sexta-feira, 20 de maio de 2016

Mulher de Moreira


Nas últimas eleições municipais, o então desconhecido Teófilo Torres foi eleito prefeito com o diferencial, como se dizia, de que era filho do onipotente, como também se dizia, Mauri. Ao fim do mandato, o resultado é um índice enorme de reprovação popular a seu governo e um prefeito reticente a disputar a reeleição.
Agora, a substituir a candidatura de Teófilo, o grupo de Mauri lança o nome da atual assessora de governo do Município, Simone Carvalho, que tem como único diferencial o fato de ser a atual mulher de Carlos Moreira, que não pode ser candidato, pois se encontra com os direitos políticos cassados pela Justiça. 
Não será possível alcançar resultados diferentes dos atuais, agindo sempre igual. Muito menos quando a suposta qualidade da candidata é a de ser consorte conjugal do ex-prefeito mais corrupto da história do Município, que além dos atos lesivos que cometeu contra o erário, ainda levou o sistema público de saúde à bancarrota e ao caos que se encontram, atualmente, ao tentar adaptar um hospital de 100 leitos, ao custo de muito mais de 22 milhões de reais, no prédio da antiga Rodoviária.

segunda-feira, 9 de maio de 2016

O Martelo-Vapor de Monlevade e o Relógio de Ouro do Barão de Catas Altas

Era o final de um dia do mês de agosto do segundo quartel do sec. XIX. O sol já se punha entre as serras e o vento frio cortava as encostas íngremes do vale estreito, pelo qual uma numerosa tropa de muares descia, cuidadosamente, o caminho, terminando uma longa viagem que começara a 8 léguas e meia de distância dali, na residência do Gongo Socco. 
Era a comitiva de João Batista Ferreira de Sousa Coutinho, o Barão de Catas Altas, ninguém menos que o homem mais rico do Brasil Império, dono de ricas Minas de Ouro, conhecido por suas gastanças extravagantes, que, como de costume, viajava acompanhado de um séquito de seguidores, a quem pagava as contas. Não era a primeira vez que Catas Altas se deslocava para aquelas paragens. Já havia estado ali em outras oportunidades para visitar sua sobrinha Clara Sophia de Souza Coutinho, desposada em casamento pelo minerálogo e metalurgista francês João Antônio de Monlevade. Mas, naquela ocasião, o Barão lá se encontrava, especialmente, curioso para conhecer o pleno funcionamento da grande novidade chegada à região, a máquina a vapor. Tratava-se do Martelo-Vapor de Monlevade, utilizado para forjar blocos em peças de ferro de dimensões até então jamais produzidas no Brasil.
O tempo seco favorecia a viajem e, com paciência, a comitiva vencia o último trecho escarpado do trajeto até, finalmente, se ver diante do vale do Rio Piracicaba, onde Monlevade havia instalado sua  fabulosa Fábrica de Ferro. Uma mula que levava duas bruacas contendo presentes e mimos para os anfitriões, coberta por uma manta bordada em fios de ouro, estampada com o brasão do Barão de Catas Altas ia à frente, liderando a tropa, quando um longo e rouco apito ecoou por todo o vale. Imediatamente, a mula-madrinha parou, arqueou as orelhas e, apreensivamente, voltou os olhos para trás, recusando-se a seguir à frente. O forte apito se repetiu e foi sucedido pelo som de uma série de fortes pancadas... bang, bang, bang, bang! A mula , então, empacou e nada mais a tirava do lugar. Arredios, os demais animais deram meia-volta e iniciaram o esboço de debandada. Catas Altas e a grande comitiva, então, decidiram apear, deixando a tropa por conta do arrieiro para terminaram a viagem a pé, pois já se encontravam nas imediações do Solar Monlevade. 
Na chegada, foram todos, prontamente, recebidos por Monlevade que, estranhando a ausência dos animais, indagou ao Barão:
-"Sacrebleu"! Vieram à pé, meu nobre Barão?
E Catas Altas respondeu:
-Não, meu caro. As mulas estão acima, relutantes em adentrar em vossa propriedade.
Monlevade então recepcionou o Barão com um forte abraço de boas vindas e, puxando-o pelo braço precipitou logo em leva-lo para debaixo das tendas da Fábrica, onde os escravos-ferreiros terminavam o último trabalho do dia com o Martelo-Vapor.
Catas Altas, homem muito carola, pio, crente de que se algo se movesse sozinho só podia ser em função do vento ou de assombração, viu-se, então, diante da tão comentada e festejada Máquina a Vapor. Aquilo era impressionante! Além de esbravejar os pesados blocos incandescentes de ferro com uma força que estremecia tudo ao redor, aquela coisa também bufava, apitava e sacolejava. As mulas tinham razão em se recusarem a descer ao vale: "aquilo era coisa de outro mundo", se impressionou o Barão.

