sábado, 27 de fevereiro de 2010

História das Minas de Ouro e Diamante: Mariana, o Início de Tudo

Aos 16 de julho de 1696, às margens do Ribeirão do Carmo, bandeirantes paulistas encontraram terra fértil em aluviões auríferos, onde se fixaram, dando início ao primeiro povoado em terras que viriam pertencer a Minas Gerais. O sonho de riqueza e de fortuna inspirado pelas descobertas impulsionou forte migração e, logo, o povoado se transformou num arraial, que recebeu a denominação correspondente ao santo do dia em que se achou o metal precioso, conforme o calendário católico: Nossa Senhora do Carmo. Para Minas, rapidamente, convergiram pessoas das mais diferentes índoles e intenções, que passaram a viver num incipiente mundo sem lei, recém desbravado, onde a busca pelo ouro determinava as relações interpessoais. Surgiram, assim, os conflitos. Em 1709, deflagrou-se a Guerra dos Emboabas (vide postagem A Origem e a Formação do Estado). Era preciso colocar ordem no estado de ganância, violência e selvageria que se instalara nas Minas. Passada a guerra, foi criada a Capitania de São Paulo e Minas de Ouro. A mando da Coroa Portuguesa, transferiu-se para Minas o Capitão Geral Antônio de Albuquerque, nomeado primeiro governador da capitania então criada. Em 1711 o Arraial do Carmo foi elevado à condição de vila, junto a Vila Rica e Sabará. Realizou-se um concurso: a vila que produzisse a mair quantidade de ouro naquela ocasião seria a capital de Minas Gerais. A Vila de Ribeirão do Carmo venceu e nela se estabeleceu a primeira capital de Minas Gerais. A sede administrativa permaneceu em São Paulo do Piratininga.


Pelourinho de Mariana, símbolo de autonomia administrativa.

Em 1720, eclodiu em Vila Rica (Ouro Preto) a Revolta de Felipe dos Santos. Foi, então, que a Coroa percebeu que deveria impor mais controle à região mineradora.  Minas, então, foi desmembrada da Capitania de São Paulo, sendo aparelhada com todo o aparato burocrático destinado ao jugo fiscal, administrativo e colonial. Assim, foi criada a Capitania das Minas de Ouro e Campos Gerais, transferindo-se a capital da Vila do Ribeirão do Carmo para Vila Rica. Em 1743, José Fernandes Pinto Alpoim, foi designado pelo governo português para desenvolver um plano de expansão urbana para a Vila do Carmo, a fim de torná-la a primeira cidade da capitania, pois somente nessa condição poderia tornar-se sede do Bispado pretendido pelo Papa. Nascia, então, a primeira cidade das Américas com traçado urbano planejado, com ruas retas e praças retangulares, passando a denominar-se Mariana, em homenagem à D. Maria Ana D’Áustria, Rainha de Portugal, esposa de D. João V. Em 1745, o Papa Bento XIV ordenou a criação do primeiro Bispado de Minas, desmembrado da Diocese do Rio de Janeiro e sediado em Maria. Em 1748, chegou do Maranhão o bispo D. Frei Manoel da Cruz, tomando posse na Catedral de Sé.


Catedral da Sé, Mariana.

Toda a viagem do bispo, do Maranhão até Mariana, entrou para a história como uma das maiores epopeias empreendidas, até então, pelo interior do Brasil Colônia. D.Manoel preferiu não enfrentar o mar. O longo percurso por terra durou 14 meses, envolvendo uma comitiva de vários homens. Os perigos e dificuldades foram constantes: a aridez do sertão, rios bravios, índios guerreiros, doenças, chuvas torrenciais e etc. O bispo foi muito bem recebido pelo caminho. Pelas pequenas e perdidas comunidades por onde passou todos quiseram conhecê-lo. Nunca tinham visto tão importante figura, antes. Já em Minas passou por Sabará, Itabirito e Vila Rica. Finalmente, no dia 15 de outubro de 1748, D.Manoel entrou triunfante em Mariana, ocasião em que foi realizada uma das mais famosas e opulentas festas barrocas das Minas e do Brasil Colonial: o Áureo Trono Episcopal.
Mariana é uma das mais belas cidades mineiras. É considerada a Atenas de Minas. Sua importância cultural vai muito além de sua beleza arquitetônica. Durante todo ano, Mariana é palco das mais diversas manifestações, populares ou não, que refletem a magnífica cultura que nasceu da extração do ouro. Mariana foi onde tudo começou: o povoamento, a capital, a religiosidade e, obviamente, o início de nossa cultura. Mariana também gerou e projetou importantíssimas figuras de nossa cultura e história como Manuel da Costa Ataíde (pintor sacro), Cláudio Manuel da Costa (poeta, jurista e inconfidente), Frei Santa Rita Durão (autor do poema "Caramuru"), Padre Joaquim da Rocha (inconfidente)...