terça-feira, 21 de maio de 2019

Gongo Soco: de maior Mina de Ouro do Mundo à Bomba Relógio Iminente


Como a imensa maioria das minas de ferro, em Minas Gerais, o Gongo Soco teve seu início como uma mina de ouro, a mais célebre de todas. O Gongo Soco foi a mina que mais produziu ouro em toda a história da humanidade. Inicialmente, o Gongo Soco foi de propriedade de João Batista de Sousa Coutinho, o Barão de Catas Altas, que, a partir de 1818, apurou somas fabulosas de ouro daquelas lavras a céu aberto. Durante dois anos, o Barão extraiu, por dia, nada menos do que 7 quilos e meio de ouro puro dos talhos abertos do Gongo Soco, o que fez de Catas Altas um dos homens mais ricos do Império Brasileiro e bancou todas as excentricidades pelas quais ficaria conhecido. Posteriormente, julgando, esgotada a mina, Catas Altas a vendeu para os ingleses da Imperial Brazilian Mining Association, que passariam a empregar tecnologia mecanizada na exploração do ouro, como o trem de vagonetes e o engenho hidráulico de pilões, cujas cabeças dos trituradores eram produzidas pela Fábrica de Ferro de João Monlevade. Monlevade foi o fornecedor preferencial de artefatos de ferro das companhias mineradoras inglesas por mais de 50 anos, forjando não apenas as cabeças de ferro dos trituradores do quartzito aurífero, cada uma pesando 80 quilos, como também qualquer outra ferramenta demandada pela mineração, além de peças muito maiores. Há registro de peça de ferro de mais 900 quilos de peso fabricada por Monlevade e enviada até o Gongo Soco através de seus famosos carretões de quatro rodas, puxados por muitas juntas de bois. Mecanizado, constituído na forma de uma companhia e conformado aos moldes de uma vila européia, contanto com mais de 1.000 habitantes, de 1826 à 1856, o Gongo Soco produziu na mãos dos ingleses 27.887 quilos de ouro puro, algo sem precedente ou paralelo no mundo. Foram quase mil quilos de ouro por ano, mais de 2 quilos e meio de ouro por dia. 
Minas como o Gongo Soco foram importantíssimas, não apenas pela grande quantidade de ouro que produziram, mas principalmente pelo emprego intensivo da mecanização a que foram pioneiras, sendo consideradas hoje pela historiografia como o alvorecer da indústria mineira. Tais minas deixaram uma marca tão indelével na construção da identidade regional que ainda hoje a herança daqueles idos pode ser observada no jeito de falar do mineiro. Manter o processo de mecanização sempre funcionando não era tarefa fácil. O inglês estava sempre cobrando do mineiro o porquê da interrupção do funcionamento. Então o inglês indagava: “why (?)”, que é a tradução de “por que (?)”. Daí a origem da interjeição “uai”, tão utilizada pelo mineiro para exprimir surpresa ou espanto. “Sô”, que em Minas é utilizado como pronome de tratamento e “trem”, que é utilizado pelos mineiros como sinônimo de qualquer coisa, também são originários do convívio dos mineiros com os ingleses nas companhias mineradoras do ouro. “Trem” é referente ao “train” de vagonetes, sob trilhos, que eram empregados nas companhias mineradoras para extrair o minério aurífero das galerias subterrâneas; “sô” é a adaptação do vocábulo “sir”, que era como os ingleses eram tratados nas companhias.
Depois de extinta a Companhia Inglesa do Gongo Soco, a mina passou a ser explorada pela Vale também por seu minério de ferro que é puríssimo e, obviamente, muito rico em ouro. Outrora, um colosso aurífero, indutor do desenvolvimento da região, agora, o Gongo Soco se transformou numa verdadeira bomba-relógio que pode explodir a qualquer momento, mediante o risco da ruptura de mais uma barragem da mineração. É, terrivelmente, vergonhoso testemunhar como a mineração virou sinônimo de medo em Minas Gerais.

