sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Ex-Aluno do Caraça Comenta Origem do Incêndio de 1968


Sob o ponto de vista da formação político-filosófica, o Colégio do Caraça é uma das mais importantes instituições do Brasil e de Minas. Para Minas Gerais, ele é considerado matriz essencial da chamada mineiridade. Nenhum outro centro de formação brasileiro ostenta uma lista de 120 ex-alunos que foram, todos, deputados por Minas e por vários outros estados, deputados dos governos centrais, senadores, governadores e vice-governadores de diferentes regiões do país, presidentes e vice-presidentes da República, como faz o Caraça. Isso sem falar de outros tantos ex-alunos que foram figuras de extrema importância para Minas e o Brasil e não fazem parte desta lista por se dedicarem a áreas fora da política.
O Caraça era, sobretudo, Escola de Filosofia e berço do chamado Humanismo Mineiro. Para se ter ideia do que isso representa, basta saber que nos anos que antecederam a assinatura da Lei Áurea, em 1888, o Caraça foi pródigo na produção de deputados, todos abolicionistas convictos. O Caraça também teve papel fundamental na difusão das idéias modernistas que levaram o país ao forte movimento de urbanização vivenciado, a partir da década de 1930, além de outros.
Na madrugada de 28 de maio de 1968, ano mais conturbado da Ditadura Militar, um grande incêndio atingiu a Biblioteca do Caraça, uma das mais importantes da América Latina, na época. Um fogareiro elétrico esquecido ligado na encadernação, cômodo que era usado para o restauro dos livros, ficou como causa da tragédia que encerrou as atividades do Colégio e que só não foi pior, porque, dos cerca de 85 alunos que dormiam no alojamento acima da Biblioteca, todos se salvaram.
Agora, quase 50 anos depois, o ex-aluno Antônio de Assis Martins Quintão, matricula 2194, presente no momento da tragédia, afirma no vídeo anexo que o incêndio não poderia ter começado na encadernação.