Na disputa do atual provedor do HM contra a AAHM, quem deve deixar o Hospital?

segunda-feira, 20 de julho de 2015

Impelido, sigo a discorrer sobre o editorial do jornal A Notícia

Vejo-me impelido a seguir discorrendo sobre o editorial do jornal A Notícia, não apenas pelo antecipado e descarado engajamento do mesmo no fronte eleitoral de 2016, como também pela manchete,“Crise pode parar laminador da Arcelor”, estampada na capa da última edição do ex-bi-semanário .
Voltemos, então, a um passado não muito distante, 1984, quando foi fundado o Jornal A Notícia. 1984 foi ano de ditadura, em que ainda havia muita censura e somente circulavam impressos avalizados pelo regime do generais. Naquele ano, foram co-fundadores do Jornal A Notícia, Márcio Passos e João Carlos Guimarães. Pouco tempo depois e não mais que de repente, o segundo co-fundador do jornal se tornou assessor de comunicação do que ainda sobrava da saudosa Belgo-Mineira. 
A partir daí, passou a vigorar no meio de comunicação local um triste binômio em que o jornal A Notícia fazia circular conteúdo cuja conclusão era a de que o setor siderúrgico não podia ser questionado, no Município, colocando a Usina dentro de uma redoma de cristal, que ela nunca coube. Com isso, a assessoria de comunicação da poderosa Siderúrgica passou a se ver em céu de brigadeiro, pois num contexto em que não podia ser questionada, a Usina não tinha o que comunicar. E dessa forma, sem comunicar, sem debater com a comunidade, ela fazia o que queria, como queria, na hora que queria. 
Foi assim, por exemplo, com a maior destruição de patrimônio histórico-arquitetônico do história de João Monlevade, a demolição do casario neo-clássico da Praça Ayres Quaresma. A Usina mandou murar o arco do viaduto no Morro do Geo, fechou a via pública, demoliu tudo, com exceção do Colégio Estadual o ex-bi-semanário se fez de cego e mudo, afastando-se do dever de estimular o debate sobre a questão.
Para quem se coloca na suposta condição de mecenas da história de Monlevade, mesmo que em versão romanceada, a visão de tantos prédios históricos destruídos, para dar lugar a um estacionamento de carretas, deve ter sido algo, profundamente, perturbador. Agora, as pessoas se deparam com fotografias, postadas nas mídias sociais, de quando a Praça ainda existia e o que se vê são apenas lamentos e saudades: como era linda a Praça, como era bom o Cinema! Tudo uma cortesia do binômio que, desde aquela época, busca manter a Usina inserida numa redoma de cristal.
O início da crise do Hospital Margarida também tem origens na aplicação da doutrina do mencionado binômio. O Margarida, desde sua fundação por Louis Ensch, foi, integralmente, mantido pela Usina. Não mais que e de repente, a Usina decidiu que não colocava nem mais um tostão no Hospital, sem apresentar, sequer, um cronograma para o desligamento daquela tão importante casa de saúde. E ninguém contestou nada! Por que Mittal não pode contribuir mensalmente com o Margarida, como a Usiminas faz com o Hospital Márcio Cunha, em Ipatinga? Prevaleceu a doutrina do binômio, como ainda prevalece. A manchete, da última sexta-feira é prova de sua vigência. Pela primeira vez na história da siderurgia local, Monlevade conta com um laminador concebido para processar aço bruto, vindo de fora do Município. Como é que um Laminador que nunca faturou uma bobina de fio-máquina, sequer, pode parar? Como algo que jamais entrou em funcionamento pode parar? O nome disso é desinformação. Notaram também como a manchete fez referência apenas à Arcelor, deixando de citar o nome Mittal?  Tudo engendrado para desviar a atenção do leitor da imagem do indiano, que se encontra cada dia mais arranhada ente os munícipes. O nome disso é manipulação. 
Acontece, que não é por coincidência que a Usina tenha se fechado tando para o Município, após a entrada em vigor do dito binômio. Monlevade tem perdido muito com isso, assim como a imagem de Mittal. Não é por menos que o nome do indiano tem sido evitado nas manchetes do jornal A Notícia.
É preciso sensibilidade para perceber que mudanças são demandadas, país afora, não apenas no capo da política. Aliás, o que o brasileiro quer é qualidade de vida. E não há como Monlevade dar um salto na qualidade de vida, enquanto perdurar um binômio que visa afastar dos debates as ações do grande capital, que repercutem, diretamente, nos monumentos históricos, na paisagem, no meio ambiente, na infraestrutura e em vários outros setores do Município.