quinta-feira, 3 de abril de 2025

GABINETE DE LAÉRCIO NÃO TEM ESTRATÉGIA PARA O HOSPITAL MARGARIDA


Muito embora subvencionado pelo Município de João Monlevade com repasses anuais milionários, o gabinete do prefeito Laércio Ribeiro (PT) não tem nenhuma estratégia política em relação ao Hospital Margarida.   

Passando por uma visível crise técnica generalizada que teve início com o cancelamento judicial do Bingo em 2016 e se desdobrou para a falta de atendimento humanizado e especializado da população, o Hospital Margarida tem sido alvo de inúmeras reclamações de pacientes e familiares nas redes sociais e até de protestos em praça pública, como foi o caso recente da morte do menino Kaíque, diagnosticado tardiamente naquela unidade hospitalar com o quadro de apendicite.  

O Hospital Margarida, quando era administrado pela Belgo-Mineira e posteriormente por entidades especialistas em gestão hospital, como a São Camilo e a Pró-Saúde foi referência em qualidade de atendimento a pacientes locais e regionais. Agora, que há cerca de 15 anos é administrado por uma entidade política, criada pelo ex-prefeito inelegível Carlos Moreira, aquele mesmo que concebeu a ideia desastrosa de improvisar um hospital de 100 leitos no prédio do antigo terminal ao custo de muito mais de 22 milhões de reais em recursos públicos da saúde que evaporaram, o Hospital Margarida chega ao ápice de sua crise. Tudo à revelia do gabinete do prefeito.

Ora, como é o Município de João Monlevade que subvenciona o Pronto Socorro do hospital, a entidade que o administrará será sempre aquela com a qual o prefeito celebrar o convênio de repasse da subvenção. Vale dizer que, se o prefeito de João Monlevade resolver não renovar o convênio com a Associação São Vicente de Paulo de Carlos Moreira (ASVP) para celebrá-lo junto a uma outra entidade que seja especialista em gestão hospitalar, a ASVP terá que deixar o hospital.

Contudo não é o que acontece. Laércio chega a seu segundo mandato consecutivo como prefeito de João Monlevade, sem qualquer estratégia política neste sentido, apesar de todo o ônus político da crise no Hospital recair sobre os ombros do chefe do Executivo municipal. O PT de Monlevade, definitivamente, não é um partido político científico capaz de desmontar as estruturas políticas montadas por um adversário improbo com o único intuito de beneficiar apenas seu grupo político, já que não podendo concorrer às eleições, precisa de um lugar para acomodar seus afilhados políticos. Tudo em detrimento dos interesses da população.             

Assim, enquanto o povo sofre com o mau atendimento e crianças, como o menino Kaíque, perdem a vida em meio a um mar de incompetência, o gabinete de Laércio alimenta a sobrevida de um ex-prefeito inelegível que deveria estar afastado da vida pública. Hoje, como recentemente revelado pelo vice-presidente da ASVP,  o Hospital Margarida conta com 900 funcionários, numero demasiado inchado, que demonstra como a unidade hospitalar se transformou num cabide de empregos políticos. Ou o Hospital Margarida se dedica a atender o povo de João Monlevade ou ele se submete a interesses de grupos políticos, liderados por um ex-prefeito inelegível, com histórico desastroso de instalação de estrutura hospitalar. As duas coisas ao mesmo tempo, a crise velada da ASVP demonstra que o HM não as pode fazer. E enquanto isso, o gabinete de Laércio, que é médico histórico do hospital, segue omisso e de braços cruzados, enquanto, coniventemente, repassa verba milionária para a casa de saúde. É preciso responsabilidade política para alterar o lamentável estado de coisas vigente no único hospital da cidade, para que ele volte a ser administrado por uma entidade especialista em gestão hospitalar e possa se tornar novamente referencia regional em qualidade de atendimento. 

terça-feira, 18 de março de 2025

HOSPITAL MARGARIDA: ALTA COMPLEXIDADE DEMANDA ENTIDADE ESPECIALISTA EM GESTÃO HOSPITALAR


 

A imagem da Associação São Vicente de Paulo (ASVP/JM), entidade que administra o Hospital Margarida, nunca esteve tão ruim em João Monlevade. Desde o Golpe do Bingo, a imagem da ASVP/JM só vem declinando, em meio a muitas reclamações por atendimento humanizado e mais técnico, etc.

Recentemente, na tentativa de amenizar a situação, a ASVP divulgou vídeo nas redes sociais com o qual enfatizou sobre o funcionamento do setor de faturamento do hospital, revelou que a entidade conta com 900 empregados, informou que a casa está em dia com suas contas e que, por isso, está até construindo novo prédio para instalar ala de procedimentos de alta complexidade.

