quarta-feira, 4 de março de 2015

Instabilidade Política: a Estratégia da Globo para Impedir as Reformas

Atualmente, até os agentes dos mercados financeiros são unânimes em afirmar que, para o Brasil ser capaz de explorar, plenamente, todas suas vocações econômicas são, urgentemente, necessárias as reformas política, tributária, dos meios de comunicação, administrativa, educacional, etc.
Notem que todas essas reformas são as mesmas que, há mais de 50 anos, o então Presidente João Goulart anunciou que realizaria,  com o nome sugestivo de Reformas de Base, o que levou a elite parasitária brasileira, refratária à perda de seus favoritismos históricos, a usar da força militar, da violação das liberdades constitucionais e da subversão do Estado Democrático de Direto para, em 1964, colocar um violento basta naquelas aspirações reformistas.
Em 1965, já dentro daquela atmosfera da Ditadura, os militares, agindo em fidelidade com a ortodoxia da elite conservadora, trataram logo de estabelecer um sistema incapaz de permitir que a política fosse, a partir de então, usada como instrumento de transformações sócio-econômicas no Brasil. Tudo que os militares não queriam naquele momento eram mudanças. "Reformas nunca mais!" era o que se ouvia nos bastidores do regime. Assim, com previsão no Ato Institucional nº 1 e subscrito pelo general Castelo Branco, entrou em vigor o atual Código Eleitoral Brasileiro.
É por isso que nosso sistema político não é representativo. Porque a representatividade é própria dos Regimes Democráticos e, ao contrario, as bases de nossa legislação eleitoral são ainda um forte ranço da Ditadura. É por isso também que existe tanta corrupção na política. Porque a elite brasileira é, extremamente, corrupta! Quer corrupção maior do que o próprio golpe de 64? No atual modelo de Presidencialismo de Coalizão Brasileiro, o governante que não lotear o Estado Brasileiro entre os partidos da base, simplesmente, não tem maioria no Parlamento, e, consequentemente, não governa. Tudo, propositalmente, elaborado pelos militares que não queriam mudanças.  Daí, a necessidade das reformas nos modelos.
Logo após o Golpe de  64, os militares não cuidaram apenas de instituir um sistema político que servisse a seus intentos reacionários e anti-democráticos. Eles também editaram o atual Código Tributário Nacional que taxa o consumo em demasia, deixando livre de tributação a renda das grandes fortunas e  que também é assinado pelo general Castelo Branco. E é óbvio que eles também criariam seu sistema de mídia. Afinal, não há ditadura que se preze que não imponha a censura, a doutrinação dos ideais do regime e a manipulação das massas.
E é neste contexto que, também em 1965, a Rede Globo de Televisão foi criada. A Globo foi a mídia da Ditadura. Isso é fato histórico. A Globo foi fundada, em razão do Golpe, para fazer circular entre as mentes os ideários contrários às mudanças econômico-sociais que resultariam das Reformas de Base de Jango. Significa dizer que, no que diz respeito ao poder, a Globo é, por origem e natureza, conservadora e contrária às reformas que seriam implementadas em 64 e que, passados 51 anos, ainda são as mesmas, atualmente, demandadas pelo Brasil.
Por motivos óbvios, a mãe te todas as reformas é a Reforma Política. Por que a Globo, não ataca com a mesma veemência que faz com PT o atual sistema político brasileiro, já que todos os partidos estão, por exemplo, envolvidos no Petrolão? Por que o "jornalismo" da Globo é tão seletista? Por que a Globo sempre poupa a corrupção do PSDB? Por que a Globo abafou o caso absurdo do helicóptero de meia tonelada de pasta-base de cocaína dos Perrellas? Por que a Globo não se debruça sobre o atual e falido sistema político, como faz com a Petrobrás, e expõe todos os seus defeitos propositais para o Povo Brasileiro? Porque, se fizer isso, a Globo estará criando as condições para um reforma que traga mais representatividade e retidão à política brasileira. E isso pode ser um precedente perigoso, pois, além de permitir que a política volte a ser instrumento de mudanças sociais no país, uma reforma, certamente, puxará a outra. A próxima seria a reforma dos meios de comunicação e a Globo não vai querer perder o monopólio de 70% que tem sobre o faturamento do setor televisivo brasileiro, herdado pelos militares e ainda vigente.
A estratégia da Globo é clara: quanto maior a turbulência política em Brasília, menores serão as condições para a reforma política já anunciada pelo governo. Aliás, toda essa corrupção vergonhosa que atinge a Petrobrás e todos os grandes partidos são o maior atestado de que o país necessita, urgentemente, da Reforma Política.
É preciso ficar atento para que, como ocorrido há 51 anos, esses ranços da Ditadura Militar, como a Globo, não empeçam a concretização das reformas demandadas pelo Brasil. Em pleno sec. XXI, o Brasil não pode mais permanecer no atraso inaugurado ainda em 64. Como pode haver democracia plena neste país, se já passaram mais de meio século e o Brasil ainda convive com todos esses ranços da ditadura?!! Reformas Já!