quinta-feira, 28 de março de 2019

Justiça condena provedor a indenizar médico do HM por dano moral e a retirar matéria inverídica do blog O Popular


O juiz titular do Juizado Especial Cível da Comarca de João Monlevade, Adilson da Silva da Conceição, condenou o provedor do Hospital Margarida, José Roberto Fernandes, a indenizar a título de danos morais o médico Getúlio Garcia no valor de R$ 5.000,00. O provedor também foi condenado a retirar matéria inverídica publicada pelo blog O Popular, sob pena de multa. A ação judicial teve como objeto as declarações falsas e ofensivas feitas por José Roberto Fernandes e publicadas pelo blog O Popular, na data de 17/06/2016 , quando em resposta a matéria crítica publicada no Blog Monlewood,o provedor acusou o médico nos termos transcritos a seguir: 

 “Quem faz segregação racial no Hospital Margarida é o pai dele, que é médico. E ele ‘usa’ o corpo clínico para barrar a chegada de novos médicos ao Hospital Margarida. Além disso, o pai do blogueiro usa o Hospital margarida para procedimentos particulares e convênios, mas não aceita atender pacientes do SUS, porque o SUS paga pouco. E, ainda, quer obrigar o Hospital a pagar a diferença que existe entre o SUS e os convênios.Tenho provas do que estou falando”. 

No processo de número 0048389-04.2016.8.13.0362, o provedor não conseguiu comprovar a veracidade de nenhuma das graves acusações que, levianamente, fez contra o médico Getúlio Garcia, conforme fundamentado pelo magistrado:

 “..., quanto à alegada liberdade de expressão invocada pelo réu José Roberto Fernandes, verifica-se, de modo contrário, o seu exercício em evidente exagero, porquanto expressamente confessou em depoimento pessoal que o teor da entrevista é de sua autoria, sendo que atribui ao autor da ação a negativa de atendimento a pacientes do SUS e que ele realizaria segregação racial, bem como exigiria pagamento de diferença de valores relativos aos atendimentos privados no âmbito do SUS. 
Insta salientar, que a exceção da verdade diz respeito aos crimes contra a honra no âmbito do Direito Penal e Processual Penal e, ainda que na aludida seara fosse constatada a verdade, na esfera cível, cabe a cada um se ater aos limites da liberdade de expressão para não violar o direito de outrem, in casu, o nome e a honra objetiva e subjetiva. Ainda assim, os documentos de fls. 89/128, juntados aos autos pelo réu José Roberto Fernandes, não comprovam que a parte autora tenha sido condenada por sentença transitada em julgado pela prática da alegada “segregação racial”. 
Quanto ao dano moral, resta evidente pelo próprio reconhecimento do réu José Roberto Fernandes que o sentido da publicação é exatamente o que repassou ao jornalista, sendo suficiente para a ofensa ao nome e a honra objetiva e subjetiva da parte autora. Impende ressaltar que, se o réu José Roberto Fernandes estava sendo perseguido por pessoas insatisfeitas com a sua gestão administrativa no hospital, inclusive com publicações como a realizada pelo filho do médico, ora requerente, deveria adotar as medidas legais e cabíveis para coibir ou punir eventuais transgressões legais, em vez de promover o ato que fez publicar à fl. 27. Isto é, não caberia ao réu José Roberto Fernandes adotar a seu crivo a conduta que obteve - de atribuir a terceiro ato proferindo ofensa a direitos. 
 Em se tratando de ilícito civil, a conduta pode ser dolosa ou culposa, estando presente a culpa civil, comprovada nos autos e confessada pelo próprio réu José Roberto Fernandes, que não agiu com o cuidado necessário para evitar lesões a direitos de terceiros ao se deparar com a publicação do filho do médico/requerente, de quem deveria buscar eventual indenização, caso se sentisse ofendido pelo titular do blog...”

