quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Cresce Mato do Asfalto de Simone




Recentemente, houve grande divulgação por parte dos asseclas da atual administração sobre o asfaltamento de algumas ruas do centro industrial de João Monlevade, como se aquilo tivesse se tratado de grande realização por parte da prefeita Simone/Carlos Moreira (foto).
Na ocasião, lamentamos a alteração inconseqüente do pavimento original da Vila Operária de Monlevade, a primeira da América Latina.
Agora nos chegam fotografias de que no asfalto da prefeita está nascendo muito mato. Realmente, estamos diante de um fenômeno único, inusitado é típico do governo Simone/Carlos Moreira. "Nuca na história deste país" se viu mato tão viçoso brotar de dentro de uma camada asfáltica, recém pavimentada.  

Considerando e imundice geral que toma conta da cidade e fotos anexas, já se pode dizer, comprovadamente,  que por onde Simone passa o mato cresce com vigor, até mesmo nos meios mais adversos. De outro modo, é preciso verificar a qualidade do asfalto da prefeita. Asfalto fino e poroso é sinal de que o povo tem sido enganado.   

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

O Moreirismo Exacerbado nas Reformas das Praças


Cada vez mais, a rádio Cultura vem, descaradamente, se comportado como uma verdadeira agência de publicidade do governo Simone/Carlos Moreira. O que se vê é que a baixa capacidade da prefeita em produzir resultados só faz disparar o gatilho manipulador da rádio concedida ao ex-deputado e atual conselheiro do Tribunal de Contas, Mauri Torres. Simone chega perto de terminar seu primeiro ano de mandato, cassada, mantida no cargo por liminar do TRE/MG e, obviamente, sem imprimir uma marca ou cara à sua administração, conformando que sua eleição representou apenas uma forma de burla à Lei da Ficha Limpa para manter o multicondenado Carlos Moreira no poder. Já se passaram 12 meses incompletos de governo sem que Simone, sequer, sinalizasse pelo cumprimento de seus compromissos de campanha como a água de graça, curso de medicina, remédio entregue em casa, 4 ônibus da saúde, etc.
A cara do governo Simone é a de cara de Carlos Moreira, ou seja, um projeto populista e pessoal de poder, completamente, esgotado, sob o ponto de vista do estabelecimento das condições para levar o progresso ao Município. As múltiplas condenações por ato de improbidade administrativa que levaram à cassação do direitos políticos de Carlos Moreira comprovam que o ex-prefeito e sua turma nunca se moveram no sentido do progresso do Município, mas sim em benefício de seu próprio projeto de poder, pois naqueles vários processos, invariavelmente, o interesse público foi preterido diante do interesse de particulares, ou seja, de gente da patota do Moreira. O caso absurdo do inacabado e interditado Hospital Santa Madalena, improvisado no prédio do antigo terminal rodoviário ao custo de 22 milhões de reais em recursos públicos, é a mais fiel e expressiva materialização do moreirismo, pois os únicos que ganharam ali foram os particulares, os donos da empreiteiras, que faturaram as dezenas de milhões de reais. Ali, o povo não ganhou nada. Ao contrário, perdeu uma muito bem localizada e estruturada Rodoviária, muito mais de 22 milhões, um prometido hospital de 100 leitos e até o PA que, precariamente, por lá funcionou. Ali, a única coisa que importava era o faturamento das empreiteiras. Tanto foi assim que o resultado final foi um Frankenstein de concreto impassível de alvará de funcionamento, apesar dos 22 milhlões.
Agora, o ex-prefeito inelegível e radialista Carlos Moreira, que apesar de, judicialmente, também impedido de contratar com a administração pública, absurdamente, participa da elaboração do conteúdo do serviço público de radiodifusão, mais do que nunca, utiliza a rádio para veicular a mensagem de que Simone “é a prefeita que está mudando Monlevade”, etc. Moreira se refere às reformas que têm ocorrido nas praças do Lindinho e Domingos Silvério.
A manutenção do patrimônio público é um dever do prefeito, não é obra. E não se engane, em tais reformas o povo não será o maior beneficiado. Já se vê isso na Praça Domingos Silvério, vez que, para atender interesse particular, até o ponto de ônibus já foi transferido de lá. E o que acontece na Praça do Lindinho é mais uma das típicas reformas do Moreira, em que as empreiteiras especialistas em vencer licitações faturam horrores e não entregam o serviço ou a obra em estado razoável, como aconteceu, recentemente, com o velório que também foi reformado, mas o telhado transbordou em água, diante das chuvas. Aliás, os governos influenciados por Calos Moreira apresentam uma verdadeira sina em terceirizar reformas de construção civil, porque, assim, as empreiteiras faturam mais em maior velocidade. Pra que levantar as estruturas e a alvenaria se, com a reforma, pode-se faturar muito mais, instalando o acabamento e as instalações que possuem muito mais valor agregado?

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Última Roda D'água de Monlevade Desaba em Museu Fechado e Destelhado


Como também era engenheiro, João Monlevade era fascinado por máquinas. Não é por menos que foi ele o primeiro a colocar em funcionamento (1828) uma máquina a vapor, empregada em método industrial no Brasil e submetida a uma escala regular de produção. 
Monlevade também tinha especial interesse pelo aproveitamento do potencial hidráulico local. Monlevade desviou um ribeirão que descia por onde hoje é o Bairro Vila Tanque, fez uma cascata de 55 metros de altura no sopé da montanha ao fundo do Solar Monlevade e aproveitou a água para mover uma série de engenhos e maquinários. Em 1853, ele escreveu:

“Das montanhas vizinhas desce um córrego, o qual, por meio de um rego, forma a pequena distância, e a vista da casa, uma cascata de 180 pés de altura a qual parece obra da natureza ... Esta água repartida por todas as necessidades da casa , serve também para irrigações, e refrescando o ar, também deleita a vista.”
Depois que descia pela cascata de 55 metros na montanha, a água era conduzida por um rego pelo quintal do Solar Monlevade, onde era aproveitada para mover diferentes maquinismos. Ele também escreveu:
“Esta água é muito importante dando, mesmo no terreiro, impulso a um engenho de pilões, moinho de fubá à moda européia, ralador de mandioca, ventilador (para os fornos), etc.”
Por fim, a água da cascata era conduzida em canais de alvenaria de pedra para a Fábrica de Ferro de Monlevade onde era utilizada para mover outras duas rodas d’água, conforme também registrado por Monlevade:
“Na fábrica velha (houve 02 fábricas) existem duas rodas hidráulicas poderosas ... A mesma casa contem o engenho de serrar a madeira com rapidez, empregando juntas as folhas que se quiser, assim como possui uma máquina de tornear o ferro e as madeiras de todos os tamanhos.”
Portanto, existiram vários engenhos movidos pela água na Fabrica de Ferro Monlevade. O último deles a ainda se encontrar de pé era o Engenho de Pilões, utilizado “para reduzir em pó a pedra de ferro, quando não se emprega a jacutinga na fundição, assim como para sacar certas borras ricas de partículas de ferro, as quais lavadas e refundidas dão um ferro de superior qualidade”, como também descreveu o próprio Monlevade. Recentemente, a roda d'água do Engenho de Pilões, que integra o acervo do Museu Monlevade, mantido destelhado e fechado pela Arcelormittal, desabou devido aos efeitos da chuva.  

