sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

A Verdade sobre o Alto Preço da Gasolina


O Brasil assistiu recentemente a um desmonte de sua indústria petroleira sem presidentes na história recente do país . O fundo soberano do Pré-sal , que permitira ao Brasil dobrar os investimentos em educação, foi, silenciosamente desconstituído. O Pré-sal foi entregue numa bandeja para a Shell e muito mais.
Milhares vestiram a camisa verde-amarela e foram às ruas apoiar tais medidas. Agora, os mesmos verde-amarelos reclamam do alto preço da gasolina que já supera os R$ 4,50 em algumas praças. Será que ele têm razão?
A verdade é que os absurdos aumentos nos preços dos combustíveis têm se dado em função da adoção de uma nova política de preços da Petrobrás que, depois de muito tempo, voltou a vincular o preço do barril de petróleo produzido no Brasil à cotação da commodity, em dólar, no mercado internacional. Assim, toda vez que o dólar aumenta, o preço da gasolina também sobe. E sabe o porquê disto? É porque a Shell fatura em dólar. Então, podemos concluir que cada aumento do preço da gasolina decorrente da variação do dólar, como tem ocorrido sistematicamente, possui como objetivo a maximização do lucro da operação da Shell no Pré-sal. 
Em outras palavras, quem apoiou a entrega do Pré-sal para a Shell, agora tem pagar R$ 4,50 pelo litro da gasolina, caladinho. E tem mais: quem apoiou e, agora, reclama do alto preço dos combustíveis apenas demonstra que foi usado e abusado como massa de manobra.

Prefeitura se mantem incomunicável diante de grave corte no abastecimento d'água em Monlevade



Não há água na casa do monlevadense e a prefeitura, como o DAE, não comunica absolutamente nada para a população, o que só agrava o quadro. Porque se tivesse havido prévia comunicação de que ficaríamos 5 dias sem água, trataríamos de racioná-la ainda mais e de procurar outras alternativas de abastecimento como armazenar a água da chuva que agora cai para utilizá-la, pelo menos, no vaso sanitário. 
Não se compreende porque o ex-prefeito Carlos Moreira não utiliza os microfones da rádio Cultura para informar e orientar a população de como proceder diante de um dos mais graves cortes no abastecimento de água tratada ocorridos em João Monlevade recentemente. A situação agora é atípica porque se trata de um corte geral no abastecimento de vários bairros, diferente da falta d’água pontual que já se tornou tão rotineira. 
No site do DAE, por exemplo não há qualquer comunicação sobre o que está acontecendo. No da Prefeitura idem.