Monlevade, rapidamente, assumiu os comandos da máquina que soltou outro longo apito, em meio a mais uma rajada de vapor, seguida de nova série de pancadas... bang, bang, bang! Ao dissipar a fumaça, o Barão, pálido, sacou logo do bolso seu relógio de ouro e desconversou:

-Vejam como já é tarde! Alguém viu minha sobrinha? 
Antes que obtivesse resposta, Monlevade tomou-lhe o relógio da mão, posicionando-o bem debaixo do malho do Martelo-Vapor e, operando os comandos da máquina, depois de outra bufada de vapor, deferiu o golpe sobre o relógio. Assustados, todos se entre olharam. Catas Altas, a essa altura, já havia perdido o fôlego e, incrédulo, esperava por desfecho pior. Mas, Monlevade detinha controle perfeito da máquina e fizera com que o pesado malho de 1.500 quilos do Martelo-Vapor interrompesse seu brusco movimento, pairando a apenas alguns milímetros da lente do relógio de bolso, que, para admiração de todos e alívio de Catas Altas, permanecia  intacto. 
E da varanda do Solar Monlevade, de onde eram observados pela dona da casa, veio a reprimenda:


-João, meu tio não está acostumado com essas suas tais modernidades, nem com esses vapores! Pare de brincadeiras e encerre logo os trabalhos nas tendas para que as mulas possam descer com minhas prendas!

terça-feira, 26 de abril de 2016

Relação com Laboratório de Ciência e Tecnologia é de Ociosidade



A rádio Cultura e o jornal A Notícia não divulgam, mas João Monlevade conta com um moderníssimo Laboratório de Ciência e Tecnologia, nas áreas de química, física, elétrica, informática e eletrônica, devidamente instalado nos campus monlevadense da UFOP (foto).
Dentro do programa de extensão universitária fornecido pela UFOP, o Município poderia celebrar uma série de convênios com a universidade, até com contrapartida aos já existente, no sentido de que as experiências do Laboratório de Ciência e Tecnologia fossem revertidas em benefício do interesse público, ou seja, do bem comum.
Assim, enquanto estudam, experimentam e adquirem prática no Laboratório, os estudantes poderiam produzir ferramentas a serem empregadas nas diversas atividades que integram o cotidiano do município. Dentro de um projeto de, por exemplo, fomento do setor de indústria e comercio, os estudantes poderiam desenvolver softwares que trouxessem soluções para determinada categoria de lojista no Município, etc. Drones poderiam ser desenvolvidos para monitoramento ambiental, etc. As possibilidades são infinitas. No entanto, nada acontece neste sentido. Falta é vontade política, ou seja, prefeito.

Por Falta de Telhado Peças Históricas se Perdem no Museu Monlevade




Não é por menos que o Museu Monlevade do Ferro e do Aço encontra-se fechado à visitação. Como demonstram as fotos anexas, todo o telhado que cobria e protegia as peças originais da Fábrica de Ferro de Monlevade veio à baixo há muito tempo e ainda não foi reconstruído pela Arcelormittal.
Entre as peças que se encontram expostas à chuva e às intempéries, destacam-se o Martelo/Pilão e sua fornalha - a primeira máquina a vapor da indústria brasileira - e vários outros equipamentos chegados à sua fábrica através da Expedição Monlevade pelo Rio Doce, em 1828, além de outros, com especial preocupação para os de madeira, como uma das rodas hidráulicas utilizadas para soprar os fornos da Fábrica Monlevade. Tais rodas são citadas por João Monlevade em seu relatório de 1853:


..."Na fábrica velha existem duas rodas hidráulicas poderosas... um bicame ou tanque d’água, colocado a trinta palmos acima do fundo do canal, e no meio da casa está recebendo a aguada tôda do ribeirão, dando a fôrça motriz para as duas rodas, e o vento necessário por meio de quatro trompas, repartidos com canais de braúna por tôdas as partes".

