sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

Como identificar uma fake news


Atualmente, muito se debate a respeito das notícias falsas ou fake news, tão divulgadas nos novos meios de mídia, e de seus efeitos na desinformação da sociedade.
Contudo, ao contrário dos meios de comunicação tradicionais como rádio e televisão, os novos meios de mídia impulsionados pela internet, além de comportarem conteúdo que não é pautado pelos primeiros, também fornecem eles próprios as ferramentas e os subsídios para a aferição se determinada notícia é falsa ou verdadeira, pastando para tal, uma análise mais detida da matéria ou uma pesquisa na própria internet, vez que hoje já existem páginas especializadas em desbaratinar as fake news.    
Outra maneira de se identificar uma fake news é ater-se às informações trazidas pela própria matéria. Uma fake news, como qualquer mentira, é esvaziada de dados concretos e específicos, como local, data, identificação dos envolvidos, etc. Para exemplificar, cito matéria divulgada no blog local, Tenda Vip, em 17 de outubro de 2018:


"PROVEDOR DO HOSPITAL MARGARIDA É CONVIDADO A PALESTRAR NOS EUA


O provedor do hospital Margarida e especialista em Coaching, José Roberto Fernandes, foi convidado para dar um treinamento em Connecticut, nos EUA. Ele comandará uma equipe de brasileiros em palestras comportamentais e de desenvolvimento pessoal e profissional. Além disso, José Roberto realiza diversos treinamentos no Brasil. Recentemente ele participou de um intensivo de três dias na Contabilidade Arthuso e realizou treinamentos no hospital Margarida com médicos, diretores e funcionários."

Note que a matéria em análise diz que o provedor do Hospital Margarida, José Roberto Fernandes foi convidado para palestrar em Connecticut, nos EUA. Contudo, a mesma matéria não diz em qual condado, em que dia e em qual instituição a palestra será realizada. Connecticut é um dos 50 estados dos EUA e, apesar de relativamente pequeno, possui vários condados ou municípios.  Neste caso específico, o tema da suposta palestra também causa estranheza. Imagine o atual provedor do Margarida, condenado pelo TJMG a se abster de difamar, covardemente, médico da casa; perseguidor da AAHM; acionador de polícia contra outro medido do hospital, destruidor do Bingo, etc, etc, tem condições de dar palestra comportamental de desenvolvimento pessoal? Parece piada de mau gosto! O atual provedor pode até ter ido a Connecticut, mas não foi para palestrar. Ainda, especificamente, neste caso, outro ponto que deve ser considerado na análise do exemplo de fake news apresentado é sua autoria. Trata-se de publicação de autoria de Thiago Moreira que, apesar de se apresentar como jornalista, mantém contrato de marketing com o Hospital Margarida.  Ou seja, a matéria, além de fake, é paga. 
Então, não se deixe enganar. Desconfiou que é fake news? Analise a fundo as informações colocadas ou a ausência delas e , se for o caso, faça uma rápida pesquisa na própria internet para se certificar da verdade. Ao contrário da rádio e da televisão, a rede mundial de computadores dispõe de muitos recursos para o cidadão se proteger da desinformação causada pelas fake news.      