segunda-feira, 13 de maio de 2019

MOREIRA INELEGÍVEL ATÉ 2024 EM APENAS 1 PROCESSO: HÁ MAIS DE 1 DEZENA DELES A SEREM JULGADOS




Recentemente, circulou a especulação de que o ex-prefeito Carlos Morteira estaria, juridicamente, apto a se candidatar ao cargo de prefeito, nas próximas eleições municipais de 2020.
A verdade é que quem se encontra cumprindo penal, em regra, não pode se candidatar a cargo eletivo. Atualmente, Carlos Moreira cumpre pena em regime aberto em função de condenação criminal por desvio de verba pública, na ação penal de número 0998430-91.2009.8.13.0362, em que foi condenado, em 27/01/2012, a 2 anos de prestação de serviços à comunidade e a 5 anos de proibição expressa do exercício de mandato eletivo. Como o processo transitou em julgado, isto é, apenas se encerrou em 03/06/2016, Moreira segue inelegível e impedido de se candidatar a qualquer cargo eletivo.  Segundo o respectivo atestado de pena em anexo, apenas no âmbito do aludido processo, a previsão é de que Moreira volte a se tornar elegível somente em 12/05/2021, considerando exclusivamente a pena em concreto. A remeter a condenação de Moreira à Lei da Ficha Limpa, ele se encontra inelegível até 12/05/2024, apenas neste processo.
Contudo, este é apenas um dos vários processos que correm contra Moreira. Ele tem mais de uma dezena de outros processos por ato de improbidade administrativa em tramitação que devem torná-lo inelegível para as próximas décadas. Mesmo se hoje, Moreira estivesse em condições de elegibilidade, o que não acontece como demonstrado acima, uma candidatura sua representaria o imenso risco de cassação no curso do mandato, diante da longa esteira de processual a que responde, por inúmeros atos lesivos ao patrimônio público cometidos, enquanto foi prefeito.         

terça-feira, 7 de maio de 2019

Dívida do Hospital Margarida na casa dos 23 Milhões


Sites, blogs e impressos fazem circular a informação de que, caso o estado de Minas Gerais e o governo federal são efetuem o pagamento das dívidas de 4, 5 e 1,5 milhão de reais, respectivamente, contraídas junto ao Margarida, o hospital terá que fechar suas portas. 
Contudo, nenhum deles informou o valor da dívida do Hospital Margarida com médicos, profissionais da saúde e fornecedores de bens e serviços, que é o que verdadeiramente interessa. E a relevantíssima informação sobre a dívida do HM só não foi prestada porque a corrida eleitoral para 2020 já se encontra deflagrada e o Hospital Margarida já é um de seus principais palanques. 
Nos bastidores políticos locais circula a informação de que a dívida do Hospital Margarida com profissionais da saúde e fornecedores chega a 23 milhões de reais. Façamos então a conta: 23 milhões de dívida, menos o crédito de 6 milhões que tem com o estado de Minas e com o governo federal é igual a 17 milhões de dívida gerada em função apenas do gasto interno do Hospital Margarida. Por decorrência, a pergunta que não quer calar é a seguinte: por que o Hospital Margarida tem gastado tanto e com o quê, ultimamente, sabendo que não poderia contar com a renda do Bingo nem com as doações da AAHM?