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

A Recusa de Conceição Winter


Como as coisas mudam! Recentemente, o governo Simone/Carlos Moreira fez questão de fazer circular a informação de que Conceição Winter, candidata terceira colocada nas últimas eleições municipais, fora convidada para ocupar o cargo de secretária de trabalho social junto à atual administração. Depois de muito “diz que me disse”, Dona Conceição, que já foi vice-prefeita ao lado de Carlos Moreira, acabou recusando o convite.
Num primeiro plano, a recusa de Dona Conceição traz às claras a pouca habilidade do governo Simone/Carlos Moreira em lidar com meios de mídia mais democráticos como o Facebook, por exemplo. Antes das redes sociais eletrônicas, Moreira blasfemava qualquer coisa na rádio Cultura, aquilo circulava sem qualquer questionamento, o que é característico da radiodifusão, e a idéia acabava colando. Hoje, qualquer idéia que circula nas mídias sociais pode ser, imediatamente, contestada, questionada ou confrontada. E foi o que aconteceu. O convite de Moreira para que Dona Conceição assumisse cargo na atual administração gerou grande rejeição entre a base política da ex-vice-prefeita. Resultado: a idéia não colou e Simone se viu obrigada a amargar o inevitável desgaste político provocado pela trapalhada de sua assessoria, leia-se, Carlos Moreira. Facebook é rádio não, Moreirão! 
Num segundo plano, a recusa de Dona Conceição ainda pode ser encarada como um divisor de águas para as futuras pretensões políticas de Carlos Moreira, que sempre giram em torno do desejo de sua manutenção no poder, seja diretamente, o que hoje é impossível diante da cassação de seus direito políticos, ou, indiretamente, através da eleição de uma prefeita-preposta, como ocorre. Afinal, Carlos Moreira só chegou a ser eleito prefeito de Monlevade depois que se associou à Conceição. Apesar da manipulação política da rádio Cultura, do aparelhamento do Município, do Hospital Margarida, das inúmeras empresas “especializadas” na prestação de serviços públicos e muito mais, a diferença de Simone para o segundo colocado na últimas eleições foi de apenas 126 votos, o que orienta no sentido da imprescindível ampliação da base política da prefeita. E Simone só pode ampliar sua base em duas direções: ou para o rumo de Conceição Winter ou para o grupo do PDT e aliados. Para a base do PDT as possibilidades para Simone são muito remotas, pois é lá que Carlos Moreira tem a maior rejeição, ou melhor, a maior oposição no Município. E, agora, com a recusa de Conceição Winter, Simone não tem mais para onde expandir sua base. Alguns podem estar imaginando que ainda possa existir tempo para a prefeita expandir sua base política antes das próximas eleições, desde que realize um bom governo, o que não acredito. Primeiro porque, mesmo que Simone ficasse no poder por 10 anos, muito dificilmente seu governo teria condições de colocar Monlevade de volta aos trilhos do desenvolvimento, já que um governo que tem como chefia-mor um ex-prefeito inelegível, multicondenado, com os direitos políticos cassados, que deveria estar afastado da política, e pai de bizarrices absurdas como o pretenso e interditado hospital Santa Madalena, onde evaporaram muito mais de 22 milhões de reais, não se encontra habilitado para tal. Árvore ruim não dá bons frutos. E segundo, que a prefeita não tem tanto tempo assim para proceder à ampliação de sua base. Seus processos de cassação seguem a tramitar no TRE/MG e já se encontram em fase preparatória para julgamento que não deve demorar muito. E sendo confirmada sua cassação em segunda instancia, é muito provável que novas eleições sejam convocadas no Município. Moreira só apresentou o convite para Dona Conceição neste momento porque sabe que existe matéria para cassar Simone nos processos do TRE/MG. Claro que, caso de confirmada a cassação de Simone e convocadas nos eleições, a prefeita cassada não poderá participar do novo pleito, estará inelegível pelos próximos 8 anos. No entanto, Moreira poderia emplacar um vice numa chapa tendo como cabeça Conceição Winter. Estando inelegível, impedido de candidatar-se e depois de uma provável cassação de sua consorte conjugal, Moreira sairia no lucro. Que bom que, com a recusa de D. Conceição, tais possibilidades se tornaram muito mais remotas.

Caraça/2018: A Verdade Já! (50 anos do incêndio do Colégio do Caraça)


