quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

INÍCIO DO ANO LEGISLATIVO EXPÕE DESGASTE POLÍTICO DE LAÉRCIO


O poder desgasta. Então, em exercício da primeira metade do 3º mandato como prefeito é natural que Laércio apresente algum desgaste político a essa altura. No entanto, considerando a reação da Câmara já no início do ano legislativo e todo o conteúdo político que circula nas redes sociais, etc, é possível verificar que o desgaste da imagem do prefeito tem desempenhado uma trajetória ascendente acelerada. Para Laércio, que não poder ser candidato nas próximas eleições, pouca diferença faz. No entanto, para Dorinha Machadão, que deve ser a candidata a prefeita apoiada pelo PT,  a diferença é muita já que ela conta com o atual prefeito para que seja seu principal cabo eleitoral. Para isso, Dorinha precisa que Laércio termine o mandato bem avaliado.

O desgaste político de Laércio já vem do ano passado quando o imbróglio, ou melhor, a barbeiragem jurídico-administrativa  do Novo Código Tributário fritou a imagem do prefeito junto a opinião pública por muitos meses e sobretudo junto aos setores econômicos do Município, o que produz estragos muito mais pontuais e profundos. Depois, a candidata a presidente do PT apoiada pelo prefeito perdeu as eleições, o que também já não era um bom sinal.  Mas, quem chegou a assistir as duas primeiras sessões da Câmara para o ano de 2026 já pôde sentir que não houve uma reversão no quadro e que o prefeito, definitivamente, também não voa em céu de brigadeiro na Casa Legislativa. Quando o presidente da Câmara faz uso da tribuna para elencar expressamente as três piores secretarias do governo é porque a relação entre os dois poderes do Município vai de mal a pior. E relação ruim entre poderes é sempre um problema de gestão do gabinete do Prefeito.  Além de uma Câmara bem mais hostil, o prefeito ainda enfrenta uma série de reclamações, repletas de vídeos e imagens, que são postadas por populares diariamente nas redes sociais e que não são resolvidas pelo governo. Fato muito emblemático nesse sentido ocorreu recentemente na Rua Leonardo Diniz, onde, cansados da ineficiência e da embromação da prefeitura para reparar as más condições do logradouro, os próprios moradores fecharam  a rua em protesto.  Quando o povo fecha rua em João Monlevade é porque o caldo está entornando.   Tão emblemático que a rua então fechada pelo povo tinha que ter a denominação de Leonardo Dinz, ex-prefeito de João Monlevade pelo PT.  Se os petistas do gabinete do prefeito realmente honrassem a história do partido e fossem um pouco mais inteligentes já teriam subido à  Rua Leonardo Diniz e resolvido a situação, até para não expor o prefeito à tamanha incoerência. O povo também tem reclamado muito de não conseguir encaminhamento para seus problemas na Prefeitura e de ser tratado lá apenas com embromação e nenhuma ação.  

E não adianta negar, o prefeito tem amargado muitas dificuldades políticas como conseqüência de ter escolhido mal os membros de seu gabinete, que são aqueles que deveriam fazer a ponte entre o chefe do Executivo e o povo. Política se faz com quem tem formação e atuação políticas. Fazer política com amigos é algo que pode sair caro. O gabinete de Laércio é hermeticamente fechado, não dialoga com a comunidade nem com setores de maior formação política do  próprio partido, tendo, por exemplo ignorado completamente a nova presidência do PT que não foi convidada a integrá-lo, outro erro gritante.  Se articulasse com o PT, a Rua Leonardo Diniz não estaria do jeito em que se encontra. O gabinete de Laércio não é preenchido por cientistas políticos, com rara exceção, são todos noveleiros que não perdem um capítulo sequer da novela das 9 da Rede Globo, replicando dentro do partido e do gabinete todos aqueles expedientes de malfeitoria tão deploráveis exibidos pela tela da TV. Aliás, o único cientista político que havia no PT teve suas assas cortadas, não por coincidência, pelo gabinete de Laércio e depois de ter que deixar o governo, hoje felizmente alça vôos muito mais altos na capital Belo Horizonte.