O que preocupa o povo é o atendimento desumano e de baixa qualidade técnica em muitos setores do HM. Faturar, todos sabem que a ASVP/JM fatura milhões. Ninguém quer ver imagens do setor de faturamento. A regra numero 1 do pensamento racional é que a imagem é enganosa. O povo quer não apenas ver, como também experimentar na prática é atendimento humanizado e muito mais técnico.  O número de 900 empregados demonstra que o hospital está inchado e se transformou num cabide político de empregos, já que é a mesma quantidade de funcionários diretos da Usina Siderúrgica local, até então o maior empregador privado no Município.   Falando em faturamento, esqueceu-se de esclarecer o vice presidente da ASVP/JM, durante o vídeo, se os recursos para o custeio do novo prédio já se encontram garantidos.  

Neste contexto, a grande pergunta é: será que a ASVP/JM se encontra, tecnicamente, apta a prestar serviços hospitalares de alta complexidade no Hospital Margarida? Casos cirúrgicos simples que o corpo técnico do hospital teve dificuldade em diagnosticar, recentemente, como apendicite e vesícula, inclusive a que levou a óbito o menino Kaíque de apenas 10 anos de idade, demonstram que a ASVP/JM não se encontra apta a prestar serviços de alta complexidade, porque ela não se trata de entidade especialista em gestão hospitalar.

Ocorre que, para melhor prestar os serviços de alta complexidade é, absolutamente, necessário que a entidade administradora do hospital seja especialista em gestão hospitalar, o que não é o caso da ASVP/JM.  A entidade que hoje administra não é especialista em gestão hospitalar, ela é apenas uma associação política que detém o título de filantropia. É por isso que, hoje, o HM tem imensa dificuldade em realizar diagnósticos cirúrgicos simples. Falta corpo técnico no hospital e sobram cargos políticos. Nos últimos anos, cerca de 20 médicos se desligaram do HM porque a ASVP/JM não os pagava salários compatíveis com o mercado. Falta cirurgião no Pronto Socorro do Hospital  porque o salário ofertado pela ASVP/JM é muito menor do que aqueles praticados em outros hospitais da região. E enquanto isso, a ASVP/JM jamais parou de construir e de executar obra de construção civil no HM. Para o cimento, a areia e os tijolos a ASVP/JM paga preço de mercado.  Na verdade, a especialidade da ASVP/JM é a de construção civil.

Com esta política de gestão hospitalar que privilegia a construção civil em detrimento da contratação de corpo técnico qualificado e gabaritado ficará até perigoso a ASVP/JM, que não é especialista em gestão hospitalar e detém histórico de falhas técnicas recentes, passar a administrar o setor de alta complexidade que estão construindo.  Será muito mais seguro para a população que, depois de construída e instalada a ala de alta complexidade, a Hospital Margarida volte a ser administrado por uma entidade especialista em gestão hospitalar.  Assim, desde já, dou início à campanha: para alta complexidade o Hospital Margarida necessita ser administrado por uma entidade especialista em gestão hospitalar. A ASVP/JM se esgotou em sua ânsia de construir algo que se encontra inabilitada para gerir. Passou da hora da mudança. Quantas crianças mais terão que perder a vida no hospital com diagnóstico tardio de apendicite para que a ASVP/JM seja substituída por uma entidade especialista em gestão hospitalar?           

terça-feira, 25 de fevereiro de 2025

DECLÍNIO DE LULA ABRIRÁ ESPAÇO PARA ADVENTO DA NOVA ESQUERDA

 A situação não anda nada boa para o Lula. A impopularidade do presidente é crescente e sem perspectiva de melhora diante dos erros de seu governo. Tem pesado na avaliação de seu terceiro mandato a disparada do processo inflacionário, principalmente em relação ao alto preço dos combustíveis e dos alimentos.

Mas depois de, pelo menos 10 aumentos sucessivos nos preços dos combustíveis, o resultado não poderia ser outro. Ou será que o PT achava que ao adotar a política de variação galopante de preços que se verificou nos últimos 2 anos na Petrobras e não haveria efeito negativo para economia? Neste tema, outro erro do PT foi a omissão com que tratou a tragédia climática no Rio Grande dos sul, um dos maiores produtores de alimentos do país, responsável por nada menos do que 70% da produção nacional de arroz.  Na ocasião, para não contrariar o interesse dos agricultores rurais gaúchos que temiam a queda dos preços de seus produtos, o PT optou pela não importação de alimentos. Novamente, o resultado não poderia ser outro. Diante da destruição das lavouras e da opção governamental pela não importação de alimentos, a conseqüência só poderia ser inflacionária. O correto teria sido importar alimentos e, ao mesmo tempo, socorrer os produtores rurais com linhas de crédito e até subsídios para o restabelecimento das lavouras, etc, etc, o que não aconteceu. Colhemos agora o resultado da inação do PT. E toda inação ou é proposital ou resultado da alienação. No caso do PT, a alienação é política, no sentido científico.