As Três Fabulosas Fábricas de Ferro de João e Francisco Monlevade


É muito comum se deparar no romanceiro local com o seguinte conceito sobre o empreendimento erguido e mantido aqui, a partir de 1828, pelo metalúrgico e minerálogo francês, João Antônio de Monlevade: uma pequena forja catalã, fabriqueta de enxadas e produtos agrícolas.
Contudo, os registros históricos conferem outra dimensão para o empreendimento de Monlevade e revelam que, muito antes da instalação do grande capital siderúrgico, que se deu por meio da Belgo-Mineira, a partir de 1935, houve, na verdade, nada menos do três fábricas de ferro conduzidas pela Família Monlevade.
O próprio termo “forja catalã”, muito utilizado para caracterizar o estabelecimento de Monlevade, não é suficiente para tal, já que catalão era apenas o método propositalmente empregado pelo patrono do Município para a produção de um tipo específico de ferro e muito demandado naquele momento pela mineração do ouro em Minas Gerais.
Nem de longe, Monlevade foi apenas uma pequena forja, mas sim o que os historiadores definiriam como a mais importante Fábrica de Ferro do Brasil Império. E também não se dedicava, majoritariamente, à produção de artefatos de ferro para a agricultura, como se conta. É verdade que a enxada de 3 libras (1,5 quilo) de peso, forjada em ferro maleável por Monlevade era especialmente famosa em Minas Gerais. De fato, era seu produto mais popular, a ponto de levar seu nome. Naqueles idos, Monlevade era, popularmente, sinônimo de enxada durável, resistente e, portanto, o terror dos preguiçosos a quem se advertia: “fulano precisa é de uma boa Monlevade”. Todavia, o principal produto da Fábrica de Ferro Monlevade não era a enxada. Eram as cabeças de 80 quilos de ferro forjado para o trituradores utilizados no processamento do quartzito aurífero retirado das galerias subterrâneas pelas companhias inglesas mineradoras de ouro, instaladas às dezenas por Minas afora, a partir do segundo quartel do sec. XIX, chamadas por Monlevade de “mãos de pilão”, que para serem fabricadas em escala industrial e transportadas até as Minas de Ouro, algumas a 80 léguas de distância, como a Mina de Morro Velho, exigiam imenso esforço de trabalho e coordenação. Apenas no Morro Velho trabalhavam, dia e noite, movidas por rodas hidráulicas, 36 mãos de pilão, cujas cabeças forjadas de 80 quilogramas de ferro maleável, demandavam substituição ao final de 3 ou 4 meses de operação contínua. A verdade é que Monlevade, por mais de 50 anos, foi o fornecedor exclusivo de uma imensa gama de artefatos de ferro para as Minas de Ouro da região.
E ainda integrados à atividade da forja funcionavam, coordenadamente, outros tantos empreendimentos sem os quais tudo aquilo jamais seria possível. Em torno de uma forjaria muito bem qualificada, composta por mestres-ferreiros treinados pelo próprio Monlevade, também funcionavam os empreendimentos de produção em escala de carvão, da mineração, da abertura e manutenção de canais para a condução da água para a força motriz das rodas hidráulicas, da abertura e manutenção de estradas carroçáveis, do lançamento e manutenção de pontes, da fabricação de carretões de quatro rodas para o transporte da produção, da criação de gado para a condução dos carretões, do transporte das peças de ferro até as Minas de Ouro, da pedraria, da marcenaria, etc. E ao longo das várias décadas em que funcionou, não existiu, sob o ponto de vista estrutural do estabelecimento em si, apenas uma Fábrica de Ferro.
Elas foram três: a primeira, chamada por Monlevade de Fábrica Velha, funcionou de 1828 a 1853, encontrava-se instalada a 20 metros abaixo do Solar Monlevade, entre aquele e a margem do Rio Piracicaba e era equipada com os marteletes hidráulicos e as máquina importadas da Inglaterra; a segunda, chamada por Monlevade de Fábrica Nova, encontrava-se instalada numa área maior abaixo da primeira, funcionou de 1853 a 1891 e era equipada com as mesmas máquinas da primeira; e, por fim, a terceira, a Fábrica de Ferro de Francisco Monlevade, neto do patrono do Município, que em sociedade com a Companhia Nacional de Forjas e Estaleiros do Barão de Mauá, reequipou de forma extraordinária o empreendimento, com maquinário Frances e estadunidense, instalando-o na margem esquerda do Rio Piracicaba, abaixo do que hoje é a Represa do Jacuí.
Em 1853, Monlevade terminava a casa da oficina da segunda fábrica de ferro, muito mais ampla, preparando-se para retirar as máquinas da primeira, que já havia funcionado por 25 anos, e reassentá-las naquela, dando início à segunda fase de operação de seu fabuloso empreendimento. Em 12 de dezembro daquele ano, a par dos esclarecimentos sobre a siderurgia em Minas Gerais, Monlevade subscreveu relatório ao governador mineiro, disponível para consulta no Arquivo Público Mineiro, com o qual descreveu sua indústria pormenorizadamente, registrando inclusive que, então, os edifícios de seu estabelecimento eram cobertos com 200 milheiros de telhas. Trata-se de importante informação que permite se ter uma ideia do tamanho da estrutura do estabelecimento de Monlevade naquele momento. Ora, considerando que o metro quadrado de telhado comporta até 20 telhas, das pequenas, e que a Fazenda Carvoeira e Fábrica de Ferro de Monlevade contava com edifícios cobertos por 200 mil telhas, pode-se afirmar que naquele momento Monlevade possuía uma estrutura considerável de, pelo menos, 10 mil metros quadrados de área construída, coisa nada pequena para meados do sec. XIX ou mesmo para os dias atuais. No relatório, Monlevade ainda registra que também contava com 150 escravizados, treinados na arte do ferro e para os diversos serviços do estabelecimento. Número que destoa bastante do cenário bucólico e romantizado de uma pequena forja catalã, pois mesmo hoje, um empreendimento de 150 trabalhadores não pode ser considerado pequeno. Sobre a sua indústria, Monlevade escreveu:
[...]
"Ele (o estabelecimento) possui à porta da fábrica o mineral puro e em abundancia tal que poderia abastecer a Europa inteira e demais o hidrato de ferro, o manganês e outros minerais úteis para o mesmo fim.
Na mesma fazenda há quatro sesmarias de mato para o carvão e facilmente se pode aumentar este patrimônio querendo-se.
Dois ribeirões, com os regos já tirados, trazem para a fábrica em tempo da maior seca, muito mais água do que necessita para o consumo dela, colocada, aliás, a 112 pés acima do Rio Piracicaba e cujas águas poderiam cobri-la até se fosse necessário.
Tem abundância de madeiras grossas da melhor qualidade para as construções, máquinas, etc, etc e pastos quanto bastam para o custeio do estabelecimento, aliás, colocado perto de fazendeiros, os quais por preço cômodo a abastecem de víveres.
Existem 150 escravos de serviço, já adestrados na arte do ferro, na fabricação do carvão à moda européia, na manipulação de ferros de todas as formas e tamanhos. Está hoje entre mãos para a companhia do Morro Velho um aguilhão (eixo de transmissão de roda hidráulica) que não pesará, depois de concluído, menos de sessenta arrobas (900 quilos). Já tem ido para a companhias do Gongo (Soco), no Morro da Água Quente, peças maiores, tudo feito de ferro maleável e por conseguinte muito mais custoso. Entre os escravos há também ótimos pedreiros, carpinteiros, telheiros, carreiros, arrieiros, etc, etc. Existe na Fazenda para cima de cinco léguas de estradas de carro, entre as quais 2 ½ admitem carros europeus de quatro rodas. Tem duas pontes lançadas sobre o Rio Piracicaba, as quais por longos anos facilitaram o ingresso do carvão etc, etc, de ambos os lados do mesmo. Há edifícios para todos os cômodos e necessidades, cobertos com duzentos milheiros de telhas e um ultimamente concluído, destinado ao estabelecimento das máquinas vindas da Europa para obter com elas ferros de variadas bitolas... Enfim tem carros grandes de quatro rodas para condução do carvão, das pedras, há carretões à moda européia, etc, etc e um massame (espécie de ponte rolante) não pequeno para uma indústria em atividade há anos.
[...]
Abaixo (do Solar) a 88 pés (20 metros) de altura está situada a fábrica velha a uma distância tal que não incomoda, nem o calor, nem a poeira e a fumaça nem os estrondos das máquinas. Abaixo desta acabei a casa da nova em ponto muito maior. Segue ao depois o engenho de serrar. Ainda tem altura até o rio, para com a mesma água suprir ainda duas fábricas precisando. Das montanhas vizinhas desce um córrego... esta aguada é muito importante dando , mesmo no terreiro, impulso a um engenho de pilões, moinho para fubá à moda Européia, ralador de mandioca, ventilador, etc... Na fábrica velha existem duas rodas hidráulicas poderosas, três malhos, um de 80 arrobas de peso (1.200 quilos) para as obras grandes, um de 15 arrobas (225 quilos) e um pequeno de 5 arrobas (75 quilos) no meio das tendas para a fabricação do ferro miúdo e obras pequenas. Tem seis fornalhas de fundir ferro, sempre em atividade, três forjas e quatro tendas. Um bicame, ou tanque d’água, colocado a trinta palmos acima do fundo do canal e no meio da casa está recebendo a aguada toda do ribeirão, dando a força motriz para as duas rodas e o vento necessário por meio de quatro trompas, repartido com canais de braúna por todas as partes. Há também, duas mãos de pilão movidas por umas das rodas, as quais servem para reduzir em pó a pedra de ferro, quando não se emprega a jacutinga na fundição, assim como para sacar certas borras ricas de partículas de ferro as quais lavadas e refundidas dão um ferro de superior qualidade. Por dia rende a fábrica 30 arrobas (450 quilos) de ferro quase todo reduzido em obras, principalmente, em mãos de pilões para as Companhias Inglesas e Mineiras Brasileiras, aguilhões, bigornas, engenhos de serrar madeira, moendas para espremer a cana de açúcar , etc, etc. A fábrica nova é um edifício de 240 palmos de comprimento, 104 ditos de largura, e 45 palmos de altura destinado a receber maquinismo para obrar o ferro, etc. A mesma casa contém o engenho de serrar a madeira com rapidez. Empregando juntas as folhas que se quiser, assim como possui uma máquina de tornear ferro e as madeiras em todos os tamanhos”.
Em 1891, 19 anos depois da morte de Monlevade, sua Fábrica de Ferro sofria os efeitos da concorrência estrangeira, beneficiada pela chegada da ferrovia à Ouro Preto, etc. Fazia-se preciso reajustar a Fábrica de Ferro Monlevade à nova ordem mundial e aos ventos da Revolução Industrial. Agora, quem entra em cena é Francisco Monlevade, neto do patrono local e também engenheiro. Sem contar com o capital necessário para modernizar a indústria do avô segundo as exigências da época, Francisco a vende à Companhia Nacional de Forjas e Estaleiros do Barão de Mauá, por 1 mil contos de réis, mediante condição de permanecer à frente da administração do estabelecimento. Nesta terceira fase do empreendimento, é completamente abandonado o antigo local, abaixo do Solar, estabelecendo-se a casa da nova oficina na margem esquerda do Rio Piracicaba, abaixo do que é hoje a Represa do Jacuí. Neste período, a Fábrica de Ferro Monlevade foi, integralmente, submetida aos efeitos da Revolução Industrial, sendo equipada com uma série de maquinismos impressionantes, desenhados em Art Déco, entres os quais se destacam o Martelo-Vapor estadunidense e a Turbina Hidráulica francesa de 600 cavalos. Quase todo o acervo do Museu Monlevade é, atualmente, composto pelas máquinas da Fábrica de Ferro de Francisco Monlevade, que produzia 4 vezes mais ferro do que as duas primeiras do avô. E o mais interessante é que o prédio que abrigou a Fábrica de Ferro de Francisco Monlevade ainda existe e, atualmente, alberga a casa de máquinas da Represa do Jacuí, no bairro de mesmo nome. 