Olha, se alguém pretende contar com a figura do prefeito como cabo eleitoral na próxima eleição municipal,  é melhor dar um sacudida no gabinete do chefe do executivo. Do contrário, o PT não terá condições de cumprir com o acordado na campanha, que era contar com um prefeito/cabo eleitoral bem avaliado.  

terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

PRÉ- CARNAVAL DE MONLEVADE ACABA EM TUMULTO E ÓBITO NA AVENIDA


Gosto muito de carnaval, principalmente aquele carnaval tradicional mineiro das cidades históricas.  Vico feliz que Monlevade, que já teve tradição de grandes carnavais de rua, de salão e até desfiles suntuosos de fantasias (basta visitar as fotos do Mestre Diló), depois de décadas de quase nenhuma festa momesca, tenha agora pelo menos um pré-carnaval. Sim, carnaval é diferente. Carnaval tem data para ocorrer. O carnaval termina 40 dias antes da primeira lua cheia da primavera no hemisfério norte. E infelizmente, no carnaval, Monlevade segue tendo um vazio cultural, pois não há carnaval no Município há décadas. É muito estranho a cidade ter pré-carnaval e não ter carnaval. Geralmente a festa se inicia no pré-carnaval e só termina na quarta-feira de cinzas. Em Monlevade, não. Durante os dias de carnaval a cidade se esvazia.

De qualquer forma, o pré-carnaval 2026 esteve bonito até um certo ponto. Os blocos de marchinhas foram lindos. Mas quando a juventude foi para rua ao som daquelas músicas de conteúdo adulto explícito, compostas de palavrões e todas aquelas denominações escandalosas  para as genitálias humanas, o tempo fechou e o clima ficou pesado. Muito embora seja esse o tipo de música que os meios de mídia direcionam para a juventude e até para as crianças e adolescentes brasileiros, não é o que se pode esperar de um governo municipal, ainda mais aquele que tem um prefeito intitulado de Amigo da Criança.  Afinal foi uma festa de acesso livre para crianças e adolescentes. Sem falso moralismo, pra quem é adulto, maior de 18 anos e gosta daquele tipo de música, sem problema, cada um sabe o que faz. Mas, não a criança e o adolescente. Conteúdo de sexo explícito, consumo de álcool, jogo, etc, tudo isso é impróprio para crianças, adolescentes e deveria ser evitado de ser direcionado para os jovens porque não influenciam o bom comportamento e no caso das crianças e adolescentes exige uma responsabilidade que elas não possuem pela própria definição de menor.  O conteúdo adulto aliena a infância, prejudicando sua formação. Quanto mais influenciada por conteúdo adulto, menor será a formação da criança.  E o que se espera da Casa de Cultura é justamente o oposto, que ela direcione para a criança e o adolescente monlevadense conteúdo que aprimore a construção de sua identidade e de sua formação. Já basta o que faz a televisão. E o termo “adultização”, que começa só agora a ser debatido pelo brasileiro é antigo. Teve início com a Xuxa que era atriz de conteúdo adulto e referência para a infância brasileira nos anos de 1980. Contudo, um prefeito verdadeiramente amigo da criança jamais poderia colaborar para o processo de adultização por que passa a infância local e brasileira, como se viu no pré-carnaval. Boa hora para a Câmara propor projeto de lei que proíba o direcionamento de conteúdo adulto para crianças e adolescentes em festas, escolar e quaisquer eventos no Município.     

Trata-se de uma violência cultural contra a juventude. E como violência gera violência, no caso do desfecho do pré-carnaval os palavrões e xingamentos daquelas músicas criaram um clima tão pesado na avenida que se desdobrou em tumulto, demandando a intervenção da Polícia Militar que se viu obrigada a fazer uso de equipamento não letal para dispersar a confusão, que obstruia o trânsito local. No último quesito, faltaram mais planejamento e atuação do Setran.

