terça-feira, 20 de março de 2018

Arquitetura Original do Hospital Margarida é Destruída


O edifício do Hospital Margarida tem uma das mais iconográficas arquiteturas de João Monlevade. Eclética, a arquitetura do Hospital Margarida congrega três estilos bem definidos: o neoclássico, composto por colunas em arcos, cornijas, etc; o colonial mineiro, que pode ser visto nas janelas em arco abatidos dos corredores e o Art Déco, que define o formato circular e os dois grandes painéis de vidro diagramados do Bloco Cirúrgico, intencionalmente, virado ao nascente de modo a aproveitar com eficiência luz natural logo nas primeiras horas da manhã. 
Recentemente, numa dessas muitas reformas feitas no Hospital - há que, diga que o HM já foi reformado 3 vezes - parte de um dos elementos mais característicos da arquitetura do HM, a cornija romana, que é aquela faixa em alto relevo, fixada, superiormente, entre a parede e o telhado do hospital, foi retirada, conforme demonstram as fotografias anexa, não se sabendo de seu paradeiro.
Ocorre que a fachada do Bloco Administrativo do HM, justamente, de onde a cornija desapareceu, é tombada para o fim de preservação pela Lei Orgânica do Município, como se transcreve:

Art. 170. Ficam tombados, para o fim de preservação, e declarados monumentos naturais, paisagísticos, artísticos ou históricos, sem prejuízo de outros que venham a ser tombados pelo Município:
[...]
XII - a fachada original do Bloco Administrativo do Hospital Margarida;
[...]

A arquitetura do Hospital Margarida não é tombada por capricho. O tombamento existe porque sua arquitetura se relaciona com a identidade monlevadense e com o processo civilizatório local. Quem permitiu que a cornija do Hospital fosse suprimida não deve ter conhecimento, mas tais elementos arquitetônicos remetem à ideia de civilização, remetem ao processo civilizatório romano em que o Brasil tem fincadas suas raízes. Os arcos, a cornija, tudo isso remete a Roma, ao ideal civilizatório que nos forma como povo, mas, agora, nem mesmo Roma é respeitada no Hospital Margarida.
Não bastasse toda a problemática vivenciada no hospital, principalmente, nos últimos dois anos, agora passam a destruí-lo, também fisicamente. A pergunta é: onde foi parar a cornija do Hospital? É assim que Monlevade é destruída. Depois, reclamam: "... Monlevade já teve tana coisa e hoje não tem nada".