Agora, diante da presente condenação por mentir e ofender médico do Corpo Clínico do Hospital Margarida, fica óbvio que José Roberto Fernandes perdeu, definitivamente, a viabilidade moral de se manter no cargo de provedor do Hospital Margarida. Ofensor mentiroso não pode administrar o único hospital do Município. A comunidade do Hospital Margarida exige a renúncia de José Roberto Fernandes. Fora, Zé Roberto!

quinta-feira, 21 de março de 2019

Provedor fatura R$ 5.800,00 na Câmara com CNPJ das Óticas Americanas





Conforme comprova a Autorização de Empenho de n° 59/2019 (imagem), emitida pela Câmara de Vereadores de João Monlevade, o provedor do Hospital Margarida, que se arroga como voluntário filantropo e trabalhador gratuito, faturou a soma de R$ 5.800,00 (cinco mil e oitocentos reais) do erário público monlevadense, em razão de curso de (sic) “coaching, presential mentoring” que teria ministrado, recentemente, na Contabilidade Arthuso para os funcionários do Legislativo, Fabiano Lobo Trindade e Rosimere Domingos Magalhães.
Infelizmente, José Roberto Fernandes, ainda não compreendeu que o cargo de provedor do Hospital Margarida o equipara, para fins do disposto no parágrafo único do art 1º da Lei de Improbidade administrativa, a agente público. Assim, José Roberto, enquanto provedor de hospital subvencionado pelo Município, deve submeter suas ações aos limites delimitados pelos princípios da Administração Pública elencados pelo caput do art 37 da Constituição da República, entre eles, os princípios da moralidade, da legalidade e da impessoalidade, que impedem o agente público de contratar com o Município, seja através da Câmara, de autarquia, etc. Provedor de hospital subvencionado pelo Município não pode ser contratado para prestar serviço para o Município, mesmo através da Câmara de Vereadores.  
Não vou nem adentrar a seara da inabilitação do provedor para ministrar tais cursos, mas outro fato completamente irregular que chama a atenção é a maneira como o pagamento foi feito. Como consta do documento anexo, o provedor faturou os R$ 5.800,00 através do CNPJ 22.827.426/0001-56, que é das Óticas Americanas, uma de suas empresas. Como é que a Câmara contrata e paga cinco mil e oitocentos para as Óticas Americanas, sem licitação? Este provedor é mesmo um malabarista quando o assunto é CNPJ!

quarta-feira, 20 de março de 2019

Railton desiste da pré-candidatura



Ontem, o médico Railton Franklin anunciou sua desistência diante da pré-candidatura ao cargo de prefeito pelo PDT, alegando motivação pessoal.
O nome do ex-prefeito Laércio Ribeiro segue confirmado como pré-candidato a prefeito de João Monlevade .

segunda-feira, 18 de março de 2019

Situação do Hospital Margarida Piora Muito



Apesar da completa falta de transparência por parte do provedor José Roberto Fernandes  em relação à atual situação financeira do Margarida,  o único hospital do Município dá sinais claros de uma piora considerável.
Faltam materiais hospitalares, médicos estão sem receber os honorários e fornecedores estão com os pagamentos atrasados. Um importante aparelho de laparoscopia se encontra quebrado há bastante tempo, o que tem atrasado muito a realização de uma série de cirurgias no hospital.    
O hospital não tem dinheiro para arcar com seus compromissos e com a manutenção de equipamentos porque se encontra com a folha de pagamentos inchada como nunca se vira. Apesar da imensa crise, José Roberto Fernandes,  não pára de contratar no Hospital cabos-eleitorais que pedirão votos na próxima eleição para quem o ex-prefeito inelegível, Carlos Moreira, indicar. Funcionários técnicos com 15 ou 20 anos de hospital estão sendo sistematicamente demitidos pelo provedor que, rapidamente,  ocupa a vaga com mais um cabo-eleitoral. Para cada demissão técnica, José Roberto admite 2 moreiristas. De tão apinhado de gente contratada, os moreiristas passam o dia , literalmente, batendo as cabeças no interior do hospital, sem ter  outra atividade que não seja  no Whatsapp.