Como se já não estivesse ruim ainda houve um óbito em função de capotamento de veículo no contexto de pré-carnaval. Olha, se o pré-carnaval foi assim,  acho melhor a gente continuar sem carnaval ainda por um tempo.  


segunda-feira, 17 de novembro de 2025

DR SIDNEY NO CONTRA-ATAQUE DO MARQUETEIRO


A edição da última sexta-feira do jornal impresso veio estampada com a seguinte manchete de capa: “Dr. Sidney vota contra cotas para negros”. Vê-se que a manchete não foi favorável ao parlamentar e buscou colocar a comunidade afro-brasileira local contra o vereador.  Mas por que o Dr. Sidney foi objeto de manchete de capa do jornal?

É porque o Dr. Sidney ousou fazer o que ninguém, absolutamente ninguém, fosse órgão de imprensa, fosse vereador, fosse político de oposição, etc,  havia feito até o momento: expor as imagens do interior do pretenso Hospital Santa Madalena, o maior escândalo político-administrativo da história de João Monlevade.

As novas gerações não sabem, mas aquele prédio que atualmente abriga a Secretaria de Saúde do Município foi num passado recente o muito bem localizado e estruturado terminal Rodoviário de João Monlevade, até que o ex-prefeito radialista resolveu retirar a Rodoviária de lá e improvisar naquele edifício um pretenso hospital de cem leitos, ao custo na época de muito mais de 22 milhões de reais. O pretenso hospital de cem leitos nunca saiu do papel e o resultado foram sucessivas perdas para o Município.  Monlevade perdeu uma excelente Rodoviária, perdeu o PA municipal, que uma vez transferido para lá, teve de ser desativado,  perdeu muito mais de 22 milhões de reais em recursos públicos da saúde, etc. Hoje aquele prédio é sede da Secretaria de Saúde, como já mencionado, e abriga algumas unidades da pasta, funcionando sem o devido alvará sanitário, porque a obras milionárias de adaptação do antigo terminal rodoviário num hospital de 100 leitos não obedeceram as normas técnicas pertinentes. E não pense que o Município aprendera alguma lição com aquele erro colossal, porque esta política hospitalar de construção, pouco importando o que se constrói, segue em vigor no Hospital Margarida, que também sofre com construções vazias há quase 20 anos, tempo em que tem sido administrado por aquela mesma turma do prefeito radialista.  Depois de inviabilizarem o pretenso hospital Santa Madalena, foram para o Hospital Margarida onde não pararam de construir desde então.      

Recentemente, o Dr. Sidney postou em seu perfil no Instagram uma série de vídeos exibindo imagens do interior de parte do que seria o pretenso hospital Santa Madalena, mostrando as irregularidades técnicas das obras, materiais sucateados e até um elevador que se encontra encostado, deteriorando-se no interior daquele edifício, já que foi comprado num tamanho muito maior do que o fosso existente, e, assim, diante de tamanha absurdo, o vereador acabou pressionando seu dedo contra a maior ferida do sistema de poder local, pois a situação atinge o ex-prefeito radialista e sua turma, atinge o atual prefeito Laércio, que ainda não deu uma solução técnica para aquela vergonha e atinge até o hospital Margarida pelos motivos já colocados.

Ocorre que o dono do jornal é na verdade marqueteiro de político. E ele já é, já foi, ou pretende ser marqueteiro de todos os políticos envolvidos na obra do Santa Madalena. Ele também troca matérias favoráveis de marketing político divulgadas no jornal por cargo no governo, como é caso  da chefia da Vigilância em Saúde local que é, atualmente, ocupada por sua filha. Assim, como o marqueteiro vê a imagem de seus clientes potencialmente exposta, como ocorrido nas postagens feitas pelo Dr. Sidney na função fiscalizadora do vereador, ele se vê obrigado a atingir a imagem de quem as expôs. A função do marqueteiro é a de construir a imagem de seus clientes enquanto desconstrói a imagem de seus opositores. Algo muito diferente do que é o papel de uma imprensa livre e desimpedida.