O PT nunca enxergou a política como a ciência que ela é. E por isso, hoje é visível o esgotamento político de Lula. Os cientistas políticos que existiam abandonaram o partido em função do “Mensalão”. E para realmente mudar o Brasil será precisa a adoção de um nível político-científico alto. Infelizmente, o petista contemporâneo, ao contrário, é de um nível político muito baixo. Ele não mais tem formação política e é muito influenciado pela mídia nacional conservadora, como a TV e suas novelas desprezíveis. Veja a Janja, por exemplo, a primeira-dama nada protocolar do Brasil. A Janja é o mais fiel retrato do petista médio contemporâneo. Toda vez que ela abre a boca, Camões se debate no túmulo, tamanha é a dificuldade gramatical da primeira-dama. De cada dez palavras pronunciadas, duas ou três são inglesas, o que atesta alto grau de alienação identitária. E ainda fica dando trela para figuras abomináveis como a Xuxa, por exemplo, a atriz pornô que a Rede Globo apresentou como referência de mídia para a criança brasileira nas décadas passadas, dando início ao processo de alienação infantil que hoje produz “pais e mães” de 10, 11 ou 12 anos de idade. Como uma criança de 12 anos pode ser mãe se ela é, juridicamente, menor e, portanto, não conta com discernimento para administrar nem a própria vida, quanto menos a de um recém-nascido? E quanto aos estudos? Será que uma criança da periferia que se torna mãe aos 12 anos de idade terá condições de terminar os estudos? É isso que a primeira-dama quer para a infância brasileira ao convidar Xuxa para “estrelar” campanha de vacinação? E por falar em Janja, infância brasileira e Rio Grande do Sul, lembro-me muito bem que em meio a tragédia climática que atingiu aquele estado brasileiro, produzindo órfãos, milhares de crianças desabrigadas, flageladas e desencontradas de suas famílias, a primeira-dama do Brasil se encontrava, ostensivamente, engajada no salvamento do cavalo Caramelo e de cães de rua.  Até adotou alguns deles e os levou para o palácio. E não vou nem discorrer sobre as dezenas de milhões de crianças brasileiras que se encontram segregadas nos guetos a que se chamam favelas, totalmente abandonadas pelo Estado, em condições subumanas de vida e que são, totalmente, invisíveis aos olhos da primeira-dama do Brasil, que, como se não bastasse, ainda contribui para o isolamento político do presidente, porque não permite reuniões políticas no Palácio da Alvorada.

O PT está se exaurido e nos próximos anos perderá o protagonismo político que deteve no país nas últimas décadas, assim como ocorreu com o PSDB, diante do advento recente da extrema-direita no Brasil.  Então, a decadência de Lula e do PT abrirá espaço para o surgimento de uma nova esquerda brasileira, muito mais científica, reformista e, portanto, capaz de transformar o Brasil e de, finalmente, conduzi-lo ao desenvolvimento pleno.

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2025

A FILHA DO MARQUETEIRO/JORNALISTA NO MAIS LETAL SURTO DE DENGUE DA HISTÓRIA DE JOÃO MONLEVADE


 

Sabe aquele jornal impresso que circula há décadas no Município, nos dias de sexta-feira? Pois é... os leitores pegam aquilo para ler, buscando se informar e achando se tratar de conteúdo jornalístico, quando na verdade a maioria das matérias veiculadas naquele tablóide é produto  de marketing ora contratado diretamente, ora indiretamente e até mesmo trocado por cargo em algum governo.

É que o dono do jornal da sexta-feira, além de se autodeclarar jornalista, também é marqueteiro de tudo quanto é político no Município. Geralmente, quando é período de eleição, ele se declara marqueteiro em busca de contratação. Terminada a eleição, ele passa a se autodeclarar jornalista, apesar de não possuir formação acadêmica na área.  Assim, ele é remunerado duas vezes, quando é contratado pelos políticos e quando vende jornal.

O primeiro problema é que ao divulgar as muitas matérias de marketing que estampam o seu jornal, ele desinforma a população, violando a ética profissional do jornalismo ao não identificá-las como oriundas de contrato de marketing. Veja o que diz o Código de Ética do jornalista sobre o tema:

Art. 12. O jornalista deve:

[...]

IV - informar claramente à sociedade quando suas matérias tiverem caráter publicitário ou decorrerem de patrocínios ou promoções;

[...]

Assim, como o jornal chama-se “A Notícia” e não “O Marketing” e as matérias publicitárias não são identificadas como tal, conforme é o dever ético do jornalista, o leitor acaba se desinformando pensando se tratar de conteúdo jornalístico, quando na verdade tudo é produto de marketing vendido ou trocado por cargo na administração publica.   

Veja o que acontece em João Monlevade, por exemplo. Toda a semana, o jornal vem recheado de fotos e de matérias favoráveis ao governo local, etc, expondo claro viés publicitário,  sem a devida identificação imposta pelo inciso IV, do artigo 12 do Código de Ética do Jornalista, o que induz o leitor a acreditar que aquilo guarda alguma relação com a realidade, quando na verdade se trata de matéria de marketing trocada por cargo na prefeitura. Veja na ficha funcional em anexo, emitida pelo Portal da Transparência,  que a filha do dono do jornal, a servidora comissionada, Viviane Ambrósio Passos, ocupa o cargo de chefe da Vigilância em Saúde do Município, recebendo o salário de R$ 7.455,65, mesmo sem apresentar qualificação específica para a função. Veja o que também diz o Código de Ética do jornalista sobre o tema:           

Art. 11. O jornalista não pode divulgar informações:

 I - visando o interesse pessoal ou buscando vantagem econômica;

[...]