segunda-feira, 6 de maio de 2019

Dívida do Hospital Margarida não foi Informada



Em capa cuja manchete foi “se o estado não pagar, hospital vai fechar as portas, afirma provedor”, a edição da última sexta-feira do jornal A Notícia fez circular matéria alarmante sobre a situação financeira do Hospital Margarida. Segundo o impresso, caso o estado de Minas Gerais e o governo federal não paguem as dívidas de 4,5 milhões e de 1, 5 milhão de reais, que, respectivamente,  mantêm com o HM, o hospital terá que fechar suas portas.
Estranho foi o impresso abordar o tema da difícil situação financeira do HM, sem, contudo, trazer para o leitor monlevadense o valor da dívida que o hospital tem junto a médicos e fornecedores.  Ora, se é o hospital subvencionado pelo Município que corre o risco de fechar, a informação que o cidadão merece obter é aquela que diz respeito à dívida do HM, principalmente, porque aquela tão importante casa de saúde é subvencionada pelo Município.
Quanto deve o Margarida? Isso o jornal deixou de informar.  Com o pretenso hospital Santa Madalena foi a mesma coisa, o jornal jamais descortinou o que aconteceu ali.

sexta-feira, 3 de maio de 2019

O Risco de Fechamento do Hospital Margarida na Inconsequência da gestão Administrativa



Hoje circulou a informação de que, segundo o provedor do Hospital Margarida, José Roberto Fernandes, caso o estado e a União não paguem as dívidas de 4,5 e de 1,5 milhões de reais, respectivamente, a casa de saúde fechará suas portas em meio ao maior surto de dengue das últimas décadas. 
Então, vejamos. Façamos as contas. Em 2016, na gestão de José Roberto Fernandes, a Justiça suspendeu o Bingo do HM, por considerar que o evento havia perdido o caráter filantrópico. Desde então, o Bingo jamais foi realizado. Naquele ano, o HM deixou de faturar 1 milhão de reais. Em 2017 e 2018 o Bingo também não foi realizado, até porque depois de José Roberto Fernandes, ninguém mais teria coragem de adquirir cartela do mesmo. Para 2019, a perspectiva é de que o Bingo também não se realize. Até aí, serão 4 milhões de reais que o HM deixou de arrecadar só com o Bingo, soma que atualizada monetariamente se aproxima muito do valor devido pelo estado de Minas ao hospital. Outrossim, a AAHM, num passado recente chegou a doar cerca de 1,5 milhão de reais para o HM em bens e serviços, valor equivalente à anunciada dívida da União com o hospital. Contudo, a partir da gestão de José Roberto Fernandes, a AAHM foi de todas as formas impedida de funcionar junto ao HM. 
A pergunta que fica é a seguinte: será que o HM corre risco de fechar em função dos débitos do estado e da União ou tal situação é, na verdade, o produto direto da má-gestão, da inconsequência e da irresponsabilidade?

quarta-feira, 24 de abril de 2019

Manifesto pela Liberdade de Expressão



Recebi como ato de extrema violação ao direito constitucional de livre expressão do pensamento a decisão do Juizado Especial Cível que arbitrou indenização em meu desfavor por ter me referido ao atual provedor do Hospital Margarida, como “evaporador de recursos” e “provedor à avessas”. Ora , quem evapora os recursos do Bingo do Hospital Margarida deve ser chamado de quê? 
Trata-se do sexto processo que o provedor moveu contra mim, utilizando indevidamente advogado contratado pelo Hospital Margarida para me processar. Quatro já foram arquivados.
Sinto por parte do judiciário local certo desejo de fustigar a advocacia, até porque é o advogado quem concretiza os direitos dos cidadão e, infelizmente, a Justiça tem se portado como a ponta de lança da covarde luta de classes em que se encontra o país. 
Obviamente, vou recorrer. Provedor do Hospital Margarida é cargo equiparado ao de agente público e, portanto, necessita de controle social, principalmente diante do abismo em que se encontra, devendo a médios e a fornecedores 5 meses de pagamentos . É parte da Luta! Vamos seguir fieis a nossos princípios de liberdade e firmem no controlo social dos serviços de saúde pública prestados pelo HM. 
Ademais, sou pobre no sentido legal. Fiz voto de pobreza diante do rapa-pés de São Francisco de Assis de Ouro Preto. Não tenho bens em meu nome, apenas despesas.