Um dos papeis da imprensa junto à comunidade é o de pautar, sistematicamente, os problemas locais até que eles sejam solucionados. Coisa que o jornal impresso jamais fez, muito menos em relação ao Santa Madalena.  Aliás, quem já deveria ter entrado naquele prédio e publicado as imagens divulgadas pelo Dr. Sidney era, justamente, o jornal impresso. Mas registre-se que ele fez o contrario, ao invés de divulgar a verdade que existe por detrás daquelas paredes, ele buscou desconstruir a imagem de quem as revelou.

Dr. Sidnei está de parabéns! Siga em frente.  

   


 

segunda-feira, 13 de outubro de 2025

TARIFAÇO DE TRUMP AFETA ARRECADAÇÃO EM JOÃO MONLEVADE

 

 Foto: https://oiguassu.com.br/o-tarifaco-de-trump-e-seus-impactos-no-sul-do-brasil/

Recentemente,  a Prefeitura de João Monlevade anunciou uma preocupante queda de 26, 2 milhões de reais na previsão de arrecadação de janeiro a setembro de 2025.

O desaquecimento no setor siderúrgico, atestado pelo fechamento da Usina da Guerdau, em maio do ano passado em Barão de Cocais e o cancelamento da duplicação da Usina de Monlevade, anunciado pela Arcelormittal no início do ano, têm impactado na arrecadação de receita do Município de João Monlevade, o primeiro parque siderúrgico do Brasil, com quase 200 anos de história metalúrgica.

Outro fator que também impacta no mau resultado da arrecadação do Município no corrente exercício fiscal de 2025 é o Tarifaço de Trump. Segundo  matéria publicada no
informativo econômico OFator, Monlevade foi o segundo município de Minas Gerais mais afetado pelo Tarifaço de Trump, com queda de 58,21% nas exportações, atrás apenas de Sete Lagoas.  

Diante do cenário pessimista, a prefeitura corre para fechar o ano sem ferir as diretrizes da Lei de Responsabilidade Fiscal, anunciando desaceleração na execução de obras e diminuição na abrangência de serviços públicos.  Enfim, a conta salgada da chantagem trumpista de Eduardo Bolsonaro  para tentar livrar o pai, Jair Bolsonaro, da cadeia chegou. E quem vai pagá-la em maior intensidade é o monlevadense, com a queda de 58% nas exportações da Arclormittal para os EUA e a conseqüente perspectiva de desaceleração econômica, queda na arrecadação, desemprego e menor oferta de serviços públicos.    

quarta-feira, 13 de agosto de 2025

PREFEITO QUESTIONA SOBRE O OURO NAS BARRAGENS DE REJEITO DE ITABIRA


 

Itabira enfrenta o pesadelo das barragens de rejeito da mineração do ferro associado ainda ao fantasma do encerramento da atividade no município.  Em meio a tudo isso, o prefeito Marco Antônio Lage questionou recentemente a mineradora Vale sobre a ocorrência de ouro na lama depositada nas barragens de mineração.

Segundo registros do minerálogo francês João Monlevade, já de 1853, ferro e ouro são indissociáveis em Minas Gerais. Monlevade descreveu que as maiores minas de ouro são encontradas entre as camadas de ferro. Itabira já viveu uma febre do ouro em que muitos garimpeiros ocuparam uma das barragens de rejeito da Vale e tiraram dela muito ouro (foto). Quando o minério de ferro é lavado para beneficiamento e dele não se tira o ouro, o último vai parar no rejeito.

