quarta-feira, 29 de julho de 2015

No Tudo ou Nada da Globo: Dilma x Cunha

Não são resultados de pesquisas tupiniquins que legitimam os governos democráticos. A Democracia se legitima pelo voto. É preciso respeitar o resultado das urnas.
Mas, a Globo joga o tudo ou nada, até porque se assim não agir  ela perde sua razão de existir. A Globo, que detém 75% do faturamento do setor televisivo brasileiro, num modelo monopolista de televisão fundado em 1965, logo após o Golpe e em razão do Golpe, não está no Brasil para cumprir o papel que deveria caber à mídia de massas, que é o de conduzir a nação a explorar todos os seus potenciais, sejam econômicos ou civilizatórios. A Globo foi fundada para manipular as massas conforme o interesse do Regime Militar e difundir o complexo de vira latas no brasileiro, de modo que o Brasil jamais ameace a hegemonia dos EUA nas Américas, já que o poderoso grupo estadunidense Time Life teve interesse e participação fundamental na criação da TV dos Marinhos. Por isso a difusão de tanto conteúdo, quase exclusivamente, estadunidense na Globo, como músicas, seriados e filmes. Para a Globo, só os Eua existem no mundo. Até os títulos das novelas são americanizados, como “I Love Paraisópolis”. Será que a novela não poderia se chamar “Eu Amo Paraisópolis”? Qual o problema com a língua pátria, o português? Nada contra os EUA, mas eles não podem interferir no conteúdo da  grande mídia brasileira como vem ocorrendo através da Globo. Em sua última visita ao Brasil, Obama declarou que o problema do Brasil está na sua condução política e que tal questão, historicamente, teve muito mais influência interna do que externa. E não apareceu ninguém para lembrar ao presidente estadunidense que a maior ruptura na condução política do Brasil foi o Golpe de 64 e documentos, recentemente, publicados pelo Departamento de Estado Norte Americano demonstram a participação direta dos EUA no Golpe e revelam ainda a Operação Brother Sam, na qual tanques americanos seriam desembarcados no porto de Tubarão e ingressariam em Minas, através da ferrovia Vitória/Minas, caso houvesse reação aos golpistas. Felizmente, não houve resistência, do contrário teria havido desembarque norte-americano e, certamente, o Brasil contemporâneo teria de conviver com várias Guantânamos em seu território.
Uma mídia, verdadeiramente, compromissada com os interesses nacionais estaria, neste momento, conduzindo as questões envolvendo o mar que de corrupção que atinge todo o sistema político brasileiro a uma profunda reforma política e não no impeachment da Presidente da República, como, descaradamente, faz a Globo, do alto de seu monopólio de mídia. Se a Dilma cair, entra o Temer do PMDB, partido, igualmente, atolado na Lava-Jato. Ele vai sofrer impeachment também? Aí, o Brasil vai ter um presidente a cada trimestre na esteira de uma longa crise política, até não restar  mais nenhum político produzido por um sistema político que  - adivinhem - também foi concebido no Regime Militar. O Código Eleitoral Brasileiro é de 1965, assinado pelo general Castelo Branco. Em 85 fizeram uma reforma, criando o atual sistema de Presidencialismo de Coalizão Brasileiro, baseado numa multiplicidade infinita de partidos, que não produz representatividade e, que portanto, só aderem a base governista mediante a concessão de cargos no Executivo. É por isso que existem 40 ministérios! Sempre que o governo pretende aprovar uma nova matéria no Congresso é preciso negociar cargos. Esse é o sistema criado pelos militares e ainda vigente. Ou você acha que os ditadores produziriam um sistema político democrático e representativo para o Brasil, enquanto estiveram no poder? A sina dos militares foi fazer de tudo para que a política jamais fosse usada como instrumento de transformações sócio-econômicas no Brasil. E nisso, eles foram muito eficientes. Basta ver o que se tornou a política brasileira. E passados 51 anos golpe, o Brasil ainda demanda por todas aquelas reformas anunciadas por Jango ainda em 64, reforma política, tributária, educacional, dos meios de comunicação, financeira, industrial, administrativa, etc, sem as quais nenhum país do mundo chegou à condição de desenvolvido. Ou seja, institucionalmente, o Brasil parou no Golpe, em 64. É por isso que se tem a impressão que o Brasil inteiro caminha para a conformação de um enorme nó, em que tudo vai parar. O país, que tem uma grande vocação para a modernidade como herança de Juscelino e outros, vai avançando nas tecnologias, nos meios e nos costumes, mas as instituições republicanas e democráticas, como a escola, a mídia, a base da tributação, o sistema político, etc,  não acompanham tal desenvolvimento. Assim, o Brasil não se desenvolve. "É preciso reformar as instituições", como era o discurso de jango há 51 anos! 
Está muito claro que no cenário político, agora, está muito bem definido: ou Dilma ou Cunha. O dois não convivem mais. Bastou ser citado na Lava Jato para o Cunha romper com o governo. Aliás, é realmente um absurdo como um presidente da Câmara que recebeu 5 milhões de reais na Lava Jato, ainda não tenha renunciado. Neste momento, não imitam os EUA, onde senador já renunciou por ter traído a esposa. Imagina 5 milhões!
Ocorre que este tudo ou nada da Globo pode ser muito perigoso. O extremismo de um impedimento contra Dilma, por força da 3ª Lei de Newton, também vai gerar extremismos opostos, principalmente, no campo, que podem ter desfechos sangrentos para a nação. O Brasil de hoje não é aquele de 1964. Haverá bloqueios de estradas e ferrovias, greves e desabastecimento. Aí sim o Brasil entrará numa pesada recessão. O país pode até entrar numa convulsão civil e, daí, partir para uma revolução. Já pensaram? 226 anos depois da Revolução Francesa, a Revolução Brasileira! É sempre muito atraso!