Minas Gerais se instituiu através de muitas instituições ao longo do tempo. As mais fundamentais delas foram o Seminário de Mariana, a Escola de Minas de Ouro Preto e o fabuloso Colégio do Caraça. Sobre este tripé fundou-se o que chamamos de Mineiridade, o jeito se ser do mineiro, que não tem nada a ver com o esteriótipo de caipira, feito circular pela Rede Globo. 
A passagem de 2018 fará completar os 50 anos do incêndio do Colégio do Caraça. Imagine que no ano mais conturbado da ditadura militar, 1968, uma das mais raras bibliotecas da América Latina ardeu na mais tradicional Escola de Filosofia de Minas Gerais, encerrando as atividades do colégio. Para a história oficiosa ficou a tese de incêndio acidental provocado por um fogareiro elétrico, supostamente, esquecido ligado, coisa improvável de ter acontecido. Todas as circunstâncias apontam para mais um atentado perpetrado pela Ditadura contra o Brasil. Regimes autoritários não convivem com escolas de filosofia. Além do mais, a grade curricular do Colégio do Caraça era direcionada para uma sólida formação humanista, tudo o que é considerado, enganosamente, como comunismo no Brasil. Não que o Caraça propagasse a doutrina comunista, de jeito nenhum. Mas é que no Brasil se confunde humanismo com comunismo, ou melhor, se utiliza da demagogia da ameaça comunista para impedir a humanização do país. Não é por menos que o Brasil é um dos países mais desumanos no mundo. O Brasil tem, anualmente, 60 mil homicídios, 50 mil mortos no trânsito, 40 mil mulheres mortas em clínicas de aborto, etc, etc. E os números não comovem ninguém, ano a ano se repetem, a questão não entra na pauta política e, assim, o invisível genocídio brasileiro parece que só terá fim após o extermínio do último brasileiro. Convenhamos, em contextos humanistas não há espaço para genocídios, muito menos os velados. 
Acho que o Brasil nunca precisou tanto do Colégio do Caraça, como agora. Aliás, em grande medida, pode-se dizer que o Brasil contemporâneo, tão bestializado, é produto direto da escolha covarde que se vez há 50 anos de incendiar a Biblioteca do Caraça e encerrar as atividades do colégio. A ausência de grandes líderes políticos no Brasil de hoje, certamente, é mais uma conseqüência do incêndio de 28 de maio de 1968. O Caraça é o único colégio brasileiro que pode ostentar uma lista de 120 ex-alunos que foram políticos notáveis a ocuparem os cargos como o de presidente e vice-presidente da República, governadores de Minas e de diversos outros estados, senadores, deputados, etc. Grandes lideranças, políticos honestos e preparados não dão em árvores. É preciso que o país as forme. E ao se fazer no passado recente a opção por incendiar uma escola especialista em formar lideranças políticas preparadas, o que se pode esperar para o presente, é justamente, a realidade política brasileira. E não é só isto. O Caraça também fazia circular idéais, pensamentos, debates, etc. É preciso fazer um estudo mais aprofundado, mas como teve um núcleo positivista, é muito provável que idéias, como a transferência da capital de Minas para Belo Horizonte, a concepção de uma capital planejada, moderna e de traçado cartesiano, que, posteriormente, seria utilizada por Juscelino como ensaio para a concepção de Brasília, dotando o Brasil de uma modernidade própria e avançada, tenham surgido no Caraça. E isso é tão importante hoje, que é o fato de o Brasil ser um país muito moderno que tem permitido as transformações necessárias por que tem passado. As novas mídias eletrônicas, por exemplo, têm sido fundamentais para o Brasil, neste momento de instabilidade política. Se o mineiro tem o costume de dizer sobre algo que discorda que aquilo "não tem base" é porque no Caraça se contestava algo falacioso dizendo que aquilho "não tinha base filosófica".Tivemos muitos professores que estudaram no Caraça. 
Minas sem o Colégio do Caraça é manca. Depois de 50 anos de escuridão, o que se espera em 2018 é que a mesma luz a iluminar os vitrais da Igreja N. S. Mãe dos Homens também seja aquela lançada sobre este que tem sido um dos mais nebulosos episódios da história recente de Minas Gerais, não apenas para se fazer justiça histórica junto a tão importante e indispensável instituto cultural mineiro, como para demonstrar para aqueles muitos que formam sua opinião sem conhecimento de causa, que a ditadura militar brasileira, vigente de 1964 a 1988, foi muito pior e destrutiva para Minas e o Brasil do que se pensa. O sujeito que apóia um regime que ateou fogo no Colégio do Caraça não pode ser mineiro nem brasileiro !!! Caraça 2018: a Verdade já!

quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

O Martelo de Forja a Vapor de Monlevade: a 1ª Máquina a Vapor da Indústria Brasileira




Nas fotos, o Martelo de Forja a Vapor de Monlevade e sua respectiva caldeira. 