E não é só no rejeito, Minas Gerais ainda tem muito ouro, só que o mineiro de hoje não pode minerá-lo. Com o ouro a 600 Reais o grama, quando se vê algum mineiro minerando ele está sendo preso porque não conseguiu regularizar a atividade. É incrível como o mineiro parou de minerar o ouro. Na época em que vivíamos sob o jugo português, podíamos minerar, recebíamos a concessão da lavra e éramos donos das minas de ouro. Hoje não somos donos de nada, somos proibidos de minerar e somos presos quando mineramos. Quanta saudade de Portugal! Queremos a revogação do Código de Mineração atual e restauração da vigência do Regimento de Minas de 1702 que nos permitia minerar.

O prefeito de Itabira está certíssimo. Deveriam instituir uma cooperativa e deixar o povo de Itabira minerar o ouro que existe nos milhões de metros cúbicos de lama das barragens de rejeito do município. Seria muito bom para a economia e também uma compensação por parte da mineradora pelas décadas de exploração de Itabira.     

segunda-feira, 21 de julho de 2025

Lucão Eleito Presidente do PT


É excelente a notícia de que Lucão foi eleito presidente do PT de João Monlevade. Lucão tem muita formação política, o que o PT está precisando. E encontra-se mais apto a reconectar o PT com sua base. Lucão venceu a eleição com 122 votos contra 89 votos da segunda colocada, Isaura, que muito embora tenha levantado a bandeira da renovação, era a candidata do governo e da velha guarda do PT, desconectada da base e incapaz de fazer cumprir o conteúdo programático do partido no governo Laércio.  

Lucão tem sobretudo muito estomago para agüentar a velha guarda antiquada do PT. Já tive a oportunidade de acompanhar as coisas que acontecem dentro do PT e são de tirar o apetite de qualquer um, haja estomago.  O partido age exatamente como no enredo de um novela da Globo das 21 horas. Não há ciência política no PT de Monlevade. É cobra comendo cobra.  Um partido todo dividido em grupos que puxam os tapetes uns dos outros.

Vexame para o prefeito Laércio e seu gabinete que, apesar da máquina, não elegeram sua candidata. A eleição de Lucão para a presidência do PT  revela
uma base politicamente muito mais formada do que sua direção tradicional e o descontentamento da primeira com o governo Laércio. 

terça-feira, 8 de julho de 2025

DIGA NÃO À MILITARIZAÇÃO DAS ESCOLAS EM JOÃO MONLEVADE


 

O governador Zema pretende transformar quatro escolas estaduais de João Monlevade em escolas cívico-militares. São elas as escolas Manuel Loureiro, Luiz Prisco, Geraldo Parreiras e Alberto Pereira Lima.

Primeiramente, é preciso chamar a atenção para a forma enganosa com que este modelo de escola é tratado, ou seja, escola cívico-militar. Não existe escola cívico-militar, ou ela é civil ou ela é militar. Então, o que verdadeiramente pretende o governador Zema é militarizar quatro escolas civis no Município.

Resta muito claro que a escola pública brasileira necessita de profundas reformas. Ela é visivelmente uma escola insuficiente, podendo ser chamada até de meia escola, já que funciona apenas em meio período e não é uma escola filosófica, isto é, aquela que ensina a pensar. Ao contrário, é uma escola excludente, historicamente muito voltada para a decoreba de conteúdos que não serão utilizados na vida do aluno, mas que são exigidos nos vestibulares, que são aqueles mecanismos que existem para impedir que os excluídos tenham acesso à universidade pública. Hoje o Enem substituiu os vestibulares.  No Brasil, 1 a cada 3 brasileiros é analfabeto funcional, que é aquele aluno que cursa a escola pública e, apesar disso, sai dela sem a capacidade de compreender o que lê. Poucas instituições sofreram tantas reformas degradantes e sabotadoras  quanto a escola pública brasileira nas últimas décadas. E os políticos sabotadores da escola são os mesmos que agora propõem a militarização delas. O Brasil tem hoje, disparado, a pior escola da América Latina.

