Uma curiosidade pouco conhecida sobre a emancipação político-administrativa
de João Monlevade gira em torno do fato de o então governador de Minas Gerais, José
Magalhães Pinto (foto), ter vetado, em 30 de dezembro de 1962, o item da Lei Estadual
n° 2,764/62 que previa a criação do Município, dentro da nova divisão
administrativa do estado, que se instituía naquela época. Isso mesmo: Magalhães Pinto se opôs à criação de João
Monlevade, o que atrasou a emancipação do Município em 1 ano e 5 meses. O veto
do governador só seria derrubado pela Assembléia Legislativa em 29 de abril de
1964, data que, literalmente, marcou o nascimento do Município de João
Monlevade.
quarta-feira, 30 de abril de 2014
Monlevade 50 Anos: Curiosidade sobre a Emancipação
Em 1962, o governador Magalhães Pinto se opôs à criação do Município de João Monlevade. Foto:http://observadoressociais.blogspot.com.br/2011/03/magalhaes-pinto-do-manifesto-ao-golpe.html
terça-feira, 29 de abril de 2014
Monlevade 50 Anos: a Ironia em se Valer do Arcaico para Avançar pelo Moderno
Como preparar o ambiente urbano
para as sevaras conseqüências das mudanças climáticas? Como administrar os
resíduos sólidos gerados na cidade? Como gerir as águas municipais? Como voltar
a abastecer 100% da cidade de água tratada, ininterruptamente? Como produzir cidadãos conscientes de seus
deveres e direitos? Como crescer com mobilidade
e ordenamento urbanos e qualidade de vida? Como direcionar a atividade acadêmica
das faculdades locais às necessidades e aspirações da sociedade monlevadense?
Como aprimorar e fortalecer a democracia monlevadense? Como progredir de um
modelo de saúde pública voltado apenas para a instalação de infra-estrutura para
um em que também haja atendimento? Como
prestar um serviço de transporte público, a preços módicos e que encoraje o
monlevadense a abrir mão de seu carro? Como harmonizar a atividade siderúrgica
e de mineração às responsabilidades sociais e ambientais que lhe são próprias? Como
garantir a viabilidade da siderurgia local, em longo prazo, diante da
probabilidade de esgotamento que o atual modelo exploratório do indiano Mittal impõe
à Mina do Andrade?
Como se vê, as questões são muitas e, certamente, não serão resolvidas, retrocedendo-se a roda da história monlevadense, como tem ocorrido há décadas. Monlevade precisa utilizar a incrível vocação que tem para a modernidade a fim se modernizar por inteiro, deixando, definitivamente para trás os ranços retrógrados que se alojaram no Município nos últimos 15 ou 20 anos, principalmente, no meio político em que o coronelismo tem prevalecido. Monlevade deve honrar a modernidade que se instalou aqui, a partir de 1825, com o pioneiro francês, cuja forja de ferro, ao contrário de outras como a Fábrica de Ferro Patriótica (Ouro Preto, 1811) e a Fábrica de Ferro Ipanema (Sorocaba/SP, 1810), já naquela época contava com maquinário moderno tocado a vapor, coisa até então inédita no Brasil. Deve honrar também a saga de Louis Ensch em instalar aqui a Vila Operária e a Moderna Siderúrgica para mergulhar, definitivamente, na modernidade de corpo e alma, reinaugurando relações modernas entre tudo e todos. Monlevade tem sofrido em demasia nestes últimos anos porque não nasceu para o arcaico, para o retrocesso. Sua tônica deve ser a modernidade ampla, geral e irrestrita, mesmo que isso desagrade o coronel da vez, sua prole e seus lacaios. Chegou o momento de deixarmos o coronelismo para trás, sob pena de perdermos as condições para "avançar", como foi prometido, o que, ironicamente, se coloca como mais uma questão a ser respondida neste cinquentenário de João Monlevade: como avançar rumo à modernidade, valendo-se de práticas políticas tão arcaicas e retrogradas? Como?