Trata-se do edifício da foto, igualmente em Art Déco, que, a partir de 1935, foi aproveitado pela Belgo Mineira para instalar as turbinas e geradores da Hidrelétrica do Jacuí. Na foto anexa, gentilmente cedida por minha amiga Corina Grosch, neta do engenheiro luxemburguês, Charles Diederich, encarregado por Louis Ensch de instalar a Hidrelétrica do Jacuí, pode-se ver a turbina francesa de 600 cavalos-vapor ainda instalada no pátio, ao lado da casa da oficina da Fábrica de Ferro de Francisco Monlevade. Ou seja, o Município de João Monlevade também tem um edifício da Companhia Nacional de Forjas e Estaleiros e não sabe.
Na edição nº 7, de 15 de abril de 1894, da Revista Industrial de Minas Gerais, disponível para consulta no Arquivo Público Mineiro, existe uma completa descrição da Fábrica de Ferro de Francisco Monlevade, feita pelo também engenheiro francês e professor da Escola de Minas de Ouro Preto, Paul Ferrand, que transcrevo a seguir:
"USINA MONLEVADE
Esta usina está colocada à margem esquerda do Rio Piracicaba a 14 km ao N. do Arraial de São Miguel de Piracicaba. Ela pertence à Companhia Nacional de Forjas e Estaleiros desde 1891; sendo anteriormente de propriedade do Sr. João Monlevade. Neste tempo se fabricava o ferro pelo processo direto italiano com dois fornos baixos produzindo diariamente 500 quilogramas de ferro em barras. Hoje ela acaba de passar por uma transformação completa sob direção do Sr. Francisco Monlevade, neto do presidente e engenheiro da Companhia. Foi completamente abandonado o local da antiga forja, estabelecendo-se a nova oficina num lugar mais apropriado aos maquinismos modernos.
A nova fábrica compreende 5 fornos catalães americanos “Bloomary Process”, dispostos em duas fiadas, um martelo a vapor com uma caldeira de vapor horizontal, um laminador para ferros de pequenos perfis, um forno de reverbero a gás para caldeamento das lupas e 4 tendas.
Atualmente trabalham só dois fornos; dois outros estão já montados , e o último se acha em construção. Cada forno faz uma operação em 3 horas ou 8 operações em 24 horas, dando 1 tonelada de ferro em barras; isto é, 125 quilogramas por operação, repartidos em 5 barras quadradas de 6 centímetros de lado, pesando em média 25 quilogramas cada uma. A produção diária total é por conseguinte de 2 toneladas.
Os fornos são munidos de aparelhos de aquecimento do sistema Calder e os gases ainda quentes passam a redor da caldeira que fornece o vapor necessário ao martelo-vapor para se escaparem depois pela chaminé . O aparelho de um dos fornos que não trabalha serve por enquanto para aquecer o vento soprado no gasógeno do forno de caldeamento. Este gasógeno de cuba, utiliza como combustível os resíduos em pó e miúdos de carvão de madeira impróprios para o forno. O martelo-vapor é de duplo efeito; seu peso é de 1,5 tonelada e seu levantamento é de um metro; serve para esbravejar (forjar) as bolas e lupas. O laminador serve para espichar as barras quadradas depois de caldeadas no forno de reverbero para obter o ferro em barras de diversos perfis.
As águas passam com uma altura de queda de 16 metros numa turbina horizontal de força de 600 cavalos-vapor. Esta turbina serve por enquanto para mover o laminador e o ventilador Roth que sopra o vento nos diversos fornos, além disso ela servirá para mover diversos outros maquinismos ainda não montados , como um laminador para fabricação de enxadas , máquinas de fazer machados, ferraduras, pregos etc. A oficina, que ocupa uma superfície de 75 metros de comprimento sobre 31 metros de largura, estará completamente acabada no fim de maio próximo , segundo espera o Dr.Francisco Monlevade, encarregado da construção e da direção deste novo e interessante estabelecimento".
A Fábrica de Ferro de Francisco Monlevade funcionou até 1897, quando a Companhia Nacional de Forjas e Estaleiros faliu, forçando seu fechamento.
Como se viu, além de terem sido três os estabelecimentos instalados e mantidos pelos Monlevade nesta terra, de pequena forja catalã fabriqueta de enxadas, como se conta, eles não tinham nada.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