quinta-feira, 14 de março de 2019

Médicos são perseguidos por Simone/Carlos Moreira




Como o grupo de Carlos Moreira por pouco não perdeu as últimas eleições para um projeto político encabeçado por dois médicos, Railton e Laércio,  a classe já está sendo perseguida pelo aparato estatal do governo Simone/Carlos Moreira.
Recentemente, foi anunciado o fechamento da Policlínica com claro intuito de prejudicar o pré-candidato a prefeito Railton Franklin, que lá tende pacientes da rede pública de saúde. Tramita na Comarca local processo ajuizado pelo provedor do Hospital Margarida, José Roberto Fernandes, braço direito do ex-prefeito inelegível Carlos Moreira, exigindo indenização contra o pré-candidato Railton Franklin, pela diferença de honorários médicos em relação a serviços devidamente prestados, cuja responsabilidade da devolução foi atribuída pela Gerencia Regional de Saúde ao provedor da época.   
O médico Luiz Fernando do Amaral, no estabelecimento de quem as reuniões de apoio a Railton têm sido realizadas, também está sendo perseguido pela administração Simone/Carlos Moreira, com a alteração de horário e local de atendimento médico.
O médico Getúlio Garcia, meu pai, desde a posse de José Roberto Fernandes como provedor do Hospital Margarida tem sido perseguido por ele, pelo simples fato de ser meu pai, a ponto de eu ter que interpor agravo junto ao TJMG para condenar o Zé Roberto a se abster de difamá-lo, sob pena de multa, coisa inédita no hospital.  Agora, a prefeita Simone também o está perseguindo por fato inventado pelo José Roberto, cujo CRM já decidiu pela absolvição.
Vendo este “tudo ou nada” acontecendo, interpreto que depois de perderem as próximas eleições, Moreira, Simone e José Roberto vão se mudar para Juiz de Fora a fazer companhia para Prandini, em seu exílio político, porque a perseguição é sempre muito covarde e evoca a indignação geral do povo. Ademais, fico imaginando: será que pensam que nunca precisarão de um daqueles cirurgiões? Há situações médicas as quais todos nós estamos, possivelmente, submetidos e que não dão tempo para se buscar recurso em Belo Horizonte, mesmo de helicóptero. Tenho certeza de que um dos médicos citados jamais negaria atendimento de urgência a quem quer que fosse. Mas, fica no mínimo desconfortável  o sujeito perseguir o médico e depois rogar pelo seu socorro, em caso de necessidade.        

Fechamento da Policlínica é para prejudicar Railton




 Não há dúvida que o fechamento da Policlínica, recentemente, anunciado pelo governo Simone/Carlos Moreira, se trata de uma tentativa de neutralizar, politicamente, o médico Railton Franklin, segundo colocado nas eleições passadas, com uma diferença apertadíssima de apenas 126 votos.
É de conhecimento público que Dr. Railton, pré-candidato declarado a prefeito em 2020, realiza dezenas de atendimentos diários à pacientes do SUS há décadas na Policlínica. É lá, na Policlínica que Dr. Railton tem contato com o cidadão comum, com o paciente do SUS, podendo ver de perto o abandono e o desmando com que tem sido conduzida a política pública de saúde local e sentir de perto o desejo do povo por mudança.  
É absurdo uma importante unidade de saúde local ser fechada com a finalidade clara de perseguir adversário político. O povo não pode permitir esta perseguição contra Dr. Railton, nem a perda da Policlínica!