quinta-feira, 11 de abril de 2019

Sinval esfrega livro na cara de Belmar


Não reunião ordinária de ontem na Câmara, o vereador Sinval literalmente esfregou o livro de inscrições da mesa na cara de seu colega, o vereador Belmar Diniz.
Vídeo do episódio circulou rapidamente pelas redes sociais, tornado evidente a grande humilhação vivenciada por Belmar Diniz, diante do gesto desrespeitoso do vereador Sinval Dias.
Muito embora, a ação de Sinval tenha extrapolando o que se espera do decoro parlamentar, Belmar bem que mereceu. Sinval sabe que Belmar, apesar de vereador pelo PT, votou a favor do Rotativo, da terceirização do Dae, de autorizar a Enscon a não cobrar a passagem em dinheiro a bordo do coletivo, etc, sabe que Belmar é encima do muro, não faz oposição substancial, negocia com Moreira, pede voto para deputado da direita, sobrinho da Miriam Leitão, e agora, que já se auto-declarou candidato a prefeito, numa disputa pouco cordial com o ex-prefeito Laércio Ribeiro, Belmar Diniz quer aparecer para assumir uma pretensa e eleitoreira oposição ao atual governo. Foi ótimo e hilariante ver Sinval esfregar um livro na cara de Belmar que é para ele aprender a ler o conteúdo programático de seu partido e também um livro de ética clássica.
Outrossim, não podemos esquecer da contribuição decisiva de Belmar Diniz para a derrota da chapa Railton e Laércio, nas ultimas eleições por uma diferença de apenas 126 votos. É que nos últimos 25 dias de campanha, a ex-vereadora Filinha pegou, indevidamente, a estrutura do comitê do Bairro Cruzeiro Celeste que deveria ser empregada, exclusivamente, na campanha para prefeito e vice e a direcionou para pedir votos apenas para Belmar. Assim, faltaram os 126 votos para eleger Railton e Laércio. 
Acho que, diante da merecida humilhação sofrida pelo vereador Belmar, todo aquele que deixou sua vida particular de lado para, de boa-fé, engajar seu tempo e seus esforços na eleição de um projeto político desenvolvimentista para Monlevade,covardemente, impedido pela esperteza de alguns, agora, pode dizer que se encontra com a alma, parcialmente, lavada. Nada como o testemunho da justiça divina!

terça-feira, 9 de abril de 2019

João Monlevade, o Barão de Eschwege e a difundida tecnologia romana de mineração do ouro

    

  