Não consta dos livros oficiais de história. O próprio monlevadense nunca ouviu valar sobre ela, mas é de Monlevade a primeira máquina a vapor a operar sob método industrial no Brasil . Um marco tecnológico/identitário omitido pela historiografia convencional que desafia a tese difundida nos bancos de escola de que o subdesenvolvimento do Brasil também se deve ao fato de o país, durante os séculos passados, jamais ter apresentado vocação para a Indústria.
Trata-se se um martelo de forja a vapor, de malho cambiável de até 1.200 quilos, importado da Inglaterra e chegado à Fábrica de Ferro de Monlevade, junto de outros equipamentos, em 8 de abril de 1828, através de arriscadíssima navegação pelos rios Doce e Piracicaba, conforme noticiado por Guido Thomaz Marlière na edição do periódico ouropretano "O Universal" de 19 de abril do mesmo ano .   
Em 1853, por requisição do governador de Minas, Monlevade produziu um pormenorizado relatório em que cita seu Martelo-Vapor, conforme se transcreve:  

... Na fábrica velha existem ... três malhos, um de 80 arrobas de peso (1.200 quilos) para  obras grandes, um de 15 arrobas (225 quilos) e um pequeno de 5 arrobas (25 quilos) no meio das tendas para a fabricação do ferro miúdo e obras pequenas.
 [...]

Posteriormente, na edição da Revista Industrial de Minas Gerais, de 15 de abril de 1897, também publicada em Ouro Preto, a máquina a vapor de Monlevade é, expressamente, citada, conforme se transcreve:

[...]
A Fábrica nova (Monlevade) compreende 5 fornos catalães americanos "Bloomary Process", dispostos  em duas fiadas, um martelo-pilão a vapor com uma caldeira de vapor horizontal ... O martelo-pilão é de duplo efeito; seu peso é de 1,2 tonelada e seu levantamento de 1 metro; serve para esbravejar as bolas e lupas.
[...]
A máquina a vapor de Monlevade era empregada, principalmente, na fabricação em escala dos trituradores de ferro utilizados para o processamento do quartzito aurífero nas companhias mineradoras inglesas que se instituíram às dezenas por toda a Minas Gerais, a partir de 1825.  Também forjava peças de ferro muito maiores, de mais de 900 quilos de peso, coisa impossível de se fazer até então no Brasil Império, como os imensos aguilhões que eram transportados em carretões de quatro rodas puxados por juntas de bois até as minas de ouro como Morro Velho, em Nova Lima.
Atualmente, o Martelo Vapor é sua respectiva caldeira (fotos) encontram-se expostos ao tempo no museu destelhado e fechado à visitação, mantido pela siderúrgica Arcelormittal em torno do Solar Monlevade, município de João Monlevade, Minas Gerais.
Na Índia, ainda funciona um martelo a vapor, não tão antigo quanto o de Monlevade, mas que possibilita um pequeno vislumbre da utilização e do funcionamento de tal equipamento e de como era o principal trabalho na Fábrica de Ferro Monlevade,  como demonstrado o o vídeo anexo:        



                                     

sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

Provedor Confessa Relação com Plano de Saúde


Publiquei mais cedo texto sobre a alteração do plano de saúde dos funcionários do Hospital Margarida. O provedor, José Roberto Fernandes, que não tem papas na língua, resolver respondê-lo num grupo do Facebook onde postei o link da matéria. Disse ele : (sic) “alguém avisa esse cidadão que alugar a parte residencial de um imóvel a uma pessoa e a parte comercial a uma empresa é uma prática de mercado totalmente lícita, inclusive a questão já foi avaliada pelo Ministério Público que arquivou denúncia semelhante deste cidadão”.
Primeiro, o que o provedor tem que entender é que ele se encontra gestor de recursos públicos e não agente do mercado. Segundo, quando a questão foi avaliada pelo MP, o plano Top Vida Card ainda não havia sido contratado pelo provedor. Tentei prevenir o MP, mas ele não quis se precaver. Agora vai ter que remediar. E terceiro, como sempre fala demais, o provedor acabou confessando que o plano de saúde contratado por ele para atender os funcionários do Hospital Margarida mantém sede em sua residência no Bairro Areia Preta.
Ao que parece, a maior dificuldade do provedor é, justamente, compreender que ele é gestor de recursos públicos e que, portanto, não se encontra subordinado apenas às leis de mercado. Ele deve submeter suas práticas aos princípios constitucionais da administração pública, entre eles o da impessoalidade que proíbe o provedor de hospital subvencionado pelo poder público de manter relações de interesse pessoal com particular que presta serviço para a casa de saúde.