Incoerência Editorial: jornais que comemoram os 200 anos da chegada de Monlevade se calam diante da destruição do patrimônio histórico



Neste ano de 2017, em que são comemorados os 200 anos da chegada de João Monlevade ao Brasil, vi muito jornal local escrevendo sobre a história de Monlevade. Houve até os que comemoram os 200 anos da chega de Monlevade ao lugar que hoje é o município homônimo, o que não é verdade pois se acredita que o pioneiro só tenha se instalado aqui, a partir de 1824 ou 25. Evidência histórica que se tem sobre a instalação de Monlevade em São Miguel remete ao ano de 1828, que também é o ano da chegada do Martelo de Forja a Vapor e demais equipamentos. O que ouvi de bobagem sobre a história de Monlevade neste ano! Os que se saíram melhores foram os que plagiam textos, descaradamente.
Estranho é que, neste mesmo ano de 2017, só não vi os mesmos jornais denunciarem a situação de abandono e de depredação por omissão em que se encontra o Museu Monlevade, destelhado, fechado e com o acervo se perdendo na chuva, como é o caso do Engenho de Pilões de Monlevade, cuja roda d’água desabou, recentemente. 
Donde se conclui que o interesse dos jornais locais pela história de Monlevade não passa de um vergonhoso engodo editorial, pois se de fato apreciassem a história e a identidade locais, não se furtariam ao papel de Imprensa para denunciar a destruição das peças do Museu, como tem ocorrido. Falta coerência ao editorial de jornal que, oportunistamente, comemora os 200 anos da chegada de Monlevade ao Brasil e, ao mesmo tempo, se calam diante da irreparável perda do patrimônio histórico monlevadense.

terça-feira, 28 de novembro de 2017

Parte da Roda D'água do Museu Monlevade Desaba


Lembro-me muito bem de que em março de 2016, quando, pela primeira vez, denunciei que o Museu Monlevade, se encontrava destelhado, com o acervo sujeito à ação nociva das intemperes, imediatamente, apareceu um bajulador do poder econômico para afirmar que “aquela roda d’água de braúna duraria mais 200 anos do jeito que estava”. 
No domingo, pude verificar com tristeza que parte da Roda D’água que integra o precioso acervo do Museu Monlevade não suportou a falta de zelo com o patrimônio histórico nem as chuvas dos últimos dias e desabou, como se vê pela foto anexa. 
No Relatório de 1853, o próprio Monlevade cita, expressamente, a aludida Roda D’água, explicando a sua função, conforme se transcreve:

“Um bicame, ou tanque d’água, colocado a 30 palmos acima do fundo do quintal e no meio da casa está recebendo a água toda do ribeirão, dando a força motriz para as duas rodas, e o vento necessário por meio de quatro trompas, repartido em canais de braúna por todas as partes. Há também duas mãos de pilões movidas por uma das rodas , as quais servem para reduzir em pó a pedra de ferro, quando não se emprega a jacutinga na fundição, assim como para sacar certas borras ricas de partículas de ferro, as quais lavadas e refundidas dão um ferro de superior qualidade.”
Pelo visto, o bajulador errou sua previsão em mais 198 anos, já que depois de denunciada a falta de telhado no Museu Monlevade, a respectiva Roda D’água não se suportou de pé nem dois anos. O bicame de madeira localizado acima da roda também já dá sinais de grande deterioração, como os demais itens de madeira do destelhado Museu Monlevade, mantido pela Arcelormittal. É assim que se destrói um país!

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Outro Ano sem Bingo no Hospital Margarida


Como se vê, pois o mês de dezembro já dá sinais de alvorecer, mais uma vez o Hospital Margarida não poderá contar com uma importante fonte de receita que foi o tradicional Bingo do HM. No final do ano passado, o atual provedor, José Roberto Fernandes, descredenciou a Associação dos Amigos do HM, entidade sem fins lucrativos, a fim contratar uma empresa de Viçosa, reduto eleitoral de Rodrigo de Castro, para organizar o evento. É a chamada "filantropia", quando troca-se uma entidade sem fins lucrativos por outra comercial para realizar um evento beneficente. Entendeu? Nem eu, muito menos o Judiciário. 
O bingo abusivo, então, foi suspenso pela Justiça, a pedido do Ministério Público que fundamentou: 

...“Percebe-se, portanto, que a referida empresa pode estar fazendo muito dinheiro às custas de consumidores desavisados, que, estimulados pelo caráter “beneficente” do bingo, pagam pelas cartelas sem ter noção de que parte do valor que está pagando não reverterá às entidades que emprestam seus nomes aos bingos, mas sim ao organizador do evento, o que denota que tais bingos não são totalmente beneficentes, como no presente caso”...

 Ocorre que a tal empresa de Viçosa faturou alto com a venda das cartelas, sumiu e ninguém viu a cor do dinheiro. O provedor, apesar de figurar como contratante na avença e de ocupar o cargo que ocupa, alega que não tem nada com isso.
 Em 2017, a novela continua: nada de Bingo, até porque a credibilidade de um dos mais importantes eventos do calendário monlevadense foi, completamente, destruída pelo atual provedor Jose Roberto Fernandes. Ninguém tem mais coragem de comprar uma cartela do Bingo do Hospital Margarida.

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Dorinha X Conceição Winter: Moreira se Movimenta nas Vésperas do Julgamento de Cassação de Simone



Na semana passada circulou a notícia de que a ex-vereadora, Dorinha Machado, deixou o cargo de secretária de trabalho social do governo Simone/Carlos Moreira. Segundo o noticiado, a partir de janeiro próximo, a pasta seria ocupada por Conceição Winter, terceira colocada na disputa pela Prefeitura de João Monlevade nas últimas eleições. 
Trata-se, claramente, de um movimento preparatório de ampliação de base política para a disputa do próximo pleito eleitoral no Município, já que Dona Conceição obteve 9 mil votos nas últimas eleições, a de resultado mais apertado na história de Município, em que se apurou a diferença de apenas 126 votos entre os primeiros e os segundos colocados. 
O que estranha é o momento de sua ocorrência, já que as alianças políticas com vistas às eleições municipais, geralmente, ocorrem após as eleições gerais para presidente, governadores, deputados e senadores, que somente ocorrerão em outubro do próximo ano. 
A notícia da substituição de Dorinha por Conceição, não coincidentemente, chega no momento em que os processos de cassação dos mandatos de Simone e de Fabrício aguardam pauta para inclusão de julgamento no TRE/MG. 
Assim, a análise que se faz diante da substituição, neste momento, na Secretaria de Trabalho Social é que o grupo político de Carlos Moreira considera como grande a probabilidade de cassação dos mandatos de Simone e Fabrício e já busca aliança com Conceição Winter para disputar as eleições suplementares que, logo após, serão designadas pelo TRE/MG

Asfalto sobre o Calçamento Histórico de Monlevade



Na semana passada, puxa-sacos do governo Simone/Carlos Moreira comemoram com estardalhaço o asfaltamento de ruas do Centro Histórico de Monlevade, da chamada Cidade Industrial de Monlevade, a primeira vila operária planejada da América - Latina.
Trata-se de mais um ato inconsequente que demonstra como João Monlevade insiste no erro de não preservar sua memória, sua história, sua identidade e seus sítios com potencial turístico. Monlevade mostra que não aprendeu nada com a demolição da Praça Ayres Quaresma e, pior, segue cometendo os mesmos erros do passado diante de seu patrimônio histórico e cultural.
É triste testemunhar o asfaltamento do pavimento em pé-de-moleque de uma via que, muitas das vezes, corresponde a trecho da Estrada Real por onde passavam as numerosas tropas que mantinham negócios com a Fábrica de Ferro de Monlevade ou por onde trafegavam os carretões de Monlevade, levando o carvão para abastecer os fornos das forjas ou para a caldeira da máquina a vapor. É triste ver sumir debaixo da camada de asfalto o pavimento original da Vila Operária de Louis Ensch e de Gaston Barbanson. Isso sem falar que o asfaltamento favorece o aquecimento do ambiente urbano e impede a absorvição da água da chuva, dificultando o abastecimento do lençol freático, das nascentes e favorecendo a ocorrência de enxurradas e inundações. 
Com suas medidas populistas, motivadas apenas pela busca do voto certeiro, Moreira já destruiu uma Rodoviária, a viabilidade econômica do DAE (taxa mínima), a isenção política da Rádio Cultura, o PA, está arrebentando com o Hospital Margarida e, agora, não escapa nem a memória de João Monlevade.