Ainda não encontrei documento que pudesse associar ou vincular, diretamente, o Barão de Eschwege e ao minerálogo e metalurgista francês João Antônio de Monlevade. Contudo, o legado de um está diretamente ligado à obra do outro. E como ambos são egressos da grande leva de naturalistas e de estudiosos que se seguiram à transferência da corte portuguesa para o Rio de Janeiro em 1808, é muito provável que tenham mantido certa interação técnica. 
O Barão de Eschwege era alemão e de mesma formação técnica de Monlevade. Chegou ao Brasil em 1810, encarregado por Dom João VI de “reanimar a decadente mineração do ouro e a trabalhar na nascente indústria siderúrgica”. Eschwege realizou muitos estudos mineralógicos em Minas Gerais e fundou, em Ouro Preto, uma fábrica de ferro, denominada Patriótica e considerada a primeira do país. Entretanto, para Monlevade, mais importante do que os estudos e o pioneirismo de Eschwege, foi a tecnologia introduzida por ele em Minas Gerais. Tratava-se uma grande roda d’água, acoplada a um eixo giratório que transmitia a força necessária para erguer uma série de pilões de madeira, cujas as bases eram pesados blocos de ferro . O eixo girava, erguendo os pilões que , com meia volta, perdiam o apoio e, por gravidade, caiam sobre a rocha, triturando-a , num movimento de sobe e desce contínuo. Também chamado de Engenho de Eschwege, tal tecnologia se difundiu muito pelo território mineiro, sendo adotada principalmente pelas companhias de mineração inglesas que se fundaram às dezenas em Minas a partir de 1825, o que demandou pela produção de muito ferro. E é neste ponto, que entra Monlevade. Durante os mais de 50 anos que sua fábrica de ferro funcionou sob seu comando, Monlevade foi o fornecedor preferencial de uma série de artefatos de ferros para as companhias inglesas de mineração do ouro e, principalmente, o fornecedor exclusivo das cabeças de ferro dos trituradores do Engenho de Eschwege. 
Para se ter uma ideia do aprimoramento tecnológico que representaram os moinhos de pilões de Eschwege, apenas a Mina do Gongo Soco, depois de julgada esgotada diante das técnicas rudimentares de mineração do ouro até então utilizadas, foi vendida em 1826 para os ingleses que nela passaram a empregar intensivamente a tecnologia do Engenho de Eschwege, fazendo com que apenas nos 12 anos seguintes, o Congo Soco produzisse nada menos do que 15 mil quilos de ouro puro, ou seja, 5 quilos de ouro por dia. 
Todavia, a tecnologia então introduzida por Eschwege em Minas, apesar de encarada como uma novidade pelos os mineiros, não era tão nova assim. O Moinho hidráulico de pilões já havia sido amplamente utilizado no norte de Portugal , na região das Tresminas, há mais de 2.000 anos, quando o território português se encontrava sob o domínio do Império Romano. 
Durante a antiguidade, as Tresminas foram um dos mais importantes complexos de mineração aurífera de todo o Império Romano, produzindo ouro para a cunhagem de moedas. E naquele tempo, Roma já empregava com sucesso o Engenho de Pilões, movido por roda hidráulica para também triturar o quartzito retirado das galerias subterrâneas, antes da lavagem do metal precioso, o que aumentava muito o rendimento das minas. A diferença estava apenas no tamanho dos maquinismos e no material empregado nas cabeças dos pilões. Enquanto os engenhos das Tresminas eram menores e utilizavam blocos de granito nas cabeças dos trituradores para esmagar a rocha aurífera, os engenhos de Eschwege eram muito maiores, muito mais pesados e utilizavam blocos de ferro de 80 quilos produzidos por Monlevade para o mesmo fim. 
No Museu do Ouro em Sabará existe exemplar do Engenho de Eschewege (fotos) que, apesar do mau estado de conservação, permite um vislumbre desta tecnologia romana de processamento do ouro que tanto se difundiu por Minas Gerais, a partir do primeiro quartel do sec. XIX. Este exemplar operou por 50 anos na região de Santa Bárbara. Nas fotos, é possível verificar que um dos blocos de 80 quilos de ferro forjados na Fábrica de Ferro de Monlevade se soltou do corpo de madeira do pilão, o que permite observar que o mesmo possui um cabo de encaixe. Vê-se também muito desgaste dos blocos, o que demonstra o quanto o trabalho de trituração era duro, demandando substituição contínua dos mesmos para felicidade de Monlevade que as produziu em escala industrial por mais de meio século.


