Na disputa do atual provedor do HM contra a AAHM, quem deve deixar o Hospital?

segunda-feira, 19 de junho de 2017

Cassados por Manipulação de Veículo de Comunicação


O motivo da cassação dos mandatos de Simone e Fabrício, em se tratando de João Monlevade, é muito mais comum do que se pensa. Simone e Fabrício Lopes tiveram os mandatos cassados pela Justiça pela prática do mesmo ato cometido, diuturnamente, por Carlos Moreira na Rádio Cultura, que é a manipulação política de meio de comunicação. A diferença é que a manipulação que resultou na cassação de ambos se deu em outro veículo de comunicação, o jornal O Celeste. Em outras palavras, Moreira simplesmente levou para aquele jornal o modelo de manipulação política que há décadas é levado a cabo na Rádio Cultura. Mas, desta vez, o tiro saiu pela culatra. O Ministério Público detectou a manipulação, realizou procedimento prévio de investigação e procedeu ao ajuizamento da Ação de Investigação Judicial Eleitoral que cassou o mandato dos dois.
O motivo é que não é fácil comprovar a manipulação política na programação de uma rádio. Depende de horas de monitoramento, de horas de gravação do conteúdo, de degravações, etc. Já em relação a jornal é muito mais fácil. Cada edição é prova documental, é modalidade de prova robusta, praticamente, irrefutável, pois permanece tudo escrito no papel. 
Em João Monlevade ainda falta a compreensão de que, sob o ponto de vista técnico, não existe Democracia em ambiente de manipulação dos meios de comunicação. Uma democracia básica se constitui pela independência dos 3 Poderes, eleições periódicas e Imprensa Livre! 
Assim, para o Direito Eleitoral, a manipulação dos meios de comunicação é considerada hipótese que corrompe o processo democrático de escolha dos candidatos, caracterizando situação gravíssima e suficiente para ensejar a cassação de mandatos.

Da decisão que determinou a cassação dos mandatos de Simone e Fabrício cabe recurso ao TRE, sendo lícita aos cassados a manutenção nos cargos enquanto aguardarem o julgamento da apelação, que tem levado de 45 a 90 dias para ocorrer. Contudo, caso a cassação seja mantida pelo TRE, as cassados são, imediatamente, afastados dos cargos e novas eleições são convocadas no Município.  


Cassados Mandatos de Simone e Fabrício

Simone Carvalho e Fabrício Lopes, eleitos prefeita e vice-prefeito de João Monlevade, no pleito municipal de 2016, acabam de ter os mandatos cassados pela Justiça Eleitoral, ao fundamento de abuso de meio de comunicação social (jornal O Celeste) nas eleições. Também foram condenados à inelegibilidade para as eleições que se realizarem nos próximos 8 anos. Mais informações a seguir.