Prandini quer voltar como se nada tivesse acontecido



Já é possível observar algumas sinalizações de que o ex-prefeito Gustavo Prandini , hoje auto-exilado em Juiz de Fora, deseja voltar para a amada terra, para se candidatar-se a algum cargo público no próximo pleito eleitoral de 2020. Circula a informação de que o irmão de Prandini estaria no Partido Novo e de que o ex-prefeito também poderia se filiar ao PT. 
O grande problema para Prandini é que o processo de construção do projeto político e de campanha para as próximas eleições tem se dado de modo muito diferente do ocorrido em 2016, quando a falta de planejamento, de coerência política e de uma estruturação mínima de campanha nos fizeram perder as eleições majoritárias por diferença de apenas 126 votos. Aliás, neste sentido, nosso ponto de partida para 2020 é justamente o prandinismo, como exemplo de tudo o que não se deve fazer numa administração pública. Aprendemos com Prandini que apenas vencer as eleições não basta. É preciso também eleger alguém fiel e preparado para o poder, que, uma vez empossado, mantenha a coerência política e implemente, de fato, um projeto político desenvolvimentista para João Monlevade. E se Prandini viesse a se candidatar a qualquer cargo, até mesmo o de vereador, dentro do nosso grupo, certamente, voltaríamos a perder as eleições, desda vez, por diferença inferior a 126 votos. Primeiro, porque a unidade do grupo - que é bom que se diga - ainda não se recuperou da prandinada que levou, ficaria muito mais comprometida. Segundo, porque demonstraríamos incapacidade de aprender com os próprios erros, de modo que todos ele poderiam ser cometidos novamente. E terceiro, também demonstraríamos incapacidade em lidar com a política enquanto disciplina científica, o que inviabilizaria a implantação de qualquer projeto político mais desenvolvimentista para o Município. Além do mais, caso Prandini viesse a ser eleito vereador, por exemplo, ele não votaria conosco na Câmara. Seria mais um vereador como Belmar Diniz e certamente voltaria a prosseguir os companheiros e partidos a exemplo de seu histórico enquanto prefeito. 
Acho que o Prandini tem todo o direito de deixar o exílio, voltar para a terra amada e tentar alguma candidatura no próximo pleito, desde que do lado do grupo de Moreira, até porque negociou o PV com a turma do radialista inelegível na coligação que elegeu Simone . Simplesmente, não há clima para Prandini do nosso lado, basta que o ex-prefeito se relembre de tudo o que fez, até da perseguição que empreendeu contra funcionária grávida de gêmeos, transferindo-a para o cemitério, para o viveiro e, por fim, a isolando na Fito Verde. O momento agora é de unidade e foco. Prandini do nosso lado nos tiraria o foco, pois teríamos que deixar de nos engajar na construção do projeto com vistas a 2002, para combatê-lo. Também nos comprometeria a unidade, pois muitos não admitiriam um retrocesso ao prandinismo. O que Prandini tem a fazer agora é submeter-se às consequências de seus atos, só isso.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

Política de combate a dengue no município é baseada em "pesquisa" do programa Carlos Moreira


Recentemente, por meio do vazamento de áudio do governo, ficou demonstrado o que todos já sabiam e o que a prefeita havia negado, ou seja, que quem de fato manda e desmanda na prefeitura de João Monlevade é o inelegível ex-prefeito Carlos Moreira, também multi condenado por muitos atos de improbidade administrativa. 
A comprovação da atuação de Carlos Moreira no atual governo por si já seria grave o suficiente, eis que segundo sua condição, o ex-prefeito deveria ser mantido longe da administração publica e da atividade partidária, a fim de se prevenir a ocorrência de novos atos lesivos ao patrimônio público. Contudo, situação ainda mais grave, revelada pelo vazamento do áudio, é a interferência direta que Carlos Moreira confessa realizar dentro da Vigilância Sanitária. No trecho pertinente do áudio vazado, fica muito claro como Carlos Moreira interfere junto a funcionária da Vigilância de Sanitária para desconsiderar seu trabalho técnico e pressionar a mesma para que passe a adotar como parâmetro para as ações de combate à dengue suposto resultado de pesquisa realizada entre ouvintes de seu programa na rádio Cultura. Isso é muito grave e deve ser denunciado às autoridades. Dengue mata! A políticas públicas de combate à dengue devem se basear em parâmetros técnicos, geridos por pessoal habilitado e consistentes com dados gerados pelo sistema, como número e local de notificação de focos do mosquito transmissor, registro dos casos, mapeamento das ocorrências, etc, etc. O combate à dengue jamais poderia ser norteado por suposta pesquisa telefônica realiza entre ouvintes da rádio Cultura, até porque aqueles que ligam e participam do programa Carlos Moreira, além de não serem técnicos, são em maioria cabos eleitorais de Carlos Moreira. É um descalabro!