quinta-feira, 4 de abril de 2019

Quase 100 dias de governo Bolsonaro



A caminho de completar 100 dias de mandato, o governo Bolsonaro é um verdadeiro desalento para o trabalhador brasileiro. 
Já são mais de 13 milhões de desempregados, 25 milhões de trabalhadores informais e a Ford parece que foi a primeira a cair na real, seguida de outras grandes empresas que também fecham suas portas no Brasil. Os sinais são claros de que a grave crise econômica em que o país se encontra apenas se aprofunda mais a cada dia. O comércio não vende, a gasolina está em R$ 4,60, o feijão a R$ 8,00 e toda vez que o presidente abre sua bocarra desmedida o dólar supera o teto psicológico de R$ 4,00. E nem precisa esperar porque não haverá crescimento econômico, boom imobiliário nem recorde na venda de eletrodomésticos, celulares, computadores e veículos, como ocorrido antes de 2014. Paulo Guedes, o ministro da Fazenda, não ganha dinheiro com o trabalho. Ele é financista, canha dinheiro no mercado financeiro, que não produz sequer um parafuso para a nação. O negócio dele é cortar investimentos na saúde, na educação e na Previdência Pública para remunerar ainda mais os banqueiros do Brasil. Certamente, Paulo Guedes vai posicionar seu património em dólar e a partir daí conduzirá uma escalada no preço da moeda estadunidense, triplicando ou quadruplicando sua fortuna. Aqueles que estão no poder não precisam de crescimento econômico, de geração de renda ou de abertura de postos de trabalho. Eles são remunerados pelo Estado brasileiro com quase metade da despesa da União, sem o menor esforço. É isso mesmo, a Miriam Leitão não diz, nem o Willian Bonner, mas o maior rombo das contas públicas brasileiras não é causado pela Previdência, mas sim pela imensa conta de juros que o Brasil paga anualmente a cerca de 10 mil credores da dívida pública. Como demonstra o gráfico anexo, o custo da previdência corresponde a apenas 22, 76% da despesa da União, enquanto que a despesa dos juros dos credores da dívida alcança estratosféricos 45, 11% da mesma despesa, ou seja, de cada dez dias que você trabalha, 4 e meio são para pagar banqueiro, e você nunca ouviu falar nisso. E de onde vem essa lógica? 22,76% para remunerar 30 milhões de aposentados contra 45,11%, mais que o dobro, para remunerar apenas 10 mil credores? Em relação aos aposentados, sabemos que eles, em regra, trabalharam grande parte da vida, contribuiriam e agora são remunerados. O que não acontece em relação aos banqueiros, pois não existe um memorial de cálculo que possa explicar porque o Brasil gasta quase metade do orçamento da União com juros de sua dívida. Convencionou-se assim.
O Japão, por exemplo, tem uma dívida proporcionalmente 5 vezes maior do que a brasileira e não compromete mais do 3% da despesa com o pagamento de juros. E é o contrário disso que Paulo Guedes quer. Se hoje o Brasil compromete mais de 45% de sua despesa com a remuneração dos banqueiros, no final do governo Bolsonaro estará pagando 55% ou mais. 
Além da tragédia econômica, em menos de 100 dias, o governo Bolsonaro já se comprovou um verdadeiro manicômio. Seus assessores não dominam sequer os conceitos mais elementares das temáticas que ocupam. O Brasil é o único país do mundo que ainda teme o avanço do comunismo, o que parece ser o único note desse governo. Filho cheio de laranjas e envolvido com milícias. O outro manda e desmanda no governo. O Assassino de Marielle é vizinho no condomínio de luxo do presidente. Chegamos ao fundo do poço. E um presidente que não desceu do palanque para governar, não tem articulação com o parlamento, não tem compostura presidencial, entregou a geografia brasileira para o EUA (Base de Alcântara), destruiu a diplomacia do Itamaraty (reciprocidade de visto) e que colocou perigosamente o Brasil no circuito de atentados jihadistas, ao se alinhar com os conservadores israelenses por acreditar que a Israel contemporânea é a mesma terra santa bíblica de Moisés e Abrão. 
Enganado foi foram apenas os pobres que votaram em Bolsonaro, pois a classe média brasileira, ela é a cara do Bolsonaro e queria justamente este resultado: a sabotagem da política e a ingovernabilidade, para interromper o processo de ascensão das classes C, D e E. A classe média quer um país melhor, desde que não haja ascensão social.

quinta-feira, 28 de março de 2019

Justiça condena provedor a indenizar médico do HM por dano moral e a retirar matéria inverídica do blog O Popular


