sábado, 4 de dezembro de 2010

O Fundamento Religioso do Conflito entre Árabes e Judeus

A ORIGEM DAS TRÊS RELIGIÕES MONOTEÍSTAS

O judaísmo, o cristianismo e o islamismo compõem uma linha evolutiva religiosa que se originou no politeísmo egípcio, há mais de quatro mil e quinhentos anos. No Egito antigo, a religião era moldada por um variado panteão de deuses. A primeira tentativa de reforma monoteísta ocorreu, sem sucesso, no reinado do Faraó Akhenaton. Do politeísmo egípcio originou-se o judaísmo, que, por sua vez, deu origem ao cristianismo, que se fundiu ao judaísmo e deu origem ao islã. É essa a linha de evolução religiosa monoteísta: primeiro o judaísmo, depois o cristianismo e, por último, o islã. A fato de serem religiões distintas, que se originaram umas nas outras, faz com que as três possuam vários elementos em comum. E as divergências se originam, justamente, da ambição de de domínio de cada qual por esses elementos comuns, que, na maioria das vezes, se traduzem em lugares sagrados. Poucos sabem, mas, Jesus, que era judeu, é um dos seis mais importantes profetas do Islã e o Al Corão, o livro sagrado islamita, dispensa mais páginas à passagem da Virgem Maria do que o próprio Novo Testamento e esta última descende, diretamente, da Casa de Davi, o rei que unificou as 11 tribos de Judá na Reino de Israel - Isso, só para demonstrar, grosseiramente, o quão relacionadas estão as três religiões monoteístas.

RETROSPECTO HISTÓRICO DA REGIÃO DO CONFLITO

Pois bem, feita esta resumida introdução, vamos à origem religiosa do conflito em si. Segundo a tradição, Deus ordenou aos judeus que fosse construído um grande templo em sua honra, para guardar a Arca da Aliança, contendo os Dez Mandamentos. Em 960 AC, o rei Salomão termina a obra, erguendo, em Jerusalém, sobre o lugar onde se acredita ter ocorrido o episódio em que Abraão sacrificaria seu filho Isaac em prova de fé, um dos mais monumentais e belos templos da antiguidade. O Templo de Salomão representava a unidade nacional judaica e nele funcionavam as maiores instituições do Estado judeu. Em 585 AC, o Templo é destruído pelos babilônios. Décadas depois, ele é reconstruído e destruído novamente, desta vez, pelos Assírios. Em 4 DC, o Templo é reconstruído pelo rei Herodes. Certa vez, Jesus, que visitava o Templo, constantemente, profetizou: “não ficará pedra sobre pedra”. Em 67 DC, os Romanos destroem o Templo e, com seus ricos despojos, constroem o Coliseu, em Roma. A partir daí, os judeus são expulsos de Jerusalém e o Cristianismo se instala na Terra Santa. Então, surge o Islã, uma religião, estritamente, voltada para o comércio, assim como as demais, e com um forte impulso expansionista, baseado na Jihad, a Guerra Santa. É o tempo das Cruzadas, as guerras entre cristãos e islâmicos por entrepostos comerciais, como Jerusalém, por exemplo. Em 1187, Jerusalém é, definitivamente, tomada pelos islâmicos que constroem sobre as ruínas do Templo de Salomão a Grande Mesquita do Domo da Rocha, um dos mais importantes templos islâmicos.

A MESQUITA E O TEMPLO DE SALOMÃO

Então, a História passa pela idade média, moderna e contemporânea, chegando ao pós guerra, quando em 1948, é refundado, com apoio da ONU, o Estado de Israel, iniciando-se uma grande onda migratória de judeus exilados para a Terra Santa. Só que então, depois de todo o processo histórico ocorrido, ao retornarem ao seu país original, os judeus se depararam como uma mesquita construída onde se localizava o sagrado Templo de Salomão. A ausência do Templo representa uma lacuna pesada na religião, na cultura e no Estado Judeu. Para o judaísmo sua reconstrução é imprescindível. O grande problema é que para reconstruí-lo faz-se necessário destruir a mesquita islâmica, o que é, totalmente, inaceitável para os árabes. É esse o fundamento religioso do conflito. De uma forma ou de outra, toda a tensão naquela área gira em torno da possível reconstrução do Templo de Salomão. Claro que por traz da religião também existem as questões geopolíticas, econômicas, étnicas e etc.


Foto da Esplanada do Templo de Salomão, para os judeus, e Esplanada das Mesquitas, para os palestinos. Foi neste lugar que o patriarca de judeus e islâmicos, Abraão, recebeu a intervenção da arcanjo Gabriel, quando estava pronto para sacrificar a vida de seu filho, como forma de demonstração de fé a Deus. Segundo a tradição judaica, o filho era Isaac, do qual descende todo o povo judeu. Mas, segundo a tradição islâmica, o filho era Ismael, de quem descende todo o povo islâmico. É neste lugar também que o maior profeta do Islam, Maomé, acendeu aos céus. O domo dourado é da Mesquita, que foi construída onde se localizava o Templo de Salomão. O muro abaixo da Mesquita é o famoso Muro das Lamentações, que nada mais é que um muro de arrimo, que sustentava o Templo de Salomão e onde, como o próprio nome diz, os judeus lamentam a ausência e a perda do templo sagrado.