Provedor Faz Filantropia com Plano de Saúde


Há exatamente um ano, escrevi  aqui no Monlewood sobre a absurda confusão entre o público e o privado que se verificava em anúncio (imagem) que circulou muito nas redes sociais, recrutando vendedores para um plano de saúde denominado Top Vida Card , para qual os interessados deveriam encaminhar currículo para o endereço onde até então residira o atual provedor do Hospital Margarida, José Roberto Fernandes (foto), no número 369 da Av. Getúlio Vargas, Areia Preta.
O provedor do HM, enquanto gestor de recursos públicos, não pode manter qualquer relação de interesse com plano de saúde. É imoral e potencialmente pernicioso!
Vejamos agora, um ano depois, que José Roberto Fernandes na “qualidade” de provedor do HM rescindiu o contrato de plano de saúde para os funcionários que o Margarida mantinha com a Unimed e contratou sabe qual outro plano no lugar? Adivinha! O Top Vida Card, que estava recrutando vendedores na casa dele, na Areia Preta.
Na semana passada, recebi telefonema de um grupo de funcionárias do hospital, relatando o ocorrido e completando que o atual plano de saúde do HM, o Top Vida Card,  não tem cobertura e que elas não conseguem sequer agendar consultas com ele.
Está aí a filantropia do José Roberto.  Muito parecida com a filantropia que ele fez com o Bingo do Hospital.   

quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

Gatuno age livremente em Carneirinhos



Um gatuno especialista em furto de telas de computadores e notebooks atua, livremente, na região central da cidade, há pelo menos 02 anos.
Seu alvo predileto são escritórios de advogados, contadores e demais profissionais liberais, localizados nos prédios comerciais de Carneirinhos . Ele age em qualquer dia da semana, preferencialmente, após o expediente comercial e costuma freqüentar o mesmo prédio em espaços curtos de tempo. É ágil, leve e atua munido de um alicate de pressão com que quebra as fechaduras, arrombando as portas discretamente. Também desparafusa grades com muita habilidade. É daqueles que não ficam mais de 05 minutos no local do crime.

E se age há tanto tempo, com tanta desenvoltura e periodicidade, é porque tem receptador certo e recorrente, além da acobertação necessária.          

segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

Antes de Monlevade tudo Era Impossível



Logo na virada para o segundo quartel do sec. XIX , o ouro de aluvião,  aquele minerado artesanalmente na superfície solo, nas bancadas de sedimentos, nas encostas  dos morros ou mesmo aquele extraído dos veios das galerias argilosas das encardideiras, já  apresentava vertiginosa queda na produção há algum tempo.  Era, então, necessário minerar os filões de ouro formados na rocha dura de quartzito.  Mas, como separar o ouro da rocha dura? Com um incrível esforço para a adoção de novas tecnologias jamais visto nas Minas.  Concedido pelo Barão de Eschwege, o engenho homônimo prometia processar o quartzito aurífero,  empregando força hidráulica para o funcionamento de pesados trituradores de ferro a fim de esmagar a rocha, para, então, se proceder à lavagem do metal precioso . Faltava apenas quem os produzisse  em escala industrial, pois cada unidade do Engenho de Eschwege, contava com uma fileira de cerca de uma dezena deles que, em razão do desgaste provocado pelo trabalho contínuo de trituração da rocha dura, ainda necessitariam ser substituídos a cada 90 dias.  As companhias mineradoras inglesas que se fundavam às dezenas por toda a Minas Gerais demandariam pela produção anual de centenas de trituradores de ferro, pesando 80 quilos cada um.
Àquela altura, Monlevade, jovem engenheiro francês, formado em mineralogia e metalurgia pela Escola Politécnica de Paris, já se encontrava a percorrer e a estudar as jazidas minerais de Minas Gerais há quase uma década. Inclusive,  tendo instalado fundições de ferro em Sabará e Caeté, onde experimentara grande dificuldade diante da ausência de matas abundantes para o fabrico do carvão, insumo indispensável à metalurgia. Em Sabará, fôra pioneiro ao realizar a primeira corrida brasileira de ferro gusa, na Fazenda da Barra do Rio Preto, onde fundira bastante ferro com que fizera muitas bigornas, aguilhões (eixos), almofarizes, tambores, vasos,  etc . Não existia, portanto, em Minas outra pessoa que, por sua formação, experiência metalúrgica local, conhecimento científico sobre a imensa riqueza ferrífera do subsolo mineiro e espírito aventureiro, pudesse topar aquela empreitada.  Foi o homem certo na hora certa. 
O único senão era  que  as empreitadas assumidas por Monlevade naquele momento, jamais haviam sido tentadas até então e para o óbvio eram encaradas como, virtualmente,  impossíveis de serem realizadas  naquela sociedade barroca, escravocrata, conservadora e desiludida com o declínio da Ciclo do Ouro . Como estabelecer na Minas Gerais do sec. XIX uma pioneira indústria capaz de produzir em escala os trituradores de ferro e de transportá-los por grandes distâncias até as diversas Minas de Ouro? O primeiro passo também  seria outro feito, até então, julgado como de impossível  realização, uma verdadeira epopéia:  importar da Inglaterra para a alfândega do Rio de Janeiro e de lá transportar para o coração da Serra do Espinhaço  algo jamais visto no Brasil, o Martelo de Forja a Vapor de Monlevade, seguramente, a primeira máquina a vapor a ser empregada em método industrial do Brasil, cujo apenas um dos malhos pesava 1.200 quilos de peso, numa época em que não existiam ferrovias, estradas minimamente carroçáveis e as cargas eram conduzidas nos lombos das mulas em vias que, em muitas da vezes, passava apenas um animal por vez.
E Monlevade inicia sua empreitada já, de pronto, vencendo o impossível.  Em 1828, chega a São Miguel do Piracicaba uma inédita e intrépida expedição que, iniciada a bordo de um barco a vela de dois mastros, escoltado por duas embarcações de guerra a fim de dissuadir a ação de piratas, havia zarpado do Rio de Janeiro, em setembro de 1827, levando a Martelo de Forja a Vapor e todos os outros equipamentos industriais que equipariam sua Fábrica de Ferro, rumo a foz do Rio Doce, onde em Regência, no Espírito Santo,  o  total de 7.500 quilos de carga foi distribuído entre 12 imensas canoas militares cuja a força motriz seriam os braços e as pernas de mais de uma centena de índios Botocudos que, em 7 meses de exaustiva e arriscada viagem rio acima, ultrapassando todas as cachoeiras, corredeiras, obstáculos e perigos da selva tropical, entregaram a preciosa encomenda a salvo, sem nenhuma perda para a maquinaria.  
A partir daí, o Martelo de Forja a Vapor e demais equipamentos  funcionariam, incessantemente, por 50 anos, fazendo da Fábrica de Ferro de Monlevade a mais importante do Brasil Imperial e a principal fornecedora de artefatos de ferro para a última fase do ciclo da mineração do ouro em Minas Gerais, que se deu mediante a implantação de companhias de mineração Inglesas, produzindo em escala para elas não apenas os tão demandados trituradores de ferro, como também tantas outras ferramentas utilizadas na mineração e no cotidiano da província, além de peças muito maiores, algumas com mais de 900 quilos de peso, as quais fazia transportar em carretões de 4 rodas, que também os fabricava, puxados por várias juntas de bois, através de uma vasta rede de estradas carroçáveis que mantinha, dotadas de pontes e pousos, até seus variados clientes, alguns a mais de uma centena de quilômetros de distância de sua fábrica, como a Companhia do Morro Velho, em Nova Lima.
Os registros históricos revelam que não há exagero algum em afirmar que antes de João Antônio de Monlevade, era considerado impossível transportar do Rio de Janeiro para as terras altas de Minas Gerais uma carga de 7.500 quilos de peso de equipamentos industriais, inclusa a Máquina a Vapor. Também não é exagero dizer que antes de Monlevade era considerado impossível estabelecer no coração da Minas Gerais carola, conservadora e escravocrata do sec.  XIX uma indústria moderna, apesar da mão-de-obra cativa, capaz de atender em escala a grande demanda por artefatos de ferro que se impunha pela florescente mineração mecanizada do ouro que se iniciava, resolvendo também a questão nevrálgica da produção em escala do indispensável carvão vegetal . A Fazenda Monlevade produzia muitas toneladas diárias de carvão. Ainda não seria exagero dizer que antes de Monlevade era considerado impossível de se produzir no Brasil peças de ferro de mais de 900 quilos de peso e transportá-las por estradas carroçáveis a paradeiros, relativamente, distantes, como  a Mina de Morro Velho, em Nova Lima. Em outras palavras, antes de Monlevade , tudo era impossível! Mas tudo o quê? Tudo o que é fundamental para a formação da identidade monlevadense e para a necessária revisita que todo monlevadense deve fazer junto à  lição histórica de modernidade deixada por  João Antônio de Monlevade,  traduzida sempre pela imprescindibilidade do emprego da ciência, da inovação e da  tecnologia para se realizar  o impossível. Foi o advento da máquina a vapor que inaugurou a Era Moderna e ter no Município um exemplar desta revolucionária tecnologia e algo muito especial.   
 O Martelo de Forja a Vapor de Monlevade representava a tecnologia de ponta existente na época em matéria de metalurgia. Além de baratearem em 50% o custo da produção das forjas, a inovação representada pelo martelo vapor possibilitou a produção em escala de peças de ferro cada vez maiores, de peso limitado apenas aos tamanhos dos próprios martelos que aumentaram consideravelmente ao longo dos tempos.  Monlevade é sinônimo do emprego da ciência e da tecnologia para se realizar o impossível!