A madeira não suporta a ação da chuva, etc, e, sem o telhado, em pouco tempo a Roda D’água, o carro de boi e outros objetos do Museu Monlevade se perderão para sempre.
Até o tempo em que o Grupo Arbed foi proprietário da Usina Monlevade, o Museu funcionou, aparentemente, bem na conservação de seu precioso acervo. Hoje, com a era Mittal, o Museu é mantido fechado para que o monlevadense não seja testemunha da absurda perda de mais de patrimônio histórico e identitário. O indiano Mittal não investe um centavo sequer em Monlevade se não for para o lucro. Ora, se não tem interesse no patrimônio histórico monlevadense, deveria entregá-lo a seu povo.

quinta-feira, 14 de abril de 2016

Monlevade Vive Surto Velado de Dengue


Apesar do silêncio da Administração Municipal, a sensação geral é de que Monlevade vive um dos piores surtos de dengue de sua história. A todo momento chega a notícia de mais um tombado pela dengue. A situação de atendimento no Hospital Margarida e nos postos de saúde é de apuros. 
É certo que o estado de imundice em que se encontra a cidade favorece o surto de dengue. Os criatórios do mosquito transmissor são urbanos. 
Diante de uma situação desta natureza, qualquer protocolo de saúde pública, minimamente eficiente, conduziria as autoridades locais para o acionamento de um alerta geral a ser divulgado em todos os meios de comunicação do município, informando sobre a conjuntura e convocando a população para se engajar no controle dos criatórios do mosquito, etc. 
Mas o protocolo dos Torres é o silêncio. A rádio Cultura, um concessão pública outorgada ao pai do prefeito, que deveria ser utilizada para informar a população em eventos dessa natureza segue nada divulga. A Secretaria de Saúde não solta uma nota sequer, nem mesmo os números. 
Enquanto isso, o Município segue sem curso, tal qual um navio fantasma e um após o outro, a dengue vai tombando o monlevadense, que também não encontra atendimento médico no Hospital Margarida.

Inaugurações de Reformas Torres


Tudo que dependa da liderança política direta do prefeito encontra-se parado em João Monlevade. O pouco que se realiza na atual administração é por meio de empreiteiras.
Neste 4º ano de mandato de Teófilo Torres em que o prefeito já é pré-candidato à reeleição, a imprensa oficial divulga com estardalhaço uma série de inaugurações da atual administração, como no caso da Estação de Tratamento D’água, de escolas e postos de saúde. 
Ocorre que todas essas inaugurações são relativas a reformas realizadas em prédios públicos. E manutenção em bens do patrimônio municipal nada mais é do que a obrigação do prefeito. Tanto é assim que a Lei de Responsabilidade dos Prefeitos prevê punição para o chefe do Executivo Municipal omisso na manutenção dos bens públicos.
Como tudo no governo Torres, tais reformas são realizadas por meio de empreiteiras terceirizadas, as mesmas que receberam os 22 milhões de reais na absurda e fracassada tentativa de adaptar o prédio do antigo terminal rodoviário num hospital de 100 leitos – o pretenso Santa Madalena.
As empreiteiras que, umbilicalmente, orbitam a administração Torres demonstram uma ânsia especial para a contratação, justamente, de obras de reforma, pois assim faturam mais dinheiro em maior velocidade. 
É que, diferentemente, de se empreender uma obra de construção civil integral, em que muito do tempo da execução do projeto é empenhado para a implantação da base e o levantamento da alvenaria que, relativamente, têm menor valor agregado, na reforma, que lida com a re-instalação de redes, de equipamentos, de acabamentos, etc, o valor dos materiais empregados é muito maior. Assim, com as reformas, as empreiteiras faturam mais em menor tempo. 
O próprio Santa Madalena foi uma dessas reformas, com o agravante de que pouco importava o que se reformava ali, já que ainda hoje aquele trambolho de concreto não se encontra, estruturalmente, apto ao funcionamento, conforme as normas da Vigilância Sanitária.

quinta-feira, 7 de abril de 2016

"Teófilo precisa é de uma boa Monlevade"


Em meados dos mil e oitocentos a famosa Fábrica de Ferro de Monlevade já se encontrava em franco funcionamento, produzindo ferramentas de todas as formas e tamanhos e até mesmo bens de capital, que eram empregados nas Companhias Inglesas que exploravam as Minas de Ouro do Congo Soco, Morro Velho, etc.
Dentre os inúmeros artefatos de ferro, eram, especialmente, famosas as enxadas de três libras (1,5 kg), conhecidas pelo nome do fabricante e terror dos preguiçosos a quem se advertia:

 -“Fulano precisa é de uma boa Monlevade!"