Cruz Invertida no Túmulo de Monlevade



Monlevade e sua esposa, Clara Sophia, encontram-se sepultados no Cemitério Histórico, localizado nas proximidades da sede de sua Fábrica de Ferro, o único sítio histórico, de muitos que se encontram sob a administração da Arcelormittal, que é aberto à visitação, pelo menos uma vez por ano, no dia de finados.
Seu túmulo é todo em alvenaria de pedra e encerrado por uma imensa laje retangular, sobreposta por uma pesada cruz, também de pedra, cujo cabo se encontra seccionado em três partes. Como se vê pela foto, o segmento superior da cruz, compreendido pelos braços e topo da mesma, se encontra invertido em relação ao restante do conjunto, está de ponta-cabeça. A situação não é nova e deve vir se estendendo desde o fim da década de 90 quando o túmulo de Monlevade foi violado pela última vez. 
Se é intencional ou não, a inversão da cruz do túmulo de Monlevade, além de demonstrar certa inaptidão para a conservação do patrimônio histórico em suas características originais, não deve ser bem vista pelos supersticiosos. Sabe-se que a cruz invertida pode ser associada ao anticristo, situação, no mínimo, embaraçosa para a memória de Monlevade. Como existe muito mais entre o céu e a terra do que possa julgar nossa vã filosofia, a cruz invertida no túmulo de Monlevade talvez explique a tenebrosa era de atraso e retrocessos por que tem passado o Município nas últimas décadas, principalmente, no campo político.

sexta-feira, 27 de outubro de 2017

Escalada da Dissimulação: Proposto Debate entre Belmar e Carlos Moreira



O Brasil sofre por ter se tronado um país pouco filosófico, ou seja, que não pensa. Pouco depois do Golpe Militar, já em 1966, o regime proibiu que a disciplina filosofia constasse das grades curriculares das escolas. Em 1968, ano mais conturbado da Ditadura Militar, o Colégio do Caraça, uma das mais tradicionais escolas de Filosofia do Brasil, ardeu em nebulosas chamas, encerrando suas atividades. A disciplina Filosofia só voltaria a ser obrigatória nos currículos escolares em 2014 e já existem vários projetos de lei tramitando no Congresso para proibi-la novamente. De outro lado, na grande mídia, como a Rede Globo, conceito filosófico só circula no Globo Rural. No restante da programação, como nas novelas, tudo é passional. O cidadão é aquilo que o país faz dele. Por isso o brasileiro contemporâneo tem muita dificuldade de crítica e se engana, deixando levar-se pelas aparências. 
Para a Filosofia, o político só pode ser avaliado por seu histórico, isto é, por suas ações. Se um deputado vai à televisão e se diz contrário a Temer, mas no momento da votação da admissibilidade da denúncia contra o presidente, o mesmo deputado lhe profere um voto favorável , para a verdade filosófica, aquele parlamentar é aliado de Temer e não o contrário como, inicialmente, declarado.
Recentemente, depois de vir à tona a utilização indevida da estrutura da campanha majoritária no comitê do Bairro Cruzeiro Celeste pela ex-vereadora Filinha em benefício de Belmar Diniz, o que favoreceu em muito a apertada eleição de Simone, o parlamentar se viu na necessidade de dissimular que, de fato, é um vereador de oposição, ou seja, contrário ao grupo político de Carlos Moreira. Num primeiro momento, olhando para Belmar, tudo indica que se trataria o mesmo de um vereador de oposição: ele é filiado ao PT, é filho de Leonardo, etc. Mas no entanto, se fizermos o exercício filosófico de analisar o histórico parlamentar de Belmar Diniz, veremos que não é bem assim. Em seu último mandato na Câmara, Belmar, filiado ao PT e filho de Leonardo, votou em todos os projetos de interesse do grupo de Carlos Moreira, como o Rotativo, a terceirização do DAE e a autorização para a Enscon deixar de receber o pagamento da passagem em dinheiro, a bordo do coletivo. Logo, como votou a favor de tais projetos, Belmar Diniz, não pode, na prática, ou seja, à luz do pensamento filosófico, ser considerado um vereador de oposição. É muito mais importante para Carlos Moreira ter um vereador de oposição que vota com ele na Câmara, do que um de situação. Belmar se torna ainda mais importante para Carlos Moreira quando, ao se beneficiar indevidamente do comitê do Novo Cruzeiro, fez Railton e Laércio perderem as eleições por apenas 126 votos de diferença. 
É por isso que tem havido tanto jogo de cena entre Belmar e Moreira, ultimamente. Depois de favorecer a apertada vitória de Simone, Belmar se viu obrigado a dissimular alguma coerência política e agora é visto caçando pombos, etc. Hoje, já circulou até proposta de um debate entre Moreira e Belmar na rádio Cultura. Tudo, dissimulação para manter apenas as aparências. No fundo, Moreira nunca teve tanto interesse num vereador, como tem em relação a Belmar. Imagina! Um vereador de oposição que vota com o Moreira e ainda faz o adversário perder eleição. É tudo que Moreira mais quer!
Não se deixe levar pelas aparências ou por miragens. Política é uma ciência humana e, como tal, não comporta incoerências. Avalie o político, sobretudo, pelo seu histórico. A política incoerente já provou que não produz bons frutos. Estão aí o Rotativo abusivo; os sucessivos aumentos na tarifa da água, após a terceirização do DAE; o alto preço e a péssima qualidade do transporte público, etc. A incoerência desagrega e também nos faz perder eleição.

terça-feira, 24 de outubro de 2017

Provedor: "tuas idéias não correspondem aos fatos"



Recentemente, circulou em impresso local entrevista com o atual provedor do Hospital Margarida, José Roberto Fernandes, que declarou na oportunidade não ter lado político, que o hospital está aberto para aqueles que querem ajudar e que a responsabilidade pelo Bingo suspenso pela Justiça é toda do empreiteiro contratado Leonardo Pacheco Batista. 
A primeira coisa que chama a atenção no caso é a declaração do atual provedor de que não tem lado político, quando, na verdade, é de conhecimento público que José Roberto Fernandes é braço direito do ex-prefeito inelegível Carlos Moreira. Aliás, José Roberto só ocupa o cargo de provedor do HM em razão dos estreitos laços que mantém com Moreira e para defender os interesses políticos deste, vez que já demonstrou inúmeras vezes sua completa inaptidão como gestor de recursos públicos de saúde.
Também estranha o fato de o atual provedor declarar que o hospital está aberto para quem quer ajudá-lo, quando se sabe que nem toda ajuda ao Margarida é admitida por José Roberto Fernandes. Situação que salta aos olhos é da Associação dos Amigos do Hospital Margarida, que por uma década atuou como principal colaborador filantrópico do HM e foi, sumariamente, despejada de sua sala, também tendo o convênio do DAE suspenso a pedido do próprio José Roberto. Ao provedor faltou emendar que a Hospital está aberto a todos que desejem ajudá-lo, menos a AAHM, justamente, sua maior parceira na última década. 
Mas, mais absurda foi a declaração do provedor no sentido de que a responsabilidade pela suspensão do Bingo e pela devolução dos valores pagos pelas cartelas são do empreiteiro Leonardo Pacheco Batista. Ora, se foi o próprio provedor que descredenciou a AAHM da realização do Bingo e contratou o empreiteiro para tal, ele não tem como se eximir diante de sua responsabilidade. É o que se chama em Direito de culpa “in eligendo” que é a responsabilidade por se ter escolhido a pessoa errada para realizar o Bingo. Se foi o provedor que contratou o empreiteiro, ele também tem culpa.
O certo é que as declarações do provedor nunca evocaram tanto a citação de Cazuza: “tuas idéias não correspondem aos fatos”.

