Na disputa do atual provedor do HM contra a AAHM, quem deve deixar o Hospital?

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Por que o Brasileiro é tão desonesto?


Atualmente, salvo raras e valiosas exceções, o brasileiro se tornou alguém que se indigna com toda a escandalosa corrupção que se vê em Brasília, mas que no seu dia a dia não acredita na ética, não a pratica e age conduzido pela Lei de Gerson, tentando tirar vantagem de qualquer situação que se apresente. Mas, por que isso acontece? Afinal, como já disse Leandro Karnal, “não existe governo corrupto em país de gente honesta”.

Diante desta questão, o primeiro entendimento que se deve ter é que a assombrosa corrupção que afeta o país se trata de fenômeno contemporâneo, nem sempre fomos assim. Se analisarmos, por exemplo, o período da história brasileira que vai da proclamação da República à ascensão de Vargas, quando o Brasil viveu a chamada “ La Belle Epoque”, encontraremos uma sociedade influenciada por fortes conceitos éticos em que havia respeito, responsabilidade e o agir ético era considerado uma virtude. As fotos da época revelam que naqueles idos a grande maioria dos homens usava bigode e era por uma razão ética. Garantia-se a palavra assumida entregando ao credor um fio do próprio bigode. Daí a origem do termo fiança. 
Hoje, vigora a desonestidade geral. Não se iluda. A corrupção generalizada que se vê em Brasília é reflexo direto da desonestidade comum que afeta o cotidiano do brasileiro. Então, por que somos um povo tão desonesto, atualmente? A resposta é simples. Ninguém nasce ético. Ética é questão de formação, de um modo ou de outro. Aquele modelo de família rígido e patriarcal que vigorou, plenamente, até o final da “La Belle Epoque”, chamado de “berço”, que fazia sua formação ética na Igreja e detinha a responsabilidade de transferi-la aos filhos não existe mais em função da adoção de novos costumes introduzidos pela modernidade e da fissão entre Estado e Igreja. Nota-se, então, que, durante seu processo de modernização, o Brasil perdeu as duas instituições que, historicamente, se atribuía a formação ética de seu povo. E sem meios de formação ética não há como se esperar por um contexto, minimamente, ético. 
Na era moderna, duas instituições são fundamentais na formação ética e na circulação dos conceitos éticos do Estado Moderno: a escola e a mídia. 
Ocorre que, na escola pública brasileira contemporânea, ética não é disciplina obrigatória. O Brasil forma professores, jornalistas, engenheiros, etc, que nunca tiveram uma lição de ética na vida, não conhecem a ética como disciplina. Aliás, o modelo de escola pública nacional se encontra, totalmente, falido e não tem conseguido, sequer, alfabetizar o aluno. Atualmente, o Brasil tem 50 milhões de analfabetos funcionais, que são aqueles que lêem, mas não compreendem a que foi lido. E se não alfabetiza, também não pode ser efetivo na formação ética ou em qualquer outra.
Concomitantemente, o Brasil contemporâneo tem ainda um modelo de grande mídia, que são as novelas da Rede Globo, que não faz circular os conceitos éticos, muito pelo contrário, circula todos os maus exemplos de comportamento desonesto que se pode imaginar. É preciso ter em mente que todo comportamento que é veiculado pela grande mídia, invariavelmente, será replicado em massa na sociedade. O brasileiro que interpreta o Brasil a partir das novelas da Rede Globo chega à conclusão de que a sociedade brasileira é, inevitavelmente, desonesta e que, se ele não seguir o mesmo caminho, não conseguirá nada da vida.
Assim, se de um lado no Brasil contemporâneo, não há formação ética e, de outro, a grande mídia, intencionalmente, só faz circular os conceitos de desonestidade, não há como se instituir um país honesto. Então se você está indignado com a desonestidade que afeta o país, o primeiro passo é não repetir os comportamentos exibidos pelas novelas globais. Saiba que a Rede Globo foi fundada em 1965 no contexto do Golpe Militar com apoio decisivo do poderoso grupo de mídia estadunidense Time Life. Uma das doutrinas de formação da Rede Globo é que o Brasil jamais encontre condições de sobrepujar a hegemonia estadunidense no continente. Por isso o parâmetro de comportamento apresentado ao Brasil pela Globo é a desonestidade. A disseminação da corrupção generalizada é o meio mais eficaz de se sabotar um imenso país. Sentimos isto na pele, atualmente. O segundo passo é cobrar e lutar por um modelo de escola pública que seja, realmente, eficiente, que prepare para a vida e que adote a ética como disciplina. O terceiro é cobrar e lutar pela reforma dos meios de comunicação para que o Brasil possa adotar um modelo de grande mídia capaz de se alinhar aos interesses nacionais. 