Quase duzentos anos depois, é a cidade de João Monlevade que precisa de uma boa enxada. O Município nunca esteve tão sujo e dominado pelo mato! As touceiras se multiplicam e tomam passeios, praças, canteiros e vias.
A terceirização do serviço de limpeza pública, efetivada no início do governo Teófilo Torres, não tem dado conta de manter a cidade limpa. Teófilo chega a seu 4° ano de mandato com a cidade, literalmente, imunda, apesar do empenho de moradores, como o da foto.

quarta-feira, 30 de março de 2016

Até onde pode ir o Brasil


O Plano da Rede Globo era prender o Lula, derrubar a Dilma e, de alguma forma, convocar eleições antecipadas para Aécio Neves ganhar.
Duas coisas já saíram erradas para a Rede Globo. Aécio foi rejeitado pelos manifestos contra o governo, decaindo, vertiginosamente, nas pesquisas, e o comparecimento dos sindicatos e dos movimentos sociais às ruas, no último dia 18, demonstra que o impeachment de Dilma não será como o de Collor.
Apesar da debandada do PMDB do governo, ainda há a possibilidade de Lula conseguir articular uma maioria de votos que possa barrar o impeachment, pelo menos, no Senado. Assim, ocorrendo também a cassação de Cunha, Dilma poderia finalizar seu mandato, com um mínimo de estabilidade. Infelizmente, parece-me o cenário menos provável. 
Outra possibilidade é a do impeachment. Então, haveria reação dos movimentos sociais, mediante greves e paralisações, com a possibilidade de desabastecimento nas cidades e de confrontos que, e em casos extremos, poderiam gerar muita violência no campo. Aí sim, o país mergulharia numa profunda recessão econômica com desemprego em massa, disparada do dólar, implosão da Bolsa e novos componentes como a falta de alimentos, combustíveis, insumos, etc.
A indefinição prolongada de um cenário assim poderia instigar movimentos separatistas, deflagrados em função da simples perda de uma razão para se integrar o Estado Brasileiro: as unidades federativas dificilmente manterão a unidade nacional diante de um quadro de indefinida convulsão social e buscarão resolver a situação com os meios que contam, ou seja, regionalmente. Então, determinada região ou estado, para se ver longe do agravamento da crise, declarar-se-ia independente o restante do país, gerando um efeito dominó difícil de conter. Isso seria a destruição do Brasil como este país continental que existe hoje. 
É, realmente, inacreditável como existe tanta gente capaz de colocar o Brasil à beira do abismo, como fazem agora. Trata-se de um verdadeiro jogo de tudo ou nada do tipo “se não pode ser meu, não será de ninguém”.

PMDB


O Golpe de 64, obviamente, representou uma violenta ruptura no processo político brasileiro. O processo político brasileiro não goza de liberdade. Ele tem um limite. Sempre que as bases do sistema são atingidas o processo político é interrompido. Somente o fato de o país está parado há 15 meses sob o efeito de um enorme impasse político já se tem afigurado um novo golpe, pois o processo político de condução do país encontra-se mais uma vez interrompido.
No Presidencialismo de Coalizão Multipartidário Brasileiro, criado no fim da ditadura, qualquer presidente da República que, da re-democratização aos dias atuais, aprovou matéria relevante no Congresso, invariavelmente, obteve maioria de votos em troca de cargos nas estatais e nos ministérios do governo para os congressistas, situação que, além dificultar a representatividade, funciona como mola de impulso à atos de corrupção, pois uma vez no governo esses caras passam a direcionar as contratações públicas em benefício próprio e de suas campanhas. Quem pensa que o Brasil não é um país planejado se engana. Temos um sistema político planejado para não funcionar, cujas engrenagens são azeitadas pela corrupção, o que favorece manter o processo político brasileiro em baixo nível. 
O PMDB foi governo nos últimos 21 anos, ou seja, além de Dilma e de Lula também foi base do governo FHC que aprovou matérias controversas no Congresso como as privatizações, inclusive da Vale do Rio Doce, sua própria reeleição, além de outras. 
Diante do possível impedimento de Dilma e, por conseqüência, da posse do vice Michel Temer é lógico que a legenda vai migrar para onde estiver a possibilidade de poder. O projeto que tem o PMDB é apenas o poder.
Difícil é resolver a equação de um impeachment que tem como pano de fundo a corrupção sistêmica do Presidencialismo Brasileiro, com a posse de um vice, cujo partido é o que mais se envolveu com o fisiologismo do poder, nas últimas duas décadas, estando citado inúmeras vezes na Lava-jato.

