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quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Edição do Periódico Ouropretano, O Universal, de 19 de Abril de 1828, Noticiando a Chegada das Máquinas para a Fábrica de Ferro de Jean de Monlevade






Na data de 19 de abril de 1828, o jornal ouropretano O Universal publicou entusiasmada carta remetida por Guido Thomaz Marlieri, dando conta da chegada da máquina a vapor para a Fábrica de Ferro de Jean de Monlevade, a qual transcrevo a seguir, em português da época, exatamente, como na original:


RIO DOCE.
CORRESPONDENCIAS.
Sr. Editor do Universal.

Ouropreto  18 de abril de 1828.
Queira vm. em ocasião opportuna inserir no seu prestante Periodico a noticia não pouco interessante  para esta Provincia, que acabo de receber, de haverem chegado a salvamento á 8 do corrente no Porto da Onça Pequena abaixo  d‘Antonio Dias humas máquinas cilindricas, para a Fabrica de Ferro de Mr. de Monlevade (*) no sitio do seu nome na Freguezia de S. Miguel, do pezo de perto de 500 arrobas (7.500 Kg) vindas d’Inglaterra  por Êscala ao Rio de Janeiro, donde sahirão á 18 de Setembro do anno p. p. em huma Sumaca (pequeno barco de dois mastros) para a costa do Espírito Santo em que tiverão demora talvez por temor dos corsários, e falta de Embarcações pequenas para transportar tão pesadas maquinas á Barra do Rio Doce, pelo qual subirão até o Sitio do Pau Gigante, muito abaixo das escadinhas, e forão recebidas as Cargas em Canoas militares da 6ª Divisão guarnecidas de bons   Canoeiros, todos soldados habilmente dirigidos pelo Sargento da mesma Manuel Antonio, auxiliados nos Varadouros por outros Soldados e Índios Botocudos,  e que independentemente do auxilio ordenado prestassem ás outras divisões estacionadas no Rio Doce, quizerão conduzir pessoalmente as Cargas ao sobredito Porto da Onça Pequena, no Piracicaba. O auxilio que por ordem deste Governo dei a Mr. de Monlevade (que bem lho merece) foi prestado galantemente.

Nota de quem nos remetteo a Carta (*) Sr. de Monlevade, que he quase nosso Compatriota, por ter-se cazado com huma ilustre Brasileira, e residir á muitos anos no Brasil; He aquele mesmo que gratuita , e espontaneamente foi ás Minas do Abaithé, apurou e remetteu mais de 600 (9.000 Kg) arrobas de chumbo, e dellas extrahido nesta Cidade huma porção de finíssima prata que se apresentara no Rio de Janeiro pelo Ex.mo Sr. Visconde de Caethé. Tudo isto fez o Sr. De Monlevade com módica prestação pecuniária da Fazenda Pública, e entregou o restante logo que aqui chegou. Bem haja este sábio Francez que tão relevante serviço fez ao Brasil; outro tanto não fizera algum dos que gritam contra a admissão dos Estrangeiros. Os profundos conhecimentos metalúrgicos que possue, coadjuvados com a grande Maquina, que recebera da Inglaterra, nos darão em pouco tempo uma Soberba Fábrica de ferro, tão necessária á exploração das Minas, e aos trabalhos rurais
Sem custo da Nação, pelos intrépidos Canoeiros da 6ª. Divisão e o seu benemérito Alferes Commandante Joaquim Rodrigues de Vasconcellos, que pela sua actividade, zelo do bem publico, e da Civilização dos Índios, merece os agradecimentos da sua Pátria, e recompensa de S. M. O IMPERADOR,  que mais de huma vez tem premiado as virtudes de vários Soldados da 6.ª Divisão do Rio Doce, por salvarem de naufrágios á muitos Brasileiros naquelle Soberbo Rio, cuja navegação, cultura, e commercio dezejamos ver animados pelo Corpo Legislativo, e o mesmo AUGUSTO SENHOR.
Sou com muita estima –Sr. Editor-
De vm. Attento Venerador.
O Coronel Commandante das divisões Militares do Rio Doce, e Director Geral dos índios.
Marlieri