terça-feira, 13 de junho de 2017

Provedor às Avessas: Evaporador de Recursos



Uma rápida consulta ao dicionário revela que “provedor” é, sobretudo, aquele que provê, ou seja, aquele obtém ou angaria recursos a fim prover algo dos insumos básicos para seu funcionamento.
Tudo o que o atual provedor do Hospital Margarida não é. Apesar da intensa e dispendiosa campanha publicitária iniciada pelo atual provedor, recentemente, e das matérias pagas divulgadas em determinados blogs, a verdade é que José Roberto Fernandes vem se consagrando como um verdadeiro provedor à avessas.
Ao contrário de estreitar as parcerias com a AAHM, entidade sem fins lucrativos, que na última década mais recursos arrecadou e reverteu para o HM, José Roberto Fernandes pediu para o DAE suspender o convenio que permitia à associação receber doações por meio do pagamento da conta de água, despejou a AAHM de sua sala administrativa no Hospital e a descredenciou de realizar o tradicional Bingo. Assim, José Roberto diminuiu em muito a capacidade de arrecadação de recursos da AAHM. Resultado: a AAHM se viu forçada a também diminuir, substancialmente, a transferência de bens e serviços para o HM. Em outras palavras, José Roberto agiu de modo a diminuir recursos para o hospital. Atuou como provedor à avessas. 
Não satisfeito, o atual provedor, com já dito, descredenciou a AAHM da realização do Bingo do Hospital, outra importante e tradicional fonte de recursos do Hospital Margarida, e resolveu contratar uma empreiteira de engenharia civil para realizar o evento, ao custo de 40 mil reais. O Bingo, então foi cancelado pela Justiça, a pedido de Ministério Público, ao fundamento de que a contratação de José Roberto retirava o caráter filantrópico do evento. Passados 6 meses da data prevista para realização do Bingo, José Roberto ainda não devolveu o valor arrecadado com a venda das cartelas, orçado em 1 milhão de reais, nem esclarece onde foi parar tanto dinheiro. Desta feita, José Roberto agiu como provedor às avessas 3 vezes. A primeira, quando deixou de realizar o Bingo pela AAHM, que nunca cobrara para tal, e contratou uma empreiteira, ao custo de 40 mil reais. Criou despesa desnecessária. A segunda, quando efetivou uma contratação ilícita que causou o cancelamento do Bingo, fazendo com que o Hospital deixasse de arrecadar 1 milhão de reais com evento, recursos que já deveriam estar disponíveis desde janeiro. Só em relação ao Bingo, pode-se creditar a José Roberto menos 1 milhão em recursos para o Hospital. A terceira foi quando, através de todas as suas ações, fez o tradicional Bingo figurar nas páginas policiais dos jornais, caindo em descrédito e fragilizando importante fonte de recursos do Hospital. Você compraria uma cartela do Bingo, depois de José Roberto Fernandes? Veja que, muito diferentemente do que é divulgado em matérias pagas e afins, as ações de José Roberto invariavelmente redundam em diminuição de recursos para o Hospital Margarida e descrédito para tão importante instituição monlevadense. 
Por fim, ainda sobre o Bingo do Hospital, José Roberto também tem se notabilizado como evaporador de recursos, porque até o momento não dá conta do paradeiro dos 1 milhão de reais das cartelas do Bingo, não diz se então numa conta bancária, se então aplicados rendendo juros. Os recursos, simplesmente, evaporam!

segunda-feira, 12 de junho de 2017

Com imagem desgastada, provedor utiliza a de funcionários para tentar reverter crise de credibilidade



É óbvio que, após tantos tropeços por parte do atual provedor, José Roberto Fernandes, como a perseguição contra a AAHM e a proibição judicial de realização do Bingo, a imagem do Hospital Margarida não estaria lá estas coisas. No quesito credibilidade, a situação é ainda pior. Basta alguém anunciar que está vendendo cartela do Bingo do Hospital para todos saírem correndo. 
No final de semana passado não havia pediatra atendendo as urgências clínicas no Hospital, apenas na maternidade. O atual provedor não contrata pediatra, porque não quer empenhar os recursos do Hospital com o pagamento de salários de médicos. Ele tem outras prioridades. Faltam médicos, mas não faltam recursos para a realização de massiva campanha publicitária através dos meios eletrônicos. 
Entendemos que a imagem do hospital não vai nada bem. Mas é ainda pior para a imagem do Hospital deixar de contratar profissionais indispensáveis à prestação do serviço público de saúde para buscar reverter o processo de deterioração da imagem da casa, que já dura 14 meses, com o emprego de campanha publicitária. A melhor propaganda para o HM é o efetivo atendimento ao público, o que não tem ocorrido, por falta de interesse político em contratar profissionais. Não adianta empenhar recursos em campanha publicitária, se de fato, não há atendimento no hospital, como foi o caso da pediatria no fim de semana passado.
Muito pelo contrário, o tipo de campanha publicitária adotado pelo atual provedor, José Roberto Fernandes, apenas confirma a crise de credibilidade e a péssima imagem que a atual gestão do Hospital Margarida adquiriu junto a sociedade local. Diferente da revista editada pelo provedor, que geralmente circula trazendo sua imagem, a marca de sua loja comercial e sempre cita seu nome, a campanha publicitária adotada pelo HM, que utiliza o slogan “o Hospital Margarida é feito de gente” se vale da imagem apenas de funcionários da casa, daqueles que realmente são os responsáveis pelo funcionamento do Hospital, num claro engenho elaborado para proveito da imagem deles a fim de se sugerir credibilidade. E só se utiliza da imagem alheia aquele que já não tem a sua própria imagem, até porque, depois que o dinheiro do Bingo evaporou não sobrou muita coisa da imagem do atual provedor.