terça-feira, 12 de março de 2019

Democracia é a que mais comemora o desligamento de Moreira da Rádio Cultura





Ninguém mais do que a Democracia Monlevadense para comemorar o desligamento de Carlos Moreira da Rádio Cultura.
Alguns consideram que a Democracia se faz apenas mediante a realização de eleições periódicas. Não é verdade. Para se ver, minimamente, instalada a Democracia é necessária a conjunção de outros fatores como a independência dos três poderes e a liberdade de imprensa.
E no último requisito, a Liberdade de Imprensa, o que Monlevade viveu nas últimas décadas enquanto o ex-prefeito Carlos Moreira esteve no comando da Rádio Cultura  foi uma verdadeira violação do regime democrático.
Durante muitos anos, a Rádio Cultura, de propriedade do ex-deputado Mauri Torres, foi submetida a um ininterrupto processo de manipulação político-ideológica do conteúdo veiculado pela emissora, sempre com vistas a favorecer os projetos de poder do primeiro e do ex-prefeito Carlos Moreira.  
Nos países sérios, deputado não pode ser proprietário de emissora de rádio. No Brasil, tal situação também é proibida pela Constituição, proibição que nunca impediu Mauri Torres de adquirir e de utilizar a seu bel-prazer um dos veículos de comunicação mais importantes do Município. E o grande operador deste processo foi, sem dúvida, o ex-prefeito Carlos Moreira que nunca deixou de utilizar a rádio para, sem o devido contraditório, achincalhar seus adversários políticos, manipular o eleitorado e esconder a verdade suja sobre si, enquanto foi prefeito de Monlevade, e sobre seus pares. O Noticiário da rádio Cultura, por exemplo, jamais divulgou que o ex-deputado Mauri Torres avalizou um cheque no valor atualizado de 1 milhão de reais para a empresa SMP&B de Marcos Valério ou apenas uma das numerosas condenações de Carlos Moreira por diversos atos de improbidade administrativa enquanto foi prefeito de Monlevade e que levaram à cassação de seus direitos políticos e à sua inelegibilidade. O noticiário da rádio também jamais veiculou que o pretenso hospital Santa Madalena, idealizado por Carlos Moreira e adaptado ao custo de mais de 22 milhões de reais no prédio do antigo terminal rodoviário não é passível de alvará de funcionamento em razão de a obra multimilionária ter sido realizada sem a observância das normas técnicas vigentes.  Também nunca divulgou  Sem a manipulação político-ideológica da rádio Cultura Carlos Moreira jamais teria sido eleito prefeito de Monlevade.  
A verdade é controle político-ideológico da rádio Cultura, que no passado era muito mais efetivo, do que é hoje na era das redes sociais, faz com que Mauri e Moreira passem pela história do município como tudo, menos como democratas. A manipulação da imprensa desconstitui a democracia e impede que ela se instale na prática, trazendo óbvios malefícios para o Município. Pode-se dizer, por exemplo, que o já citado Hospital Santa Madalena é produto direto da manipulação político-ideológica da rádio Cultura. E não é só ele. A situação de abandono em que o Município se encontra atualmente também é resultado da manipulação do conteúdo veiculado pela rádio Cultura. Muitos chamam a Moreira de comunicador. Não está correto. Comunicador é quem comunica a verdade. Quem manipula descaradamente informação e omite a verdade, na realidade, é chamado de demagogo.
É difícil dizer como se comportará a rádio Cultura daqui em diante, mas o fato é que o desligamento de Carlos Moreira da emissora é motivo de muita comemoração e quem mais comemora é, certamente, a Democracia Monlevadense.  Esperamos que de agora em diante, Monlevade possa viver um período de alguma Democracia.  

terça-feira, 26 de fevereiro de 2019

Railton e Laércio


Ontem, foi oficializada em plenária do PT local a pré-candidatura do ex-prefeito Laércio Ribeiro para chefe do Executivo em 2020. Como a pré-candidatura do também médico Railton Franklin já se encontra definida pelo PDT, tudo caminha para a repetição da chapa Railton e Laércio.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

Como identificar uma fake news


Atualmente, muito se debate a respeito das notícias falsas ou fake news, tão divulgadas nos novos meios de mídia, e de seus efeitos na desinformação da sociedade.
Contudo, ao contrário dos meios de comunicação tradicionais como rádio e televisão, os novos meios de mídia impulsionados pela internet, além de comportarem conteúdo que não é pautado pelos primeiros, também fornecem eles próprios as ferramentas e os subsídios para a aferição se determinada notícia é falsa ou verdadeira, pastando para tal, uma análise mais detida da matéria ou uma pesquisa na própria internet, vez que hoje já existem páginas especializadas em desbaratinar as fake news.    
Outra maneira de se identificar uma fake news é ater-se às informações trazidas pela própria matéria. Uma fake news, como qualquer mentira, é esvaziada de dados concretos e específicos, como local, data, identificação dos envolvidos, etc. Para exemplificar, cito matéria divulgada no blog local, Tenda Vip, em 17 de outubro de 2018:


"PROVEDOR DO HOSPITAL MARGARIDA É CONVIDADO A PALESTRAR NOS EUA


O provedor do hospital Margarida e especialista em Coaching, José Roberto Fernandes, foi convidado para dar um treinamento em Connecticut, nos EUA. Ele comandará uma equipe de brasileiros em palestras comportamentais e de desenvolvimento pessoal e profissional. Além disso, José Roberto realiza diversos treinamentos no Brasil. Recentemente ele participou de um intensivo de três dias na Contabilidade Arthuso e realizou treinamentos no hospital Margarida com médicos, diretores e funcionários."

