quarta-feira, 1 de abril de 2015

51 Anos do Golpe de 64: o Brasil ainda Precisa de Antídoto e não de mais uma Dose do Veneno.

A data de hoje marca os 51 anos do Golpe de Estado que instalou a Ditadura Militar no Brasil. Foram mais de duas décadas de um regime violento e despótico que não apenas atrasou sobremaneira o desenvolvimento deste  país, como também revelou o quanto a elite brasileira é mesquinha, míope, retrograda e, umbilicalmente, atrelada a interesses que não são os nacionais.
Ao contrário do que povoa o imaginário nacional,  o Golpe de 64 não foi concebido pelos militares. Eles se prestaram apenas a instrumento da barbárie. O golpe foi engendrado pela chamada Elite Brasileira, composta pelos latifundiários, oligarcas, pelos donos dos grandes meios de comunicação e de produção, banqueiros, etc, que, articuladamente,  se insurgiram contra as Reformas de Base pretendidas pelo governo do presidente, então, deposto João Goulart.
As alegadas indisciplina e quebra de patente foram apenas um pretexto utilizado pelos militares para o desfecho daquele 1° de abril, dia da mentira. Na verdade, quem perpetrou o golpe contra a nação, como se deve frisar, foi a, historicamente, “favorecida”  elite brasileira, que naquele momento se encontrava aterrorizada diante da perspectiva de um país, integralmente, moderno, mais justo e afastado dos ranços do Brasil-Colônia, das Capitanias Hereditárias e dos coronéis.
Foi a elite que, naquele momento, não aceitou a reforma agrária, a reforma política, a reforma educacional, a reforma tributária e tantas outras pretendidas naquele momento e que, 50 anos depois, ainda são, justamente, a mesmas demandas por esse país.
Ora, se hoje, nada data de 1° de abril de 2015, o Brasil ainda demanda, fundamentalmente, por todas aquelas reformas que não foram implementadas em 1964, a lição objetiva que fica da Ditadura Militar só pode ser uma: que aquele golpe atrasou este país em, pelo menos 51 anos. Tivéssemos efetivado aquelas reformas naqueles idos, hoje, certamente, estaríamos muitíssimo mais perto do desenvolvimento que tanto almejamos e que nunca chega. Certamente, sob o ponto de vista econômico, o Brasil poderia hoje ocupar no mundo o lugar que é da China. Mas, a elite assim não o quis...
E nesta amarga e salgada conta deixada por mais de duas décadas de ditadura, além dos mortos, dos perseguidos, dos desaparecidos e de todas as violações contra a condição humana que ocorreram,  também deve ser contabilizado talvez o mais pesado legado daqueles anos de trevas a reverberar nos dias atuais: uma classe política corrupta e descompromissada com a responsabilidade de administrar a Coisa Pública.
Ocorre que durante a Ditadura Militar, os políticos brasileiros foram forçados a entregar a gestão do país aos militares, criando-se, assim, durante os mais de 20 anos que se seguiram, toda uma geração de políticos “desabituados” das questões administrativas nacionais e protegida por um sistema em que não havia independência entre os poderes, liberdade de imprensa, de comunicação e de opinião, ou seja, um ambiente perfeito para propagação da corrupção generalizada, que se verifica até hoje.  Com o fim da ditadura, essa mesma classe política de “desabituados” voltou ao governo da nação, no entanto, já inserida dentro de uma cultura política, completamente, avessa às questões administrativas do país. Significa dizer que esses políticos incompetentes e corruptos de hoje são, em grande medida, filhos e netos dessa ditadura que alguns desavisados ainda têm a coragem de defender.
E não é só isso. O atual sistema político não representativo e o modelo esquizofrênico de Presidencialismo de Coalizão Brasileiro, além do sistema tributário e do sistema de grande mídia vigentes, ainda são aqueles instituídos pelos militares nos anos de chumbo.
Como se vê, apesar de passados 51 anos do Golpe Militar de 64, o Brasil ainda vive as conseqüências diretas e indiretas da ditadura. E neste sentido o que o Brasil precisa é de antídoto contra a ditadura e não de sua restauração como alguns andam proclamando. Daí, a necessidade urgente das reformas.