Chegamos ao ápice da ingerência e da irresponsabilidade! Monlevade vive um surto velado de dengue. E se em médio prazo voltarem os casos de óbito em função da dengue, Carlos Moreira terá toda a responsabilidade.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

Áudio vazado do governo comprova que quem manda e desmanda na Prefeitura é Carlos Moreira


Áudio vazado do governo Simone Carvalho, publicado no programa Chico Franco, de quinta passada, na Rádio Comunicativa, comprova que quem comanda a Prefeitura é o ex-prefeito inelegível e com os direitos políticos cassados, Carlos Moreira.
Em conversa com Belmar Diniz e outros, Carlos Moreira sugere ao vereador que o procure quando precisar de alguma coisa no governo, que o ex-prefeito manda fazer. Na gravação, Carlos Moreira diz ao vereador:
- “Deixa eu te falar com cê, liga pra mim e fala, ô Carlos, pede Simone pra mandar Andrea me responder, ô Carlos, pede Simone pra mandar Fabrício resolver, ô Carlos, pode ligara na hora que ocê quiser”.
No áudio, Moreira também demonstra como age para interferir no comando do Município, ao descrever para o vereador como fez para substituir os parâmetros técnicos de ação da Vigilância Sanitária contra a dengue no município por pesquisa realizada entre os ouvintes da rádio Cultura. No áudio, Moreira diz:
-A denúncia que ocês fizeram que a menina falou que - ela era cargo comissionado na vigilância sanitária, aí ele mesma pediu demissão, com é que ela chama, a menina – Lucimara- aquela menina pediu demissão, ela mesma saiu de lá, fiz uma pesquisa uma semana no rádio, olha pro cê vê, como o pessoal fala mentira, eu que não quis responder, não quis nada, falando que eu estava mandando nela como prefeito, fiz uma pesquisa, está lá gravado tudo direitinho, está gravado, telefone, se um dia for para a justiça ela vai perder, eu fui ao bairro, tem dengue (?), tem foco da dengue (?), tem alguma suspeita de dengue no seu bairro (?), fiz uma semana isso agora, não tem muito tempo, tem uma semana, aí dois casos chamaram a atenção, um caso da Rua Araxá e um caso do Belmonte, a mulher falou assim, cê ta falando isso aí que vai ligar para Vigilância, para a secretária de Saúde e para a prefeita, aqui na rua Araxá tem uma casa aqui assim, com carro lá dentro do lote, com água, com dengue, eu já falei com a Vigilância Sanitária e não resolveu, eu falei que pode aguardar que eu vou passar para ela e vou passar para a prefeita também, todos três vão ter a cópia, e a prefeita vai cobrar deles, a mulher do Belmonte Ligou: tem uma casa fechada do meu lado aqui, cê tá falando isso daí, com mau cheiro com uma série de coisas, já falei com a Vigilância Sanitária - ela que era chefe da Vigilância Sanitária - falei com a Vigilância Sanitária e não resolveu, eu falei pode ficar assim que vai resolver, beleza, acabou a pesquisa fechou, sexta-feira eu liguei para ela, da rádio, falei assim, olha, Lucimara, fiz uma pesquisa aqui na rádio, a maioria falou que não tem foco, e nem viu ou sabe se teve, mas tem esses dois casos que chamaram a atenção, cê tem que ir lá, expliquei pra ela igual eu estou explicando pra você aqui, ela falou comigo assim, mas nós podemos entrar lá, Carlos, porque é fechada a casa, deixa eu te fala o que ocê tem que fazer, procura o seu jurídico na prefeitura, eles vão entra na justiça e vai conseguir um mandado de segurança, com a polícia lá, vai arrombar a casa e limpara a casa, é isso que ocê tem que fazer Lucimara”.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