Rádio Cultura não Divulga Reprovação das Contas de Simone




Tecnicamente, não existe democracia, onde não há imprensa livre.
Recentemente o Tribunal Regional Eleitoral confirmou a reprovação das contas de campanha da prefeita Simone Carvalho, por captação ilícita de recursos. Até o momento, o noticiário da rádio Cultura não divulgou nada sobre tal reprovação de contas. Aliás, o noticiário da rádio Cultura não divulgou nem que Simone e Fabrício tiveram os mandatos cassados pela Justiça Eleitoral, por abuso de meio de comunicação durante a última campanha eleitoral. O tema “cassação de Simone” jamais foi tratado à exaustão e elucidado pela rádio Cultura, assim como os ouvintes do programa Carlos Moreira também não conhecem, especificamente, as múltiplas condenações que levaram o ex-prefeito homônimo à condição de inelegibilidade. 
Muitos são manipulados porque é natural que a pessoa considere como verdade aquilo que é divulgado por uma rádio. Outros tantos enxergam a manipulação, mas fazem a opção em participar dela, de uma forma ou de outra. São aqueles que querem mudar o Brasil, corrompendo a verdade.
A primeira condição necessária para que se instale a boa política é fazer circular a verdade nos meios de comunicação, coisa dificílima em Monlevade. É obvio que um projeto político que se origina e tem como base a manipulação da verdade de poderoso meio de comunicação não pode produzir bons frutos. A inelegibilidade de Carlos Moreira, suas múltiplas condenações em ato de improbidade administrativa e o que ele fez com o antigo terminal rodoviário, desperdiçando muito mais de 22 milhões de reais em recursos públicos, são provas disto. 
O fato é que a manipulação política da rádio Cultura tem custado muito caro a João Monlevade e necessita ser combatida para o bem da democracia local. E, como tudo que envolve a política, a melhor arma contra a manipulação é sempre o conhecimento. É preciso compreender que, infelizmente, o conteúdo veiculado pela rádio Cultura é manipulado conforme os interesses de Carlos Moreira, o que torna a emissora suspeita para abordar assuntos políticos do Município. E o discurso suspeito deve ser desconsiderado. Então, desconsidere a rádio Cultura quando procurar se informar sobre a política local.

Jogo de Cena entre Belmar Diniz e Carlos Moreira


A última edição do jornal A Notícia publicou matéria no sentido de se fazer crer que o ex-prefeito inelegível Carlos Moreira e o vereador Belmar Diniz estariam rompidos. Tudo um lamentável jogo de cenas digno de episódio de novela global. 
Belmar Diniz é um dos vereadores mais importantes para o grupo de Carlos Moreira, porque, apesar de oposição, vota com o grupo de Mauri, como foi o caso do Rotativo, da terceirização do Dae e da autorização à Enscon de não cobrar a passagem em dinheiro dentro do coletivo. Belmar também é interessante para o grupo de Moreira porque favoreceu, decisivamente, a apertada vitória de Simone nas urnas. A oposição perdeu as eleições para ela mesma. E o principal fator que levou à derrota da oposição nas últimas eleições foi a utilização indevida da estrutura da campanha majoritária no comitê do Bairro Novo Cruzeiro para pedir votos, justamente, para Belmar Diniz. É muito mais importante para Carlos Moreira ter um vereador de oposição que vota a favor de seus interesses na Câmara e age de forma a favorecer a eleição de Simone do que um de situação. Para o grupo de Carlos Moreira, Belmar segue como um dos vereadores mais importantes daquela Câmara. Daí, o jogo de cena para se manter a situação. O único fato verdadeiro revelado naquela matéria é que Carlos Moreira confessa já ter ajudado Belmar em outras oportunidades, o que mais uma vez confirma o interesse de um pelo outro: diga-me a quem pedes ajuda, que eu te direi quem és. 
Belmar, agora, faz cena de vereador de oposição porque, nas últimas eleições, ficou muito clara sua contribuição para a eleição de Simone. Então ele tem que dissimular. 

Renuncia, Aécio!


Fosse num país sério como os EUA, um senador como Aécio Neves, pego em ação controlada da PF, com mala de dinheiro rastreada, que foi parar na lavanderia do Perrella, mais o primo e a irmã, já teria renunciado ao mandato há muito tempo. Fosse no Japão, Aécinho já teria pedido desculpas e cometido um Harakiri, o honroso ritual suicida samurai, consistente em se utilizar da espada para golpear o próprio abdômen em dois cortes em forma de cruz e, então, esperar pela morte febril e dolorosa. Fosse na China, paredão para os verdadeiros irmãos metralha. Aqui no Brasil, Aécio segue senador, livre, leve e solto. E querem mudar o país. 
O Brasil não é uma República de fato, pois nela a lei vale para todos. No Brasil, existe uma determinada casta, envolvida em coisas do arco da velha, que a lei não alcança e é considerado normal. O brasileiro quer acabar com a corrupção, mas convive e é conivente com determinados corruptos. 
Veja o caso do braço direito de Aécio, o também senador Perrella. A PF capturou um helicóptero seu com 450 quilos de cocaína, cujo piloto se encontrava lotado como assessor no gabinete do filho, e cujo combustível era pago pela Assembléia Legislativa de Minas. Outro que se encontra livre, leve, solto e no exercício do mandato. Enquanto o povo brasileiro eleger e conviver com este tipo de gente no Senado o país não muda de jeito nenhum.
Sabe aquela imensa violência no Rio de Janeiro, promovida no fuzil, que tem como pano de fundo o tráfico internacional de drogas? Pois é..., no final das contas, ela existe para que caras como Perrella e Aecinho se tornem multimilionários. Você acha justo morrer com um tiro de fuzil para enriquecer Perrella? E ter um país de péssimos serviços públicos e infra-estrutura, desemprego e desesperança para bancar as noitadas de Aécio Neves? Então seja coerente consigo e pare de conviver e de tolerar bandido.
Você já manifestou nas redes sociais pela renúncia de Aécio Neves e sua turma? Se o STF não demonstra consonância com o que aspira o povo, o povo deve se fazer ouvir, diretamente. Renuncia, Aécio! E leve o Perrella junto!

Inverno de 2017


O inverno de 2017 encerrado no mês passado foi atípico em João Monlevade, se comparado ao das ultimas décadas e merece registro. 

Quando era criança pelos meados da década de 1980, ou seja, no século passado, me impressionava como os dias de inverno eram frios e nublados na Vila Tanque. Naquela demora com que o tempo passava, própria da infância, tinha a impressão que ficávamos 40 dias sem ver o sol. O céu todo nublado, neblina, garoa, e muito frio. 
O inverno nada saudoso de 2017 foi como as da década de 80. Houve três situações em que ficamos 12 dias sem ver o sol, sob uma espessa, pesada e acinzentada camada de nuvens. Coisa tipo Transilvânia! Temperatura de 16 graus e garoa ao meio dia.
O frio deste ano desfavoreceu a florada dos Ipês Amarelos , que não floriram simultaneamente e de uma só vez como é o comum de ocorrer. 
Mas, o sabiá já está cantando há muito tempo. E o que visita a minha janela, neste ano de 2017, é um incansável soprano. Começa às quatro da manhã e canta por duas horas. Ao meio-dia, lá está ele, melódico. Ele, literalmente, canta enquanto enfileira pelo bico as minhocas que leva para o ninho e alimenta a próxima geração de sabiás. Com as minhocas dependuradas no bico, canta e me olha com deboche. Depois das dezessete, ele volta a cantar e vai até o escurecer. 

