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domingo, 28 de março de 2010

História das Minas de Ouro e Diamante: Cláudio Manuel da Costa, o Poeta Inconfidente


Patrono da cadeira número 8 da Academia Brasileira de Letras, Cláudio Manuel da Costa é considerado um dos maiores poetas das Minas e do Brasil colonial. Advogado, era filho do lavrador e minerador João Gonçalves da Costa e de Teresa Ribeiro de Alvarenga. Nasceu no sítio da Vargem do Itacolomi, freguesia da Vila do Ribeirão do Carmo, atual cidade de Mariana. Depois de iniciar os seus estudos em Vila Rica(atual Ouro Preto) e de cursar filosofia no Rio de Janeiro, seguiu, em 1749, para Lisboa e, posteriormente, para Coimbra, onde se formou bacharel em Cânones, em 1753.Em Portugal, entrou em contato com os ideais iluministas e iniciou a sua carreira literária publicando, em folhetins, pelo menos três poemas: "Munúsculo métrico", "Labirinto de Amor" e "Epicédio". De volta ao Brasil, em Vila Rica, dedicou-se à advocacia. Jurista culto e renomado, exerceu o cargo de Procurador da Coroa, Desembargador e, por duas vezes, o de Secretário do Governo da Capitania. Em 1758, foi incumbido pelo Senado da Câmara de elaborar a Carta Topográfica de Vila Rica e seu Termo, o que possibilitou o planejamento e o ordenamento da ocupação demográfica da então capital de Minas. Foi mecenas de Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho. Claudio Manuel da Costa era uma espécie de oráculo, em Vila Rica. Todos lhe ouviam os conselhos e liam suas obras. Foi uma das figuras centrais da Capitania. Aos sessenta anos, envolveu-se na Inconfidência Mineira. Preso e, para alguns, apavorado com as conseqüências da tremenda acusação de réu da conjuração, morreu em circunstâncias misteriosas, no dia 4 de julho de 1789, quando teria se suicidado na prisão da Casa dos contos, em Vila Rica. Outros relatam que teria sido assassinado por ordem do governador de Minas, o Conde de Barbacena, que também participara do movimento e temia ser denunciado por da Costa. Cláudio tentou ele próprio, diminuir a relevância da sua participação na conspiração, mas estava apenas tentando reduzir o peso da sua culpa diante dos juízes da Devassa. Os clássicos da historiografia da Inconfidência Mineira são unânimes em valorizar sua participação no movimento. Parece que ele era meio descrente com as chances militares da conspiração. Mas não deixou de influenciar no lado mais intelectualizado do movimento, especialmente no que diz respeito à construção do edifico jurídico projetado para a república que pretendiam implantar em Minas Gerais, no final do século XVIII. De qualquer modo, José Pedro Machado Coelho Torres, juiz nomeado para a Devassa de 1789 em Minas Gerais, sobre ele disse o seguinte:

"O Dr. Cláudio Manoel da Costa era o sujeito em casa de quem se tratou de algumas cousas respeitantes à sublevação, uma das quais foi a respeito da bandeira e algumas determinações do modo de se reger a República: o sócio vigário da vila de S. José é quem declara nas perguntas formalmente"

Foi Claudio Manuel da Costa quem concebeu a Bandeira dos Inconfidentes, que mais tarde, serviu de inspiração para a confecção da bandeira oficial de Minas Gerais.

Bandeira dos Inconfidentes
A figura no triângulo central simbolizava a Santíssima Trindade e a cor branca o Poder Executivo. A forma triangular também demonstra a influência da Maçonaria na Inconfidência Mineira, por ser um dos símbolos usados por aquela organização. A cor azul representava o Poder Legislativo e a cor vermelha o Povo. Não por acaso são as mesmas cores da bandeira francesa. Em torno do tal triângulo, estava escrito em latim: LIBERTAS QUÆ SERA TAMEN. (muitas vezes traduzido como "Liberdade ainda que tardia"). Tal lema foi cunhado por Claudio Manuel da Costa e Alvarenga Peixoto, a partir da mutilação de um verso das Bucólicas do poeta latino Virgílio, nas quais se encontra "Libertas quae sera tamen respexit inertem", que pode ser traduzido por "Liberdade, a qual, embora tarde, (me) viu inerte".