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segunda-feira, 25 de outubro de 2010

História das Minas de Ouro e Diamante: 1711, Mineiros Libertam o Rio de Janeiro das Garras de Piratas

René Duguay-Trouin, Almirante Pirata Francês

No final do séc. XVII, o descobrimento nas Minas Gerais das maiores jazidas de ouro já encontradas pela humanidade despertou a ambição do mais variado tipo de gente e de inúmeras nações estrangeiras.
Mal se havia por encerrada uma sangrenta guerra civil, justamente, motivada pela cobiça geral dos primeiros mineiros, que divergiam, violentamente, sobre a distribuição das Minas de Ouro - a Guerra dos Emboabas - Villa Rica (atual Ouro Preto) foi surpreendida pela notícia aterradora de que piratas franceses haviam tomado o Rio de Janeiro.
Sob o comando de René Duguay-Trouin, o mais famigerado almirante da época, um esquadra invasora composta por 18 naus e 4 mil homens de desembarque havia ancorado na Baía de Guanabara.
O primeiro governador da recém criada Capitania de São Paulo e Minas de Ouro, Antônio de Albuquerque, sabia que a invasão ao Rio de Janeiro representava o risco concreto de se verem tropas francesas subindo a pilhar os caminhos das Minas, além de um indesejado isolamento portuário, o que, certamente, dificultaria o escoamento da produção aurífera e o desenvolvimento da nova capitania. Assim, no prazo exíguo de apenas 7 dias, formou-se um fabuloso exército, composto por 6 mil mineiros das vilas do Ribeirão de Carmo (atual Mariana), Sabará, Catas Altas do Mato Dentro (atual Catas Altas), Santa Bárbara, Villa Nova da Rainha (atual Caeté), Villa Rica e de outros povoamentos mineradores. Marchando pelo recém aberto Caminho Novo da Estrada Real, que ligava as Minas de Ouro, diretamente, ao Rio de janeiro, em 17dias, alcançaram o alto da Serra do Mar, onde os primeiros pelotões acamparam, aguardando a chegada dos últimos.
O Rio já estava há 33 dias sob o cerco dos Franceses.

Mapa da invasão de René Duguay-Trouin ao Rio de Janeiro, desenhado e escrito pelo próprio corsário francês.

René Duguay-Trouin havia adentrado a Baía de Guanabara, na manhã de 11 de setembro de 1711, favorecido por um denso e misterioso nevoeiro que ocultara seu avanço. Somente ao meio dia foram descobertos. Às 17 horas, as fortalezas cariocas iniciaram os disparos dos canhões que foram, prontamente, replicados. No dia seguinte, a batalha recomeçara:
Duguay-Trouin assalta a cidade do Rio de Janeiro em 1711, litografia, Ferdinand Perrot, 1844, Coleção Gilberto Ferrez, Rio de Janeiro

A luta foi como nunca se tinha visto, comparada pelos escritores como um cataclismo, em que céus e terra vieram abaixo ao clarão e ao ribombo da artilharia. (Diogo de Vasconcelos, em História Antiga das Minas Gerais)

Os esforços foram em vão. Em 14 de setembro, os corsários franceses procederam ao desembarque e o combate foi transferido para as ruas do Rio, que tiveram suas casas e mercados saqueados e incendiados. O pirata Duguay-Trouin, insatisfeito com o proveito da pilhagem, então, impôs o pagamento de um resgate de 610 mil cruzados, 200 vacas e 100 caixas de açúcar para que deixasse a cidade ou destruiria todo o Rio de Janeiro. Àquela altura dos acontecimentos, vários dias tinham se passado, a pólvora carioca já havia se esgotado e o governador do Rio, Francisco de Castro, fugido. Entre mortos, feridos e a grande destruição, a população carioca já havia iniciado o empenho para responder às exigências dos piratas, quando se ouviu a feliz notícia da chegada do socorro inesperado: a tropa mineira já havia alcançado o Rio de Janeiro e se encontrava acampada no Engenho Novo.
Pelo governador mineiro, Antônio de Albuquerque, foi emitida aos piratas uma ordem incondicional de partida imediata, do contrário, as forças constituídas em Minas reiniciariam os combates, dispostas a levar a batalha até as últimas conseqüências. A visão do exercito mineiro, composto por 4.800 escravos armados de mosquetes, 600 índios flecheiros, além dos oficiais da Coroa, todos comandados pelos afamados Emboabas, foi demais para René Duguay-Trouin. Tão logo foi ultimado, fugiu do Rio de Janeiro, levando o que pôde.