quinta-feira, 17 de março de 2016

1°-Ministro

Não é a primeira vez que o Brasil recorre ao parlamentarismo ou, pelo menos, à figura de um 1º-ministro para tentar ultrapassar imensos impasses políticos.
No início da década de 60, o Brasil também se encontrava em grande impasse político, diante da possibilidade de posse do vice João Goulart, após a renúncia do presidente Jânio Quadros. Consideravam que Goulart era muito alinhado a idéias comunistas. Assim, instituíram o Parlamentarismo no Brasil, dando posse como 1°-ministro Tancredo Neves. O Parlamentarismo no Brasil durou até janeiro de 1963 quando um referendo popular determinou a volta do presidencialismo e a posse de Jango. Em menos de um ano era deflagrado o Golpe de 64.
Agora, não é institucional, mas, na prática o Brasil tem seu 1°-ministro: Lula. Tudo tem seu tempo na política. Tivesse o Lula se tornado “premier” em fevereiro de 2015, quando a crise se deflagrou, faria o papel de salvador, até porque, Dilma é cria dele. Foi Lula quem indicou Dilma como sua sucessora e não o PT . E a única qualidade que Dilma apresentou até o momento foi a de não ter 5 milhões de dólares numa conta na Suíça. Está na cara que Lula sabe que sua prisão é iminente e deu um drible no Moro. Também está na cara que Moro age politicamente. A divulgação de conteúdo de grampo no telefone do Lula envolvendo seu advogado e Dilma demonstram que Moro é desmedido, não respeita a Constituição e não tem imparcialidade alguma. Depois dessa, deveria ter é ética funcional afim se declarar suspeito para seguir a frente do caso, entregando-o a outro juiz.
 E por falar em dólares, a manobra de Lula para se livrar do Moro não é menos vergonhosa que a manutenção de Cunha, o grande pivô da crise, na presidência da Câmara, de onde utiliza de todos os instrumentos institucionais para postergar o processo de cassação que tem no Conselho de ética da Casa e ninguém protesta contra isso. O PT nacional foi estigmatizado.
 Lula assume a Casa Civil, como articulador político do governo, com a tarefa de impedir a conformação de votos suficientes para recebimento do pedido de impeachment na Câmara. Em outras palavras, recompor a base aliada. Ocorre que, a única maneira de compor uma base aliada de maioria no Presidencialismo de Coalizão Brasileiro Multipartidário é distribuindo cargos nas estatais e ministérios entre os deputados. Sabe-se lá o que vai acontecer neste país, onde flertam com a beira do abismo. Mas, certo é que independente de quem seja o presidente da República, se não houver uma profunda reforma política no Brasil, para conseguir governabilidade ele terá de lotear os cargos da União entre os aliados, mantendo o ciclo que fomenta a corrupção em Brasília. Se for o Aécio, a Globo se cala, tudo vai continuar da forma em que está, com a única diferença que, uma vez aniquilado o PT, não haverá mais que se falar em corrupção no Brasil. 
É por isso que o que se desdobra no país não visa acabar com a corrupção no Brasil: não atinge a origem de uma corrupção sistêmica. Atinge apenas a um grupo político. Todos que aprovaram matéria no Congresso, após a redemocratização em 1988, envolveram-se naquele mar de lama, inclusive FHC que aprovou até as privatizações e sua reeleição, sempre, com o aval de Aécio Neves. Felizmente o Brasil é um país moderno e pode se socorrer nos novos e revolucionários meios de mídia. Agora, um pouco da verdade circula pelo país. Do contrário, a depender da Rede Globo, Aécinho teria sido aclamado em São Paulo no último, ao invés, de escorraçado como foi. Isso contraria os planos da Rede Globo de ver Aécio na Presidência da República o mais rápido possível, tornado o cenário de um impeachment também incerto para seus interesses. Faltou à Rede Globo “combinar com os Russos”. 
A verdade é que ninguém sabe para onde vai o Brasil. Não é possível dizer se Lula conseguirá manter um mínimo de estabilidade política para Dilma terminar seu mandato ou, em caso de impedimento dela, o país passará a uma condição de maior estabilidade política ou haverá agravamento do quadro com desdobramentos convulsivos na sociedade civil.