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

O Principal Produto da Fábrica de Ferro Monlevade





Muito distantes daquele discurso romanceado comumente utilizado para descrever o pioneiro empreendimento metalúrgico de João Antônio de Monlevade como “uma pequena forja catalã, fabriqueta de enxadas e artigos para a agricultura”, as peças dos museus e os documentos históricos revelam o contrário, uma indústria pesada, de grande escala e engajada, sobretudo, no fornecimento de artefatos de ferro empregados na mecanização do processo de mineração de ouro e, portanto, diretamente ligado à economia mineradora e não à agricultura, como se conta, inserindo, com muita propriedade o Município no mapa da Estrada Real. O fenômeno da deturpação histórica é corriqueiro no Brasil e afeta com grande intensidade tudo que se relaciona com a Ciclo do Ouro em Minas Gerais. Assim como Monlevade é associado à agricultura o mineiro é tomado pelo estereótipo de caipira, apesar de as Minas terem se estabelecido por meio de núcleos urbanos ordenados a que se impunham severas regras de arruamento e posturas. O propósito é esfacelar a identidade brasileira, porque, assim fica muito mais fácil sabotar o país em benefício de uma elite parasitária e infecunda, como se tem exacerbado nos últimos anos. Se o mineiro tivesse consciência de sua história, de sua identidade, do que Minas representa, já teria deflagrado um revolta contra o que ocorre no Brasil, como, por muito menos, fez Felipe dos Santos e tantos outros. 
Uma consulta ao Catálogo de Preços da Fábrica de Ferro de Monlevade revela que ela produzia enxadas, foices, machados, ferraduras, cravos, ferramentas para ferrar, pregos, fechaduras para portas, tachos, bigornas, aguilhões, ferro em barras, argolas para eixo, cavilhas, ferragem completa para carro de bois, engenho de serra “e mais todos os objetos precisos para o uso, e concertos de toda natureza, por preços cômodos”. Monlevade produzia de tudo que podia ser feito de ferro naquela época. De fato, seu o produto mais popular era a enxada. No entanto, não era o principal produto da fábrica.
Em 1853, Monlevade escreveu que “por dia rende a fábrica 30 arrobas (450 quilos) de ferro quase todo reduzido em obras, principalmente em mãos de pilões para as Companhias Inglesas, e Mineiras Brasileiras...” Como se vê, segundo registro do próprio Monlevade, o principal produto de sua Fábrica era as mãos de pilões para as companhias inglesas e mineiras e não ferramentas para a agricultura, como muitos dizem. O que Monlevade chama de “mãos de pilão” são, na verdade, as cabeças de ferro dos trituradores do denominado Engenho de Eschwege, muito utilizado naquela fase da mineração para triturar o quartzito aurífero e dele lavar o ouro nas companhias mineradoras inglesas que se instituíram às dezenas por toda a Minas Gerais, a partir de 1825.
Naquela época, o ouro de aluvião, tão facilmente, encontrado sob a superfície do solo, às margens dos ribeiros e julgado inesgotável, dava sinais claros de exaustão. Era preciso trabalhar os veios, de onde o ouro de aluvião se originava. Para tal, novas técnicas e equipamentos foram introduzidos na mineração regional, principalmente, pelas companhias inglesas. Uma delas foi o emprego do Engenho de Eschwege, que consistia numa grande roda d’água, acoplada a um eixo giratório que transmitia a força necessária para erguer uma série de pilões de madeira, cujas as bases eram pesados blocos de ferro . O eixo girava, erguendo os pilões que , com meia volta, perdiam o apoio e caiam sobre a rocha, triturando-a , num movimento de sobe e desce contínuo. 
O aludido engenho levou o nome de seu inventor, o Barão de Eschwege, metalúrgico alemão que, a exemplo de Monlevade, veio para o Brasil, na leva de exploradores que se seguiu à transferência da Corte Portuguesa para o Rio de Janeiro em 1808, a fim de estudarem as riquezas naturais do país. O Engenho de Eschwege aumentou muito o rendimento das Minas de Ouro, naquele período.
No Museu do Ouro em Sabará existe um exemplar do Engenho de Eschwege, que, por 50 anos funcionou em Brumal, Santa Bárbara . Nele é possível verificar a série de oito trituradores, cujas cabeças de ferro de 80 quilos, cada uma, eram o principal produto da Fábrica de Ferro de João Antônio de Monlevade.
Se você nunca viu algo produzido por Monlevade, deleite-se com visão destes oito aríetes, devidamente, equipados com as cabeças de ferro forjadas em sua Fábrica. A fita perimétrica na foto demonstra que, infelizmente, a estrutura deste belo e, talvez, último exemplar do Engenho de Eschwege se encontra instável, demandando por restauração, tendo uma das cabeças de ferro se soltado do pilão de madeira, situação que, embora lamentável, permite verificar que as mesmas apresentam um cabo concêntrico por meio do qual eram conectadas aos pilões de madeira e fixadas com duas argolas quadradas. Todas forjadas pelo Martelo-Vapor de Monlevade. 
A produção em escala de tais artefatos de ferro insere Monlevade diretamente na economia mineradora, ao mesmo tempo, que reafirma o caráter industrial de seu empreendimento, pois, como consistiam em insumo produtivo, as mãos de pilão podem ser caracterizadas como bens de capital. Era um produto muito demandado. Estima-se que, naquela época, funcionavam cerca de 50 Engenhos de Eschwege na região de Sabará, Santa Bárbara, Caeté e Nova Lima, cujas cabeças de ferro forjado precisavam ser substituídas após 90 dias de trabalho contínuo. 
Pelo peso e número das peças, é improvável que as mão de pilão eram transportadas da Fábrica de Monlevade até as companhias mineradoras em lombo de mulas. Monlevade abriu na região uma considerável rede de estradas carroçáveis, ergueu pontes sobre os rios Piracicaba e Santa Bárbara e contava com carros de bois de quatro rodas e "carretões à moda europeia", cujas ferragens ele mesmo fabricava. Eles eram conduzidos por seus escravos, utilizados nos trabalhos de sua fábrica e para o transporte de sua produção. Houve carretão de Monlevade que levou um aguilhão de ferro forjado com 900 quilos de peso para a Mina do Morro Velho, em Nova Lima. Peças maiores foram transportadas para a Mina do Gongo Soco. Muito provavelmente, as mãos de pilão também eram transportadas nos carretões de Monlevade. 
Pode-se dizer que foi a produção dos artefatos de ferro da Fábrica de Monlevade que viabilizou, tecnicamente, a última fase da mineração do ouro em Minas Gerais, marcada pela mecanização e não apenas pela utilização do Engenho de Eschwege, como também pelo emprego de vagonetes sob trilhos nas galerias subterrâneas. No Museu Monlevade, atualmente, destelhado e fechado à visitação, existe um exemplar destes vagonetes. 
A herança linguística desta ultima fase da mineração do ouro deixou traços que ainda podem ser observados no jeito de falar do mineiro. Foi convivendo com os ingleses das companhias mineradoras que o mineiro passou a empregar em seu vocabulário termos como “Sô”, “Uai” e “Trem”. “Sô” tem sua origem na palavra inglesa “Sir” com a qual os ingleses eram tratados. “Uai” também vem do inglês, “Why”, que significa “Por quê”. Considerando a brasilidade do mineiro e até mesmo o significado da expressão “para inglês ver” o vocábulo “Why” devia ser a palavra que o mineiro mais ouvia de seu patrão inglês: Por quê? Por quê? Por quê? E “Trem” tem sua origem em “Train”, que não era o trem de ferro, mas sim o sistema de vagonetes utilizado para extrair o minério aurífero das galerias subterrâneas das minas operadas pelas Companhias Inglesas.

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Por que o Brasileiro é tão desonesto?


Atualmente, salvo raras e valiosas exceções, o brasileiro se tornou alguém que se indigna com toda a escandalosa corrupção que se vê em Brasília, mas que no seu dia a dia não acredita na ética, não a pratica e age conduzido pela Lei de Gerson, tentando tirar vantagem de qualquer situação que se apresente. Mas, por que isso acontece? Afinal, como já disse Leandro Karnal, “não existe governo corrupto em país de gente honesta”.