Ética não dá em árvores! Ética se forma e se foi possível formar a ética do povo brasileiro no passado, também podemos fazer o mesmo para o futuro.

Falta D´Água no Bairro do Vice-Prefeito



A Vila Tanque, bairro do vice-prefeito cassado Fabrício Lopes, tem sofrido muito com o abastecimento de água tratada, não apenas pela falta recorrente de água, como pela péssima qualidade dela. 
Como ocorre com todas as comunidades do entorno da Usina, o Bairro Vila tanque tem parte do abastecimento de água tratada mantida pelo DAE e outra parte pela Arcelormittal. Alguns bajuladores dizem que a Arcelormittal fornece água de graça para os moradores, o que não é verdade. É que, principalmente, durante a noite a Sinterização emite colunas imensas de pó que toma tudo o que alcança e só pode ser retirado com muita água e horas de trabalho. Agora, que as atividades do Alto-Forno e da Sinterização se encontram suspensas em função de uma parada programada, é possível perceber como os carros, as vidraças, janelas, calhas, terreiros e passeios têm ficado livres do pó. Então, trata-se de uma compensação ambiental e não água de graça.
Acontece que já há algum tempo a Arcelormittal não dá manutenção na rede de adutoras e reservatórios que se estendem do morro ao fundo da Igreja N. S. de Fátima e alcança a mata do Clube Embaúba, de modo que o sistema se encontra, atualmente, cheio de vazamentos. Há casos de vazamentos na rede que a água desperdiçada acumula nos quintais das casas, formando criatórios de mosquitos, como ocorreu no ano passado na Escola Eugênia Scharle. O que a Arcelormittal faz é manter um carro-pipa que roda o dia inteiro abastecendo o primeiro reservatório abaixo do Clube Embaúba, cujo abastecimento d’água também foi cortado pela Arcelormittal.
De um lado, tem-se um governo que finge que os bairros do entorno da Arcelormittal ainda são de responsabilidade da Usina, abandonando-os. De outro, o grande capital que não é fiscalizado em nada, não é chamado a assumir suas responsabilidades junto à comunidade e que sequer limpa a própria sujeira que faz. No meio, uma comunidade que não conhece os seus direitos e endeusa a multinacional em troca de cada vez menos postos de trabalho, sem compreender que o grande capital só se encontra aqui instalado em função da lucrativa exploração dos recursos locais, como o riquíssimo ferro da Mina do Andrade, a água do Rio Piracicaba, a mão-de-obra monlevadense, a ferrovia, etc. 
E no que diz respeito ao abastecimento d’água, o resultado não poderia ser outro senão a águas suja ou a falta dela na torneira.

