quinta-feira, 19 de julho de 2018

Um Brumal na Serra


Do Vale da Serra, em João Monlevade, se avista um divisor de águas muito peculiar. De um lado a micro-bacia do Córrego Carneirinhos, que é afluente do Rio Piracicaba; de outro, a micro-bacia do Córrego Boa Vista que, por sua vez, é afluente do Rio Santa Bárbara. No exato ponto deste divisor de águas, a natureza fez rebaixar as serras tanto de um lado, descendo dos altos dos Carneirinhos, como do outro, dos Coelhos. E quem diria que desta moldura natural se avistaria Brucutu, em São Gonçalo! É verdade, de Monlevade se avista Brucutu! Então a vista se fez assim: Brucutu ao longe, no centro, emoldurado pelas serras locais. É sempre muito bom, em meio a estas serrarias, poder se avistar ao longe, até onde a vista alcança. 
Mas, não era o suficiente para a natureza. Afinal, pode existir coisa mais monótona do que uma montanha estática, lá longe, cerrada de serras, igualmente, estáticas? Para quebrar aquela literal monotonia a natureza, então, resolveu colocar o poente como pano de fundo daquela paisagem. Assim , ao final do dia, a cada por do sol, tudo aquilo adquiria variadas matizes de cores, do amarelo ouro, passando por vários tons pasteis, até o azul-anil bem clarinho. Estaria satisfeita a natureza? A natureza nunca está satisfeita. Não bastasse aquele colorido por do sol emoldurado, a natureza resolveu instalar ali um dinâmico brumal. 
Brumal é onde se dá a ocorrência da bruma, ou seja, da neblina, do nevoeiro. Do Vale da Serra se pode observar um brumal muito dinâmico que produz a sua bruma, sempre, na calha do Rio Santa Bárbara, onde ela se avoluma e transborda pelas serras em direção aos bairros, cobrindo-os de um véu branco e umedecendo tudo por onde passa. A bruma é um fenômeno muito interessante de se observar, porque é muito fluida, forma redemoinhos, ilhas nos topos dos morros e, principalmente, porque é muito úmida. Quando há ocorrência da bruma, os telhados cotejam água. Tudo fica molhado! Acho que a bruma deve ser fundamental para umedecer as matas da região, principalmente, na época do inverno, que é de seca, quando sua ocorrência é muito mais freqüente e necessária. É , realmente, incrível ver como o Rio Santa Bárbara, através da formação da bruma, consegue desafiar a geografia local e levar grande quantidade de umidade de sua calha para umedecer regiões fora de sua própria bacia, além do divisor de suas águas. Sob o ponto de vista do abastecimento hídrico, trata-se de um fenômeno fantástico do rio. Seguem, em anexo, várias fotos deste emoldurado, dinâmico e nada monótono Brumal que pode ser observado entre Monlevade e São Gonçalo do Rio Abaixo.