Compreenda o Tamanho Colossal das Jazidas de Ferro de Minas Gerais



O mineiro não tem a noção exata da imensa riqueza ferrífera do Estado de Minas Gerais. Infelizmente, as informações relevantes a respeito da mineração em Minas, seja de qual mineral for, não circulam, não são divulgadas e não são democratizadas. Para se ter uma ideia, o município vizinho de Itabira somente teve conhecimento de que a Vale pretende, no curto prazo, encerrar as atividades da mineração do ferro no município por meio da vigilância do excepcional O Trem, o mais eficiente “ombudsman” da chamada cidade do ferro, entre outras qualidades. De fato, tudo que diz respeito a mineração em Minas se encontra envolto numa densa cortina de fumaça, inclusive a informação não pouco importante sobre o tamanho das jazidas de ferro. Contudo, apesar da completa falta de transparência em relação aos dados da mineração na Minas contemporânea, felizmente, podemos contar com os registros históricos daqueles pioneiros que aqui viveram e trabalharam nos primórdios da mineração e da indústria de transformação do ferro.
O relatório emitido por João Antônio de Monlevade em 1853 a pedido do governador, Francisco Diogo de Vasconcelos, é considerado o primeiro registro sobre a riqueza mineral do ferro em Minas Gerais. Quase 166 anos após ter sido redigido, a primeira parte do documento (imagem), a que trata da ocorrência do ferro em Minas, impressiona pela magnitude colossal das extensões das jazidas. Segundo Monlevade, além inúmeros outros pontos de ocorrência do mineral, Minas Gerais tem nada menos do que 5 imensas Cordilheiras de Ferro (em azul no mapa) e somente uma dela tem mais ferro do que todas as da Europa reunidas. A partir das descrições de Monlevade, é, realmente, impressionante como muitas minas de ferro, apesar de distantes a dezenas de quilômetros uma das outras, pertencem à mesma super-jazida.Monlevade não utiliza o termo “jazida”, mas sim “cordilheiras de ferro” já que os depósitos do metal compreendem montanhas inteiras que se alinham e se sucedem pelo complexo da Serra do Espinhaço até se perderem de vista. Segundo Monlevade, minas de ferro de Congo Soco, Brucutu, Cauê e Conceição pertencem a um único super-veio ferrífero, designado como a 4ª Cordilheira de ferro de Minas, a maior delas, com 20 léguas (130 km) de extensão. Bem como as de Itabirito, Nova Lima, Belo Horizonte, Sabará e Caeté pertencem a outro super-veio, a 5ª Cordilheira. Ou como a Mina do Andrade e do Morro Agudo também estão dispostas sobre um mesmo super-veio de ferro, a Segunda Cordilheira. E existem mais outras duas cordilheiras de ferro.
Igualmente, impressionante é que, ao se traçar um quadro no Mapa de Minas em torno das Cordilheiras de Ferro descritas por Monlevade, tem-se, precisamente, formado o Quadrilátero Ferrífero (imagem), cuja perpendicular Monlevade calculou em “termo médio de 18 léguas”(120 km).
Também chama a atenção a pureza do mineral ferrífero de Minas Gerais, que, segundo Monlevade, tem 76% de seu peso em ferro, “o mais rico que se conhece”.
Monlevade também traz a importante informação de que é dentro da região ferrífera das Gerais que ocorre a maioria das minas de o ouro e as mais ricas delas aparecem, justamente, entre as camadas de ferro, o que demonstra que ouro e ferro são indissociáveis em Minas Gerais, onde se acha um se encontra o outro, tornando plausível a afirmativa comum de que muitos países lavam o minério de ferro exportado por Minas e tiram dele o ouro, de brinde. Note que os nomes das localidades citadas por Monlevade, como Congo Soco, Brucutu, Morro Agudo, Cauê, Conceição, Itabirito, etc, iniciaram suas atividades mineradoras, extraindo o ouro e que somente muito tempo depois passariam a minerar também o ferro.
Transcrevo a seguir a 1ª parte do Relatório de João Antônio de Monlevade, datado de 12/12/1853, no qual o pioneiro mineralogista e metalurgista francês revela e descreve, com suas próprias palavras, a imensa riqueza ferrífera de Minas Gerais:
A primeira cordilheira a Leste principia perto de Sacramento, município de Santa Bárbara, Freguesia da Prata, passa em S. Domingos, Jequitibá, atravessa o Rio Piracicaba, um dos maiores confluentes do Rio Doce, e vai continuando nas matas, ainda não descortinadas acima do Ribeirão de Cocais Grande (Antônio Dias), onde apresenta-se poderosa. Comprimento total conhecido doze léguas. Em toda sua extensão de um lado a outro mata geral, terreno fertilíssimo e águas altas.
“Na Província de Minas, além de inúmeras camadas de mineral de ferro, mais ou menos extensas, existem cinco principais cordilheiras; e pode-se afirmar que uma só delas encerra mais ferro do que todas as da Europa reunidas, atendendo não somente a sua extensão a sua extensão e poder, como a riqueza do mineral, o mais rico que se conhece; pois que analisado quimicamente contem 76 % de seu peso em ferro.
Elas quase sempre são acompanhadas de outras camadas de ferro denominadas - Jacutinga, as quais são compostas do mesmo ferro oxidulado, ou protóxido de ferro, de manganês d’óxido de titânio, etc, etc, em estado arenoso. Também em superposição, ou nos encostos delas , existem as camadas de canga, ou hidrato de ferro mineral, muito empregado na Europa para produção, nos fornos altos, de ferro líquido. A canga pela análise dá somente de 25 a 35% de ferro. É das duas primeiras camadas somente, que se extrai o ferro destes contornos. O último mais pobre, pelo sistema de fundição usado nesta Província, daria muito pouco ferro . A direção geral das camadas é de N.N.E a S.S.O . Elas são deitadas ao nascente. A sua grossura varia de 1/8 a ¼ de légua. A profundidade delas é desconhecida.
A segunda aponta perto do Piracicaba a 3 ½ léguas acima do arraial de S, Miguel, na fazenda do professor Abreu, e forma esta serra elevada que acompanha a margem esquerda do rio; o pico saliente denominado – Morro Agudo- prolonga-se adiante da fábrica de J. A. Monlevade, que ela atravessa em comprimento de uma légua. Extensão total dez léguas.
[...]
A terceira aparece no Capão, ao sul d’Ouro Preto, onde ela forma uma parte importante ao Oeste da Cidade; segue para Santa Anna, Antônio Pereira; forma no Morro da Água Quente o encosto da Serra da Mãe dos Homens (Caraça) e a diante da lavra de G. Mor Innocencio desaparece. Extensão de 12 léguas.
A 4ª surge na ponta Sul da Serra Mãe dos Homens a 1 ½ légua da povoação de Capanema; vai se dirigindo ao N., passando perto da Cachoeira, Morro Vermelho, Roça Grande: segue para o Gongo (Soco), Cocais, Burucutu, Serra da Conceição e de Itabira, formando o Pico elevado da Cidade. Extensão vinte léguas.
A 5ª, e última ao Oeste, tem sua origem no sul do pico elevado de Itabira do Campo (Itabirito), o qual é inteiramente formado de ferro oxidulado. Ela acompanha esta imensa cordilheira saliente até ao Curral d’El-Rei, atravessa o Rio das Velhas em Sabará, prolonga-se até a muito elevada Serra da Piedade perto de Caeté, aonde ela forma uma grande parte da mesma. Extensão total 18 léguas. É muito provável que estas grandes camadas vão aparecer ao norte em Gaspar Soares, Candonga, na Serra Negra, no Grão Mogor, etc, etc; lugares todos riquíssimos de ferro. A distância destas cinco camadas da 1ª a Leste até a última 5ª ao Oeste, tomada perpendicularmente à direção delas é termo médio de 18 léguas. Nos terrenos interpolados , as duas camadas extremas incluídas, é que existem a maioria das minas de ouro, e as mais ricas tem aparecido nas camadas de ferro, assim como no Ouro Preto, Sabará, Gongo, Itabira, etc, etc.”

sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

Não é Milícia, É Máfia


No Brasil, é muito comum que os conceitos das coisas sejam deturpados, a fim de se manter aquele estado de coisas, que ao final, é muito conveniente para as elites dirigentes. Milícia é um deles. E assim, deturpados, tais conceitos passam a circular na grande-mídia (principalmente na televisão), confundindo, dificultando e até impedindo uma abordagem eficaz na resolução daquele fenômeno, já que não se pode resolver aquilo sobre o que não se tem compreensão. Uma rápida consulta ao vernáculo revela que “milícia” é: 1 - Vida ou carreira militar; 2 - Exército, tropas; 3 - Corporação bem disciplinada; 4 - Os militares; 5 - Tropas de segunda linha. 
Como se vê, o dicionário tem uma definição de milícia muito diferente daquilo que ocorre nos subúrbios e nos morros do Rio de Janeiro. Aliás, além de não designar o que acorre no Rio, milícia é um termo de sonoridade amena, nada alarmante. Quando se diz milícia, ninguém olha. Muito diferente de se dizer “máfia”. Isso sim é uma palavra de sonoridade e significados alarmantes. “Máfia” até se inicia com a sílaba “má” que é o feminino de mau. Falou em máfia, todos se alarmam. E é a realidade nua e crua do que acontece no Rio de Janeiro em outras capitais. 
Quando determinado grupo paralelo ao Estado de agentes armados, passam a disputar, violentamente, regiões geográficas do Rio de Janeiro, onde obrigam a população à adesão e ao pagamento compulsório de uma série de serviços como fornecimento de internet, TV a cabo, gás, água e, principalmente, de serviço de segurança contra a própria violência que eles mesmos produzem, o nome de tal situação é “máfia” e não “milícia”, como demonstrou o Aurélio. E enquanto as milícias não forem tratadas como aquilo que elas realmente são, ou seja, máfias, tal situação absurda jamais será resolvida.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2019

Quebra-molas para Obra do Provedor








  

Certa vez, o Blog Monlewood publicou que a prefeita Simone era sócia de empresa junto do cônjuge do provedor do Hospital Margarida, José Roberto Fernandes, e que tal empreendimento tinha sede na casa dos dois últimos. É uma situação no mínimo atípica a ordenadora de repasses públicos ao Hospital Margarida manter relação de interesse particular com o cônjuge de quem executará aqueles repasses. Fosse num país sério, apenas por este motivo, José Roberto seria impedido de tomar posse na providoria do HM no mandato de Simone Carvalho. O blog Monlewood também publicou que havia circulado nas redes sociais propaganda arregimentando vendedores do plano de saúde Top Vida Card, na casa do provedor naquele mesmo endereço na Avenida Getúlio Vargas 369, Bairro Areia Preta. Outra situação bastante atípica, já que , enquanto gestor de recursos públicos da saúde, o provedor José Roberto Fernandes não pode manter nenhuma relação de interesse pessoal com plano de saúde, muito menos aquele que venha a ser contratado pelo Hospital Margarida. E foi o que aconteceu, José Roberto Fernandes contratou o plano Top Vida Card para prestar serviço aos funcionários do HM. Fosse num país sério, José Roberto Fernandes teria sofrido, no mínimo, uma ação de improbidade administrativa para anular tal contratação, etc. Mas, em João Monlevade o Ministério Público que já foi tão operante, hoje não quer saber mais de problemas desta natureza. 
Mas, depois de todo esse imbróglio, o provedor resolveu deixar sua casa, no número 369 do Bairro Areia Preta e ocupou a casa imediatamente ao lado, à qual submeteu a uma reforma considerável. Imagina-se que deva ser para seguir realizando suas reuniões do Top Vida Card. Só que para realizar a tal reforma, os contratados para a obra passaram a utilizar o outro lado da avenida para depositar materiais de construção como areia e brita (foto). Também utilizam o espaço público lançarem escada, etc. E para carregar o material do outro lado da avenida para o canteiro de obra, se faz necessário atravessar a via muitas vezes, com o carrinho de mão. Ocorre que o pesado e intenso fluxo de carros e carretas daquele ponto da Av. Getúlio Vargas estava atrapalhando muito a obra do provedor José Roberto Fernandes, dificultando a operação dos carrinhos de mão, etc .Então, ele pediu a Carlos Moreira, de quem é braço direito, para que instalasse um quebra-molas em frente a sua obra, o que foi providenciado imediatamente. E como sempre, fizeram tudo sem consultar a engenharia. É preciso relembrar que aquele leito da Getúlio Vargas é muito frágil, já que se trata de aterramento realizado pela Belgo Mineira, há muitas décadas. Prova disso foi a grande cratera que surgiu naquela região e ficou aberta por cerca de 3 anos, tomando metade da pista da Getúlio Vargas. O bom senso sugere que a instalação de quebra-mola em situação de aterramento, à beira do barranco, por onde trafegam diariamente numerosa carretas de quase 60 toneladas de fio-máquina pode não ser muito prudente. 
É preciso que o cidadão monlevadense compreenda que Carlos Moreira/Simone Carvalho não possui um projeto de desenvolvimento para João Monlevade. Moreira tem um projeto de poder , cujo capital político é o atendimento de demandas particulares a aliados e a manipulação do conteúdo político da Rádio Cultura. é assim que ele vence eleições: manipulando a rádio e atendendo seus aliados no varejo. Moreira não governa para o povo, governa para um grupo fechado de apoiadores, entidades, empresas, prestadores de serviços públicos e cabos eleitorais que alicerçam seu projeto pessoal de poder, em troca de interesses particulares. Não há interesse público em governo influenciado por Carlos Moreira. Como no caso do quebra-mola, instalado com dinheiro público, que visa apenas a atender interesse particular de aliado. Além do dinheiro público gasto, agora o cidadão terá mais um quebra-mola para danificar a suspensão de seu automóvel, tendo de se submeter a contenções no tráfego (foto), para atender a interesse particular de aliado de Moreira. O que se espera é que encerrada a obra a quebra-molas seja retirado dali.