Vale dizer que, desde que a filha assumiu o cargo comissionado na Vigilância em Saúde, o jornal A Notícia se encontra, tecnicamente, impedido de divulgar matérias sobre a administração municipal, por haver conflito de interesse. Contudo, tanto o impresso quanto o próprio marqueteiros jamais deixaram de fazê-lo.    

E o resultado tem sido catastrófico para a Democracia Monlevadense e letal para a saúde pública o Município. Além de vir conduzindo, há décadas, o eleitor a erro, sobretudo no momento do voto, confundindo-o com conteúdo publicitário não identifico e, portanto, travestido de matéria jornalística, Monlevade ainda não tem tido imprensa que cumpra a sua função de pautar os problemas da cidade, já que o marqueteiro jamais vai expor ao público a ineficiência de seus clientes, muito menos a do patrão da filha dele. E como se já não bastasse todo o efeito negativo que um órgão de imprensa, eivado de suspeição e não isento, pode causar à Democracia que, ao contrário, exige uma imprensa livre, a aparelhagem do marqueteiro na administração pública local já consumiu a vida de um número expressivo de monlevadenses.

Não é coincidência que justamente sob a chefia da filha do dono do jornal na Vigilância em Saúde o Município venha sofrendo o pior e mais letal surto de dengue de sua história. Apenas no ano passado, foram 5 casos confirmados de mortes no Município pela dengue e outros 10 casos suspeitos, sobre os quais nada se informou, muito menos pelo jornal do pai dela. Em 2024, João Monlevade viveu seu mais letal surto de dengue, sem que a chefe da Vigilância Sanitária, Viviane Ambrósio Passos, tivesse emitido sequer um único boletim epidemiológico.  Também houve negligência nas autuações epidemiológicas, necessárias à habilitação do carro fumacê para combate da dengue.

O segundo mês de 2025 já está terminando e tudo segue armado para o prosseguimento da tragédia da dengue no Município, inclusive o aparelhamento do órgão competente para o combate da doença. É como sempre digo, não há como obter resultado diferente, agindo sempre da mesma forma.  E o marqueteiro ainda se gaba de fazer isso há quase quarenta anos.  A regra é simples, não dê ouvidos a quem é $uspeito para se manifestar.              

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2025

A MORTE DO MENINO KAÍQUE E O HOSPITAL MARGARIDA


 

No sábado passado um grupo de manifestantes protestou no centro da cidade contra a morte do menino Kaíque, de apenas 10 anos de idade, ocorrida recentemente no Hospital Margarida.  Na segunda-feira anterior, a criança havia dado entrada na unidade hospitalar com fortes dores abominais, sendo atendida e, em seguida, liberada com receituário médico. Na quarta-feira, Kaíque deu ingresso novamente no HM apresentando piora de seu quadro clínico, quando foi encaminhado para pediatria e diagnosticado com o quadro de apendicite tardia. Após quatro paradas cardíacas, o menino Kaíque foi a óbito.

Em junho de 2022, um bebê de 9 meses já havia ido a óbito no Hospital Margarida, depois de 12 horas de espera por atendimento pediátrico dentro da unidade hospitalar.    

Além de crianças, pacientes idosos, neurológicos, cardíacos, etc, têm encontrado uma série de dificuldades para obter atendimento técnico e humanizado na urgência e emergência do Hospital Margarida. Neste contexto é necessário relembrar ainda do paciente neurológico que foi encontrado morto na mata do entorno do HM e do paciente de Bela Vista de Minas que deu entrada na urgência do Margarida e, muito embora estivesse em situação de infarto, recebeu a pulseira verde do protocolo de Manchester, indo a óbito em seguida.

Primeiramente, é preciso esclarecer que o problema do Margarida não se deve ao fato dele ser um hospital regional que também atende pacientes dos municípios vizinhos, pois ele sempre o foi e num passado não muito distante o atendimento era muito mais técnico, qualificado e humanizado. Como exemplifica o caso do mencionado paciente de Bela Vista, os pacientes regionais do HM também sofrem e vão a óbito diante da péssima qualidade do atendimento.