Como se vê, as questões são muitas e, certamente, não serão resolvidas, retrocedendo-se a roda da história monlevadense, como tem ocorrido há décadas. Monlevade precisa utilizar a incrível vocação que tem para a modernidade a fim se modernizar por inteiro, deixando, definitivamente para trás os ranços retrógrados que se alojaram no Município nos últimos 15 ou 20 anos, principalmente, no meio político em que o coronelismo tem prevalecido. Monlevade deve honrar a modernidade que se instalou aqui, a partir de 1825, com o pioneiro francês, cuja forja de ferro, ao contrário de outras como a Fábrica de Ferro Patriótica (Ouro Preto, 1811) e a Fábrica de Ferro Ipanema (Sorocaba/SP, 1810), já naquela época contava com maquinário moderno tocado a vapor, coisa até então inédita no Brasil. Deve honrar também a saga de Louis Ensch em instalar aqui a Vila Operária e a Moderna Siderúrgica para mergulhar, definitivamente, na modernidade de corpo e alma, reinaugurando relações modernas entre tudo e todos. Monlevade tem sofrido em demasia nestes últimos anos porque não nasceu para o arcaico, para o retrocesso. Sua tônica deve ser a modernidade ampla, geral e irrestrita, mesmo que isso desagrade o coronel da vez, sua prole e seus lacaios. Chegou o momento de deixarmos o coronelismo para trás, sob pena de perdermos as condições para "avançar", como foi prometido, o que, ironicamente, se coloca como mais uma questão a ser respondida neste cinquentenário de João Monlevade: como avançar rumo à modernidade, valendo-se de práticas políticas tão arcaicas e retrogradas? Como?
domingo, 20 de abril de 2014
Os Royalties da Mineração na Contra-Conjuração Mineira Contemporânea
222° aniversário da morte de Tradentes.
Assim que debelado o levante
popular que ficou registrado na história como A Sedição de Vila Rica ou Revolta
de Felipe dos Santos, que se contrapôs à instalação das Casas de Fundição e,
consequentemente, à cobrança do Quinto (20% sobre a produção bruta do ouro), o
então governador de Minas assinalou:
“A terra parece que evapora tumultos; a água exala motins; o
ouro toca desaforos; destilam liberdades os ares; vomitam insolências as
nuvens; influem desordens os astros; o clima é tumba da paz e berço da
rebelião; a natureza anda inquieta consigo e amotinada lá por dentro... é como
no inferno.”(Conde
de Assumar, 1720)
Os registros históricos
demonstram que desde os primórdios, os mineiros sempre se colocaram em imediata
prontidão na defesa dos interesses de Minas Gerais, que sempre se traduziram,
fundamentalmente, na mineração. Foi assim até mesmo com a própria fundação do
estado que se deu como conseqüência de um conflito insuflado pela insatisfação
dos primeiros mineiros que não aceitaram o intento bandeirante de exigirem,
exclusivamente, para si a distribuição e o controle das, então, recém
descobertas Minas de Ouro - a Guerra dos Emboabas, 1707 a 1709.
E isso se repetiria em inúmeros
episódios que se seguiram pela rica e densa Historiografia Mineira, todos eles
envolvendo, direta ou indiretamente, a defesa do interesse dos mineiros no
proveito e na exploração dos recursos minerais de seu subsolo. Foi assim nos
levantes da Vila do Carmo (atual Mariana), em 1713; nos de Sabará, Vila Nova da
Rainha (atual Caeté), Vila Rica (atual Ouro Preto) e, novamente, Vila do Carmo,
em 1715; nos motins de Catas Altas, entre 1717 e 1718; nos motins de Pitangui,
entre 1717 e 1720; na já mencionada Sedição de Vila Rica, em 1720; na Sedição
do São Francisco, em 1736 e nos levantes em Campanha do Rio Verde, em 1746,
além de vários outros. E isso só para citar os ocorridos na primeira metade do
séc. XVIII, sendo o mais famoso deles a Conjuração Mineira, que, em 1789, pretendia
libertar as Minas do domínio exploratório português.
Mas, se durante os tempos do
Brasil Colônia/Império Minas foi cenário de uma série de levantes mineradores,
a partir da proclamação da República, o estado passou ao reverso de figurar,
como vítima de uma perversa e velada trama que ainda alcança e reverbera nos
dias atuais. Comparativamente, se o movimento que buscou libertar Minas levou,
no passado, o nome de Conjuração Mineira, o que as Gerais venciam hoje não pode
ser definido senão como uma verdadeira Contra-Conjuração Mineira Contemporânea,
que se consuma e se arrasta há mais de 100 anos.