Mas não será militarizando a escola pública que os profundos problemas da escola pública brasileira serão solucionados. Basta copiar as boas experiências dos outros países. Nenhum país desenvolvido do mundo tem um modelo de meia escola que funciona em apenas um turno como o Brasil. Também não há nenhum país desenvolvido no mundo que tenha um modelo de escola militarizado. Aliás, a destruição do modelo de escola pública brasileira se iniciou, justamente, durante a ditadura militar instalada a partir de 1964, quando, em 1966, os militares extirparam dos currículos escolares a matéria filosofia, que é a disciplina que ensina a pensar e passaram a deturpar a história lecionada nos bancos escolares. Na disciplina OSPB, por exemplo, muito marcante nas escolas durante o regime militar, ensinava-se que o verde e amarelo da bandeira brasileira representava, respectivamente, as matas e o ouro do Brasil. Quando na verdade, o verde tem origem no brasão da casa real des Orleans e Bragança, da qual descende Dom Pedro I e o amarelo, da casa real dos Habsburgo, da qual descende Dona Leopoldina.   O analfabetismo funcional brasileiro, cada dia maior, não é produto apenas da ineficiência para ensinar, ele também é resultado de uma escola não filosófica onde não se ensina a pensar.

Em relação a um modelo de escola de excelência para Minas, não é necessário ir muito longe. Minas tem modelo histórico de escola de excelência que foi o consagrado Colégio do Caraça, nada menos do que a maior Escola de Filosofia do Brasil, mascado ainda por sua incrível disciplina. Não é por menos que o Caraça ardeu em chamas em maio de 1968, ano mais conturbado da ditadura militar. Ditaduras militares não convivem com escolas de filosofia, que ensinam a pensar.

E este é o problema central, militarizar escolas é encomendar para o ensino público tudo aquilo que o Brasil viveu, tragicamente, durante a ditadura militar, como a censura, a truculência, a doutrinação, deturpação de conteúdo  e sobretudo a ausência da filosofia, tudo o que o Brasil não necessita para solucionar seu modelo de escola pública.  Na verdade o que o Brasil precisa é de uma modelo de escola de ensino integral que prepare o aluno para a vida e o habilite a pensar. E não matar de vez a disciplina filosofia, que é o que acontece quando as coisas são militarizadas, conforme é o histórico da ditadura pós 1964.  

Ademais, militar é aquele que faz o emprego da letalidade, ou seja, é aquele treinado para matar. E matar é algo completamente incompatível com o ensino que liberta.  Lugar de militar é no quartel.    

segunda-feira, 7 de julho de 2025

NO LUGAR DE UMA ESTÁTUA DE MONLEVADE O BUSTO DE PARENTE DO CHEFE DE GABINETE DO PREFEITO


 

Recentemente foi inaugurado um busto de bronze na Praça Sete de Setembro, a mais movimentada do Município. A cerimônia contou com a presença do prefeito, logo a instalação do busto em plena praça pública foi autorizada pelo chefe do Executivo.

Não vou citar o nome do homenageado nem da família dele que, é bom que se esclareça, pagou pela feitura do busto de bronze. Tanto é que optei por ilustrar esta postagem com uma foto do busto de costas. O objetivo desta matéria é demonstrar a incapacidade político-científica do gabinete do prefeito que, ao invés de se mover imbuído por causas públicas o faz com base em questões pessoais e domésticas.  

Logo que vi o busto instalado na praça e soube de que se tratava, entrei em contato com o chefe de gabinete do prefeito, Gentil Bicalho, que tem parentesco ascendente direto com o homenageado pelo busto, e perguntei o que motivava a homenagem na praça pública. Ele então me disse: “pessoas que tiveram participação efetiva na construção de nossa cidade, deveriam ser lembrados (sic) para sempre”. Então perguntei: desculpe minha ignorância, mas quais foram as participações ou realizações efetivas do homenageado na construção de João Monlevade? Ele não soube me responder, disse que verificaria com outro parente e não me retornou. Posteriormente, voltei a entrar em contato com ele que ainda hoje não me respondeu.

