecem dentro do PT e são de tirar o apetite de qualquer um, haja estomago.  O partido age exatamente como no enredo de um novela da Globo das 21 horas. Não há ciência política no PT de Monlevade. É cobra comendo cobra.  Um partido todo dividido em grupos que puxam os tapetes uns dos outros.

Vexame para o prefeito Laércio e seu gabinete que, apesar da máquina, não elegeram sua candidata. A eleição de Lucão para a presidência do PT  revela
uma base politicamente muito mais formada do que sua direção tradicional e o descontentamento da primeira com o governo Laércio. 

terça-feira, 8 de julho de 2025

DIGA NÃO À MILITARIZAÇÃO DAS ESCOLAS EM JOÃO MONLEVADE


 

O governador Zema pretende transformar quatro escolas estaduais de João Monlevade em escolas cívico-militares. São elas as escolas Manuel Loureiro, Luiz Prisco, Geraldo Parreiras e Alberto Pereira Lima.

Primeiramente, é preciso chamar a atenção para a forma enganosa com que este modelo de escola é tratado, ou seja, escola cívico-militar. Não existe escola cívico-militar, ou ela é civil ou ela é militar. Então, o que verdadeiramente pretende o governador Zema é militarizar quatro escolas civis no Município.

Resta muito claro que a escola pública brasileira necessita de profundas reformas. Ela é visivelmente uma escola insuficiente, podendo ser chamada até de meia escola, já que funciona apenas em meio período e não é uma escola filosófica, isto é, aquela que ensina a pensar. Ao contrário, é uma escola excludente, historicamente muito voltada para a decoreba de conteúdos que não serão utilizados na vida do aluno, mas que são exigidos nos vestibulares, que são aqueles mecanismos que existem para impedir que os excluídos tenham acesso à universidade pública. Hoje o Enem substituiu os vestibulares.  No Brasil, 1 a cada 3 brasileiros é analfabeto funcional, que é aquele aluno que cursa a escola pública e, apesar disso, sai dela sem a capacidade de compreender o que lê. Poucas instituições sofreram tantas reformas degradantes e sabotadoras  quanto a escola pública brasileira nas últimas décadas. E os políticos sabotadores da escola são os mesmos que agora propõem a militarização delas. O Brasil tem hoje, disparado, a pior escola da América Latina.

Mas não será militarizando a escola pública que os profundos problemas da escola pública brasileira serão solucionados. Basta copiar as boas experiências dos outros países. Nenhum país desenvolvido do mundo tem um modelo de meia escola que funciona em apenas um turno como o Brasil. Também não há nenhum país desenvolvido no mundo que tenha um modelo de escola militarizado. Aliás, a destruição do modelo de escola pública brasileira se iniciou, justamente, durante a ditadura militar instalada a partir de 1964, quando, em 1966, os militares extirparam dos currículos escolares a matéria filosofia, que é a disciplina que ensina a pensar e passaram a deturpar a história lecionada nos bancos escolares. Na disciplina OSPB, por exemplo, muito marcante nas escolas durante o regime militar, ensinava-se que o verde e amarelo da bandeira brasileira representava, respectivamente, as matas e o ouro do Brasil. Quando na verdade, o verde tem origem no brasão da casa real des Orleans e Bragança, da qual descende Dom Pedro I e o amarelo, da casa real dos Habsburgo, da qual descende Dona Leopoldina.   O analfabetismo funcional brasileiro, cada dia maior, não é produto apenas da ineficiência para ensinar, ele também é resultado de uma escola não filosófica onde não se ensina a pensar.

Em relação a um modelo de escola de excelência para Minas, não é necessário ir muito longe. Minas tem modelo histórico de escola de excelência que foi o consagrado Colégio do Caraça, nada menos do que a maior Escola de Filosofia do Brasil, mascado ainda por sua incrível disciplina. Não é por menos que o Caraça ardeu em chamas em maio de 1968, ano mais conturbado da ditadura militar. Ditaduras militares não convivem com escolas de filosofia, que ensinam a pensar.

E este é o problema central, militarizar escolas é encomendar para o ensino público tudo aquilo que o Brasil viveu, tragicamente, durante a ditadura militar, como a censura, a truculência, a doutrinação, deturpação de conteúdo  e sobretudo a ausência da filosofia, tudo o que o Brasil não necessita para solucionar seu modelo de escola pública.  Na verdade o que o Brasil precisa é de uma modelo de escola de ensino integral que prepare o aluno para a vida e o habilite a pensar. E não matar de vez a disciplina filosofia, que é o que acontece quando as coisas são militarizadas, conforme é o histórico da ditadura pós 1964.  