Impasse da Samarco


É preciso expressar a mais completa, total e irrestrita solidariedade ao prefeito de Santa Bárbara, Leris Braga, que condicionou o licenciamento para que a mineradora Samarco volte a retirar água do Rio Conceição, no Distrito de Brumal à realização de estudo de impacto ambiental. O prefeito também cobra da mineradora outro paradigma de exploração mineral, após o rompimento da Barragem do Fundão. Está corretíssimo o prefeito Leris Braga e merece o apoio de todo minero que tem consciência histórica do passado de glória da mineração nas Minas Gerais.
A mineração do ouro não destruiu vilas e um rio inteiro porque era descentralizada e baseada em pequenos e médios mineradores. Qualquer um que descobrisse ouro podia minerá-lo. Naquela época, era permitido ao mineiro ser dono de Mina de Ouro. Hoje, se o mineiro for ao aluvião e, mesmo utilizando método artesanal, apurar algum ouro é imediatamente preso por crime ambiental, enquanto as grandes mineradora podem tudo, até matar e arrasar o Rio Doce, sem que ninguém delas seja preso. 
Atualmente o mineiro participa da mineração em seu estado apenas como empregado. As minas se tornaram propriedade apenas das grandes mineradoras, muitas delas estrangeiras.O ouro definiu, absolutamente, tudo em Minas Gerais, desde as fronteiras, a culinária, o modo de ser, de viver, a cultura, a arte, a religião... O ouro produziu o Barroco Mineiro, Aleijadinho, Ataíde. E hoje, o que a mineração das imensas e puríssimas jazidas de ferro produz em Minas Gerais, além da destruição e cada vez menores postos de trabalho? Os royalties pagos pelas mineradoras para explorarem o ferro de Minas são os mais aviltantes do planeta. Enquanto Minas viveu sob o jugo português, pagava-se o Quinto, ou seja, 20% sobre a produção bruta de ouro. Hoje, que deveríamos ser livres, as mineradora pagam apenas 2% de royalties e levam todo nosso minério de ferro para o exterior, deixando um rastro de destruição.
O prefeito de Santa Bárbara está corretíssimo em exigir mudança porque, absolutamente, nada mudou após a tragédia da Samarco. O modelo minerário vigente, baseado em monopólio, que foi verdadeira a causa do rompimento da Barragem do Fundão segue inalterado. E não há como se obter resultados diferentes, a agir sempre do mesmo modo. Muda, Minas! Leris Braga, aqui em João Monlevade também estamos com você!

Apesar de cassados os direitos políticos, Moreira segue a frente da Prefeitura



Já escrevi que a eleição da primeira mulher ao cargo de prefeita de João Monlevade não se deveu à consciência do eleitor sobre a igualdade de gênero ou coisa parecida
Deu-se, na verdade, como conseqüência do estratagema engendrado pelo ex-prefeito Carlos Moreira para, oportunistamente, vincular seu nome à candidata, de modo a lhe transferir o potencial de votos que tem como ex-prefeito e manipulador demagogo do conteúdo político veiculado na rádio Cultura e, assim, esquiva-se dos efeitos da cassação de seus direitos políticos, da Lei da Ficha Limpa e seguir comandando o Município, apesar de suas múltiplas condenações em atos de improbidade administrativa e crime contra a administração pública.
A fotografia tirada na semana passada em evento da atual administração, realizado na Associação dos Aposentados junto aos secretários e demais cargos comissionados “para ver se o governo Simone deslancha”, comprova que Carlos Moreira segue a influenciar a administração pública local, apesar de inelegível e cassados seus direitos políticos. Como se vê, o ex-prefeito multicondenado não só teve acento entre as autoridades, como se tem a informação de que discursou no evento conclamando os presentes a se engajarem no governo de Simone. 
A análise que também se faz é de que o condicionado de Simone, apesar de numeroso, não anda com o moral elevado e de que é baixa a influência política da prefeita sobre os mesmos. 
Neste cenário muitos são manipulados, até porque é natural que as pessoas acreditem no que é veiculado na programação de uma rádio, mas também existem muitos que fazem a opção por apoiar um corrupto comprovado e por participar de todo uma trama para mantê-lo no poder.

