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domingo, 24 de janeiro de 2010

História das Minas de Ouro e Diamante: Eschwege, o Barão do Espinhaço


No início do século XIX, diante da diminuição da produção aurífera nas Minas Gerais, Dom João VI, então regente, determina a contratação de naturalistas e engenheiros estrangeiros para o estudo da mineralogia do país, com o propósito de se desenvolverem novas técnicas de extração do metal precioso. Neste contexto, em 1810, chega ao Brasil Wilhelm Ludwig von Eschwege, conhecido entre os mineiros como o Barão de Eschwege.
Eschwege nasceu em Hessen, na Alemanha, formou-se nas universidades de Gottingen, de Marburg, e na Academia de Minas de Clausthal. Em 1802, foi contratado pelo governo português, tendo trabalhado sob a direção de José Bonifácio, então Intendente Geral das Minas e Metais do Reino. Quando a Corte migrou para o Brasil, o barão permaneceu na Europa e participou da luta contra os franceses, como Capitão de Artilharia do Exército Português. No início de 1810 embarcou para o Rio de Janeiro, aonde chegou em 29 de março, recebendo a patente de Sargento Mor do Real Corpo de Engenheiros.
No mesmo ano, o príncipe regente cria, no Rio de Janeiro, o Real Gabinete de Mineralogia e nomeia Eschewege como seu curador. Posteriormente, é nomeado Intendente das Minas de Ouro, igressando na Capitania de Minas Gerais, onde é recebido com intusiasmo.
Ainda em 1810, iniciou em Congonhas do Campo, local bem próximo ao centros mineradores de ouro, os trabalhos para implantação de uma forja de ferro, denominada de "Patriótica de Sao Julião", empreendimento privado, sob a forma de sociedade por acções. Em 1811, sua siderurgia já produzia ferro em quantidade.
Apesar desta proeza, a fábrica Patriótica não adota meios industriais de produção, pois não contava com a maquinaria necessária, o que furta de Eschwege o título de patrono da metalurgia nacional, que é concedido ao francês Jean de Monlevade, embora sua fábrica de ferro em São Miguel do Piracicaba tenha iniciado sua produção em momento posterior à de Eschwege. Trocou conhecimento e experiência com Monlevade nos estudos para a exploração da galena de prata e chumbo do Abaeté.
No ano de 1812, Eschwege, em fato até então inédito, extrai ferro por malho hidráulico, em Itabira do Mato Dentro (atual Itabira). Também em Itabira, projeta um engenho com o objetivo de aprimorar a produção do ouro, melhorando o aproveitamento dos veios auríferos. O aparelho revolucuinário era composto por uma roda de engrenagem fixa no eixo da um roda hidráulica, integrado a pilões, usados para processar o minério aurífero. Ainda existe um exemplar deste engenho no Museu do Ouro, em Sabará.

Engenho de Eschwege, Museu do Ouro, Sabará,

Em Vila Rica, onde tinha uma bela casa rodeada de frondoso jardim, construiu ruas e recuperou estradas. Estudou o sertão de Minas e produziu um mapa da capitania (1821) muito superior aos então existentes. Teve importante papel na anexação do Sertão da Farinha Podre (atual Triângulo Mineiro) ao território de Minas, em 1816, e considerado o mentor da Carta Régia de 12/8/1817, pela qual passou a ser permitida a formação de sociedade de ações para explorar minas de ouro. Batizou a cordilheira central da capitania de Serra do Espinhaço. É justamente ao longo da Serra do Espinhaço e que estão concentradas praticamente todas as jazidas de ouro e ferro de Minas. Desenvolveu os mais completos estudos, até então, sobre a geologia brasileira e elaborou o grande mapa do Brasil.
Em 1819, utilizando-se da legislação que ele próprio inspirara, criou uma associação, a Sociedade Mineralógica da Passagem, para explorar a mina de ouro do Fundão, próxima a Mariana. Foi também uma iniciativa pioneira que apontou novos rumos para o desenvolvimento da mineração aurífera ao longo do século XIX. Eschwege retornou à Europa em julho de 1821, menos de três meses após a partida da família real. Continuou servindo à Corte portuguesa por vários anos e publicou importantes livros sobre Minas Gerais