Diante desta questão, o primeiro entendimento que se deve ter é que a assombrosa corrupção que afeta o país se trata de fenômeno contemporâneo, nem sempre fomos assim. Se analisarmos, por exemplo, o período da história brasileira que vai da proclamação da República à ascensão de Vargas, quando o Brasil viveu a chamada “ La Belle Epoque”, encontraremos uma sociedade influenciada por fortes conceitos éticos em que havia respeito, responsabilidade e o agir ético era considerado uma virtude. As fotos da época revelam que naqueles idos a grande maioria dos homens usava bigode e era por uma razão ética. Garantia-se a palavra assumida entregando ao credor um fio do próprio bigode. Daí a origem do termo fiança. 
Hoje, vigora a desonestidade geral. Não se iluda. A corrupção generalizada que se vê em Brasília é reflexo direto da desonestidade comum que afeta o cotidiano do brasileiro. Então, por que somos um povo tão desonesto, atualmente? A resposta é simples. Ninguém nasce ético. Ética é questão de formação, de um modo ou de outro. Aquele modelo de família rígido e patriarcal que vigorou, plenamente, até o final da “La Belle Epoque”, chamado de “berço”, que fazia sua formação ética na Igreja e detinha a responsabilidade de transferi-la aos filhos não existe mais em função da adoção de novos costumes introduzidos pela modernidade e da fissão entre Estado e Igreja. Nota-se, então, que, durante seu processo de modernização, o Brasil perdeu as duas instituições que, historicamente, se atribuía a formação ética de seu povo. E sem meios de formação ética não há como se esperar por um contexto, minimamente, ético. 
Na era moderna, duas instituições são fundamentais na formação ética e na circulação dos conceitos éticos do Estado Moderno: a escola e a mídia. 
Ocorre que, na escola pública brasileira contemporânea, ética não é disciplina obrigatória. O Brasil forma professores, jornalistas, engenheiros, etc, que nunca tiveram uma lição de ética na vida, não conhecem a ética como disciplina. Aliás, o modelo de escola pública nacional se encontra, totalmente, falido e não tem conseguido, sequer, alfabetizar o aluno. Atualmente, o Brasil tem 50 milhões de analfabetos funcionais, que são aqueles que lêem, mas não compreendem a que foi lido. E se não alfabetiza, também não pode ser efetivo na formação ética ou em qualquer outra.
Concomitantemente, o Brasil contemporâneo tem ainda um modelo de grande mídia, que são as novelas da Rede Globo, que não faz circular os conceitos éticos, muito pelo contrário, circula todos os maus exemplos de comportamento desonesto que se pode imaginar. É preciso ter em mente que todo comportamento que é veiculado pela grande mídia, invariavelmente, será replicado em massa na sociedade. O brasileiro que interpreta o Brasil a partir das novelas da Rede Globo chega à conclusão de que a sociedade brasileira é, inevitavelmente, desonesta e que, se ele não seguir o mesmo caminho, não conseguirá nada da vida.
Assim, se de um lado no Brasil contemporâneo, não há formação ética e, de outro, a grande mídia, intencionalmente, só faz circular os conceitos de desonestidade, não há como se instituir um país honesto. Então se você está indignado com a desonestidade que afeta o país, o primeiro passo é não repetir os comportamentos exibidos pelas novelas globais. Saiba que a Rede Globo foi fundada em 1965 no contexto do Golpe Militar com apoio decisivo do poderoso grupo de mídia estadunidense Time Life. Uma das doutrinas de formação da Rede Globo é que o Brasil jamais encontre condições de sobrepujar a hegemonia estadunidense no continente. Por isso o parâmetro de comportamento apresentado ao Brasil pela Globo é a desonestidade. A disseminação da corrupção generalizada é o meio mais eficaz de se sabotar um imenso país. Sentimos isto na pele, atualmente. O segundo passo é cobrar e lutar por um modelo de escola pública que seja, realmente, eficiente, que prepare para a vida e que adote a ética como disciplina. O terceiro é cobrar e lutar pela reforma dos meios de comunicação para que o Brasil possa adotar um modelo de grande mídia capaz de se alinhar aos interesses nacionais. 

Ética não dá em árvores! Ética se forma e se foi possível formar a ética do povo brasileiro no passado, também podemos fazer o mesmo para o futuro.

Falta D´Água no Bairro do Vice-Prefeito



A Vila Tanque, bairro do vice-prefeito cassado Fabrício Lopes, tem sofrido muito com o abastecimento de água tratada, não apenas pela falta recorrente de água, como pela péssima qualidade dela. 
Como ocorre com todas as comunidades do entorno da Usina, o Bairro Vila tanque tem parte do abastecimento de água tratada mantida pelo DAE e outra parte pela Arcelormittal. Alguns bajuladores dizem que a Arcelormittal fornece água de graça para os moradores, o que não é verdade. É que, principalmente, durante a noite a Sinterização emite colunas imensas de pó que toma tudo o que alcança e só pode ser retirado com muita água e horas de trabalho. Agora, que as atividades do Alto-Forno e da Sinterização se encontram suspensas em função de uma parada programada, é possível perceber como os carros, as vidraças, janelas, calhas, terreiros e passeios têm ficado livres do pó. Então, trata-se de uma compensação ambiental e não água de graça.
Acontece que já há algum tempo a Arcelormittal não dá manutenção na rede de adutoras e reservatórios que se estendem do morro ao fundo da Igreja N. S. de Fátima e alcança a mata do Clube Embaúba, de modo que o sistema se encontra, atualmente, cheio de vazamentos. Há casos de vazamentos na rede que a água desperdiçada acumula nos quintais das casas, formando criatórios de mosquitos, como ocorreu no ano passado na Escola Eugênia Scharle. O que a Arcelormittal faz é manter um carro-pipa que roda o dia inteiro abastecendo o primeiro reservatório abaixo do Clube Embaúba, cujo abastecimento d’água também foi cortado pela Arcelormittal.
De um lado, tem-se um governo que finge que os bairros do entorno da Arcelormittal ainda são de responsabilidade da Usina, abandonando-os. De outro, o grande capital que não é fiscalizado em nada, não é chamado a assumir suas responsabilidades junto à comunidade e que sequer limpa a própria sujeira que faz. No meio, uma comunidade que não conhece os seus direitos e endeusa a multinacional em troca de cada vez menos postos de trabalho, sem compreender que o grande capital só se encontra aqui instalado em função da lucrativa exploração dos recursos locais, como o riquíssimo ferro da Mina do Andrade, a água do Rio Piracicaba, a mão-de-obra monlevadense, a ferrovia, etc. 
E no que diz respeito ao abastecimento d’água, o resultado não poderia ser outro senão a águas suja ou a falta dela na torneira.

Sobre o Parecer do MP na Cassação de Simone


Parecer de Ministério Público não vincula voto de desembargador. O ex-prefeito Gustavo Prandini, atualmente, auto-exilado em Juiz de Fora, teve parecer favorável do Ministério Público para ser cassado no TRE, mas, nos votos dos desembargadores, foi absolvido.
O TRE/MG é político como todo tribunal. Assim, a confirmação da cassação de Simone e Fabrício vai depender muito mais de articulação política do que qualquer outra coisa. Internamente, existe articulação política até para se chegar ao resultado de qual tese jurídica deva prevalecer.
Matéria jurídica para cassação existe, até porque o parecer do Ministério Público foi muito pouco técnico ao argumentar que se as matérias veiculadas no jornal O Celeste não fossem verdadeiras os candidatos prejudicados teriam ajuizado ações de direito de resposta na Justiça Eleitoral, coisa que, de fato, não ocorreu. Ora, não é porque não houve processo que o ilícito não ocorreu. Diariamente, ocorrem inúmeros ilícitos que jamais serão levados ao conhecimento da Justiça. O Parecer do Ministério Público foi político, o que não surpreende. 
Se os agentes políticos que apoiaram a candidatura de oposição, como o deputado Nozinho e o governo de Minas, tiverem força para articular o cumprimento da lei junto ao TRE, Simone será cassada. Do contrário, será absolvida.