Note que a matéria em análise diz que o provedor do Hospital Margarida, José Roberto Fernandes foi convidado para palestrar em Connecticut, nos EUA. Contudo, a mesma matéria não diz em qual condado, em que dia e em qual instituição a palestra será realizada. Connecticut é um dos 50 estados dos EUA e, apesar de relativamente pequeno, possui vários condados ou municípios.  Neste caso específico, o tema da suposta palestra também causa estranheza. Imagine o atual provedor do Margarida, condenado pelo TJMG a se abster de difamar, covardemente, médico da casa; perseguidor da AAHM; acionador de polícia contra outro medido do hospital, destruidor do Bingo, etc, etc, tem condições de dar palestra comportamental de desenvolvimento pessoal? Parece piada de mau gosto! O atual provedor pode até ter ido a Connecticut, mas não foi para palestrar. Ainda, especificamente, neste caso, outro ponto que deve ser considerado na análise do exemplo de fake news apresentado é sua autoria. Trata-se de publicação de autoria de Thiago Moreira que, apesar de se apresentar como jornalista, mantém contrato de marketing com o Hospital Margarida.  Ou seja, a matéria, além de fake, é paga. 
Então, não se deixe enganar. Desconfiou que é fake news? Analise a fundo as informações colocadas ou a ausência delas e , se for o caso, faça uma rápida pesquisa na própria internet para se certificar da verdade. Ao contrário da rádio e da televisão, a rede mundial de computadores dispõe de muitos recursos para o cidadão se proteger da desinformação causada pelas fake news.      