Toda esta problemática vivenciada no Hospital Margarida se deve, na verdade, ao modelo de gestão hospitalar adotado desde que a Associação São Vicente de Paulo de João Monlevade (ASVP/JM) assumiu a administração da casa de saúde, o qual privilegia a execução de obras milionárias de engenharia civil em detrimento da contratação de pessoal técnico para atendimento da população. Desde que assumiu a gestão do Hospital Margarida, a ASVP/JM - que por motivos óbvios não deve ser confundida com a Sociedade São Vicente de Paulo dos consagrados padres lazaristas – jamais deixou de executar obras de construção civil nas dependências do Hospital. Há alas que já foram reformadas três vezes dentro do HM durante a gestão da ASVP/JM.  Não param de executar orçamento de construção, mas não contratam médicos especializados, enfermeiros e técnicos para o atendimento da população. Neste exato momento, por exemplo, a ASVP/JM está executando novo orçamento milionário para a construção de ala que, segundo alegam, abrigará os serviços de alta complexidade. Ora, se não consegue fazer o diagnóstico de apendicite, que é um procedimento cirúrgico simples, como é que a ASVP/JM prestará serviços de alta complexidade à população? Não por coincidência, já fui submetido a cirurgia de apendicite no HM. A dor é aguda e o apêndice, que fica do lado inferior direito do abdômen, infla como se fosse um balão. Bastava apalpar o abdômen da criança. Fosse uma entidade especialista em gestão hospitalar, em função do ocorrido, a ASVP/JM obrigatoriamente incluiria no protocolo de atendimento a crianças com sintomas semelhantes aos do menino Kaíque a imediata pesquisa pelo diagnóstico de apendicite, o que não aconteceu.

A questão é que a ASVP/JM, fundada pelo ex-prefeito inelegível Carlos Moreira e seus asseclas, não é uma entidade especializada em gestão hospitalar, mas sim uma entidade que se tornou especialista em faturamento milionário de obra de construção civil. E veja que tal absurdo de modelo de gestão hospitalar não vem causando prejuízo à população de agora, pois ele é o mesmo que produziu o “Santa Madalena”, que foi a tentativa fraudulenta e fracassada de se adaptar um hospital de 100 leitos no prédio do antigo terminal rodoviário de João Monlevade, ao custo de muito mais de 22 milhões de reais em recursos públicos da saúde. Lá, no Santa Madalena, pouco importava o que seria construído desde que as empreitaras faturassem horrores. Tanto foi assim que o prometido hospital de 100 leitos nunca foi entregue à população, os mais de 22 milhões de reais evaporaram, Monlevade perdeu uma Rodoviária excelente e o que pôde ser aproveitado daquela obra não é passível de alvará sanitário de funcionamento. Tratou-se da mesma política de gestão hospitalar ora vigente no HM, inclusive levada à cabo pelas mesmas figuras políticas como o já citado ex-prefeito Carlos Moreira, seu guru espiritual – que nunca deixou o hospital apesar de sumido das capas do jornal do marqueteiro - e muitos outros cúmplices. Aliás, a morte sistemática de crianças dentro de um sistema de gestão hospitalar que privilegia apenas o faturamento milionário de empreiteiros deve ser, realmente, um dilema espiritual insuportável para quem é adepto do espiritismo, doutrina que respeito muito.  A vida boa e abastada de empreiteiro nenhum deve valer mais do que a vida de uma criança, somos todos iguais. Além do mais a ASVP/JM é uma entidade politiqueira e obscura que transformou o HM num cabide político inchado de empregos que não presta contas à sociedade dos muitos recursos públicos ali empenhados e que foi nada menos do que a autora do maior golpe perpetrado nos últimos 20 anos no Município, que foi o Golpe do Bingo.      

Se há intenção verdadeira em reverter este estado tenebroso de coisas, a primeira medida a se adotar no Hospital Margarida é suspender toda e qualquer obra de construção civil em andamento naquela unidade hospitalar. Ou o Hospital constrói ou ele atende a população com dignidade, contratando corpo técnico qualificado para tal. É visível que as duas coisas o HM não tem conseguido fazer ao mesmo tempo.  Logo após, será preciso abrir aquela caixa preta e revelar as constas do hospital, etc. E em seguida será preciso substituir a ASVP/JM por uma entidade especialista em gestão hospitalar. Não há como obter resultado diferente, agindo sempre da mesma forma. Do contrário, nossos filhos continuarão morrendo dentro do HM.           

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2025

FARRA DO LIXO: PARECER DE PROCURADOR DE JUSTIÇA É PELA CONDENAÇÃO DE MOREIRA


A Farra do lixo, como ficou conhecido o maior escândalo de corrupção já desbaratado no Município de João Monlevade ainda não acabou em pizza, apesar das muitas manobras jurídicas e das alterações na Lei de Improbidade Administrativa. Tramita no Tribunal de Justiça de Minas Gerais recurso de apelação interposto pelo ex-prefeito Carlos Moreira & Companhia, contra sua condenação por ato de improbidade administrativa na Ação Civil Pública que apurou uma série de fraudes e de abusos cometidos na vigência do contrato de recolhimento do lixo urbano que, na época em que Moreira foi prefeito, resultaram num prejuízo de mais de 4 milhões de reais aos cofres públicos de João Monlevade. Atualizado, o prejuízo ao erário chega próximo de 20 milhões de reais.

O autor da denúncia foi o advogado Fernando Garcia (euzinho), que, exercendo o controle social da coisa pública, efetivou uma pequena investigação que concluiu pelas irregularidades, requerendo cópia do edital, do contrato e dos aditivos para formular a representação junto ao Ministério Público local que iniciou a ação.  