Clip Comemorativo dos 200 Anos da Chegada de Monlevade




Acho que qualquer pretexto já é suficiente para se comemorar Monlevade. João Antônio de Monlevade é um dos personagens mais importantes da história de Minas Gerais. Foi pioneiro e visionário em vários sentidos, além de autor de feitos decisivos para história de Minas que só poderiam ser realizados por ele e mais nenhum outro, naquela época. E ao contrário do que, comumente, se diz ou lê a respeito de sua obra, seu empreendimento aqui instalado não se tratou de “uma pequena forja catalã fabricante de enxadas e ferramentas agrícolas”. Muito mais do que isso, a “Soberba Fábrica de Ferro de Monlevade”, nas palavras de Guido Thomaz Marlieri, representou a indústria pesada da época, pois era equipada de pesado maquinário, no qual se destaca nada menos que a primeira máquina a vapor empregada em método industrial no Brasil, o desconhecido Martelo-Vapor de Monlevade, importado da Inglaterra por meio de inédita e arriscadíssima navegação pelos rios Doce e Piracicaba e capaz de forjar peças de ferro de mais de 900 quilos de peso que eram acomodadas em carretões de quatro rodas tracionados por várias juntas de bois e transportadas, de São Miguel para as Minas de Ouro de Morro Velho, em Nova Lima, Pari, em Santa Bárbara, Gongo Soco, em Barão de Cocais, etc. Monlevade foi o principal fornecedor de artefatos de ferros para as Companhias Mineradoras Inglesas que se instalaram às dezenas por toda a Minas Gerais, a partir do primeiro quartel do sec. XIX, e empregavam processos e equipamentos industrias na mineração do ouro, como o trem-minerador, um sistema de trilhos e vagonetes que retirava o minério aurífero das galerias subterrâneas e o Engenho de Eschwege, uma roda hidráulica acoplada a um conjunto de trituradores que, previamente, processavam o minério para lavagem do ouro, o que aumentava muito a produção da minas. Era Monlevade quem produzia as cabeças de ferro dos trituradores dos engenhos de Eschwege, que precisavam ser substituídas a cada 90 dias de trabalhos ininterruptos na Minas de Ouro. Muito mais do que em relação à agricultura, a história de Monlevade está, diretamente, ligada à última fase da mineração do ouro em Minas, o que insere o Município de forma muito especial no mapa da Estrada Real, outra situação completamente desconhecida. Durante os 50 anos em que funcionou sob seu comando, a Fábrica de Ferro de Monlevade foi, de longe, a mais importante do Império Brasileiro. 
Então, Monlevade apresenta todos os motivos para ser festejado a todo o momento. Circula no Youtube clip comemorativo aos 200 anos da chegada de João Antônio de Monlevade ao Brasil. O bom é que abandonaram aquela idéia errônea da comemoração dos 200 anos de chegada de Monlevade a São Miguel. Antes de se instalar em São Miguel, Monlevade passou anos viajando por Minas Gerais, estudando e enviando relatórios mineralógicos para a Escola Politécnica de Paris e chegou a morar em Sabará e Caeté, onde instalou fornos e amargou imensa dificuldade de produção pela falta de matas para fazer o carvão. Monlevade só vem a se instalar em São Miguel a partir de 1824, aproximadamente. Documento histórico comprobatório disso existe, é sua sesmaria. A data de fixação de Monlevade em São Miguel é a data da concessão de sua sesmaria. Então é correto, sensato e justo que esperemos 7 anos para comemorarmos a chegada de Monlevade a estas terras. 
Agora, o que nos traz insatisfação é ver que empresa envolvida no escândalo da Farra do Lixo, ocorrido no governo Carlos Moreira, que segundo o Ministério Público, trouxe um prejuízo de 4 milhões de reais aos cofres públicos municipais, patrocina o clip. Nos países desenvolvidos, onde existe parâmetro ético e, portanto, desenvolvimento, patrocinadores envolvidos em escândalos públicos de corrupção são, imediatamente, excluídos ou desconsiderados. Aqui, no país da corrupção, eles têm publicidade garantida. Não é por menos que aqui impera o subdesenvolvimento. 
Outra coisa que também chamou a atenção no clip foi o disparate em apresentarem imagens do Museu Monlevade, como ele se encontra, atualmente, ou seja, destelhado e com as peças, sobretudo, as de madeira, ao relento, perdendo-se sob efeito das intempéries. No país do subdesenvolvimento se comemora bicentenário de fato histórico com o acervo do museu (foto), que deveria preservar a memória do comemorado, se perdendo por falta de telhado, consideração, visão e fiscalização.

terça-feira, 5 de setembro de 2017

A Cara do Provedor no Letreiro do Hipermercado


Leio agora no blog do jornalista que também se mete a marketeiro político que o Hipercomercial Monlevade fechou parceria com o Hospital Margarida. Trata-se de um projeto que permite ao consumidor doar o troco ou parte dele ao HM, quando efetuar compra no Hipermercado, a exemplo do que já ocorre na unidade do EPA em João Monlevade, onde é possível doar para o Hospital da Baleia pelo mesmo sistema. Trata-se de episódio que leva a três reflexões. 
A primeira, que o atual provedor do Hospital Margarida, José Roberto Fernandes, depois de desgastar em demasia sua própria imagem com os inúmeros equívocos e arbitrariedades que cometeu, como o despejo e a perseguição à AAHM, o cancelamento judicial do Bingo, a não devolução do valor pago pelas cartelas, a falta completa de transparência de onde se encontra o valor arrecadado com o evento suspenso a pedido do Ministério Público, etc, etc, agora busca associar sua imagem à de entidades sólidas locais, na tentativa de fazer comunicar a credibilidade que tais instituições desfrutam junto ao público com sua própria imagem. O ruim é que, da mesma forma que a credibilidade de um comunica com a imagem do outro, o descrédito do outro também pode comunicar com a imagem do primeiro. 
A segunda é que, a completa falta de transparência com que o atual provedor trata a séria questão da contabilidade dos valores arrecadados com o Bingo não inspira a confiança necessária para que se doe nem um centavo para Hospital Margarida. Enquanto, José Roberto Fernandes não devolver cada centavo corrigido, arrecadado com venda das cartelas do Bingo, não merece nenhuma doação. Por isso, sua manutenção no cargo de provedor, depois de arruinar com a credibilidade do Bingo do Hospital Margarida, tem sido tão danosa para a casa de saúde. 
Quem tem interesse em doar ou viabilizar doações para o Hospital Margarida deve fazê-lo por meio da Associação dos Amigos do Hospital Margarida, que é instituição idônea, sem fins lucrativos, que por uma década promoveu o Bingo do Hospital, sem qualquer problema, figurando como a instituição da sociedade civil organizada que mais contribuiu com a manutenção do Hospital nos últimos tempos. 
Agora, quando passo pela Avenida Gentil Bicalho e olho para aquele moderno Hipermercado, só vejo a cara do atual provedor (imagem) naquele letreiro e fico imaginado onde é que foi parar o dinheiro do Bingo do Margarida. Será que está depositado numa conta corrente, poupança? Ou será que está aplicado em títulos públicos? Aplicado em fundos de pensão? De quanto é a taxa de juros? Cadê o dinheiro? Vai devolver com juros ou sem juros?

Será que Leonardo Diniz...



Recentemente, o pivô da cassação dos mandatos de Simone e Fabrício Lopes, o jornal O Celeste (imagem), publicou a manchete que se segue: Será que, se Leonardo Diniz, fundador do PT em João Monlevade, estivesse vivo, aceitaria a traição da maiorias dos petistas com seu filho?

O impresso, que já está em campanha diante da grande possibilidade de realização de novas eleições que ele mesmo deu causa, refere-se à um suposto descontentamento do filho de Leonardo Diniz, o vereador Belmar Diniz, que estaria insatisfeito com o Partido dos Trabalhadores local. 
Mais uma vez chama a atenção a capacidade do periódico de confundir as posições e de inverter a verdade. A pergunta correta não é a estampada naquela manchete. Aliás, sobre o histórico político de Belmar Diniz, as perguntas podem ser muitas. Será que, se estivesse vivo, Leonardo asseitaria o voto de Belmar Diniz a vafor da terceirização do DAE? Será que aceitaria o voto de Belmar a favor do Rotativo? Aceitaria também o voto de Belmar que autorizou a ENSCON deixar de cobrar a passagem em dinheiro a bordo do coletivo? Será que Leonardo ainda asseitaria o fato de a estrutura da campanha majoritária no Bairro Cruzeiro Celeste ter sido, indevidamente, utilizada quase que exclusivamente para pedir votos para Belmar, levando a derrota da coligação integrada pelo seu partido, o PT, por diferença de apenas 126 votos? Será?
Hoje, mais do que nunca, Belmar Diniz é um dos vereadores mais importantes para o Moreirismo. Primeiro, porque durante os últimos 5 anos como vereador votou em todos os projetos de lei decisivos do grupo de Carlos Moreira. Segundo, porque Belmar fez Railton e Laércio perderem as últimas eleições, quanto passou a concorrer com os votos dos mesmos, ao ser, indevidamente, beneficiado com a estrutura da campanha de prefeito e vice no Novo Cruzeiro. E tudo isso para o Moreira é ótimo!

