Muito embora subvencionado pelo Município de João Monlevade com repasses anuais milionários, o gabinete do prefeito Laércio Ribeiro (PT) não tem nenhuma estratégia política em relação ao Hospital Margarida.
Passando por uma visível crise técnica generalizada que teve início com o cancelamento judicial do Bingo em 2016 e se desdobrou para a falta de atendimento humanizado e especializado da população, o Hospital Margarida tem sido alvo de inúmeras reclamações de pacientes e familiares nas redes sociais e até de protestos em praça pública, como foi o caso recente da morte do menino Kaíque, diagnosticado tardiamente naquela unidade hospitalar com o quadro de apendicite.
O Hospital Margarida, quando era administrado pela Belgo-Mineira e posteriormente por entidades especialistas em gestão hospital, como a São Camilo e a Pró-Saúde foi referência em qualidade de atendimento a pacientes locais e regionais. Agora, que há cerca de 15 anos é administrado por uma entidade política, criada pelo ex-prefeito inelegível Carlos Moreira, aquele mesmo que concebeu a ideia desastrosa de improvisar um hospital de 100 leitos no prédio do antigo terminal ao custo de muito mais de 22 milhões de reais em recursos públicos da saúde que evaporaram, o Hospital Margarida chega ao ápice de sua crise. Tudo à revelia do gabinete do prefeito.
Ora, como é o Município de João Monlevade que subvenciona o Pronto Socorro do hospital, a entidade que o administrará será sempre aquela com a qual o prefeito celebrar o convênio de repasse da subvenção. Vale dizer que, se o prefeito de João Monlevade resolver não renovar o convênio com a Associação São Vicente de Paulo de Carlos Moreira (ASVP) para celebrá-lo junto a uma outra entidade que seja especialista em gestão hospitalar, a ASVP terá que deixar o hospital.
Contudo não é o que acontece. Laércio chega a seu segundo mandato consecutivo como prefeito de João Monlevade, sem qualquer estratégia política neste sentido, apesar de todo o ônus político da crise no Hospital recair sobre os ombros do chefe do Executivo municipal. O PT de Monlevade, definitivamente, não é um partido político científico capaz de desmontar as estruturas políticas montadas por um adversário improbo com o único intuito de beneficiar apenas seu grupo político, já que não podendo concorrer às eleições, precisa de um lugar para acomodar seus afilhados políticos. Tudo em detrimento dos interesses da população.
Assim, enquanto o povo sofre com o mau atendimento e crianças, como o menino Kaíque, perdem a vida em meio a um mar de incompetência, o gabinete de Laércio alimenta a sobrevida de um ex-prefeito inelegível que deveria estar afastado da vida pública. Hoje, como recentemente revelado pelo vice-presidente da ASVP, o Hospital Margarida conta com 900 funcionários, numero demasiado inchado, que demonstra como a unidade hospitalar se transformou num cabide de empregos políticos. Ou o Hospital Margarida se dedica a atender o povo de João Monlevade ou ele se submete a interesses de grupos políticos, liderados por um ex-prefeito inelegível, com histórico desastroso de instalação de estrutura hospitalar. As duas coisas ao mesmo tempo, a crise velada da ASVP demonstra que o HM não as pode fazer. E enquanto isso, o gabinete de Laércio, que é médico histórico do hospital, segue omisso e de braços cruzados, enquanto, coniventemente, repassa verba milionária para a casa de saúde. É preciso responsabilidade política para alterar o lamentável estado de coisas vigente no único hospital da cidade, para que ele volte a ser administrado por uma entidade especialista em gestão hospitalar e possa se tornar novamente referencia regional em qualidade de atendimento.