Ar Irrespirável no Centro de João Monlevade




A Organização Mundial da Saúde já classificou a fumaça de óleo diesel como substância cancerígena. 
O ar das avenidas centrais de João Monlevade, principalmente, da Wilson Alvarenga que concentra alto fluxo de caminhões e ônibus, encontra-se, muitas vezes, literalmente irrespirável. Em determinadas horas do dia, é impossível sentar à mesa de algum estabelecimento para, por exemplo, tomar um sorvete ou um café, diante das sucessivas rajadas de fumaça que além de cancerígena, irrita as vias aéreas e lança uma fuligem que acinzenta tudo. 
Existem muitos veículos desregulados circulando pela vias do Município. Muitos deles são ônibus da Enscon ou prestam serviço para a Prefeitura. 
É óbvio que num governo, altamente, influenciado pelo moreirismo não se precisa esperar por fiscalização neste caso, até porque se houver fiscalização séria fica difícil evaporar 22 milhões de reais como no caso de pretenso hospital Santa Madalena. Para o moreirismo fiscalização atrapalha e tira voto, o que é lamentável porque influencia, muito negativamente, na qualidade de vida no centro da cidade.

As Lições de Monlevade 200 Anos Depois de sua Chegada ao Brasil




Então, quais são as lições que João Antônio Monlevade nos deixa, depois de 200 anos de sua chegada ao Brasil?
A primeira lição é de bravura e coragem. Deixar a vida palaciana na França, cruzar o atlântico e ingressar em Minas Gerais em lombo de mula e assim percorrer quase todo seu território, muitas vezes ainda não desbravado, estudando e enviando relatórios freqüentes para a Escola Politécnica de Paris já é uma ato de extrema coragem. Fundar uma indústria num vale distante, selvagem, de mata fechada e povoado por índios antropófagos também demanda muita bravura. 
Monlevade foi pioneiro em várias coisas. Foi o primeiro a realizar uma corrida de ferro-gusa em Minas Gerais, ainda em Sabará. Foi o primeiro a organizar uma indústria, caracterizada pelo emprego intensivo de máquinas, muito antes do Barão de Mauá. Foi o primeiro a empregar uma máquina a vapor em processo industrial de produção. Foi o primeiro a produzir peças imensas de ferro, de mais de 900 quilos de peso. Foi o primeiro a confeccionar relatório sobre a imensa riqueza ferrífera do subsolo mineiro, etc, etc. 
Foi visionário quando profetizou “o futuro grandioso desta terra... não está no ouro, nos diamantes, mas sim no ferro, este grande agente da civilização...” Foi visionário quando requereu a instalação de uma ferrovia até Vitória, quase cem anos antes da inauguração da ferrovia Vitória-Minas. Foi visionário quando requereu a instalação de uma escola normal de metalurgia duas décadas antes da fundação da Escola de Minas de Ouro Preto. 
Monlevade também foi o Homem certo, na hora certa. Depois de já ter percorrido quase todo o território mineiro, estudando suas riquezas minerais; de já ter instalado fornos em Sabará e Caeté, onde enfrentou grande dificuldade pela falta do carvão, Monlevade viu a oportunidade de se tornar fornecedor das Companhias Inglesas de Mineração de Ouro que, a partir de 1825 se instalaram às dezenas por toda Minas Gerais e por empregarem processos industriais na exploração dos veios de ouro, demandavam a produção de uma variada gama de artefatos de ferro. Monlevade então se instalou em São Miguel, onde havia vastas matas para a produção do carvão , minério de ferro abundante e de ótima qualidade e acesso ao Rio Piracicaba, cuja navegação foi determinante para que Monlevade transportasse do porto do Rio de Janeiro, até sua fábrica, os 7.500 quilos de maquinário que importou da Inglaterra, incluso o Martelo-Vapor, o que capacitou sua indústria a se tornar a principal fornecedora das Companhias Inglesas. 
E a grande mensagem que Monlevade transmite é esta, da capacitação, da qualificação profissional, da visão empresarial e, sobre tudo, do emprego da tecnologia no trabalho. O Martelo-Vapor de Monlevade era o que havia de mais tecnológico em matéria de metalurgia na época. Sem ele, Monlevade não teria nada a fazer aqui. Sem ele e seus escravos, que eram exímios artesãos e operários capacitados, Monlevade jamais teria apresentado as condições para responder às demandas que lhe eram colocadas pelo mercado da mineração.
Então, se ainda não utiliza um máquina em seu trabalho, procure se capacitar para tal e passe a empregá-la em seu ofício. A tecnologia é capaz do impossível! Quem poderia imaginar, que no início de sec. XIX, um metalúrgico instalaria um Martelo-Vapor nas margens do Rio Piracicaba e, a partir dali, produziria imensas peças de ferro que, por 50 anos, viabilizariam a última fase da mineração aurífera em Minas Gerais? Tudo isso só se tornou possível mediante muita coragem, conhecimento, capacitação, visão e o emprego da tecnologia. 
Hoje, o Martelo-Vapor de Monlevade (fotos) integra o acervo do museu destelhado e fechado à visitação mantido pela Arcelormittal.


