quarta-feira, 13 de outubro de 2010

O Futuro da Democracia Brasileira Com os Candidatos X e Y

Neste segundo turno das eleições presidenciais, muito se tem especulado a respeito do futuro da democracia no Brasil. Para alguns, a vitória de determinado candidato representaria uma inevitável fragilização da democracia brasileira, enquanto a vitória de outro representaria uma suposta manutenção dos preceitos democráticos. Não vejo nem uma coisa nem outra. Não são governos que constroem a democracia. Na verdade, eles estão sempre tentando se sobrepô-la. A tentativa derrotada da mais sólida e poderosa democracia do mundo, os EUA, de instituir um governo democrático no Iraque é a prova mais explícita disso. A democracia vem de baixo e a brasileira não estará garantida nem ameaçada por conta de candidato X ou Y. Diferentemente do que vem ocorrendo em países vizinhos como Venezuela, Peru e Bolívia, nos quais o atrasado estágio democrático de suas sociedades tem aberto espaço para governos autoritalóides, no Brasil a realidade é outra. A sociedade brasileira tem tomado gosto pela democracia, de modo que ela tem se tornado “normal” em nosso cotidiano. A impressão que se tem hoje é que a democracia pertence à natureza do brasileiro. E neste país, tudo que se torna “normal” tende a se eternizar. Além do mais, o Estado brasileiro já conta com um aparelhamento institucional, que, bem ou mal, tem funcionado, garantindo a paulatina consolidação de nossa democracia. A democracia é a conquista de um povo disposto e apto a se auto governar. E qualquer candidato, regularmente, eleito por esse povo será sempre o reflexo de suas conquistas. Do contrário, a própria democracia dará cabo dele.