No alvorecer do século XX, os
ideais que inspiravam a recém proclamada República também conduziam o país no
sentido da edificação de um Brasil moderno, capitalista e industrial. A elite
dirigente nacional, influenciada por fortes interesses externos, compreendera
que não seria possível se construir uma nação, materialmente, moderna, feita
para o automóvel, por máquinas e arranha-céus, cortada por ferrovias, rodovias,
linhas elétricas, telegráficas e telefônicas, e interligada por portos, pontes,
elevados, viadutos e túneis, sem se controlar o fornecimento da matéria-prima necessária à produção do principal insumo do mundo capitalista moderno: o aço.
Em 1908, a Inglaterra já havia
iniciado a construção da ferrovia Vitória/Minas, a fim de viabilizar a
exportação do minério das Gerais, quando o então presidente os Estados Unidos, Theodore
Roosevelt, promoveu, em Estocolmo, um congresso mundial destinado a discutir os
usos industriais e a administração dos recursos naturais do globo: a pauta
principal foi a apresentação, aos mercados, das vastas e riquíssimas jazidas de
minério de ferro de Minas Gerais.
Assim, a demanda sobre as Minas
estava posta e, em se tratando das Gerais, esbarrava numa questão geo-política
fundamental: como controlar todo aquele minério de ferro, sem, contudo,
despertar a histórica natureza rebelde dos mineiros, principalmente,
considerando que em Minas, o minério de ferro e o ouro são indissociáveis; que
o Quadrilátero Ferrífero é, necessariamente, o Quadrilátero Aurífero e que,
portanto, grande parte de todo aquele minério de ferro ocorre em meio às
antigas Minas de Ouro, como é o caso do Gongo Soco, do Pico do Cauê, de Brucutu
e etc? A solução foi, aparentemente, simples: era necessário descontextualizar
a mineração, fazer o mineiro se afastar das Minas e romper os laços
identitários com a mineração.
Era preciso estrangular tudo
aquilo que fosse relativo ao berço e à cultura da mineração das Minas de Ouro. Era
preciso silenciar a capital mineradora e desconstruir a forte identidade do
mineiro com a mineração.
E assim se fez... Para impelir o
mineiro a se afastar das Minas, primeiro era preciso, literalmente, esvaziar a
capital mineradora das Gerais: Ouro Preto. “Ouro Preto é muito rebelde”,
murmuravam... “Para se ter uma ideia, a sede do governo é mantida no Palácio
dos Governadores, uma fortaleza construída para proteger o governador da maior
ameaça de Ouro Preto: o povo ouropretano” exemplificavam...“Para controlar o minério
de Minas, antes de tudo, será preciso silenciar Ouro Preto”, tramavam ...
Assim, com o pretexto de que as
Minas Gerais moderna necessitava de uma capital que apresentasse uma
topografia, suficientemente, plana para a instalação de linhas de bonde, em 1897, a sede administrativa
do estado foi transferida de Ouro Preto para Belo Horizonte, por ordem do então
governador de Minas, o carioca Cesário Alvim, nomeado, provisoriamente pelo
governo republicano. Algumas décadas depois, Belo Horizonte já não contava com
mais nenhuma linha de bonde e Ouro Preto somente sairia do ostracismo absoluto,
em 1933, quando Getúlio Vargas a elevou à condição de Cidade Monumento Nacional.
Minas, então, foi afastada de sua matriz identitária mineradora e levada para
dentro do Curral Del Rey.
Mas, não foi o bastante, era
preciso mais.
Na nebulosa madrugada de 28 de maio de 1968, uma das maiores bibliotecas da América Latina ardeu em chamas no Caraça e as atividades do colégio foram encerradas. Minas perdeu seu mais importante e tradicional centro irradiador de formação filosófica, e ainda segue acreditando que o caso se tratou de incêndio acidental. Em pleno ano de 68, o mais conturbado do Regime Militar, da edição do AI-5, da Marcha dos 100 Mil, de fechamento do Congresso, o Caraça foi incendiado, tal qual ocorrera com a Biblioteca de Alexandria, mil e trezentos anos antes, e o mineiro ainda acredita que tudo foi apenas obra do acaso.
Na nebulosa madrugada de 28 de maio de 1968, uma das maiores bibliotecas da América Latina ardeu em chamas no Caraça e as atividades do colégio foram encerradas. Minas perdeu seu mais importante e tradicional centro irradiador de formação filosófica, e ainda segue acreditando que o caso se tratou de incêndio acidental. Em pleno ano de 68, o mais conturbado do Regime Militar, da edição do AI-5, da Marcha dos 100 Mil, de fechamento do Congresso, o Caraça foi incendiado, tal qual ocorrera com a Biblioteca de Alexandria, mil e trezentos anos antes, e o mineiro ainda acredita que tudo foi apenas obra do acaso.
