terça-feira, 11 de junho de 2013

Mittal: Redoma de Cristal em Folhas de Jornais

Lendo agora a reportagem/crônica especial formulada pelo jornalista Márcio Passos e veiculada na edição de hoje do Jornal A Notícia percebo que o velho dito popular, “quem nunca comeu melado, quando come, se lambuza” se encontra, cada dia, mais atual.
A verdade é que o dono do Jornal A Notícia tem sido um dos co-responsáveis pela construção desta falácia recente da história monlevadense de que não se pode reclamar ou cobrar nada da Usina, na medida em que, ao longo das últimas duas décadas, vem embutindo no perfil editorial de seu impresso a idéia de que a Usina deve ser colocada dentro de uma redoma de cristal.   
E agora, ler um texto escrito pelo jornalista, no qual o mesmo reclama, justamente, do distanciamento da Usina nas relações com a comunidade é algo de causar espanto.
Certamente, não deva existir, aqui em João Monlevade, ninguém que, em sã consciência, seja inimigo da Usina.
Se o impresso goza de perfil editorial que o impede de informar sobre determinado tema, desinformar o leitor sobre um assunto tão relevante chega a ser um atentado contra a própria população.
Ao contrário do que alguns tentam marchetar no imaginário da população, nem mesmo o Sindicato deva ser considerado como um inimigo da empresa, pois sem capital não existiria trabalhadores e sem trabalhadores não existiria uma classe operária a se sindicalizar. Ele apenas faz o papel dele.
Nos debates que se iniciaram na internet acerca da nova realidade imposta ao Município pela era Mittal – debates estes que  tem conseguido romper o paradigma de que a Arcelomittal deve ser colocada numa redoma de cristal - ninguém nunca atacou a Usina. O que se tem combatido é a falta de diálogo, transparência e respeito por parte da ArcelorMittal, ao mesmo tempo em que se tem buscado defender o legado deixado por Louis Ensch e chegar a um denominador comum no que concerne a nova super-exploração da Mina do Andrade e seus impactos sócio-econômicos para o Município, o que é justo, legítimo e digno de se fazer a qualquer monlevadense que ame essa terra e que honre a sua história.
A Arcelormittal não está aqui de favor. Ela está aqui pela vocação siderúrgica de João Monlevade e pela viabilidade econômica da Usina, utilizando-se de nossa ferrovia, da água de nosso rio, da energia elétrica de nossas barragens, do minério de nossas montanhas e, sobretudo, do trabalho de nossa gente e de uma cultura de mais de 70 anos de excelência na produção do aço.          
E vamos e venhamos: radical é a drástica redução de postos de trabalho que tem se verificado na Usina, desde o início da era Mittal. Radical é a super-exploração da Mina do Andrade, que tem trazido poluição particulada, danos às vias públicas e mais embaraço ao trânsito monlevadense, ao passo em que mais de 100 carretas carregadas com 40 toneladas de minério de ferro trafegam, atualmente, pelas avenidas do Município, sem qualquer compensação por parte da Arcelormittal. Radical é o risco de esfacelamento do legado de Dr. Louis Ensch e a transformação do Berço da Siderurgia e da Indústria Nacional em um mero entreposto de produção. Radical é a falta de diálogo, transparência e respeito por parte da Arcelormittal em todo esse processo. Radical é a conduta do presidente da Câmara Municipal, o vereador Guilherme Nasser em se recusar, radicalmente, a realizar audiência pública para tratar do tema junto à comunidade. Radical é a postura do Sr. Prefeito municipal, Teófilo Torres, que permanece, radicalmente, inerte diante do assunto.
E atribuir à trajetória de um Sindicato forte e expressivo o fato de a Usina passar, agora, por apenas “meia duplicação” é apenas revelar que não se busca isonomia no ato de informar e a ânsia passional de se colocar a Usina numa espécie de principado, sob a regência de Mittal e apartado de João Monlevade, ainda é uma realidade dura de se vencer por alguns. 

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