Acredito que o homenageado deva ter sido um pai maravilhoso, um avô excepcional e merecedor do busto. Contudo, relações domésticas de parentesco não podem autorizar a instalação de um busto na praça pública mais movimentada do Município. Monlevade foi construída por muitas famílias. A pergunta que não se cala é a seguinte: o busto foi instalado na praça porque o homenageado foi uma grande personalidade pública do Município ou ele foi instalado porque se trata de um parente do chefe de gabinete do prefeito? E agora, diante deste precedente e considerando que o povo monlevadense é constituído por muitas outras famílias, será que todas elas também estão autorizadas a instalar um busto de seu patriarca na praça pública?

Enquanto isso, no ano de 2027, ainda no mandato de Laércio, completar-se-ão os 200 anos da fixação de engenheiro e metalúrgico francês João Monlevade na sesmaria que daria origem ao Município;  200 anos do início da Expedição Monlevade pelos rios Doce e Piracicaba que transportou para cá as máquinas para sua pioneira Fábrica de Ferro e 200 anos do início da construção do Solar Monlevade. O João Monlevade foi a maior autoridade metalúrgica de Minas Gerais durante o século XIX e sua bem sucedida experiência industrial de produção do ferro a partir do carvão vegetal foi determinante para a instalação da Belgo-Mineria um século mais tarde. Não é por menos que o Município leva o seu nome. E não há nenhum busto ou estátua do francês João Monlevade instalada na Praça Sete ou em qualquer outro ponto da cidade. Quis o destino que Laércio fosse prefeito na data de comemoração dos 200 anos da fixação de Monlevade no Município.  Contudo, a depender do gabinete de Laércio, já é possível antever que diante deste marco histórico que se aproxima, não haverá homenagem nenhuma ao patrono do município. Não haverá estátua de Monlevade; o Museu e o Solar homônimos não serão entregues para o povo monlevadense e transformados num museu turístico; os ramos da Estrada Real local não serão reconhecidos; o Cemitério dos Escravos não será objeto de pesquisa; o parque histórico da Companhia Nacional de Forjas e Estaleiros também não será reconhecido; a batata-doce, principal produto agrícola da Fazenda Carvoeira e Fábrica de Ferro Monlevade também não será objeto do festival gastronômico; etc.

É o que eu sempre digo, o PT local não faz política científica, apenas política doméstica de compadres e comadres.             

 

quinta-feira, 12 de junho de 2025

CÓDIGO TRIBUTÁRIO: DESGASTE DO GOVERNO É NA PROPORÇÃO DO AUMENTO DE IMPOSTOS


Há muito tempo não se via um governo sofrer tanto desgaste político em João Monlevade quanto o que, atualmente, acontece com a administração Laércio Ribeiro em relação ao novo Código Tributário. Nos bastidores da política local não se fala em outra coisa. O sentimento é de inconformidade geral e a sensação é de abuso por parte da administração petista.  

O novo Código Tributário, aprovado pelo governo Laércio, PT, no apagar das luzes do exercício fiscal do ano passado, aumentou taxas e impostos municipais em mais de 100% em algumas situações, chegado a 200 ou a 300% de aumento em outras, o que tem gerado, com razão, muita indignação por parte dos pagadores de impostos e sociedade em geral.

Tudo articulado pelo gabinete de Laércio, que elaborou a nova legislação tributária municipal sem ouvir os diversos setores da atividade econômica local e sem ouvir as entidades representantes do contribuinte. O gabinete também não considerou o momento econômico difícil vivido pelo país, com a disparada da corrida inflacionária, nem a suspensão de processo de duplicação da capacidade produtiva da unidade local da Arcelormittal, que já havia sido anunciada, mesmo que de forma temporária, em setembro de 2024.  

Não há como negar que o Município perde competitividade econômica com o novo Código Tributário em relação aos municípios vizinhos, já que na sua vigência se tornou muito mais caro instalar e manter uma empresa em Monlevade, do que, por exemplo, em S. Gonçalo, Nova Era, S. D. do Prata e em muito dos casos até em Itabira.  O gabinete de Laércio, definitivamente, nunca ouviu falar em planejamento tributário empresarial. É óbvio que quando se aumenta imposto acima de 3%, mais a inflação do período dos últimos 12 meses, que não está baixa, o resultado político será a insatisfação popular.