6 Meses e Dinheiro do Bingo Segue Evaporado


Passados 6 meses da decisão judicial que proibiu a realização do Bingo do Hospital Margarida, por considerá-lo destituído de caráter filantrópico, o atual provedor, José Roberto Fernandes, ainda não deu conta de restituir aos participantes os valores correspondentes às cartelas pagas, orçadas em 1 milhão de reais. Também não esclareceu onde foi parar tanto dinheiro, se está em conta bancária ou se foi aplicado, rendendo juros. Não informou também de que maneira pretende restabelecer a confiança que a sociedade monlevadense depositava no Bingo do HM, de quando o mesmo era realizado pela Associação dos Amigos do Hospital Margarida e era uma importante fonte de recursos para o Hospital.

sábado, 27 de maio de 2017

Caraça: O Maior Colégio da História do Brasil

“Entre a luz e o mistério, até as pedras se humanizam.”

José Nazareno Ataíde, ex-aluno.




Majestosamente, encravado na serra de mesmo nome, no município de Catas Altas/MG, numa região de fauna e flora riquíssimas, zona de transição entre os biomas da Mata Atlântica e do Cerrado, em meio a ocorrências geológicas monumentais, tais como cavernas e gargantas profundas, escarpas vertiginosas, belíssimas cachoeiras, rios cristalinos, campos de altitudes, paisagens rupestres, picos, vales e montanhas, encontra-se situado o Santuário do Colégio do Caraça, historicamente, o mais ontológico instituto de formação filosófica, educacional e cultural do estado de Minas Gerais e do Brasil, de propriedade da Província Brasileira da Congregação da Missão, dos Padres Lazaristas, da Sociedade São Vicente de Paulo.
O complexo do Caraça  se estrutura como uma verdadeira cidadela, composta por vários prédios que vão da arquitetura colonial, passando pelo barroco, até o neo-gótico, e são interligados por uma série de ruelas, passadiços, corredores, escadas e passagens. O Caraça se encontra posicionado de maneira em que se aproveita dos íngremes paredões de granito da serra em formato de ferradura de seu entorno para guarnecer sua retaguarda e seus flancos, como se fosse uma verdadeira fortaleza natural. De modo que o único acesso ao Caraça que dispensa a prática de dificílima escalada é por meio de uma rota sinuosa que chega a seu portão frontal(imagem abaixo).   