E não parou por aí... Em, 02 de
setembro de 1973, o objeto de arte, talvez, mais valioso, sob a perspectiva
cultural, identitária e histórica da Civilização Mineradora, a custódia do
Santíssimo Sacramento, fundida em ouro e prata em Portugal, especialmente, para
a celebração do Triunfo Eucarístico (Vila Rica, 1733), a maior festa barroca já
ocorrida nas Américas e origem do carnaval brasileiro, foi furtado do museu da
Matriz de N. S. do Pilar de Ouro Preto e a Ditadura Militar não só proibiu a
divulgação do ocorrido na imprensa, como também prendeu e torturou todos
aqueles que se levantaram contra este que foi um dos mais infames atentados
contra a cultura de Minas Gerais.
E é claro que uma tarefa de tal
envergadura não poderia deixar de contar com uma forte participação da mídia, a
quem coube o papel de retirar o mineiro das Minas, até mesmo dentro de seu
próprio imaginário, atribuindo-lhe um estereótipo nacional conveniente ao escopo
desejado. Ora, para se retirar o mineiro das Minas seria necessário recolocá-lo
num outro local. O mais conveniente foi o curral. Assim, mediante
massiva doutrinação por parte da grande mídia brasileira, o mineiro deixou de
ser poeta e literato, de ter fidalguia e elegância, de cultivar as letras e
artes, como bem definiu Drummond, para ser levado a enxergar em si a figura
vazia de um caipira, de um jeca-tatu e de um matuto, a ponto de se esquecer de
sua origem urbana, de que Ouro Preto no auge do Ciclo do Ouro, no sec. XVIII, foi uma
metrópole ordenada de mais 150 mil habitantes; de que em 1745, Mariana, a
primeira capital de Minas, teve seu traçado urbano re-planejado para receber a
sede do primeiro Bispado Mineiro, revelando, mais uma vez a predisposição
mineira para a urbanidade. Que o Barroco e o Rococó mineiros representam, em
todas as suas variadas facetas, o suprassumo das artes nas Américas e expressão
máxima de uma sociedade, altamente, complexa e, eminentemente, urbana! Urbana! Urbana!
Minas floresce e se estabelece através de numa rede de centenas de núcleos
mineradores urbanos, cujo eixo principal é a Estrada Real.
E ainda nesta trama, a riquíssima arte
mineira também sofreria em
demasia. Além dos recorrentes extravios e descasos que
apunhalam o mais sublime conjunto homogêneo de arte Barroca do mundo, também
seria necessário escondê-lo. No Museu do Louvre em Paris qualquer visitante
pode fotografar a Monalisa o quanto quiser. Em Minas, o esplendor do interior
das Igrejas Barrocas não pode ser fotografado. É proibido fazer imagens das
obras de Mestre Aleijadinho e tantos outros. É preciso manter tudo escondido.
Vai que o mineiro se depara, por exemplo, como o ilusionismo do forro da Igreja
de São Francisco de Assis de Ouro Preto, elaborado e executado por Mestre
Athayde, como uma espécie de réplica perfeita e tridimensional do paraíso
celestial, e compreende que arte em tamanha qualidade não pode ser produto de
caipiras.
Tudo com o propósito deliberado
de atingir as raízes e a identidade mineradora, fazendo com que o mineiro caia
numa espécie de amnésia identitária que o tem impossibilitado de enxergar que
Minas vive um segundo ciclo da mineração, que em valores monetários nominais,
representa uma riqueza bruta muito maior do que foi o ouro e que tem rendido ao
Povo Mineiro compensações aviltantes, insuficientes e injustas por meio do
pagamento dos chamados royalties da mineração, situação esta que, em outros
tempos, bastaria para a deflagração de uma segunda Inconfidência. Mas, que hoje,
enquanto o mineiro permanece no curral, não surte efeito algum em Minas.
Comparativamente, enquanto os
royalties do petróleo chegam a 10% sobre o faturamento bruto das petroleiras,
os da mineração são de aviltantes de 2% sobre o lucro. Na extração do óleo, se
não houver vazamento, não há que se falar em dano ambiental. Já com o minério
de ferro, inevitavelmente, vão ficando as crateras imensas, as barragens de
rejeito, rios contaminados, etc.