Sobre o Parecer do MP na Cassação de Simone


Parecer de Ministério Público não vincula voto de desembargador. O ex-prefeito Gustavo Prandini, atualmente, auto-exilado em Juiz de Fora, teve parecer favorável do Ministério Público para ser cassado no TRE, mas, nos votos dos desembargadores, foi absolvido.
O TRE/MG é político como todo tribunal. Assim, a confirmação da cassação de Simone e Fabrício vai depender muito mais de articulação política do que qualquer outra coisa. Internamente, existe articulação política até para se chegar ao resultado de qual tese jurídica deva prevalecer.
Matéria jurídica para cassação existe, até porque o parecer do Ministério Público foi muito pouco técnico ao argumentar que se as matérias veiculadas no jornal O Celeste não fossem verdadeiras os candidatos prejudicados teriam ajuizado ações de direito de resposta na Justiça Eleitoral, coisa que, de fato, não ocorreu. Ora, não é porque não houve processo que o ilícito não ocorreu. Diariamente, ocorrem inúmeros ilícitos que jamais serão levados ao conhecimento da Justiça. O Parecer do Ministério Público foi político, o que não surpreende. 
Se os agentes políticos que apoiaram a candidatura de oposição, como o deputado Nozinho e o governo de Minas, tiverem força para articular o cumprimento da lei junto ao TRE, Simone será cassada. Do contrário, será absolvida.

Clip Comemorativo dos 200 Anos da Chegada de Monlevade




Acho que qualquer pretexto já é suficiente para se comemorar Monlevade. João Antônio de Monlevade é um dos personagens mais importantes da história de Minas Gerais. Foi pioneiro e visionário em vários sentidos, além de autor de feitos decisivos para história de Minas que só poderiam ser realizados por ele e mais nenhum outro, naquela época. E ao contrário do que, comumente, se diz ou lê a respeito de sua obra, seu empreendimento aqui instalado não se tratou de “uma pequena forja catalã fabricante de enxadas e ferramentas agrícolas”. Muito mais do que isso, a “Soberba Fábrica de Ferro de Monlevade”, nas palavras de Guido Thomaz Marlieri, representou a indústria pesada da época, pois era equipada de pesado maquinário, no qual se destaca nada menos que a primeira máquina a vapor empregada em método industrial no Brasil, o desconhecido Martelo-Vapor de Monlevade, importado da Inglaterra por meio de inédita e arriscadíssima navegação pelos rios Doce e Piracicaba e capaz de forjar peças de ferro de mais de 900 quilos de peso que eram acomodadas em carretões de quatro rodas tracionados por várias juntas de bois e transportadas, de São Miguel para as Minas de Ouro de Morro Velho, em Nova Lima, Pari, em Santa Bárbara, Gongo Soco, em Barão de Cocais, etc. Monlevade foi o principal fornecedor de artefatos de ferros para as Companhias Mineradoras Inglesas que se instalaram às dezenas por toda a Minas Gerais, a partir do primeiro quartel do sec. XIX, e empregavam processos e equipamentos industrias na mineração do ouro, como o trem-minerador, um sistema de trilhos e vagonetes que retirava o minério aurífero das galerias subterrâneas e o Engenho de Eschwege, uma roda hidráulica acoplada a um conjunto de trituradores que, previamente, processavam o minério para lavagem do ouro, o que aumentava muito a produção da minas. Era Monlevade quem produzia as cabeças de ferro dos trituradores dos engenhos de Eschwege, que precisavam ser substituídas a cada 90 dias de trabalhos ininterruptos na Minas de Ouro. Muito mais do que em relação à agricultura, a história de Monlevade está, diretamente, ligada à última fase da mineração do ouro em Minas, o que insere o Município de forma muito especial no mapa da Estrada Real, outra situação completamente desconhecida. Durante os 50 anos em que funcionou sob seu comando, a Fábrica de Ferro de Monlevade foi, de longe, a mais importante do Império Brasileiro. 
Então, Monlevade apresenta todos os motivos para ser festejado a todo o momento. Circula no Youtube clip comemorativo aos 200 anos da chegada de João Antônio de Monlevade ao Brasil. O bom é que abandonaram aquela idéia errônea da comemoração dos 200 anos de chegada de Monlevade a São Miguel. Antes de se instalar em São Miguel, Monlevade passou anos viajando por Minas Gerais, estudando e enviando relatórios mineralógicos para a Escola Politécnica de Paris e chegou a morar em Sabará e Caeté, onde instalou fornos e amargou imensa dificuldade de produção pela falta de matas para fazer o carvão. Monlevade só vem a se instalar em São Miguel a partir de 1824, aproximadamente. Documento histórico comprobatório disso existe, é sua sesmaria. A data de fixação de Monlevade em São Miguel é a data da concessão de sua sesmaria. Então é correto, sensato e justo que esperemos 7 anos para comemorarmos a chegada de Monlevade a estas terras. 
Agora, o que nos traz insatisfação é ver que empresa envolvida no escândalo da Farra do Lixo, ocorrido no governo Carlos Moreira, que segundo o Ministério Público, trouxe um prejuízo de 4 milhões de reais aos cofres públicos municipais, patrocina o clip. Nos países desenvolvidos, onde existe parâmetro ético e, portanto, desenvolvimento, patrocinadores envolvidos em escândalos públicos de corrupção são, imediatamente, excluídos ou desconsiderados. Aqui, no país da corrupção, eles têm publicidade garantida. Não é por menos que aqui impera o subdesenvolvimento. 
Outra coisa que também chamou a atenção no clip foi o disparate em apresentarem imagens do Museu Monlevade, como ele se encontra, atualmente, ou seja, destelhado e com as peças, sobretudo, as de madeira, ao relento, perdendo-se sob efeito das intempéries. No país do subdesenvolvimento se comemora bicentenário de fato histórico com o acervo do museu (foto), que deveria preservar a memória do comemorado, se perdendo por falta de telhado, consideração, visão e fiscalização.