Hoje, o Martelo de Forja de Monlevade (fotos) e demais equipamentos chegados na expedição de 1828 integram o acervo do museu fechado e destelhado mantido pela siderúrgica Arcelormittal, cujas outras peças de madeira do acervo estão se perdendo pela ação das intempéries, tendo já parte de uma das máquinas de Monlevade - um engenho hidráulico de pilar borras de ferro – desabado em decorrência das ultimas chuvas.               

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Cresce Mato do Asfalto de Simone




Recentemente, houve grande divulgação por parte dos asseclas da atual administração sobre o asfaltamento de algumas ruas do centro industrial de João Monlevade, como se aquilo tivesse se tratado de grande realização por parte da prefeita Simone/Carlos Moreira (foto).
Na ocasião, lamentamos a alteração inconseqüente do pavimento original da Vila Operária de Monlevade, a primeira da América Latina.
Agora nos chegam fotografias de que no asfalto da prefeita está nascendo muito mato. Realmente, estamos diante de um fenômeno único, inusitado é típico do governo Simone/Carlos Moreira. "Nuca na história deste país" se viu mato tão viçoso brotar de dentro de uma camada asfáltica, recém pavimentada.  

Considerando e imundice geral que toma conta da cidade e fotos anexas, já se pode dizer, comprovadamente,  que por onde Simone passa o mato cresce com vigor, até mesmo nos meios mais adversos. De outro modo, é preciso verificar a qualidade do asfalto da prefeita. Asfalto fino e poroso é sinal de que o povo tem sido enganado.