Ademais, militar é aquele que faz o emprego da letalidade, ou seja, é aquele treinado para matar. E matar é algo completamente incompatível com o ensino que liberta.  Lugar de militar é no quartel.    

segunda-feira, 7 de julho de 2025

NO LUGAR DE UMA ESTÁTUA DE MONLEVADE O BUSTO DE PARENTE DO CHEFE DE GABINETE DO PREFEITO


 

Recentemente foi inaugurado um busto de bronze na Praça Sete de Setembro, a mais movimentada do Município. A cerimônia contou com a presença do prefeito, logo a instalação do busto em plena praça pública foi autorizada pelo chefe do Executivo.

Não vou citar o nome do homenageado nem da família dele que, é bom que se esclareça, pagou pela feitura do busto de bronze. Tanto é que optei por ilustrar esta postagem com uma foto do busto de costas. O objetivo desta matéria é demonstrar a incapacidade político-científica do gabinete do prefeito que, ao invés de se mover imbuído por causas públicas o faz com base em questões pessoais e domésticas.  

Logo que vi o busto instalado na praça e soube de que se tratava, entrei em contato com o chefe de gabinete do prefeito, Gentil Bicalho, que tem parentesco ascendente direto com o homenageado pelo busto, e perguntei o que motivava a homenagem na praça pública. Ele então me disse: “pessoas que tiveram participação efetiva na construção de nossa cidade, deveriam ser lembrados (sic) para sempre”. Então perguntei: desculpe minha ignorância, mas quais foram as participações ou realizações efetivas do homenageado na construção de João Monlevade? Ele não soube me responder, disse que verificaria com outro parente e não me retornou. Posteriormente, voltei a entrar em contato com ele que ainda hoje não me respondeu.

Acredito que o homenageado deva ter sido um pai maravilhoso, um avô excepcional e merecedor do busto. Contudo, relações domésticas de parentesco não podem autorizar a instalação de um busto na praça pública mais movimentada do Município. Monlevade foi construída por muitas famílias. A pergunta que não se cala é a seguinte: o busto foi instalado na praça porque o homenageado foi uma grande personalidade pública do Município ou ele foi instalado porque se trata de um parente do chefe de gabinete do prefeito? E agora, diante deste precedente e considerando que o povo monlevadense é constituído por muitas outras famílias, será que todas elas também estão autorizadas a instalar um busto de seu patriarca na praça pública?

Enquanto isso, no ano de 2027, ainda no mandato de Laércio, completar-se-ão os 200 anos da fixação de engenheiro e metalúrgico francês João Monlevade na sesmaria que daria origem ao Município;  200 anos do início da Expedição Monlevade pelos rios Doce e Piracicaba que transportou para cá as máquinas para sua pioneira Fábrica de Ferro e 200 anos do início da construção do Solar Monlevade. O João Monlevade foi a maior autoridade metalúrgica de Minas Gerais durante o século XIX e sua bem sucedida experiência industrial de produção do ferro a partir do carvão vegetal foi determinante para a instalação da Belgo-Mineria um século mais tarde. Não é por menos que o Município leva o seu nome. E não há nenhum busto ou estátua do francês João Monlevade instalada na Praça Sete ou em qualquer outro ponto da cidade. Quis o destino que Laércio fosse prefeito na data de comemoração dos 200 anos da fixação de Monlevade no Município.  Contudo, a depender do gabinete de Laércio, já é possível antever que diante deste marco histórico que se aproxima, não haverá homenagem nenhuma ao patrono do município. Não haverá estátua de Monlevade; o Museu e o Solar homônimos não serão entregues para o povo monlevadense e transformados num museu turístico; os ramos da Estrada Real local não serão reconhecidos; o Cemitério dos Escravos não será objeto de pesquisa; o parque histórico da Companhia Nacional de Forjas e Estaleiros também não será reconhecido; a batata-doce, principal produto agrícola da Fazenda Carvoeira e Fábrica de Ferro Monlevade também não será objeto do festival gastronômico; etc.

É o que eu sempre digo, o PT local não faz política científica, apenas política doméstica de compadres e comadres.