As Três Fabulosas Fábricas de Ferro de João e Francisco Monlevade


É muito comum se deparar no romanceiro local com o seguinte conceito sobre o empreendimento erguido e mantido aqui, a partir de 1828, pelo metalúrgico e minerálogo francês, João Antônio de Monlevade: uma pequena forja catalã, fabriqueta de enxadas e produtos agrícolas.
Contudo, os registros históricos conferem outra dimensão para o empreendimento de Monlevade e revelam que, muito antes da instalação do grande capital siderúrgico, que se deu por meio da Belgo-Mineira, a partir de 1935, houve, na verdade, nada menos do três fábricas de ferro conduzidas pela Família Monlevade.
O próprio termo “forja catalã”, muito utilizado para caracterizar o estabelecimento de Monlevade, não é suficiente para tal, já que catalão era apenas o método propositalmente empregado pelo patrono do Município para a produção de um tipo específico de ferro e muito demandado naquele momento pela mineração do ouro em Minas Gerais.
Nem de longe, Monlevade foi apenas uma pequena forja, mas sim o que os historiadores definiriam como a mais importante Fábrica de Ferro do Brasil Império. E também não se dedicava, majoritariamente, à produção de artefatos de ferro para a agricultura, como se conta. É verdade que a enxada de 3 libras (1,5 quilo) de peso, forjada em ferro maleável por Monlevade era especialmente famosa em Minas Gerais. De fato, era seu produto mais popular, a ponto de levar seu nome. Naqueles idos, Monlevade era, popularmente, sinônimo de enxada durável, resistente e, portanto, o terror dos preguiçosos a quem se advertia: “fulano precisa é de uma boa Monlevade”. Todavia, o principal produto da Fábrica de Ferro Monlevade não era a enxada. Eram as cabeças de 80 quilos de ferro forjado para o trituradores utilizados no processamento do quartzito aurífero retirado das galerias subterrâneas pelas companhias inglesas mineradoras de ouro, instaladas às dezenas por Minas afora, a partir do segundo quartel do sec. XIX, chamadas por Monlevade de “mãos de pilão”, que para serem fabricadas em escala industrial e transportadas até as Minas de Ouro, algumas a 80 léguas de distância, como a Mina de Morro Velho, exigiam imenso esforço de trabalho e coordenação. Apenas no Morro Velho trabalhavam, dia e noite, movidas por rodas hidráulicas, 36 mãos de pilão, cujas cabeças forjadas de 80 quilogramas de ferro maleável, demandavam substituição ao final de 3 ou 4 meses de operação contínua. A verdade é que Monlevade, por mais de 50 anos, foi o fornecedor exclusivo de uma imensa gama de artefatos de ferro para as Minas de Ouro da região.
E ainda integrados à atividade da forja funcionavam, coordenadamente, outros tantos empreendimentos sem os quais tudo aquilo jamais seria possível. Em torno de uma forjaria muito bem qualificada, composta por mestres-ferreiros treinados pelo próprio Monlevade, também funcionavam os empreendimentos de produção em escala de carvão, da mineração, da abertura e manutenção de canais para a condução da água para a força motriz das rodas hidráulicas, da abertura e manutenção de estradas carroçáveis, do lançamento e manutenção de pontes, da fabricação de carretões de quatro rodas para o transporte da produção, da criação de gado para a condução dos carretões, do transporte das peças de ferro até as Minas de Ouro, da pedraria, da marcenaria, etc. E ao longo das várias décadas em que funcionou, não existiu, sob o ponto de vista estrutural do estabelecimento em si, apenas uma Fábrica de Ferro.
Elas foram três: a primeira, chamada por Monlevade de Fábrica Velha, funcionou de 1828 a 1853, encontrava-se instalada a 20 metros abaixo do Solar Monlevade, entre aquele e a margem do Rio Piracicaba e era equipada com os marteletes hidráulicos e as máquina importadas da Inglaterra; a segunda, chamada por Monlevade de Fábrica Nova, encontrava-se instalada numa área maior abaixo da primeira, funcionou de 1853 a 1891 e era equipada com as mesmas máquinas da primeira; e, por fim, a terceira, a Fábrica de Ferro de Francisco Monlevade, neto do patrono do Município, que em sociedade com a Companhia Nacional de Forjas e Estaleiros do Barão de Mauá, reequipou de forma extraordinária o empreendimento, com maquinário Frances e estadunidense, instalando-o na margem esquerda do Rio Piracicaba, abaixo do que hoje é a Represa do Jacuí.
Em 1853, Monlevade terminava a casa da oficina da segunda fábrica de ferro, muito mais ampla, preparando-se para retirar as máquinas da primeira, que já havia funcionado por 25 anos, e reassentá-las naquela, dando início à segunda fase de operação de seu fabuloso empreendimento. Em 12 de dezembro daquele ano, a par dos esclarecimentos sobre a siderurgia em Minas Gerais, Monlevade subscreveu relatório ao governador mineiro, disponível para consulta no Arquivo Público Mineiro, com o qual descreveu sua indústria pormenorizadamente, registrando inclusive que, então, os edifícios de seu estabelecimento eram cobertos com 200 milheiros de telhas. Trata-se de importante informação que permite se ter uma ideia do tamanho da estrutura do estabelecimento de Monlevade naquele momento. Ora, considerando que o metro quadrado de telhado comporta até 20 telhas, das pequenas, e que a Fazenda Carvoeira e Fábrica de Ferro de Monlevade contava com edifícios cobertos por 200 mil telhas, pode-se afirmar que naquele momento Monlevade possuía uma estrutura considerável de, pelo menos, 10 mil metros quadrados de área construída, coisa nada pequena para meados do sec. XIX ou mesmo para os dias atuais. No relatório, Monlevade ainda registra que também contava com 150 escravizados, treinados na arte do ferro e para os diversos serviços do estabelecimento. Número que destoa bastante do cenário bucólico e romantizado de uma pequena forja catalã, pois mesmo hoje, um empreendimento de 150 trabalhadores não pode ser considerado pequeno. Sobre a sua indústria, Monlevade escreveu:
[...]
"Ele (o estabelecimento) possui à porta da fábrica o mineral puro e em abundancia tal que poderia abastecer a Europa inteira e demais o hidrato de ferro, o manganês e outros minerais úteis para o mesmo fim.
Na mesma fazenda há quatro sesmarias de mato para o carvão e facilmente se pode aumentar este patrimônio querendo-se.
Dois ribeirões, com os regos já tirados, trazem para a fábrica em tempo da maior seca, muito mais água do que necessita para o consumo dela, colocada, aliás, a 112 pés acima do Rio Piracicaba e cujas águas poderiam cobri-la até se fosse necessário.
Tem abundância de madeiras grossas da melhor qualidade para as construções, máquinas, etc, etc e pastos quanto bastam para o custeio do estabelecimento, aliás, colocado perto de fazendeiros, os quais por preço cômodo a abastecem de víveres.
Existem 150 escravos de serviço, já adestrados na arte do ferro, na fabricação do carvão à moda européia, na manipulação de ferros de todas as formas e tamanhos. Está hoje entre mãos para a companhia do Morro Velho um aguilhão (eixo de transmissão de roda hidráulica) que não pesará, depois de concluído, menos de sessenta arrobas (900 quilos). Já tem ido para a companhias do Gongo (Soco), no Morro da Água Quente, peças maiores, tudo feito de ferro maleável e por conseguinte muito mais custoso. Entre os escravos há também ótimos pedreiros, carpinteiros, telheiros, carreiros, arrieiros, etc, etc. Existe na Fazenda para cima de cinco léguas de estradas de carro, entre as quais 2 ½ admitem carros europeus de quatro rodas. Tem duas pontes lançadas sobre o Rio Piracicaba, as quais por longos anos facilitaram o ingresso do carvão etc, etc, de ambos os lados do mesmo. Há edifícios para todos os cômodos e necessidades, cobertos com duzentos milheiros de telhas e um ultimamente concluído, destinado ao estabelecimento das máquinas vindas da Europa para obter com elas ferros de variadas bitolas... Enfim tem carros grandes de quatro rodas para condução do carvão, das pedras, há carretões à moda européia, etc, etc e um massame (espécie de ponte rolante) não pequeno para uma indústria em atividade há anos.
[...]
Abaixo (do Solar) a 88 pés (20 metros) de altura está situada a fábrica velha a uma distância tal que não incomoda, nem o calor, nem a poeira e a fumaça nem os estrondos das máquinas. Abaixo desta acabei a casa da nova em ponto muito maior. Segue ao depois o engenho de serrar. Ainda tem altura até o rio, para com a mesma água suprir ainda duas fábricas precisando. Das montanhas vizinhas desce um córrego... esta aguada é muito importante dando , mesmo no terreiro, impulso a um engenho de pilões, moinho para fubá à moda Européia, ralador de mandioca, ventilador, etc... Na fábrica velha existem duas rodas hidráulicas poderosas, três malhos, um de 80 arrobas de peso (1.200 quilos) para as obras grandes, um de 15 arrobas (225 quilos) e um pequeno de 5 arrobas (75 quilos) no meio das tendas para a fabricação do ferro miúdo e obras pequenas. Tem seis fornalhas de fundir ferro, sempre em atividade, três forjas e quatro tendas. Um bicame, ou tanque d’água, colocado a trinta palmos acima do fundo do canal e no meio da casa está recebendo a aguada toda do ribeirão, dando a força motriz para as duas rodas e o vento necessário por meio de quatro trompas, repartido com canais de braúna por todas as partes. Há também, duas mãos de pilão movidas por umas das rodas, as quais servem para reduzir em pó a pedra de ferro, quando não se emprega a jacutinga na fundição, assim como para sacar certas borras ricas de partículas de ferro as quais lavadas e refundidas dão um ferro de superior qualidade. Por dia rende a fábrica 30 arrobas (450 quilos) de ferro quase todo reduzido em obras, principalmente, em mãos de pilões para as Companhias Inglesas e Mineiras Brasileiras, aguilhões, bigornas, engenhos de serrar madeira, moendas para espremer a cana de açúcar , etc, etc. A fábrica nova é um edifício de 240 palmos de comprimento, 104 ditos de largura, e 45 palmos de altura destinado a receber maquinismo para obrar o ferro, etc. A mesma casa contém o engenho de serrar a madeira com rapidez. Empregando juntas as folhas que se quiser, assim como possui uma máquina de tornear ferro e as madeiras em todos os tamanhos”.
Em 1891, 19 anos depois da morte de Monlevade, sua Fábrica de Ferro sofria os efeitos da concorrência estrangeira, beneficiada pela chegada da ferrovia à Ouro Preto, etc. Fazia-se preciso reajustar a Fábrica de Ferro Monlevade à nova ordem mundial e aos ventos da Revolução Industrial. Agora, quem entra em cena é Francisco Monlevade, neto do patrono local e também engenheiro. Sem contar com o capital necessário para modernizar a indústria do avô segundo as exigências da época, Francisco a vende à Companhia Nacional de Forjas e Estaleiros do Barão de Mauá, por 1 mil contos de réis, mediante condição de permanecer à frente da administração do estabelecimento. Nesta terceira fase do empreendimento, é completamente abandonado o antigo local, abaixo do Solar, estabelecendo-se a casa da nova oficina na margem esquerda do Rio Piracicaba, abaixo do que é hoje a Represa do Jacuí. Neste período, a Fábrica de Ferro Monlevade foi, integralmente, submetida aos efeitos da Revolução Industrial, sendo equipada com uma série de maquinismos impressionantes, desenhados em Art Déco, entres os quais se destacam o Martelo-Vapor estadunidense e a Turbina Hidráulica francesa de 600 cavalos. Quase todo o acervo do Museu Monlevade é, atualmente, composto pelas máquinas da Fábrica de Ferro de Francisco Monlevade, que produzia 4 vezes mais ferro do que as duas primeiras do avô. E o mais interessante é que o prédio que abrigou a Fábrica de Ferro de Francisco Monlevade ainda existe e, atualmente, alberga a casa de máquinas da Represa do Jacuí, no bairro de mesmo nome. 