terça-feira, 5 de setembro de 2017

A Cara do Provedor no Letreiro do Hipermercado


Leio agora no blog do jornalista que também se mete a marketeiro político que o Hipercomercial Monlevade fechou parceria com o Hospital Margarida. Trata-se de um projeto que permite ao consumidor doar o troco ou parte dele ao HM, quando efetuar compra no Hipermercado, a exemplo do que já ocorre na unidade do EPA em João Monlevade, onde é possível doar para o Hospital da Baleia pelo mesmo sistema. Trata-se de episódio que leva a três reflexões. 
A primeira, que o atual provedor do Hospital Margarida, José Roberto Fernandes, depois de desgastar em demasia sua própria imagem com os inúmeros equívocos e arbitrariedades que cometeu, como o despejo e a perseguição à AAHM, o cancelamento judicial do Bingo, a não devolução do valor pago pelas cartelas, a falta completa de transparência de onde se encontra o valor arrecadado com o evento suspenso a pedido do Ministério Público, etc, etc, agora busca associar sua imagem à de entidades sólidas locais, na tentativa de fazer comunicar a credibilidade que tais instituições desfrutam junto ao público com sua própria imagem. O ruim é que, da mesma forma que a credibilidade de um comunica com a imagem do outro, o descrédito do outro também pode comunicar com a imagem do primeiro. 
A segunda é que, a completa falta de transparência com que o atual provedor trata a séria questão da contabilidade dos valores arrecadados com o Bingo não inspira a confiança necessária para que se doe nem um centavo para Hospital Margarida. Enquanto, José Roberto Fernandes não devolver cada centavo corrigido, arrecadado com venda das cartelas do Bingo, não merece nenhuma doação. Por isso, sua manutenção no cargo de provedor, depois de arruinar com a credibilidade do Bingo do Hospital Margarida, tem sido tão danosa para a casa de saúde. 
Quem tem interesse em doar ou viabilizar doações para o Hospital Margarida deve fazê-lo por meio da Associação dos Amigos do Hospital Margarida, que é instituição idônea, sem fins lucrativos, que por uma década promoveu o Bingo do Hospital, sem qualquer problema, figurando como a instituição da sociedade civil organizada que mais contribuiu com a manutenção do Hospital nos últimos tempos. 
Agora, quando passo pela Avenida Gentil Bicalho e olho para aquele moderno Hipermercado, só vejo a cara do atual provedor (imagem) naquele letreiro e fico imaginado onde é que foi parar o dinheiro do Bingo do Margarida. Será que está depositado numa conta corrente, poupança? Ou será que está aplicado em títulos públicos? Aplicado em fundos de pensão? De quanto é a taxa de juros? Cadê o dinheiro? Vai devolver com juros ou sem juros?

