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terça-feira, 13 de abril de 2010

História das Minas de Ouro e Diamante: as Companhias Inglesas e a Mineiridade Aurífera

A Mina de Ouro do Gongo Socco é tida como verdadeiro mito da mineralogia mundial. Ainda nos dias de hoje, ela é citada pela literatura mineralógica como uma das mais pródigas minas de ouro de todo o mundo. localizada, hoje, no município de Barão de Cocais, a mina pertenceu ao excêntrico e pitoresco Barão de Catas Altas, que, depois de apurar quantidade absurda de ouro de seus veios, tornando-se senão o homem mais rico do Brasil Imperial, a vendeu a uma companhia de mineração inglesa, a primeira de várias instituídas em Minas, inaugurando, assim, um novo panorama mineralógico na província, a partir do qual, os métodos arcaicos de cata do metal precioso foram substituídos pelo emprego de técnicas industriais, dentre elas, o uso de vagonetes e de pilões hidráulicos, empenhados, respectivamente, no transporte e no processamento do minério aurífero. Em trinta anos, de 1826 à 1856, sob a direção dos ingleses apenas, o Gongo produziu 27.887 quilos de ouro puro. Esta pouca conhecida fase da mineração aurífera deixou marcas culturais e econômicas indeléveis no povo mineiro.
No campo da cultura, por exemplo, do convívio com os ingleses das companhias mineradoras é atribuída a utilização por parte dos mineiros da interjeição “Uai !” (que exprime surpresa e/ou espanto), a qual possui semelhanças fonéticas e semânticas com o vocábulo Why utilizado na língua inglesa com o mesmo sentido do nosso “Por quê?”, ou como interjeição, assumindo, neste caso, o mesmo sentido do “Uai” mineiro. Nota-se que o “Uai” mineiro e o “Why” britânico possuem a mesma representação fonética, e, nota-se ainda, que o “Uai” é a expressão da língua portuguesa falada no Brasil que mais se relaciona com a identidade mineira. Ainda na composição de nossa mineiridade, os trains (vagonetes) ingleses que transportavam o material extraído da mina de Gongo Socco e de tantas outras, aquelas grandes máquinas tão estranhas aos olhos dos mineiros, originaram a expressão “trem”, comumente, utilizada em Minas Gerais para designar qualquer “objeto”, “coisa”, “troço” ou “negócio”.
Já no campo econômico, como os métodos de produção das companhias inglesas demandavam o emprego de uma variada gama de artefatos de ferro, forjarias do duro metal surgiram por toda a província, possibilitando o nascimento da vocação siderurgia mineira. No caso específico do Gongo Socco, as cabeças dos pilões hidráulicos e vários outros instrumentos eram fornecidos pela Fábrica de Ferro de Jean Antoine Dissandes Felix de Monlevade.