Trata-se do edifício da foto, igualmente em Art Déco, que, a partir de 1935, foi aproveitado pela Belgo Mineira para instalar as turbinas e geradores da Hidrelétrica do Jacuí. Na foto anexa, gentilmente cedida por minha amiga Corina Grosch, neta do engenheiro luxemburguês, Charles Diederich, encarregado por Louis Ensch de instalar a Hidrelétrica do Jacuí, pode-se ver a turbina francesa de 600 cavalos-vapor ainda instalada no pátio, ao lado da casa da oficina da Fábrica de Ferro de Francisco Monlevade. Ou seja, o Município de João Monlevade também tem um edifício da Companhia Nacional de Forjas e Estaleiros e não sabe.
Na edição nº 7, de 15 de abril de 1894, da Revista Industrial de Minas Gerais, disponível para consulta no Arquivo Público Mineiro, existe uma completa descrição da Fábrica de Ferro de Francisco Monlevade, feita pelo também engenheiro francês e professor da Escola de Minas de Ouro Preto, Paul Ferrand, que transcrevo a seguir:
"USINA MONLEVADE
Esta usina está colocada à margem esquerda do Rio Piracicaba a 14 km ao N. do Arraial de São Miguel de Piracicaba. Ela pertence à Companhia Nacional de Forjas e Estaleiros desde 1891; sendo anteriormente de propriedade do Sr. João Monlevade. Neste tempo se fabricava o ferro pelo processo direto italiano com dois fornos baixos produzindo diariamente 500 quilogramas de ferro em barras. Hoje ela acaba de passar por uma transformação completa sob direção do Sr. Francisco Monlevade, neto do presidente e engenheiro da Companhia. Foi completamente abandonado o local da antiga forja, estabelecendo-se a nova oficina num lugar mais apropriado aos maquinismos modernos.
A nova fábrica compreende 5 fornos catalães americanos “Bloomary Process”, dispostos em duas fiadas, um martelo a vapor com uma caldeira de vapor horizontal, um laminador para ferros de pequenos perfis, um forno de reverbero a gás para caldeamento das lupas e 4 tendas.
Atualmente trabalham só dois fornos; dois outros estão já montados , e o último se acha em construção. Cada forno faz uma operação em 3 horas ou 8 operações em 24 horas, dando 1 tonelada de ferro em barras; isto é, 125 quilogramas por operação, repartidos em 5 barras quadradas de 6 centímetros de lado, pesando em média 25 quilogramas cada uma. A produção diária total é por conseguinte de 2 toneladas.
Os fornos são munidos de aparelhos de aquecimento do sistema Calder e os gases ainda quentes passam a redor da caldeira que fornece o vapor necessário ao martelo-vapor para se escaparem depois pela chaminé . O aparelho de um dos fornos que não trabalha serve por enquanto para aquecer o vento soprado no gasógeno do forno de caldeamento. Este gasógeno de cuba, utiliza como combustível os resíduos em pó e miúdos de carvão de madeira impróprios para o forno. O martelo-vapor é de duplo efeito; seu peso é de 1,5 tonelada e seu levantamento é de um metro; serve para esbravejar (forjar) as bolas e lupas. O laminador serve para espichar as barras quadradas depois de caldeadas no forno de reverbero para obter o ferro em barras de diversos perfis.
As águas passam com uma altura de queda de 16 metros numa turbina horizontal de força de 600 cavalos-vapor. Esta turbina serve por enquanto para mover o laminador e o ventilador Roth que sopra o vento nos diversos fornos, além disso ela servirá para mover diversos outros maquinismos ainda não montados , como um laminador para fabricação de enxadas , máquinas de fazer machados, ferraduras, pregos etc. A oficina, que ocupa uma superfície de 75 metros de comprimento sobre 31 metros de largura, estará completamente acabada no fim de maio próximo , segundo espera o Dr.Francisco Monlevade, encarregado da construção e da direção deste novo e interessante estabelecimento".
A Fábrica de Ferro de Francisco Monlevade funcionou até 1897, quando a Companhia Nacional de Forjas e Estaleiros faliu, forçando seu fechamento.
Como se viu, além de terem sido três os estabelecimentos instalados e mantidos pelos Monlevade nesta terra, de pequena forja catalã fabriqueta de enxadas, como se conta, eles não tinham nada.