Será que Leonardo Diniz...



Recentemente, o pivô da cassação dos mandatos de Simone e Fabrício Lopes, o jornal O Celeste (imagem), publicou a manchete que se segue: Será que, se Leonardo Diniz, fundador do PT em João Monlevade, estivesse vivo, aceitaria a traição da maiorias dos petistas com seu filho?

O impresso, que já está em campanha diante da grande possibilidade de realização de novas eleições que ele mesmo deu causa, refere-se à um suposto descontentamento do filho de Leonardo Diniz, o vereador Belmar Diniz, que estaria insatisfeito com o Partido dos Trabalhadores local. 
Mais uma vez chama a atenção a capacidade do periódico de confundir as posições e de inverter a verdade. A pergunta correta não é a estampada naquela manchete. Aliás, sobre o histórico político de Belmar Diniz, as perguntas podem ser muitas. Será que, se estivesse vivo, Leonardo asseitaria o voto de Belmar Diniz a vafor da terceirização do DAE? Será que aceitaria o voto de Belmar a favor do Rotativo? Aceitaria também o voto de Belmar que autorizou a ENSCON deixar de cobrar a passagem em dinheiro a bordo do coletivo? Será que Leonardo ainda asseitaria o fato de a estrutura da campanha majoritária no Bairro Cruzeiro Celeste ter sido, indevidamente, utilizada quase que exclusivamente para pedir votos para Belmar, levando a derrota da coligação integrada pelo seu partido, o PT, por diferença de apenas 126 votos? Será?
Hoje, mais do que nunca, Belmar Diniz é um dos vereadores mais importantes para o Moreirismo. Primeiro, porque durante os últimos 5 anos como vereador votou em todos os projetos de lei decisivos do grupo de Carlos Moreira. Segundo, porque Belmar fez Railton e Laércio perderem as últimas eleições, quanto passou a concorrer com os votos dos mesmos, ao ser, indevidamente, beneficiado com a estrutura da campanha de prefeito e vice no Novo Cruzeiro. E tudo isso para o Moreira é ótimo!

terça-feira, 29 de agosto de 2017

Aumento do Preço da Água e a Isenção da Taxa Mínima


Na semana passada o monlevadense foi surpreendido por mais um aumento da taxa de água. 11,17% de reajuste, contra uma inflação de menos de 3% nos últimos 12 meses. O aumento causa ainda mais indignação quando confrontado com um dos principais eixos de promessas de campanha da prefeita Simone/Carlos Moreira que foi a isenção da taxa mínima de água.
Segundo compromisso firmado com a população na última campanha eleitoral, quem consumisse até determinado volume de água ficaria isento de taxa. A prefeita Simone já cumpriu 8 meses de mandato e ainda não conseguiu enviar para a Câmara o projeto de lei que institui a prometida isenção da taxa mínima, até porque prometeu o que não pode cumprir. A isenção que já foi instituída por Carlos Moreira no passado trata-se de modalidade de renúncia de receita, o que é vedado pela Lei de Responsabilidade Fiscal, e, porquanto vigorou, colocou o DAE numa situação de sucateamento sem precedentes, iniciando o processo de falta d’água recorrente em que o Município ainda se encontra. Ato típico de governo populista como o de Carlos Moreira. Populista é aquela medida que, num primeiro momento recebe clamor popular, mas que não se sustenta ao longo do tempo, trazendo graves conseqüências para a população, posteriormente. Se hoje falta água em seu bairro, é o custo que o cidadão paga pela isenção da taxa implementada no passado para reeleger Carlos Moreira a seu segundo mandato como prefeito.
Também não se pode deixar de creditar o atual aumento da conta de água ao ex-prefeito Teófilo Torres e aos vereadores da última legislatura, com destaque para Belmar Diniz, que aprovaram o projeto de lei 889/2015, autorizando a transferência da incumbência em se fixar e reajustar o valor da tarifa, do DAE para o Consórcio Intermunicipal de Saneamento Básico, com sede em Belo Horizonte. Isso mesmo, o reajuste veio de Belo Horizonte. Sem saber, com tal medida, os vereadores reduziram até suas próprias prerrogativas de fiscalizar a composição do preço da taxa, já que aqui, no Município de João Monlevade, eles são invioláveis por suas opiniões, palavras e votos. Em Belo Horizonte, não. 
Tal transferência de prerrogativa ainda é outro empecilho para a prefeita cumprir seu compromisso de isenção da taxa mínima, já que, atualmente, cabe ao Consórcio fazê-lo e não ao DAE. Nem adianta dizer que não sabia pois é assim desde 2015.

