terça-feira, 23 de junho de 2026

INTERDIÇÃO DE MATRIZ EVIDENCIA CRISE SEM PRECEDENTES NO GOVERNO LAÉRCIO


 A Igreja Matriz São José Operário encontra-se interditada, sem acesso ao público, desde a semana passada, sem energia elétrica. No domingo passado a missa da Paróquia foi realizada na Igreja Nossa Senhora de Fátima, no Bairro Vila Tanque.  Fato inédito na história do município.

A notícia foi comunicada na semana passada pelo padre Jéfferson Veronês, responsável pela administração da Paróquia. Num vídeo que circulou na internet, padre Jéfferson justificou a interdição no comprometimento da rede elétrica do edifício religioso. O sacerdote ainda chamou a atenção da presidente da Casa de Cultura para a situação, inculpando-a de colocar obstáculo na reforma da Gruta de Nossa Senhora de Lourdes. Ainda no vídeo Padre Jéfferson também solicitou da gestora da cultura local a gentileza de parar de colocar empecilho para que as obras na Matriz aconteçam.

 A Matriz São José Operário é declarada monumento histórico e tombada para fim de preservação pelo inciso VIII do artigo 170 da Lei Orgânica do Município de João Monlevade. Daí a responsabilidade do Município em preservá-la. Foi construída pela antiga Companhia Siderúrgica Belgo Mineira, a partir de 1942. Seu projeto de nave em formato de V é do arquiteto checo Yaro Burian e faz alusão à vitória aliada na Segunda Guerra Mundial. É uma das raras igrejas mineiras em estilo neoclássico.  Emoldurada pela mata atlântica, a Matriz São José Operário é símbolo da cidade, monumento histórico, artístico e religioso do município, além de sede de uma numerosa Paróquia.   

 A verdade é que gestão do patrimônio histórico cultural tem se tornado uma amarga novela, sem desfechos felizes em João Monlevade. Veja também a situação de abandono e de degradação de outro bem tombado, a Escola Santana.  Em relação à Matriz São José do Operário, especificamente, não é de hoje que o governo municipal tem apresentado má vontade política e protagonizado desencontros na resolução das questões. Primeiro desencontro foi em relação à estrutura do prédio que era negligenciada pelas autoridades enquanto outros apontavam o risco de desabamento. Depois de muitas reuniões, foi anunciado o investimento de 500 mil reais na restauração do prédio. Agora, quando se julgava encerrada a novela, a comunidade é surpreendida com o fato grave de interdição da Matriz, num contexto de evidente falta de diálogo entre os envolvidos, alimentado pela má vontade política do governo para a causa do patrimônio histórico monlevadense.

O gabinete do prefeito Laércio Ribeiro tem agora uma enorme crise política, a maior do mandato, para administrar e solucionar, não apenas para o bem da preservação do patrimônio histórico, mas também para a normalização das atividades da Paróquia. E que fique registrado na história que foi no governo do Laércio que a Matriz, símbolo da cidade, foi interditada por falta de preservação.