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terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Corrupção, Petrobrás, Globo e PT

Essa imensa malversação de recursos públicos que atinge a maior estatal brasileira é um triste, absurdo e inaceitável retrato do Brasil contemporâneo. Um país de políticos desonestos,  de agentes públicos corruptos e muito mais.  O próprio delator do chamado Petrolão, Paulo Roberto Costa,  afirmou com todas a s letras que a corrupção verificada na Petrobrás atinge todos os setores do Estado Brasileiro e ocorre “desde os governos de Sarney, Collor, Itamar, Fernando Henrique Cardoso e Lula”, confirmando algo que a nação inteira, há muito, já desconfiava. 
E quem acha que essa verdadeira epidemia de corrupção que atinge o país é coisa apenas da política, engana-se.  A corrupção política é a mais aparente porque se relaciona, diretamente, com a coisa pública, tornando-se, portanto, pública.  A corrupção privada, geralmente, não ganha os holofotes da mídia.  Certo é que todo esse mar de corrupção onde se afoga a política brasileira, nada mais é do que um fiel reflexo de uma sociedade em que a honestidade, há algum tempo, deixou de ser virtude, posto que o político brasileiro não é uma criatura exógena ou alienígena, que cai de pára-quedas no Planalto Central. O político brasileiro é produto direto da sociedade brasileira. E a corrupção de Brasília é a mesma que se verifica pelas ruas deste país. Ética é questão de formação. Mas, hoje, em nenhum momento o brasileiro forma sua ética. Ao contrário dos países desenvolvidos, no Brasil, não se ensina ética nas escolas nem se faz circular conceitos éticos na Grande Mídia.   
O Brasil já foi um país sério, de gente e políticos honestos. O Brasil já teve Juscelino. Vargas, por exemplo, quando se viu envolvido em situação comprometedora, suicidou-se com um tiro no peito. Por que Renan, Collor e Sarney também não suicidam?  Até  o Golpe Militar de 64, o Brasil possuiu um eficiente sistema de formação ética de seu povo, baseado na autoridade moral da Igreja e no modelo rígido de família patriarcal.  E destes dois elementos, florescia o chamado “berço”, aquele ente intangível e imaterial, tão raro hoje em dia, mas que era responsável pela educação e pela formação ética dos indivíduos. 
Em 1965, a partir da instauração do atual modelo de Grande Mídia nacional, fundado logo após o Golpe, a Globo, com menos de 50 anos conseguiu destruir quase por completo o modelo de formação ética até então vigente. Alguns dirão que a Globo apenas modernizou os costumes brasileiros, colocando a Igreja no seu devido lugar e flexibilizando o modelo patriarcal de família, o que não é verdade. Teria sim a Globo modernizado os costumes se, ao mesmo tempo em que desconstruía o tradicional modelo de formação ética nacional, tivesse se preocupado em substituir o modelo antigo por outro novo e moderno, que, necessariamente, deveria passar por uma nova qualidade de escola e de mídia, coisa que ela nunca fez. Muito pelo contrário, a Grande Mídia brasileira, que são as novelas, principalmente, a novela das 9  faz circular, diariamente, mensagens anti-cívicas, tais como “a política é um terreno enlameado demais para o cidadão de bem participar “ e   “o mundo é dos espertos”, além de contra-valores como a Lei de Gerson, como o jeitinho brasileiro que transgride a lei e uma série de maus exemplos de violência e de solução dos problemas cotidianos por meio de fraudes, ilícitos e malversações. Isso sem falar, nas tramas de morte e que o personagens resolvem seus problemas tramando a morte das pessoas. 
É um grande contra-senso a forma hipócrita como a Globo, no Jornal Nacional, denuncia os processos de corrupção do país e, logo após, na novela das 9, passa a transmitir, direta ou subliminarmente, mensagens e exemplos completamente conflitantes com qualquer senso mínimo de ética.   E tudo isso é proposital. Quem conhece as circunstâncias de fundação da Rede Globo sabe que ela nunca esteve a serviço do Brasil.
Em grande medida, o Brasil contemporâneo é produto direto de sua mídia. A Grande Mídia influencia comportamentos, molda o perfil do brasileiro comum e é o espelho, que reflete o que o país deseja ser.
Uma forma muito comum de a Globo alcançar seu fim é empregar a estratégia de retirar da Grande Mídia (da novela das 9) tudo que seja filosófico, fazendo circular uma série de elementos passionais. Um deles é a raiva. E essa raiva que se busca destilar contra o PT apenas cega e impossibilita a leitura correta da conjuntura. E o momento é de reformas.  
O PT não é a origem da corrupção. Ele apenas fez a opção de jogar o jogo, extremamente, sujo da política brasileira. E com isso ele se contaminou, como todos aqueles que fizeram ou fazem esse jogo, salvo raras exceções. Agora, não é lógico pensar que o PT deveria aguardar a materialização de uma era futura de corrupção em níveis toleráveis, para só, a partir de então disputar o poder.  Se tivesse aguardado por isso, o Brasil hoje não teria retirado 40 milhões de brasileiros da pobreza extrema e se tornado um país de maioria de classe mádia, fato histórico e essencial para que as mudanças ocorram com maior velocidade. Também não é sensata a frase “o PT, jamais, poderia ter roubado!”. A frase correta é “nenhum partido pode roubar!” 
E queiram ou não, a única maneira civilizada até hoje encontrada pela humanidade para combater a corrupção é a exposição dos fatos na Grande Mídia, a abertura de investigação, processo e  a respectiva punição dos responsáveis, ou seja, justamente, o que, desde Sarney, só agora passa a ocorrer no caso Petrobrás , por exemplo.
É muito bom ver que quando o PT está no poder, pelo menos,  a Central de Jornalismo da Globo funciona e assume seu papel de Imprensa. Porque nos governo tucanos, ela nunca funcionou. E não é preciso nem ir muito longe, nas privatizações  ou nos conchavos da reeleição de FHC. Basta voltarmos ao ano passado quando a Polícia Federal flagrou o helicóptero do Perrella, braço direito de Aécio, com 450 quilos de pasta-base de cocaína. Um dos maiores e mais emblemáticos escândalos dos últimos tempos, pois entrelaçava  a política ao futebol e ao narcotráfico, foi, devidamente, abafado pela Globo. 
E entre um modelo, em que corrupção do governo vem à tona e outro que abafa tudo, fico com o primeiro. E no mais é cobrar pela reforma Política e dos Meios de Comunicação, exigir um modelo de escola que seja ético, cívico e filosófico e buscar a ética no dia-a-dia.  Seja ético, se for capaz!