O juiz titular do Juizado Especial Cível da Comarca de João Monlevade, Adilson da Silva da Conceição, condenou o provedor do Hospital Margarida, José Roberto Fernandes, a indenizar a título de danos morais o médico Getúlio Garcia no valor de R$ 5.000,00. O provedor também foi condenado a retirar matéria inverídica publicada pelo blog O Popular, sob pena de multa. A ação judicial teve como objeto as declarações falsas e ofensivas feitas por José Roberto Fernandes e publicadas pelo blog O Popular, na data de 17/06/2016 , quando em resposta a matéria crítica publicada no Blog Monlewood,o provedor acusou o médico nos termos transcritos a seguir: 

 “Quem faz segregação racial no Hospital Margarida é o pai dele, que é médico. E ele ‘usa’ o corpo clínico para barrar a chegada de novos médicos ao Hospital Margarida. Além disso, o pai do blogueiro usa o Hospital margarida para procedimentos particulares e convênios, mas não aceita atender pacientes do SUS, porque o SUS paga pouco. E, ainda, quer obrigar o Hospital a pagar a diferença que existe entre o SUS e os convênios.Tenho provas do que estou falando”. 

No processo de número 0048389-04.2016.8.13.0362, o provedor não conseguiu comprovar a veracidade de nenhuma das graves acusações que, levianamente, fez contra o médico Getúlio Garcia, conforme fundamentado pelo magistrado:

 “..., quanto à alegada liberdade de expressão invocada pelo réu José Roberto Fernandes, verifica-se, de modo contrário, o seu exercício em evidente exagero, porquanto expressamente confessou em depoimento pessoal que o teor da entrevista é de sua autoria, sendo que atribui ao autor da ação a negativa de atendimento a pacientes do SUS e que ele realizaria segregação racial, bem como exigiria pagamento de diferença de valores relativos aos atendimentos privados no âmbito do SUS. 
Insta salientar, que a exceção da verdade diz respeito aos crimes contra a honra no âmbito do Direito Penal e Processual Penal e, ainda que na aludida seara fosse constatada a verdade, na esfera cível, cabe a cada um se ater aos limites da liberdade de expressão para não violar o direito de outrem, in casu, o nome e a honra objetiva e subjetiva. Ainda assim, os documentos de fls. 89/128, juntados aos autos pelo réu José Roberto Fernandes, não comprovam que a parte autora tenha sido condenada por sentença transitada em julgado pela prática da alegada “segregação racial”. 
Quanto ao dano moral, resta evidente pelo próprio reconhecimento do réu José Roberto Fernandes que o sentido da publicação é exatamente o que repassou ao jornalista, sendo suficiente para a ofensa ao nome e a honra objetiva e subjetiva da parte autora. Impende ressaltar que, se o réu José Roberto Fernandes estava sendo perseguido por pessoas insatisfeitas com a sua gestão administrativa no hospital, inclusive com publicações como a realizada pelo filho do médico, ora requerente, deveria adotar as medidas legais e cabíveis para coibir ou punir eventuais transgressões legais, em vez de promover o ato que fez publicar à fl. 27. Isto é, não caberia ao réu José Roberto Fernandes adotar a seu crivo a conduta que obteve - de atribuir a terceiro ato proferindo ofensa a direitos. 
 Em se tratando de ilícito civil, a conduta pode ser dolosa ou culposa, estando presente a culpa civil, comprovada nos autos e confessada pelo próprio réu José Roberto Fernandes, que não agiu com o cuidado necessário para evitar lesões a direitos de terceiros ao se deparar com a publicação do filho do médico/requerente, de quem deveria buscar eventual indenização, caso se sentisse ofendido pelo titular do blog...”

Agora, diante da presente condenação por mentir e ofender médico do Corpo Clínico do Hospital Margarida, fica óbvio que José Roberto Fernandes perdeu, definitivamente, a viabilidade moral de se manter no cargo de provedor do Hospital Margarida. Ofensor mentiroso não pode administrar o único hospital do Município. A comunidade do Hospital Margarida exige a renúncia de José Roberto Fernandes. Fora, Zé Roberto!