domingo, 28 de novembro de 2021
Dois Reis na História Siderúrgica de João Monlevade
quinta-feira, 28 de outubro de 2021
Monlevade 1828: Uma Fábrica de Ferro movia a Água
terça-feira, 26 de outubro de 2021
Três razões, exclusivamente, portuguesas e determinantes para a imensa grandeza territorial do Brasil
quinta-feira, 21 de outubro de 2021
Fabricismo de Laércio no Abandono da Escola Santana: o desenvolvimento está muito além do asfalto e do mutirão da catarata
E este conservadorismo fisiologista voltado para a candidatura de Fabrício em 2024 já pode ser notado nas poucas ações concretas de governo ou em suas muitas inações. Em sentido genérico, todas as estruturas fisiologistas de poder dos setores conservadores da política local seguem de pé no atual governo do PT. Não houve, por exemplo, mudança significativa no modelo terceirizado de limpeza pública da cidade que fatura milhões e não entrega o serviço; no Rotativo que também segue inalterado, faturando outros milhões; no Hospital Margarida que segue administrado pela entidade que deu o golpe do Bingo, perseguiu médicos, etc; a Encon, concessionária do serviço do transporte coletivo, foi autorizada a pedido do prefeito a receber milhões em subsídio do Município, sem revelar sua contabilidade, seguindo-se imune à fiscalização dos órgãos competentes, já que posar para foto na garagem da empresa para divulgação no órgão de comunicação do governo, sem apresentar autuação, não é fiscalização, é lorota de marketing interno provocado pelo desgaste do caso Enscon. As inações estruturais foram muitas. De outro lado, em sentido estrito, apesar das numerosas divulgações abstratas da secretaria de comunicação, o que se tem de concreto é aquilo de eleitoreiro que se viu no governo passado, como o anúncio da realização de cirurgia de catarata em regime de mutirão, e o asfaltamento de ruas com calçamento de pedra ou bloquete, tudo sempre levado à cabo com indispensável presença eleitoreira de Fabrício.
Como visto, muitos podem ser os exemplos de que nada mudou no governo municipal do PT em João Monlevade, mas entre eles o que mais me chamou a atenção foi o recente asfaltamento de parte do acesso à abandonada Escola Santana, que é marco histórico e arquitetônico do modernismo local, tombado pelo artigo 150 da Lei Orgânica para fins de preservação e sua restauração foi promessa de campanha de Laércio. Primeiro, porque é preciso se pensar várias vezes antes de se asfaltar o entorno de um sítio histórico. Segundo, porque o asfaltamento se deu a poucos metros do leito do Rio Piracicaba, o que, sob a ótica ambiental, deve ser evitado. Ainda sob o ponto de vista ambiental, é cediço que a vias secundárias devem preferir o calçamento com bloquetes ou paralelepípedos, que permitem a infiltração da água da chuva e esquentam muito menos o ambiente. Monlevade é, geograficamente, constituída por vários vales, o que significa que o asfaltamento sem critério será sempre fator favorecedor de enchentes e de inundações, muito comuns, justamente, perto dali. E não é correto o cidadão ser vítima de inundação dentro de casa, apenas porque Fabrício que ser prefeito em 2024. Terceiro, porque o acesso recentemente asfaltado da Escola Santana só foi aberto ao trânsito local, depois de uma forte chuva que comprometeu o talude da Avenida Santa Cruz, logo abaixo, o que impediu o trânsito em mão dupla naquele ponto da via. Assim, caso não se tratasse de obra meramente eleitoreira, o que a administração deveria ter feito era reparar o talude da Avenida Santa Cruz, reabilitando o trânsito em mão dupla no local. Jogar asfalto sobre barranco cedente, Moreira também fez muito. Não é a mudança. E quarto, porque a foto do prefeito e do vice, no momento daquele asfaltamento, rapidamente, circulou as redes sociais, mas ninguém viu foto de pose de Laércio, mais Fabrício no Colégio Santana, a poucos passos dali, que se encontra em estado de completo abandono, degradação e cuja restauração foi promessa de campanha do PT. Volto a repetir, fosse para Laércio entregar o governo para Fabrício, como é evidente, ele deveria ter sido o vice de Raílton. Os setores políticos desenvolvimentistas do Município estariam muito mais bem representados e teríamos de fato um prefeito eleito a governar o Município, com resultados mais satisfatórios para o verdadeiro desenvolvimento. A preservação dos monumentos arquitetônicos e o domínio da história são fundamentais para a formação da identidade local e para determinar a forma como o cidadão lidará com o Município. Apesar de desconhecida, fustigada e abandonada, Monlevade tem uma história grandiosa, sem paralelo no Brasil, tendo vivenciado todos os ciclos da siderurgia industrial, desde os Marteletes Hidráulicos e o Carretões puxados por muitas juntas de bois de João Monlevade, passando pelo Martelo-Vapor de Francisco Monlevade, até a instalação da Companhia Siderúrgica Belgo Mineira, da Vila Operária de Louis Ensch e além. O desenvolvimento somente será retomado quando a história do Município for desestigmatizada, recontada e quando todos tiverem confidencia dela. Não há como mudar pensando sempre da mesma forma ou agindo sempre do mesmo modo.
quinta-feira, 7 de outubro de 2021
Moradores do Areia Preta à beira do protesto contra poluição da Arcelormittal
sexta-feira, 24 de setembro de 2021
Incoerente: PT vai militarizar escola de bairro carente em João Monlevade
terça-feira, 31 de agosto de 2021
Fábrica de Ferro de Francisco Monlevade não é Aberta à Visitação
Sim, é verdade, existe uma Fábrica de Ferro Monlevade de pé. O conhecimento da história é essencial para determinar a forma como o cidadão lida com seu país. No Brasil, quando a história não é escondida, ela é deturpada. A alienação e a deturpação da histórica brasileira são instrumentos de dominação.