terça-feira, 29 de agosto de 2017

Aumento do Preço da Água e a Isenção da Taxa Mínima


Na semana passada o monlevadense foi surpreendido por mais um aumento da taxa de água. 11,17% de reajuste, contra uma inflação de menos de 3% nos últimos 12 meses. O aumento causa ainda mais indignação quando confrontado com um dos principais eixos de promessas de campanha da prefeita Simone/Carlos Moreira que foi a isenção da taxa mínima de água.
Segundo compromisso firmado com a população na última campanha eleitoral, quem consumisse até determinado volume de água ficaria isento de taxa. A prefeita Simone já cumpriu 8 meses de mandato e ainda não conseguiu enviar para a Câmara o projeto de lei que institui a prometida isenção da taxa mínima, até porque prometeu o que não pode cumprir. A isenção que já foi instituída por Carlos Moreira no passado trata-se de modalidade de renúncia de receita, o que é vedado pela Lei de Responsabilidade Fiscal, e, porquanto vigorou, colocou o DAE numa situação de sucateamento sem precedentes, iniciando o processo de falta d’água recorrente em que o Município ainda se encontra. Ato típico de governo populista como o de Carlos Moreira. Populista é aquela medida que, num primeiro momento recebe clamor popular, mas que não se sustenta ao longo do tempo, trazendo graves conseqüências para a população, posteriormente. Se hoje falta água em seu bairro, é o custo que o cidadão paga pela isenção da taxa implementada no passado para reeleger Carlos Moreira a seu segundo mandato como prefeito.
Também não se pode deixar de creditar o atual aumento da conta de água ao ex-prefeito Teófilo Torres e aos vereadores da última legislatura, com destaque para Belmar Diniz, que aprovaram o projeto de lei 889/2015, autorizando a transferência da incumbência em se fixar e reajustar o valor da tarifa, do DAE para o Consórcio Intermunicipal de Saneamento Básico, com sede em Belo Horizonte. Isso mesmo, o reajuste veio de Belo Horizonte. Sem saber, com tal medida, os vereadores reduziram até suas próprias prerrogativas de fiscalizar a composição do preço da taxa, já que aqui, no Município de João Monlevade, eles são invioláveis por suas opiniões, palavras e votos. Em Belo Horizonte, não. 
Tal transferência de prerrogativa ainda é outro empecilho para a prefeita cumprir seu compromisso de isenção da taxa mínima, já que, atualmente, cabe ao Consórcio fazê-lo e não ao DAE. Nem adianta dizer que não sabia pois é assim desde 2015.

Geração de Empregos

Na semana passada circulou a informação de que o município de João Monlevade foi o segundo a mais gerar empregos no estado de Minas Gerais. De acordo com o Ministério do Trabalho, Monlevade gerou 2.152, nos sete primeiros meses de 2017. 
Foi o bastante para setores do governo Simone/Carlos Moreira comemorarem a notícia, que soa como um alento neste período de crise vivido pelo país, como se fossem o pai da criança.
Ocorre que o governo Simone/Carlos Moreira não tem qualquer relação com fato. Não há no Município a execução de políticas públicas voltadas para o estabelecimento de ambiente favorável aos negócios ou à geração de postos de trabalho.
O grande número de postos de trabalho abertos no Município se devem, exclusivamente, à obra de manutenção do Alto-forno (foto) e de outros departamentos da Arcelormittal. Estima-se que cerca de 3.000 trabalhadores participarão das obras de reparo na Usina, que devem perdurar por 45 dias.
De modo que, finalizadas as obras de manutenção na Arcelormital, cerca de 3.000 trabalhadores deverão ser dispensados e João Monlevade passará a ser um dos municípios mineiros que mais demitirão no segundo semestre de 2017.

Cavalgada, Alienação Cultural e a Incapacidade de Realização do Governo Simone

A exemplo do ocorrido no ano passado, em 2017, João Monlevade não terá Cavalgada. De certo modo é até um alívio, considerando que a maior festa da cidade se revestiu muito daquele caráter caipiresco, importado dos canaviais de São Paulo, em que prevalece a monocultura enlatada do chamado sertanejo universitário que tem por objetivo transformar o jovem num caipira, pois na roça não existe Polis, no sentido grego do termo. Assim, como um caipira, o jovem se torna inapto a se prestar a agente político do país.
No entanto, com um pouco de conhecimento e vontade política, a Cavalgada poderia se tornar numa festa de celebração das tradições regionais e locais. Poucos sabem, mas a Avenida Getúlio Vargas é um importante trecho da Estrada Real que permitia o acesso de localidades como Sabará, Santa Bárbara, São Gonçalo, Itabira, etc, à Fábrica de Ferro de João Monlevade, à São Miguel do Piracicaba e além. Era pelo traçado que hoje corresponde à Avenida Getúlio Vargas, um dos poucos caminhos carroçáveis da Estrada Real na época, que Monlevade escoava a sua produção por meio de tropas de muares e carretões de quatro rodas puxados por juntas de bois no século XIX. Para se ter uma ideia, havia um carretão puxado por bois que deixava a Fábrica de Ferro de Monlevade, rumando para a direção de Carneirinhos e se dirigia até a Mina de Ouro do Morro Velho, em Nova Lima, levando peça de ferro de mais de 900 quilos de peso. Além do mais, a via também era muito freqüentada pelas variadas tropas que mantinham negócios com Monlevade e por aquelas que utilizavam as duas pontes mantidas por ele sobre o Rio Piracicaba, coisa rara na época. Em 1853, o próprio Monlevade escreveu:

[...]
Enfim, este lugar outrora inteiramente deserto, está hoje muito freqüentado pelas numerosas tropas carregadas de mantimentos que vão para a mata e saem dela, assim como por outras que têm negócios com a casa, todas se aproveitando das estradas, e no tempo de seca de uma das pontes que franqueei ao público. [...]


Vale lembrar também que a região tem grande tradição em tropeirismo. O município vizinho de Itabira detém o título de capital tropeira de Minas Gerais, cujo distrito de Ipoema alberga o Museu do Tropeiro. 
Como se vê, as possibilidades de se transformar a Cavalgada numa festa de cultura regional, formadora da identidade local são infinitas. Mas, a turma que está no poder não quer assim. Então, se for para manter o caráter alienante da festa é melhor até que não se faça.
No entanto, sob o ponto de vista político, a não realização da Cavalgada pode ser encarada como um triste termômetro do governo Simone: um termômetro da incapacidade de realização do governo Simone/Carlos Moreira. A capacidade de realização de qualquer governo depende muito de liderança política. Quando se faz a opção por eleger uma prefeita que é preposta política de um ex-prefeito inelegível, como é o caso de Carlos Moreira, muito desta liderança se perde na confusão sobre quem, realmente, tem a palavra final no governo. 
Além desta perda política natural, que dificulta as realizações do governo, ainda se soma o fato de Carlos Moreira se encontrar esgotado, politicamente. A capacidade de realização política de Carlos Moreira se esgotou com a adaptação do antigo terminal rodoviário num hospital de 100 leitos ao custo de muito mais de 22 milhões em recursos públicos. É preciso que o eleitor compreenda a cassação dos direitos políticos de Carlos Moreira como seu esgotamento político e, por conseqüência, com a incapacidade política de realizar eventos e projetos. Prova disto é que o pouco de realização que se vê na atual administração, como o asfaltamento de ruas já calçadas, por exemplo, se dá por meio da terceirização das ações de governo à empreiteiras que entregam um péssimo serviço à comunidade. Tudo mais que dependa da liderança direta da prefeita ou de Carlos Moreira se encontra estagnado no Município.