Quando éramos colônia, pagávamos o quinto
para a Coroa, ou seja, 20% sobre toda a produção do rico metal. Agora que somos "livres" vão
levando todo o nosso minério de ferro e nos deixam a apenas 2 ou 3% sobre o lucro,
além do imenso dano ambiental. É urgente a adoção de uma política de
equiparação de royalties do petróleo aos da mineração. Minas não pode mais se
sacrificar dessa forma, bancando a viabilidade das contas externas nacionais
com as exportações de minério de ferro, como vem ocorrendo há 70 anos, sem
receber o que é justo em troca.
Sai do curral e volta para as Minas, mineiro, enquanto é tempo. O minério não dá duas vezes e abaixo do curral a situação, certamente, não será nada auspiciosa.
Sai do curral e volta para as Minas, mineiro, enquanto é tempo. O minério não dá duas vezes e abaixo do curral a situação, certamente, não será nada auspiciosa.
quinta-feira, 17 de abril de 2014
Mentiras Sobre a Mineração
O ouro de Minas acabou. Mentira! Em Minas onde há minério de
ferro do tipo hematita, também há ocorrência de ouro. E com a tecnologia atual é
possível reabrir inúmeras minas de ouro, fechadas nos séculos passados, por
pura limitação tecnológica.
O Pará produz mais minério de ferro do que Minas: Mentira!
Minas produz 67% do minério nacional, contra os 29,3% produzidos no Pará (dados de 2011).
Tem minério para mais 400 anos: Mentira! O tempo que se
levará para o esgotamento das jazidas depende da velocidade da exploração do
minério de ferro, que tem crescido absurdamente em Minas.
O mineiro é caipira. Mentira! Minas nasce e se firma através
de numa rede de centenas de núcleos mineradores urbanos, alguns até
metropolitanos como foi o caso de Ouro Preto que por volta de 1750, chegou a
ser uma metrópole conurbada de 150 mil
habitantes. O Barroco e o Rococó mineiros representam não só o supra-sumo das
artes nas Américas, como também fenômenos típicos de uma sociedade mineradora,
eminentemente, urbana.
quarta-feira, 16 de abril de 2014
A 3 Meses da Campanha de Tito Torres, Teófilo Inicia Limpeza da Cidade
Finalmente, depois de 16 longos meses de administração
Torresmista , o governo homônimo inicia a limpeza do eixo viário que liga as
duas principais regiões econômicas da cidade: Centro Comercial ao Centro
Industrial . Logo agora que estamos, a pouco mais de três meses do início das
campanhas políticas, no ano eleitoral em que Teófilo Torres
tem a tarefa de eleger seu irmão Tito Torres deputado pela Assembléia de Minas.
E isso porque contratou empreiteira!
Por que todo ano não é ano eleitoral?!
E fica claro, maus uma vez, que o projeto (?) daqueles que
aí estão se volta apenas para a busca pelo poder e não para o desenvolvimento
efetivo do Município.
ALERTA: “ano que vem não tem eleições”.
quarta-feira, 9 de abril de 2014
Mittal Sequestra o Silêncio das Noites
entro da foto) que consomem grande quantidade de água do sofrido Rio Piracicaba, a poucos metros da Av. Getúlio Vargas, entre a fábrica de oxigênio e as baias de virada de escória líquida e incandescente (alguém já presenciou a virada da escória incandescente?O céu fica vermelho).
Ocorre que tal equipamento passa dia e noite, emitindo um
forte zunido característico que afeta toda aquela vizinhança, como o entorno do
Social Clube, regiões do Bairro Vila Tanque e até mesmo do Bairro Pedreira, além
de outros, certamente.
Para se ter uma idéia da intensidade e gravidade da situação,
durante a noite, é a única coisa que se ouve na Praça da Paz, no Bairro Vila
Tanque, por exemplo.
E Mittal age assim. Instala equipamentos que perturbam bairros
inteiros, sem dar a menor satisfação ao povo monlevadense, sem promover as
necessárias mitigações, com se estivesse na Índia, e segue como se tudo estivesse dentro da normalidade.
Enquanto isso, as pessoas passam a achar normal a vida numa cidade imunda, dos efeitos da mineração e da emissão de sinter e outros poluentes, além desse novo cartão postal monlevadense, capaz até de alienar das noites o tão necessário silêncio absoluto.
