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segunda-feira, 12 de junho de 2017

Impasse da Samarco


É preciso expressar a mais completa, total e irrestrita solidariedade ao prefeito de Santa Bárbara, Leris Braga, que condicionou o licenciamento para que a mineradora Samarco volte a retirar água do Rio Conceição, no Distrito de Brumal à realização de estudo de impacto ambiental. O prefeito também cobra da mineradora outro paradigma de exploração mineral, após o rompimento da Barragem do Fundão. Está corretíssimo o prefeito Leris Braga e merece o apoio de todo minero que tem consciência histórica do passado de glória da mineração nas Minas Gerais.
A mineração do ouro não destruiu vilas e um rio inteiro porque era descentralizada e baseada em pequenos e médios mineradores. Qualquer um que descobrisse ouro podia minerá-lo. Naquela época, era permitido ao mineiro ser dono de Mina de Ouro. Hoje, se o mineiro for ao aluvião e, mesmo utilizando método artesanal, apurar algum ouro é imediatamente preso por crime ambiental, enquanto as grandes mineradora podem tudo, até matar e arrasar o Rio Doce, sem que ninguém delas seja preso. 
Atualmente o mineiro participa da mineração em seu estado apenas como empregado. As minas se tornaram propriedade apenas das grandes mineradoras, muitas delas estrangeiras.O ouro definiu, absolutamente, tudo em Minas Gerais, desde as fronteiras, a culinária, o modo de ser, de viver, a cultura, a arte, a religião... O ouro produziu o Barroco Mineiro, Aleijadinho, Ataíde. E hoje, o que a mineração das imensas e puríssimas jazidas de ferro produz em Minas Gerais, além da destruição e cada vez menores postos de trabalho? Os royalties pagos pelas mineradoras para explorarem o ferro de Minas são os mais aviltantes do planeta. Enquanto Minas viveu sob o jugo português, pagava-se o Quinto, ou seja, 20% sobre a produção bruta de ouro. Hoje, que deveríamos ser livres, as mineradora pagam apenas 2% de royalties e levam todo nosso minério de ferro para o exterior, deixando um rastro de destruição.
O prefeito de Santa Bárbara está corretíssimo em exigir mudança porque, absolutamente, nada mudou após a tragédia da Samarco. O modelo minerário vigente, baseado em monopólio, que foi verdadeira a causa do rompimento da Barragem do Fundão segue inalterado. E não há como se obter resultados diferentes, a agir sempre do mesmo modo. Muda, Minas! Leris Braga, aqui em João Monlevade também estamos com você!