Em parecer recente datado de 12 de fevereiro de 2025, o Procurador de Justiça titular do caso narrou toda a ação delituosa praticada pelos envolvidos, opinando pelo desprovimento do recurso e a conseqüente confirmação da condenação de Moreira nas seguintes sanções: I - ressarcimento integral do dano, cujo valor deve liquidado em momento próprio, considerando se a diferença entre o preço médio de mercado à época face à quilometragem prestada e o preço pago pelo Município de João Monlevade, ai incluídos os sucessivos reajustes, durante toda a vigência da contratação; II - suspensão dos direitos políticos por seis anos; III - pagamento de multa civil em uma vez o valor do dano; IV - proibição de contratar com o Poder Público ou receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios, direta ou indiretamente, ainda que por intermédio de pessoa jurídica da qual seja sócio majoritário, pelo prazo de cinco anos.

Após a aludida apresentação do parecer do Procurador de Justiça, o processo da Farra do Lixo deve ser concluso à relatoria que deve pedir pauta para julgamento ainda no primeiro semestre deste ano. Se confirmada a condenação, Moreira segue inelegível para os próximos 15 anos.    

 

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2025

A Fome de 1700, a Culinária Mineira e a Origem do Pão de Queijo

 


O pão de queijo é uma grande iguaria da culinária mineira. Recentemente o pão de queijo foi eleito um dos alimentos mais gastronômicos do mundo. Agora com fama internacional, a origem do pão de queijo mineiro está relacionada a um evento traumático que definiria a culinária mineira para sempre: a grande fome de 1700.
A notícia do descobrimento de ouro no interior do Brasil atraiu, de uma forma ou de outra, imenso contingente de pessoas vindas de todas as partes da América Portuguesa, da África e de Portugal. Em pouco tempo havia cerca de 30 mil almas garimpando o metal precioso no entorno das minas gerais do Ouro Preto, Mariana, etc. Naquele início, Portugal ainda não havia compreendido o tamanho colossal das jazidas. A capitania de Minas Gerais ainda não havia sido fundada, toda a zona mineradora pertencia à Província de São Paulo e o aparato estatal português ainda era inexiste. As rotas de tropeiros para o abastecimento de alimentos também não haviam se estabelecido e diante daquela imensa quantidade de ouro que se encontrava com relativa facilidade à flor da terra, ninguém admitia a paralisação da atividade mineradora para plantar uma horta ou uma roça de produto agrícola. Segundo o padre português Antonil, autor do primeiro registro histórico sobre o descobrimento do ouro no Brasil, em apenas duas braças de uma data aurífera, era possível se extrair uma arroba de ouro puro 24 quilates, isto é, 15 quilos do vil metal. Ao contrário, diante daquela riqueza astronômica, os primeiros mineiros acreditavam que poderiam comprar todo o alimento disponível no mundo e não se preocuparam com a alimentação. Contudo, sem abastecimento, instalou-se a fome, levando à morte muitos mineiros. Assim registrou Antonil:
[...] não se pode crer o que padeceram ao princípio os mineiros por falta de mantimentos, achando-se não poucos mortos com uma espiga de milho na mão e uma pepita de ouro noutra, sem terem outro sustento.”
No mesmo sentido, registrou o então governador do Rio de Janeiro, Artur de Sá e Menezes:
“[...] pela grande fome que experimentam e que chegou a necessidade a tal extremo que se aproveitaram dos mais imundos animais, e faltando-lhes estes para poderem alimentar a vida, largaram as minas, e fugiram para os matos com os seus escravos a sustentarem-se com as frutas agrestes que neles acharam”.
Impelidos pela fome, muitos mineiros abandonaram suas datas e desceram o Rio Piracicaba à procura de alimentos. Rapidamente, o som do repico das enxadas, pás e picaretas trabalhado incessantemente foi substituído pelo silêncio. As minas se despovoaram despovoadas. Antônio Dias foi um que se viu forçado a abandonar a sua mina e a descer o rio a procura de alimentos. Ao longo da excursão em busca de alimento acabou descobrindo outras grandes quantidades de ouro em Santa Rita Durão, Rio Piracicaba, Nova Era e na localidade que levaria o seu nome, Antônio Dias Abaixo.
A Fome de 1700 deixou um legado profundo e marcante na Culinária Mineira em seus modos de preparo e na utilização dos ingredientes. Em Minas Gerais, por exemplo, quando se abate uma criação, nada dela é desperdiçado, nem o sangue, porque para combater o contexto da fome é preciso racionalizar a fonte de alimento, aproveitando tudo que for possível. Daí a origem de um prato muito iconográfico e gastronômico da culinária mineira que é o Frango ao Molho Pardo, preparado com o sangue da ave. Naquele contexto de fome, quem tivesse um frango com que se alimentar, e ele custava literalmente seu peso em ouro, o fazia sem dispensar nada dele nem mesmo o sangue do animal que era empregado no preparo do prato. Em Minas é muito comum o chouriço do sangue do porco e miúdos em geral como a moela do frango e a língua do boi. São muito famosas a dobradinha, feita do estomago do boi e o Mocotó, feito do tutano do osso também do boi. Durante algum tempo o alimento que se tinha disponível nas minas era o milho triturado no pilão e cozido, daí a origem da famosa canjiquinha mineira. O costume de fritar banana verde também tem origem na Fome de 1700 já que quem se alimenta de banana verde o faz porque tem necessidade imediata e não tem tempo para esperar a fruta amadurecer. Da bananeira o mineiro ainda faz o umbigo de banana e o palmito interno do caule da planta que é picado e servido refogado. E além do emprego de ingredientes que em condições normais são dispensados, a Culinária Mineira ainda é rica nas maneiras de preparo de modo que muitos pratos diferentes podem ser preparados com os mesmo ingredientes.
Ainda dentro do contexto da Fome de 1700 destaque especial deve se dar ao queijo, pois as primeiras tentativas de abastecer as Minas de Ouro de mantimentos, sobretudo por parte dos portugueses, ocorreram através do queijo. No Brasil, o queijo tem origem portuguesa. Uma vez cientes do desabastecimento, muitos do imenso contingente de portugueses que imigraram para Minas, o fizeram trazendo consigo o queijo. O queijo é lindo, é saboroso é redondo, macio e uma importante e prática fonte de proteína, justamente, o nutriente mais escasso durante a fome. O queijo ainda é fácil de ser transportado pelas tropas, resistindo bem à viagem, inclusive a marítima de travessia do Atlântico, podendo ainda ser armazenado em casa por algum tempo.
Diante da grande dificuldade inicial de abastecimento de víveres em Minas Gerais, o mineiro via o queijo como uma reserva estratégica de combate à fome, que em geral não era consumida imediatamente. O mineiro guardava o queijo em casa para se proteger do desabastecimento e somente o consumia em último caso. Neste processo de armazenamento do queijo, algumas peças endureciam a massa e se perdiam. No entanto, como a fome ensinara o mineiro a não jogar alimento nenhum fora, ele ralava o queijo seco, acrescentava o polvilho, gordura, sal, enrolava a massa em formato de um pequeno pão e o assava. Posteriormente, com a evolução da receita, foram acrescentados os ovos. E assim, da fome e da necessidade, se originou o pão de queijo mineiro, lembrando ainda que o próprio polvilho é um subproduto do processo de fabricação da farinha de mandioca, que nem sempre é aproveitado. Ou seja, fazer farinha naquela situação de fome, sem tirar o polvilho e destiná-lo à alimentação, era um sacrilégio impensável para o mineiro.
Posteriormente, com a fundação da Capitania de Minas Gerais, o estabelecimento das rotas dos tropeiros para o abastecimento e o fausto do ouro, etc, a Culinária Mineira se diversificou e se multiplicou, comprando de tudo do mundo inteiro, sem nunca perder a sua origem e passando a produzir, inclusive, seus próprios queijos igualmente premiados mundo afora.