A tendência é que, diante da nova realidade tributária desfavorável, empresas migrem para municípios vizinhos. É o PT exportando empregos e renda para fora de Monlevade.   

Chama ainda a atenção o silêncio sepulcral do governo diante do grande  imbróglio fiscal instalado. Mais uma vez, o gabinete escapa pela tangente diante de sua responsabilidade político-adminitrativa.  Enquanto os petistas se calam, movimento que visa a revogação do novo Código Tributário ganha força na Câmara de Vereadores.  Trata-se da maior barbeiragem jurídico-adminitrativa desde aquele governo, cujo prefeito, ao final, amargou 80% de rejeição popular, tendo que se exilar em Juiz de Fora por 10 anos e que é necessário que se diga, teve a participação do PT.    

O que não se pode negar é que o desgaste da administração tem sido do tamanho e na proporção do aumento dos tributos.



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terça-feira, 10 de junho de 2025

LAÉRCIO: UM GOVERNO DA TANGENTE

O prefeito de João Monlevade, Laércio Ribeiro, PT, chega perto de exercer 1/8 de seu terceiro exercício como chefe do executivo municipal, sem cumprir boa parte de suas promessas de campanha do mandato anterior.

E não são apenas vagas promessa que não são cumpridas. O PT e o gabinete de Laércio não abordam os maiores problemas do Município. Já há algum tempo é possível elencar o seguinte eixo de problemas centrais de João Monlevade: a péssima qualidade de um transporte público caro; a sujeira da cidade e a disposição inadequada do lixo doméstico, com reflexos para a dengue e, por fim, a falta de atendimento humanizado e profissional no Hospital Margarida.

Esses não os três maiores problemas enfrentados pelo Município há tempos. No entanto, o governo do petista Laércio Ribeiro age como se eles não existissem. O gabinete de Laércio, empossado há quatro anos e meio, não tem qualquer estratégia para enfrentá-los. Diante, do eixo temático Transporte público, limpeza e ordenamento públicos e política pública de gestão hospitalar o que se vê é o gabinete de Laércio escapando pela tangente, ou seja, uma ausência completa de governo.

Mas vou além, no caso, por exemplo, da limpeza pública, não acredito que apenas a substituição da empreiteira que presta o serviço seja o suficiente para resolver a grave situação de imundice geral que afeta a cidade. O histórico administrativo do município demonstra que apenas houve limpeza de fato quando a prefeitura prestou o serviço diretamente por meio da frente de trabalho, que é o que se esperava em se tratando de um governo do PT: a valorização do servidor público.  Ademais, a limpeza pública de ser conjugada com o ordenamento público, coisa que não existe na atual administração. O mau cidadão que despeja seu lixo nas ruas, praças e logradouros públicos não vê no prefeito a autoridade de quem pode impedi-lo de fazê-lo. O que fazem para limpar a cidade é apenas caiar os meio-fios.

Seja sobre qual tema central for, o gabinete e os assessores de Laércio sempre saem pela tangente, nunca abordam a questão central dos temas.  Veja, por exemplo, o caso da Cultura, que também é um tema importantíssimo. Fazem festas, festivais gastronômicos, mas nada tem a ver com história e a identidade local. O Solar e o Museu Monlevade seguem alheios a qualquer política pública cultural. Não há política de preservação da Vila Operária. Não há socorro ao Colégio Santana (promessa de campanha). Como se pode promover um festival gastronômico no Município, sem se abordar a batata-doce que foi o principal produto agrícola e ingrediente das cozinhas das senzalas e do Solar Monlevade?

Sair pela tangente diante das questões administrativas do Município pode parecer o caminho mais conveniente para que é, tecnicamente, apolítico. Contudo, a saída pela tangente sempre leva à perda da trajetória.