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quinta-feira, 17 de março de 2016

1°-Ministro

Não é a primeira vez que o Brasil recorre ao parlamentarismo ou, pelo menos, à figura de um 1º-ministro para tentar ultrapassar imensos impasses políticos.
No início da década de 60, o Brasil também se encontrava em grande impasse político, diante da possibilidade de posse do vice João Goulart, após a renúncia do presidente Jânio Quadros. Consideravam que Goulart era muito alinhado a idéias comunistas. Assim, instituíram o Parlamentarismo no Brasil, dando posse como 1°-ministro Tancredo Neves. O Parlamentarismo no Brasil durou até janeiro de 1963 quando um referendo popular determinou a volta do presidencialismo e a posse de Jango. Em menos de um ano era deflagrado o Golpe de 64.
Agora, não é institucional, mas, na prática o Brasil tem seu 1°-ministro: Lula. Tudo tem seu tempo na política. Tivesse o Lula se tornado “premier” em fevereiro de 2015, quando a crise se deflagrou, faria o papel de salvador, até porque, Dilma é cria dele. Foi Lula quem indicou Dilma como sua sucessora e não o PT . E a única qualidade que Dilma apresentou até o momento foi a de não ter 5 milhões de dólares numa conta na Suíça. Está na cara que Lula sabe que sua prisão é iminente e deu um drible no Moro. Também está na cara que Moro age politicamente. A divulgação de conteúdo de grampo no telefone do Lula envolvendo seu advogado e Dilma demonstram que Moro é desmedido, não respeita a Constituição e não tem imparcialidade alguma. Depois dessa, deveria ter é ética funcional afim se declarar suspeito para seguir a frente do caso, entregando-o a outro juiz.
 E por falar em dólares, a manobra de Lula para se livrar do Moro não é menos vergonhosa que a manutenção de Cunha, o grande pivô da crise, na presidência da Câmara, de onde utiliza de todos os instrumentos institucionais para postergar o processo de cassação que tem no Conselho de ética da Casa e ninguém protesta contra isso. O PT nacional foi estigmatizado.
 Lula assume a Casa Civil, como articulador político do governo, com a tarefa de impedir a conformação de votos suficientes para recebimento do pedido de impeachment na Câmara. Em outras palavras, recompor a base aliada. Ocorre que, a única maneira de compor uma base aliada de maioria no Presidencialismo de Coalizão Brasileiro Multipartidário é distribuindo cargos nas estatais e ministérios entre os deputados. Sabe-se lá o que vai acontecer neste país, onde flertam com a beira do abismo. Mas, certo é que independente de quem seja o presidente da República, se não houver uma profunda reforma política no Brasil, para conseguir governabilidade ele terá de lotear os cargos da União entre os aliados, mantendo o ciclo que fomenta a corrupção em Brasília. Se for o Aécio, a Globo se cala, tudo vai continuar da forma em que está, com a única diferença que, uma vez aniquilado o PT, não haverá mais que se falar em corrupção no Brasil. 
É por isso que o que se desdobra no país não visa acabar com a corrupção no Brasil: não atinge a origem de uma corrupção sistêmica. Atinge apenas a um grupo político. Todos que aprovaram matéria no Congresso, após a redemocratização em 1988, envolveram-se naquele mar de lama, inclusive FHC que aprovou até as privatizações e sua reeleição, sempre, com o aval de Aécio Neves. Felizmente o Brasil é um país moderno e pode se socorrer nos novos e revolucionários meios de mídia. Agora, um pouco da verdade circula pelo país. Do contrário, a depender da Rede Globo, Aécinho teria sido aclamado em São Paulo no último, ao invés, de escorraçado como foi. Isso contraria os planos da Rede Globo de ver Aécio na Presidência da República o mais rápido possível, tornado o cenário de um impeachment também incerto para seus interesses. Faltou à Rede Globo “combinar com os Russos”. 
A verdade é que ninguém sabe para onde vai o Brasil. Não é possível dizer se Lula conseguirá manter um mínimo de estabilidade política para Dilma terminar seu mandato ou, em caso de impedimento dela, o país passará a uma condição de maior estabilidade política ou haverá agravamento do quadro com desdobramentos convulsivos na sociedade civil.