Geração de Empregos

Na semana passada circulou a informação de que o município de João Monlevade foi o segundo a mais gerar empregos no estado de Minas Gerais. De acordo com o Ministério do Trabalho, Monlevade gerou 2.152, nos sete primeiros meses de 2017. 
Foi o bastante para setores do governo Simone/Carlos Moreira comemorarem a notícia, que soa como um alento neste período de crise vivido pelo país, como se fossem o pai da criança.
Ocorre que o governo Simone/Carlos Moreira não tem qualquer relação com fato. Não há no Município a execução de políticas públicas voltadas para o estabelecimento de ambiente favorável aos negócios ou à geração de postos de trabalho.
O grande número de postos de trabalho abertos no Município se devem, exclusivamente, à obra de manutenção do Alto-forno (foto) e de outros departamentos da Arcelormittal. Estima-se que cerca de 3.000 trabalhadores participarão das obras de reparo na Usina, que devem perdurar por 45 dias.
De modo que, finalizadas as obras de manutenção na Arcelormital, cerca de 3.000 trabalhadores deverão ser dispensados e João Monlevade passará a ser um dos municípios mineiros que mais demitirão no segundo semestre de 2017.

Cavalgada, Alienação Cultural e a Incapacidade de Realização do Governo Simone

A exemplo do ocorrido no ano passado, em 2017, João Monlevade não terá Cavalgada. De certo modo é até um alívio, considerando que a maior festa da cidade se revestiu muito daquele caráter caipiresco, importado dos canaviais de São Paulo, em que prevalece a monocultura enlatada do chamado sertanejo universitário que tem por objetivo transformar o jovem num caipira, pois na roça não existe Polis, no sentido grego do termo. Assim, como um caipira, o jovem se torna inapto a se prestar a agente político do país.
No entanto, com um pouco de conhecimento e vontade política, a Cavalgada poderia se tornar numa festa de celebração das tradições regionais e locais. Poucos sabem, mas a Avenida Getúlio Vargas é um importante trecho da Estrada Real que permitia o acesso de localidades como Sabará, Santa Bárbara, São Gonçalo, Itabira, etc, à Fábrica de Ferro de João Monlevade, à São Miguel do Piracicaba e além. Era pelo traçado que hoje corresponde à Avenida Getúlio Vargas, um dos poucos caminhos carroçáveis da Estrada Real na época, que Monlevade escoava a sua produção por meio de tropas de muares e carretões de quatro rodas puxados por juntas de bois no século XIX. Para se ter uma ideia, havia um carretão puxado por bois que deixava a Fábrica de Ferro de Monlevade, rumando para a direção de Carneirinhos e se dirigia até a Mina de Ouro do Morro Velho, em Nova Lima, levando peça de ferro de mais de 900 quilos de peso. Além do mais, a via também era muito freqüentada pelas variadas tropas que mantinham negócios com Monlevade e por aquelas que utilizavam as duas pontes mantidas por ele sobre o Rio Piracicaba, coisa rara na época. Em 1853, o próprio Monlevade escreveu:

[...]
Enfim, este lugar outrora inteiramente deserto, está hoje muito freqüentado pelas numerosas tropas carregadas de mantimentos que vão para a mata e saem dela, assim como por outras que têm negócios com a casa, todas se aproveitando das estradas, e no tempo de seca de uma das pontes que franqueei ao público. [...]