terça-feira, 4 de fevereiro de 2025

Duplicação da BR-381

Recentemente, o presidente Lula assinou o termo de concessão da BR-381, que prevê a finalização da duplicação da rodovia, a instalação de praças de pedágio, entre outras coisas.

Tristemente alcunhada de Rodovia da Morte, apenas no trecho entre João Monlevade e Belo Horizonte, tido como o mais perigoso, existem 200 curvas. Em toda a sua extensão, de São Paulo a Governador Valadares, a BR-381 mata perto de 200 pessoas por ano.

Boa parte do trecho da 381 entre João Monlevade e Belo Horizonte que conhecemos hoje foi instalada na década de 1950 pela Companhia Siderúrgica Belgo-Mineira (vídeo anexo), seguindo o traçado dos antigos caminhos das tropas e dos carros de bois existentes deste o século XIX entre a Fábrica de Ferro Monlevade de 1828 e Sabará. Por isso aquele trecho tem tantas curvas.   Para as tropas as retas não importavam, mas sim a topografia capaz de firmar as quatro patas da mula no chão. Não existem retas nos diversos ramos da Estrada Real.  Eles foram sempre abertos obedecendo a topografia dos contornos das numerosas serras existentes, o que produzia muitas curvas e quase nenhuma reta. E a Belgo-Mineira nunca foi especialista em aberturas de estrada. Considerando ainda o grande aumento da velocidade média advindo da evolução dos veículos desde a sua instalação, a rodovia delineada pelos caminhos tortuosos das tropas, então se transformou numa carnificina. Não é difícil para qualquer cidadão monlevadense indicar, pelos menos, 10 pessoas conhecidas que perderam a vida na 381.

Situação muito diferente da encontrada nos trechos já duplicados da rodovia, que eliminaram o traçado das tropas com a instalação de viadutos vertiginosos, pontes e túneis. Mesmo as curvas existentes obedecem a um padrão de ângulo aberto que se repete por todo o traçado. As curvas da nova 381 são todas iguais, situação muito diferente do traçado anterior. Aliás, comparando o traçado da nova com o da velha 381 é possível concluir que a região nunca teve uma estrada decente. A nova 381 é quase uma Autobahn, que é o conceito de excelência de rodovia. O novo traçado não ficou livre de acidentes. Nele têm sido comuns, por exemplo, o tombamento dos bi-trens  por excesso de velocidade, que costumam ser fatais.  Mas, as colisões frontais, que eram as mais comuns e mais letais não mais ocorrem nos trechos duplicados.    