Em 1881, o Imperador Pedro II esteve no Caraça e exclamou: “só o Caraça paga toda a viagem a Minas!”
O botânico alemão Carl Friedrich Philipp von Martius passou pelo Caraça, na segunda década do séc. XIX, e se impressionou com sua imensa variedade de plantas e de animais.
O famoso naturalista francês Auguste de Saint-Hilaire também esteve no Caraça, em 1816, e o definiu como “o grande desfiladeiro existente na Serra do Espinhaço”, nome da extensa cordilheira riquíssima em minérios, principalmente, ferro, ouro e gemas, que se entende de norte a sul do estado de Minas Gerais, onde, ao final do séc. XVII, foram descobertas e estabelecidas as mais fabulosas Minas de Ouro de toda a humanidade, não só pela vasta difusão e extraordinário volume extraído das jazidas, mas, principalmente, pela civilização complexa, riquíssima, sincrética e fundida no índio brasileiro, no branco europeu e no negro do Congo, que ali floresceu, da qual o Barroco e o Rococó ainda são o maior e mais sublime expoente de arte deste continente Americano.   
E é no contexto colonial do Ciclo do Ouro que se insere o início da história do Caraça, em 1774, quando, vindo de Portugal, o Irmão Lourenço funda ali um eremitério, destinado a receber peregrinos à procura de retiro e penitência.  Lourenço, então, constrói uma capela barroca, evocada a Nossa Senhora Mãe dos Homens, e manda vir de Roma 86 relíquias, das quais a mais preciosa é o corpo embalsamado de São Pio Mártir (foto abaixo), soldado romano crucificado por professar a fé cristã e exumado da Catacumba de Santa Ciríaca, onde, no subsolo romano, descansam os primeiros mártires da Cristandade. Trata-se do primeiro corpo de santo, trasladado ao Brasil.


Em 1820, após a morte do Irmão Lourenço, Dom João VI, rei de Portugal, Brasil e Algarves, já devidamente instalado no Rio de Janeiro, doa o Caraça ao padre ultramontano (reformista) Antônio Ferreira Viçoso (Dom Viçoso), lazarista e filho da Ordem de São Vicente de Paulo, que ali estabelece o Noviciado Brasileiro da Congregação da Missão, inaugurado com o nome de Casa Imperial de Nossa Senhora Mãe dos Homens. Neste mesmo ano, é fundado o Colégio do Caraça, um fabuloso educandário que viria ser uma das mais sólidas, tradicionais e importantes instituições culturais do estado de Minas Gerais e do Brasil, em toda a história. Em 1883, é consagrado o atual grande templo do Caraça, substituindo a pequena ermida do Irmão Lourenço. É quando, finalmente, se inaugura no Brasil o estilo neo-gótico. A partir de então, como em rivalidade com as íngremes escarpas geológicas de seu redor, eleva-se aos céus a esguia torre da nova igreja Nossa Senhora Mãe dos Homens, cujos 15 vitrais verticalizados passam a conduzir os raios solares ao interior da nave, intensamente, iluminada, anunciando que, doravante, o homem poderia alcançar as graças do Criador por meio das Luzes do Conhecimento.
Quase onze mil alunos passaram pelo Colégio do Caraça. Durante quase dois séculos, o Caraça produziu uma notável elite pensante para Minas e para o Brasil. Nenhuma outra instituição de ensino brasileira pode ter o orgulho de, por exemplo, ostentar, uma lista de 120 ex-alunos, em que, absolutamente, todos foram deputados por Minas Gerais e por vários outros estados, deputados dos governos centrais, senadores, governadores e vice-governadores de estados de diferentes regiões do país ou presidentes e vice-presidentes da República, como faz o Caraça. Isso, sem contar os inúmeros ex-alunos que se dedicaram apenas à política local de seus municípios, tornando-se prefeitos, vice-prefeitos ou vereadores e não fazem parte desta lista. O Caraça também formou cerca de 500 padres e 21 bispos, no Seminário que também manteve, além de uma grande variedade de outros profissionais como magistrados, ouvidores, ministros, advogados, economistas, professores, médicos, engenheiros, cientistas, etc.
Entre os alunos que estudaram no Colégio do Caraça e que se destacaram na política regional e nacional os nomes mais, comumente, lembrados são os de Afonso Augusto Moreira Pena, Antônio Augusto de Lima, Antônio Benedito Valadares Ribeiro, Arthur da Silva Bernardes, Astolfo Dutra Nicácio, Olegário Dias Maciel, entre outros. Mas, apesar de não terem estudado no Caraça, ainda se formaram no humanismo dos Padres Lazaristas figuras como João Pinheiro da Silva, Raul Soares de Moura, Gerson Camata, Juscelino Kubitschek de Figueiredo, João Kubitschek de Oliveira, Bento Munhoz da Rocha, Ney Braga, Jânio da Silva Quadros e até Fernando Collor de Melo.
O historiador José Ferreira Carrato descreve em sua obra “As Minas Gerais e os Primórdios do Caraça” as características de um típico ex-aluno do Colégio do Caraça, também chamado de caracense:


“O forte dos ex-alunos caracenses é o bacharelismo… uma sólida formação humanística constante do melhor domínio da arte de falar e escrever bem, fundamentada em estudos intensivos da retórica, do Latim e da Língua Pátria. Mais Latim que tudo mais. O resultado desta mentalidade é um sujeito profundamente convicto de suas crenças religiosas. Severo até a dureza da moral, mas temperando nas convicções com certa bonomia quase dialética, a que não falta o respeito pelas convicções alheias; geralmente excelente conversador, muito bom orador, escrevendo com fluência e elegância…” 

Desde sua fundação no séc. XIX, o Colégio do Caraça figurou como verdadeiro irradiador dos princípios humanistas e de seus conceitos filosóficos, atuando como instituto fundamental na matriz da chamada “Mineiridade” e como indutor de ideais progressistas e reformistas que, por exemplo, influenciaram toda a modernidade brasileira. 
Na madrugada de 28 de maio de 1968, um incêndio preciso atingiu a Grande Biblioteca do Colégio do Caraça, consumindo grande parte de seu precioso acervo, composto por 50.000 volumes, entre os quais, obras de Aristóteles, Romero, Virgílio, Camões, além de raríssimas coleções como a “Flora Brasiliensis” de Von Martius, a única existente no país, e a “História Natural” de Plínio, o Velho, editada antes da invenção da Imprensa, por Gutenberg. Da Biblioteca, o fogo se alastrou por todo o prédio que também abrigava um museu de história natural, o teatro e os dormitórios dos alunos. Milagrosamente, todos os 90 alunos que, no momento do incêndio, dormiam nos alojamentos acima, se salvaram e ainda conseguiram, heroicamente, socorrer das chamas cerca de 15.000 livros, justamente, os dos séculos XVI, XVII e XVIII, considerados os mais raros. Encerravam-se, assim, de maneira trágica e repentina, as atividades de tão glorioso Colégio.
Na época, um fogareiro elétrico, supostamente, esquecido ligado no cômodo da Encadernação, setor da Biblioteca utilizado para o restauro dos livros, foi apresentado, publicamente, como a causa do terrível sinistro.  Ainda hoje, no museu, posteriormente, criado entre as alvenarias de pedra que restaram do prédio incendiado, o aludido fogareiro elétrico da marca Fame se encontra em exibição, assumindo, oficialmente, toda a culpa pelo ocorrido.
Após o incêndio de 68, o Colégio encerrou suas atividades e o Caraça caiu em situação de desamparo, sendo, completamente, ignorado pelas autoridades governamentais, apesar dos imensos esforços da AEALAC (Associação dos Ex-Alunos, Lazaristas e Amigos do Caraça).
Somente após a redemocratização do Brasil, com a promulgação da Constituição de 1988, o IPHEA (Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais), em 1989, procedeu ao restauro de parte do prédio incendiado e, em 1990, ele foi re-inaugurado, passando a abrigar um valioso Museu, um auditório e a atual Biblioteca, composta pelos 15.000 volumes que foram, heroicamente, salvos pelos alunos e padres naquela fatídica madrugada de 28 de maio de 1968. Ainda em 1990, foi criada a Reserva Particular do Patrimônio Natural do Santuário do Caraça, com 12.403 hectares de área, ambientalmente, protegida. O Caraça ainda guarda um órgão de 700 tubos, o primeiro construído em Minas, a “Santa Ceia”, maior tela de Ataíde, mestre-pintor do Barroco Mineiro, contemporâneo e consorte artístico de Mestre Aleijadinho, Academias Literárias, além de várias outras preciosidades, muitas delas, ainda a serem re-descobertas.

Órgão de 700 tubos do Caraça


Santa Ceia de Ataíde, uma das mais identitárias obras de Minas Gerais.  
Atualmente, o Caraça é uma Casa Religiosa que oferece hospedagem aos que procuram conhecer suas belezas naturais, sua história e sua densa cultura (foto abaixo).          

Veja também: 1968, Também para o Colégio do Caraça, o Ano que não Terminou