Enquanto isso, as pessoas passam a achar normal a vida numa cidade imunda, dos efeitos da mineração e da emissão de sinter e outros poluentes, além desse novo cartão postal monlevadense, capaz até de alienar das noites o tão necessário silêncio absoluto.
terça-feira, 8 de abril de 2014
Railton Critica "Paternalismo Político"
Quem
procura chifre na cabeça de cavalo acaba encontrando. Como não pode discutir o
presente, ou seja, a situação atual da cidade, sem expor toda a inoperância e
dezelo da administração Moreira/Teófilo/Laura para com o Município, o
presidente da Câmara, Guilherme Nasser, resolveu discutir as próximas 5 décadas
de João Monlevade, realizando uma série de reuniões temáticas as quais
denominou de “Monlevade em Foco: os Próximos 50 anos”.
E
quem roubou a cena de uma dessas reuniões, realizada na sede do Legislativo, na
última sexta feira, foi ninguém menos do que o vice-prefeito de João Monlevade,
Railton Franklin.
Além
do surpreendente e antológico discurso que proferiu contra o processo de
exploração que a Arcelormittal tem afligido ao Município, Railton dirigiu duras
críticas ao que classificou de “paternalismo político” numa clara alusão ao
modelo político-administrativo instalado em João Monlevade , em
que o ex-deputado Mauri Torres, se valendo de um sistema estruturado de
interesses duvidosos, busca encaminhar sua prole e seus apadrinhados a ocuparem
cargos de poder.
Estivesse,
realmente, legislando ou fiscalizando o Município, Guilherme Nasser poderia ter
passado sem essa sai justa, que ainda rendeu uma nota desencontrada da Câmara enfiando, goela
abaixo, de Dr. Railton, palavras que não foram ditas pelo vice-prefeito naquela oportunidade.
De uma forma ou de outra, acende o sinal amarelo na base governista.
De uma forma ou de outra, acende o sinal amarelo na base governista.
Guilherme Nasser Quer Desviar a Opinião Pública
Quem visita o incompleto e defasado site da Câmara de Vereadores, presidida pelo senhor Guilherme Nasser se depara com manchetes do tipo: “Câmara dá início ao projeto Monlevade em Focu: os próximos 50 anos” ou “Câmara solicita agendamento de reunião para tratar de segurança pública”, entre outras.
Nasser é do tipo de presidente que se esconde por traz de atividades estranhas à função legislativa, numa tentativa de desviar a opinião pública do resultado de sua gestão: uma Câmara que não se debruça sobre demandas substanciais e necessárias ao desenvolvimento do Município, como a necessária revisão do Código de Posturas, por exemplo.
Nasser se propõe a discutir os próximos 50 anos de Monlevade, porque quer desviar as mentes de sua responsabilidade no governo fantasma de Teófilo Torres, já que além de ter figurado nas ultimas eleições como entusiasmado cabo eleitoral do atual prefeito, também atua como verdadeiro líder do governo torresmista na Câmara, contaminando a isenção política com que a presidência da casa deve conduzir os trabalhos e contribuindo para que o poder fiscalizador se curve diante do Executivo.
Ora, se não dão conta do presente, vão discutir que futuro? Qual é o resultado prático da Câmara discutir o tema “Segurança Pública” se tal assunto é de competência dos estados? Faltou convocar o secretário de segurança pública do estado de Minas Gerais para a discussão, Guilherme Nasser.
Enquanto isso, no presente, a cidade cresce desordenada, caótica, carente de mobilidade, de asseio, de cultura, de educação, de saúde, de qualidade de vida...
quinta-feira, 3 de abril de 2014
Prandini Processa o Município de João Monlevade e Quer 100 mil
Gustavo Prandini está processando o Município de João
Monlevade. Segundo Ação Ordinária ajuizada em 19 de dezembro de 2013 e em trâmite
na 2ª Vara Cível da Comarca de João Monlevade, o ex-prefeito que receber, corrigidos, o 13º salário e as verbas relativas às férias remuneradas,
mais 1/3, referentes ao período em que foi chefe do Executivo Monlevadense. O
valor da causa é de 100.000,00 (cem mil reais). De seu exílio em Juiz de Fora, Prandini
fundamenta seu pedido numa lei municipal e instrui o processo com um parecer
jurídico emitido pela Procuradoria do Município, ainda durante seu governo e
assinada pelo advogado José Carlos Pereira Neto e pelo ex-procurador Nuno
Rebelo. Prandini também requereu o beneficio da justiça gratuita, por não ter condições
de arcar com as custas do processo, segundo alegou.
terça-feira, 1 de abril de 2014
Ditadura Militar: 50 Anos de Atraso
A data de hoje marca os 50 anos do golpe militar que instalou
a Ditadura Militar no Brasil. Foram mais de duas décadas de um regime violento
e despótico que não apenas atrasou sobremaneira o desenvolvimento deste país, como também revelou o quanto a elite
brasileira é mesquinha, míope, retrograda e, umbilicalmente, atrelada a
interesses que não são os nacionais.