10 Anos do Prandinismo


A passagem de janeiro de 2019 marca os 10 anos do Prandinismo. O termo refere-se ao conturbado e, muitas das vezes, destrutivo mandato do ex-prefeito Gustavo Prandini, transcorrido entre os anos de 2009 e 2012.
Nas eleições municipais de 2008, Gustavo Brandini se apresentou como alternativa ao governo conservador de Carlos Moreira, embasando-se num discurso progressista de mudança, eficiência e participação. Com isso, conseguiu congregar em torno de si, no Partido Verde, um grande grupo de jovens com o mesmo desejo de mudança , além de partidos como o PT, o PC do B, entre outros. Sua campanha, iniciada em julho de 2008, foi marcada pela participação direta da juventude que, com inquietude, muito enfrentamento e a decisiva militância dos partidos coligados, elegeu Gustavo Prandini prefeito de Monlevade com uma diferença de cerca de 500 votos para o segundo colocado e um plano de governo extremamente audacioso, que previa a instalação ate de teleférico no Parque do Areao . 
Contudo, logo depois de eleito – ainda hoje não se sabe ao certo o que afetou o ex-prefeito – Prandini passou a agir na contramão de tudo com o que havia se comprometido junto a seus apoiadores e eleitores. Ato marcante e mais controverso do ex-prefeito foi sua opção em deixar de fazer uma administração participativa, excluindo completamente do processo decisório de suas ações de governo o Partido Verde, demais aliados e delegando o poder decisório de sua gestão , exclusivamente, a Emerson Duarte, ex-coordenador de sua campanha, a quem empossou como secretario de governo, figura nada saudosa que ficaria conhecida como o primeiro-ministro da meteórica era prandinista. Tal fenômeno ficou conhecido como Pacto-umbilical.
E Prandini não ficaria por ai. Alem de fechar seu governo a participação decisória dos partidos que o elegeram, Prandini passou a, literalmente, perseguir os integrantes do Partido Verde que o haviam eleito prefeito a ponto de, com menos de dois anos de mandato, os únicos integrantes do Partido Verde original a participarem de seu governo eram o tal Emerson Duarte e outros gatos pingados. Prandini substituiu quase todos pevistas por amigos da esposa, moreiristas e muita gente completamente alheia ao projeto inicial proposto ao eleitorado. A perseguição a aliados gerou imensa crise política em seu governo, situação que se desdobrou em crise administrativa, depois, numa crise financeira, seguida de uma crise institucional e , por fim, na crise de credibilidade, que rendeu ao governo Gustavo Prandini mais de 80% de rejeição popular, sepultando de vez qualquer pretensão do ex-prefeito a reeleição, que sequer foi tentada, apesar de sua juventude. Desde o termino de seu mandato, Prandini se encontra auto-exilado em Juiz de Fora. Certamente, foi um dos governos, politicamente, mais instáveis e conturbados da historia de João Monlevade, marcado pela incessante dança de cadeiras de secretários e por intensa fragmentação da própria base política. Por fim ate o PT rompeu com Gustavo Prandini. Nenhum prefeito causou tanto estrago nos setores progressistas da política monlevadense quanto Gustavo Prandini. E tais estragos ainda são sentidos. Terminou seu mandato sem conseguir cumprir 05 porcento de seu programa de governo e com a Prefeitura numa grave situação financeira e administrativa, com a interrupção de muitos serviços. 
Por isso eh fundamental aprender com os erros do prandinismo para não comete-los novamente no futuro. Alias, pode-se dizer que o prandinismo foi o exemplo de tudo que nao se deve fazer numa administração municipal. A lição tirada do prandinismo eh que não basta vencer as eleicoes. Eh preciso eleger alguém preparado para o poder, capaz de não perder a coerência política depois de eleito , de agregar, de construir e, sobretudo, de liderar pessoalmente o município, ouvindo seu povo, para recolocar Monlevade de volta aos trilhos do desenvolvimento. Prandini nunca mais!

terça-feira, 8 de janeiro de 2019

Laranjal Bolsonaro

Texto escrito em 11 de dezembro de 2018.



A honestidade do governo Bolsonaro não durou 30 dias. Não se poderia esperar outra coisa de alguém que está há 30 anos instalado naquele fisiologismo de Brasília, sempre associado a partido do chamado baixo-clero, que são os mais fisiologistas, tendo levado consigo os quatro filhos para política, o que é um forte traço do coronelismo, isto é, nada novo. Já havia recebido 200 mil da JBS. 
Agora o COAF revela que motorista do filho de Bolsonaro, lotado em gabinete da ALERJ, com salário de 23 mil reais, movimentou durante 12 meses, 1 milhão e 200 mil reais, inclusive um depósito de 24 mil para a primeira-dama. Isso é tudo que o Lula não teve, ou seja, laranja. Lula está preso por ser considerado proprietário de um Triplex que não está no nome dele nem no nome de laranja nenhum. Não há laranja de Lula. Situação muito diferente de Bolsonaro que, nem tomou posse e já se descobre um tremendo laranjal. 
Mas está tudo bem para o eleitor de Bolsonaro. Sem problemas. Para ele, isso pouco importa. O eleitor de Bolsonaro nutre o mesmo parâmetro ético dos enredos das novelas do horário nobre da Globo, aquele oba-oba nacional, onde vale tudo, o dinheiro compra todos e circula a Lei de Gerson e todos os expedientes de desonestidade. O Eleitor de Bolsonaro vê a honestidade como um discurso de falso moralismo, já que, segundo ele acredita, ninguém consegue nada sendo honesto no Brasil. É a conclusão que ele chega depois de assistir a mais um capítulo da novela. Muito mais do que contra a corrupção em si, o eleitor de Bolsonaro não aceita é a ideia de um nordestino ousar ser dono de um triplex no Guarujá, independente se isto tenha acontecido ou não. O eleitor de Bolsonaro considera que nordestino, preto, pobre, etc, não podem frequentar determinados lugares nem possuir determinados bens. Essa que é a verdade.