Neste contexto, é preciso deixar registrado que foi a presidente Dilma quem iniciou o processo de duplicação da BR-381. E que a partir de seu impeachment, a duplicação foi suspensa, sendo retomada somente agora, quase uma década depois. Assim, o golpe contra Dilma foi especialmente caro para a região. Espero que o Lula termine a duplicação da Rodovia da Morte para que seu terceiro mandato possa deixar algum legado para a região, porque até agora nada de concreto.  Diante da escalada do custo de vida, a impressão que se tem é que não houve mudança de presidente.


História de Monlevade:Vídeo da Visita do Governador Bias Fortes às Obras de Expansão da Belgo Mineira, na Segunda Metade da Década de 50


Filmagem realizada nos anos 50, contendo imagens dos trabalhos de ampliação da rodovia Vitória/Minas (atual BR-381), das obras de expansão da Companhia Belgo Mineira e da Fazenda Solar. Destaque para a presença do Governador de Minas, José Francisco Bias Fortes, do Diretor Superintendente da Usina, Dr. Joseph Hein, de funcionários da siderúrgica, de autoridades do Município e outros. 

quarta-feira, 15 de janeiro de 2025

MANOBRA MUITO CARA PARA O PT

Foto\ Facebook


Reeleito, o prefeito Laércio Ribeiro, PT, mal assumiu o exercício do segundo mandato consecutivo e seu governo já sofre considerável desgaste político. Uma manobra do Executivo, que visa o ingresso na Câmara do candidato a vereador não eleito, Gentil Bicalho [foto],  tem repercutido muito negativamente nas redes sociais, entre aliados e setores da sociedade civil. 
Apesar de não eleito, Gentil Bicalho é suplente no Legislativo. Assim, para poder assumir uma cadeira no parlamento local, o governo precisa conceder secretarias para dois vereadores, um suplente e o outro eleito, são eles Gustavo Prandini, que assumiria a secretaria de desenvolvimento econômico e Belmar Diniz, que assumiria a pasta da Educação. 
A manobra, por si só, é desgastante junto à opinião pública, já que pretende o ingresso na Câmara de vereador não eleito, rejeitado pela soberania popular. De ouro lado, o desgaste político do governo ainda é maior diante dos nomes que assumiriam pastas no governo municipal.    Gustavo Prandini amarga rejeição dentro do PT porque tem histórico de traição e de não fidelidade na aliança feita com a legenda quando foi prefeito a partir de 2009. Prandini também tem grande rejeição do empresariado local para assumir a secretaria de desenvolvimento econômico porque, literalmente, quebrou o Município a prtir de 2009 apresentando dificuldade no pagamento da folha salarial, de contratos e tendo que suspender uma série de serviços de trato continuado, no final do mandato,  para não se enquadrar nas sanções da Lei de Responsabilidade Fiscal. Belmar Diniz, por sua vez, também tem rejeição dentro de seu próprio partido, o PT, pois tem histórico de votações contrárias ao conteúdo programático da sigla. Seu nome também é rejeitado pelo setor educacional local, que não o vê como "alguém da área", nem como um político engajado na causa educacional. 
Neste sentido, é preciso relembrar ainda os muitos tropeços de Belmar Diniz como líder do governo na legislatura passada, como, por exemplo, a ocasião em que fez uso da tribuna para revelar em alto e bom som que muito embora tivesse a concessão de cargos na Prefeitura o vereador Gustavo Prandini havia votado contra o governo na aprovação da legislação que aprovou a instituição do Parque do Areião.  O fato é que o governo não quer nem Prandini, nem Belmar na Câmara, o que é uma grande incoerência por parte do PT, já que ambos os nomes foram apresentados ao crivo do eleitorado por meio de federação partidária encabeçada pelo própria PT que também não vai sar ileso desta situação. 
É notória a incapacidade de renovação do PT local. Veja que Laérco foi eleito prefeito em 1996, no século passado. No entanto, não se vê o partido realizando manobra semelhante para, por exemplo, fazer ingressar no legislativo um jovem ou uma mulher. Pelo contrário, Maria do Sagrado, PT,  única mulher eleita vereadora em João Monlevade depois de muito tempo tem sido preterida para assumir a liderança do governo na casa.  Também não se vê o governo realizar manobra semelhante para ingressar com um jovem vereador na Câmara, como é o caso do Lucão, não por coincidência, sobrinho de Gentil Bicalho, muito mais formado politicamente do que o tio.  
A verdade é que, se o governo do PT não quer determinados políticos na Câmara, não deveria ter feito hora com a cara do povo, apresentando seus nomes como candidatos na eleição passada.  Definitivamente, o PT não é um partido científico.