Ao contrário do que povoa o imaginário nacional, o Golpe de 64 não foi concebido pelos
militares. Eles se prestaram apenas a instrumento da barbárie. O golpe foi
engendrado pela chamada elite brasileira, composta pelos latifundiários, oligarcas,
pelos donos dos grandes meios de comunicação e de produção etc, que,
articuladamente, se insurgiram contra as
reformas de base pretendidas pelo governo do presidente, então, deposto João
Goulart.
As alegadas indisciplina e quebra de patente foram apenas um
pretexto utilizado pelos militares para o desfecho daquele 1° de abril. Na
verdade, quem perpetrou o golpe contra a nação, como se deve frisar, foi a,
historicamente, “favorecida” elite
brasileira, que naquele momento se encontrava aterrorizada diante da perspectiva
de um país, integralmente, moderno, mais justo e afastado dos ranços do Brasil-Colônia
das Capitanias Hereditárias e dos coronéis.
Foi a elite que não aceitou a reforma agrária, a reforma política,
a reforma educacional, a reforma tributária e tantas outras pretentidas naquele
momento e que, 50 anos depois, ainda são, justamente, a mesmas demandas por
esse país.
Ora, se hoje, nada data de 1° de abril de 2014, o Brasil
ainda demanda, fundamentalmente, por todas aquelas reformas que não foram
implementadas em 1964, a
lição objetiva que fica da Ditadura Militar só pode ser uma: que aquele golpe atrasou
este país em 50 anos. Tivéssemos efetivado aquelas reformas naqueles idos,
hoje, certamente, estaríamos muitíssimo mais perto do desenvolvimento que tanto
almejamos e que nunca chega. Mas, a elite assim não o quis...
E nesta amarga e salgada conta deixada por mais de duas décadas
de ditadura, além dos mortos, dos perseguidos, dos desaparecidos e de todas as violações
contra a condição humana que ocorreram, também deve ser contabilizado talvez o mais
pesado legado daqueles dias de trevas a reverberar nos dias atuais: uma classe
política corrúpta e descompromissada com a responsabilidade de administrar a
Coisa Pública.
Ocorre que durante a Ditadura Militar, os políticos
brasileiros foram forçados a entregar a gestão do país aos militares,
criando-se, assim, durante os mais de 20 anos que se seguiram, toda uma geração
de políticos “desabituados” das questões administrativas nacionais e protegida
por um sistema em que não havia independência entre os poderes, liberdade de
imprensa, de comunicação e de opinião, ou seja, um ambiente perfeito para propagação
da corrupção generalizada, que se verifica até hoje. Com o fim da ditadura, essa mesma classe política
de “desabituados” voltou ao governo da nação, no entanto, já inserida dentro de
uma cultura política avessa às questões administrativas do país, o que também
se pode ser verificado com muita força até os dias atuais. Significa dizer que
esses políticos incompetentes e corruptos de hoje são, em grande medida, filhos e netos dessa ditadura que alguns desavisados ainda têm a coragem de defender.
E não foi só isso... Os militares acabaram com as ferrovias do Brasil, a fim de sufocar os movimentos contrários à ditadura que partiam dos sindicatos dos ferroviários. Colocaram fogo na Biblioteca do Caraça (tese em construção). Mataram Juscelino e o próprio Jango, como hoje se cogita. Em suma, cometeram atentados diversos contra tudo e contra todos... Ditadura, nunca mais!
E não foi só isso... Os militares acabaram com as ferrovias do Brasil, a fim de sufocar os movimentos contrários à ditadura que partiam dos sindicatos dos ferroviários. Colocaram fogo na Biblioteca do Caraça (tese em construção). Mataram Juscelino e o próprio Jango, como hoje se cogita. Em suma, cometeram atentados diversos contra tudo e contra todos... Ditadura, nunca mais!
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