Na disputa do atual provedor do HM contra a AAHM, quem deve deixar o Hospital?

quarta-feira, 30 de março de 2016

PMDB


O Golpe de 64, obviamente, representou uma violenta ruptura no processo político brasileiro. O processo político brasileiro não goza de liberdade. Ele tem um limite. Sempre que as bases do sistema são atingidas o processo político é interrompido. Somente o fato de o país está parado há 15 meses sob o efeito de um enorme impasse político já se tem afigurado um novo golpe, pois o processo político de condução do país encontra-se mais uma vez interrompido.
No Presidencialismo de Coalizão Multipartidário Brasileiro, criado no fim da ditadura, qualquer presidente da República que, da re-democratização aos dias atuais, aprovou matéria relevante no Congresso, invariavelmente, obteve maioria de votos em troca de cargos nas estatais e nos ministérios do governo para os congressistas, situação que, além dificultar a representatividade, funciona como mola de impulso à atos de corrupção, pois uma vez no governo esses caras passam a direcionar as contratações públicas em benefício próprio e de suas campanhas. Quem pensa que o Brasil não é um país planejado se engana. Temos um sistema político planejado para não funcionar, cujas engrenagens são azeitadas pela corrupção, o que favorece manter o processo político brasileiro em baixo nível. 
O PMDB foi governo nos últimos 21 anos, ou seja, além de Dilma e de Lula também foi base do governo FHC que aprovou matérias controversas no Congresso como as privatizações, inclusive da Vale do Rio Doce, sua própria reeleição, além de outras. 
Diante do possível impedimento de Dilma e, por conseqüência, da posse do vice Michel Temer é lógico que a legenda vai migrar para onde estiver a possibilidade de poder. O projeto que tem o PMDB é apenas o poder.
Difícil é resolver a equação de um impeachment que tem como pano de fundo a corrupção sistêmica do Presidencialismo Brasileiro, com a posse de um vice, cujo partido é o que mais se envolveu com o fisiologismo do poder, nas últimas duas décadas, estando citado inúmeras vezes na Lava-jato.