quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

O Vereador e a Escola

Semana passada, estava eu conversando com um vereador sobre a necessidade de se priorizar a educação pública municipal. Dizia a ele que se conseguíssemos remodelar e reestruturar as escolas do Município, nossa cidade melhoraria, em todos os sentidos, e daríamos o decisivo grande passo rumo ao desenvolvimento definitivo. Propus a ele que usássemos, pelo menos, a metade da receita advinda da duplicação da Usina para a constituição de um fundo municipal de investimento na educação, através do qual poderíamos instituir a escola em tempo integral, conceder mais dignidade salarial aos professores e investir mais em infra-estrutura e qualificação dos profissionais do setor. Conversei, conversei e conversei.... e o vereador ficou me olhando, atônito, como se eu fosse um extra terrestre. Então, como última forma de convencimento, me vali do Relatório de Desenvolvimento Humano, publicado recentemente pelas Nações Unidas, no qual se reconheceu que a má qualidade da educação se caracteriza como a principal causa de todas as mazelas brasileiras. Aí, a perplexidade tomou conta, por completo, do edil. O maior entrave à educação de qualidade não passa pela falta de recursos, baixos salários dos professores, nem nada disso. Neste, como em todos os casos, o maior entrave é que a sociedade, como um todo, não enxerga a educação de qualidade como prioridade. Para a maioria das pessoas, se há vagas, merenda e transporte escolar, a escola está funcionando bem. Enquanto a sociedade não perceber que a escola vai de mal a pior e que a educação é fundamental para o desenvolvimento humano do país, nada se resolverá.