Vale lembrar também que a região tem grande tradição em tropeirismo. O município vizinho de Itabira detém o título de capital tropeira de Minas Gerais, cujo distrito de Ipoema alberga o Museu do Tropeiro. 
Como se vê, as possibilidades de se transformar a Cavalgada numa festa de cultura regional, formadora da identidade local são infinitas. Mas, a turma que está no poder não quer assim. Então, se for para manter o caráter alienante da festa é melhor até que não se faça.
No entanto, sob o ponto de vista político, a não realização da Cavalgada pode ser encarada como um triste termômetro do governo Simone: um termômetro da incapacidade de realização do governo Simone/Carlos Moreira. A capacidade de realização de qualquer governo depende muito de liderança política. Quando se faz a opção por eleger uma prefeita que é preposta política de um ex-prefeito inelegível, como é o caso de Carlos Moreira, muito desta liderança se perde na confusão sobre quem, realmente, tem a palavra final no governo. 
Além desta perda política natural, que dificulta as realizações do governo, ainda se soma o fato de Carlos Moreira se encontrar esgotado, politicamente. A capacidade de realização política de Carlos Moreira se esgotou com a adaptação do antigo terminal rodoviário num hospital de 100 leitos ao custo de muito mais de 22 milhões em recursos públicos. É preciso que o eleitor compreenda a cassação dos direitos políticos de Carlos Moreira como seu esgotamento político e, por conseqüência, com a incapacidade política de realizar eventos e projetos. Prova disto é que o pouco de realização que se vê na atual administração, como o asfaltamento de ruas já calçadas, por exemplo, se dá por meio da terceirização das ações de governo à empreiteiras que entregam um péssimo serviço à comunidade. Tudo mais que dependa da liderança direta da prefeita ou de Carlos Moreira se encontra estagnado no Município.

Cassados os Direitos Políticos do Ex-prefeito Teófilo Torres


O ex-prefeito de João Monlevade, Teófilo Faustino Miranda Torres Duarte (PSDB), filho do ex-deputado e atual conselheiro do Tribunal de Contas de Minas Gerais, Mauri Torres, foi condenado à cassação dos direitos políticos pelo prazo de 03 anos, em ação de improbidade administrativa, por ter sido contratado, sem licitação, pelo município de Nova Serrana para prestar consultoria jurídica nas áreas tributária e previdenciária. 
Teófilo também foi condenado à proibição de contratar como Poder Público ou receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios, direta ou indiretamente, ainda que por intermédio de pessoa jurídica da qual seja sócio majoritário, pelo mesmo prazo.
Diante da cassação dos mandatos de Simone e de Fabrício e da possibilidade concreta de realização de novas eleições no fim deste ano, Teófilo era apontado como possível candidato do grupo de situação a concorrer o pleito temporão, uma vez que as condenações judiciais andam esvaziando o PSDB local de lideranças aptas a concorrer as eleições. 
Carlos Moreira já se encontra com os direitos políticos cassados até a metade do corrente século. Simone e Fabrício, caso confirmadas as cassações no TRE, terão os direitos políticos cassados pelos próximos 08 anos. Agora é o ex-prefeito, Teófilo, que se soma ao extenso rol dos inelegíveis do PSDB em João Monlevade, o que descarta por completo uma possível candidatura sua nas eleições que podem ser convocadas nos últimos meses deste ano.