No município de João Monlevade a situação da história local não é diferente. Durante décadas a história de João Monlevade foi, convenientemente, deturpada sob o estigma inventado de “uma pequena forja catalã”. E o que não foi deturpado, foi escondido. Segundo os documentos históricos, o pioneiro estabelecimento metalúrgico de Monlevade foi a maior e mais importante Fábrica de Ferro a funcionar durante o Império Brasileiro e além, sendo o fornecedor preferencial de artefatos de ferro para as companhias inglesas mineradoras do ouro, como O Gongo Soco e o Morro Velho. “Uma pequena forja catalã” jamais existiu. Na verdade, sob o ponto de vista da estrutura do estabelecimento, as fábricas de ferro Monlevade foram três. A Fábrica Velha, que funcionou de 1828 à 1853, a Fábrica Nova, que Funcionou de 1853 a 1888 e a Fábrica de Ferro de Francisco Monlevade que funcionou a partir de 1891. Nenhuma delas poder-se-ia considerar como pequena, pois foram as primeira a produzir artefatos de ferro e carvão em escala industrial. “Uma pequena forja catalã” jamais seria capaz de prover com artefatos de ferro a operação do Gongo Soco, que foi a mina que mais produziu ouro na história da humanidade. Também não era uma forja catalã. Catalão era apena o método de obtenção do ferro, que produzia um metal de extrema qualidade, pouco quebradiço e, portanto, ideal para o emprego na mineração do ouro. Os equipamentos de forja das primeiras fábricas de ferro Monlevade eram ingleses e da Fábrica de Ferro de Francisco Monlevade eram franceses e estadunidenses. E o mais importante é que, ao contrário do que ficou escondido durante décadas, a terceira Fábrica de Ferro Monlevade ainda se encontra de pé.
Trata-se do belo e curioso edifício (fotos) localizado no Bairro Jacuí, onde a Arcelormittal instalou os geradores da Hidrelétrica do Jacuí. Apesar de toda deturpação que paira sobre a história de João Monlevade, algo acaba fugindo ao processo de alienação histórica e escapa à luz. É o caso da interessante fase estabelecimento metalúrgico, quando o meso passou a pertencer à Companhia Nacional de Forjas e Estaleiros do Barão de Mauá. Não é fato histórico desconhecido que a Fábrica de Ferro Monlevade pertenceu à Companhia Nacional de Forjas e Estaleiros. A grande maioria do acervo do Museu Monlevade, por exemplo, é constituída por equipamentos da fase da Companhia Nacional de Forjas e Estaleiros e identificada como tal. Contudo, ate recentemente, não se sabia o que de fato havia ocorrido com o estabelecimento naquela fase. Mas felizmente, a partir do resultado de pesquisa postado aqui no Blog Monlewood, agora se pode saber que na fase da Companhia Nacional de Forjas e Estaleiros foi completamente abandonado o local de funcionamento das primeiras duas fábricas que se situava onde hoje é a Rua dos Contratados, logo abaixo do Solar Monlevade, e construído em alvenaria de pedra, a partir de 1891, na margem esquerda do Rio Piracicaba, no Bairro Jacuí, o sólido, interessante e moderno edifício das fotos. Trata-se de uma construção tão sólida e apta a receber equipamentos industriais que, a partir de 1935 a Arcelormittal instalou nele a casa de máquinas da Hidrelétrica do Jacuí, jamais revelando que ali funcionara a Fábrica de Ferro de Francisco Monlevade. Durante mais de 80 anos a Arcelormittal manteve escondido dos munícipes que o edifício que hoje alberga os geradores da Hidrelétrica do Jacuí foi construído com capital da Companhia Nacional de Forjas e Estaleiros para abrigar a terceira Fábrica de Ferro Monlevade, alienando assim do monlevadense o conhecimento de parte importante de sua história e de sua identidade.
Muito embora hoje funcione como uma usina geradora de força, o edifício da Fábrica de Ferro de Francisco Monlevade deve e pode ser aberto à visitação, pois é o que ocorre com a maioria das hidrelétricas. Trata-se de evidente atração turística, já que, além de carregado de história, o edifício do Jacuí é uma construção como nenhuma outra. Ele se encontra localizado, literalmente, sobre a margem do Rio Piracicaba, apoiado por uma série de colunas arqueadas, por entre as quais a água retorna para o leito do mesmo, depois de passar pelas turbinas. Seu telhado tem um formato muito curioso e parece uma manta asfáltica. Sobre o teto existem dois grandes exaustores de gazes espiralados que parecem coisa do desenho Os Jetsons. Ele possui ainda vitrais imensos, é super iluminado. Imagina-se como deve ser ainda mais interessante por dentro. O edifício da Fábrica de Ferro de Francisco Monlevade no Jacuí. Trata-se de monumento histórico tão importante quanto o Solar Monlevade que foi a morada e a sede administrativa da Fazenda Carvoeira, Mina e Fábrica de Ferro homônima e que era o único dos tempos dos Monlevade que ainda se julgava de pé no Município. Coisa que também não era verdade. Dos tempos dos Monlevade, ainda está de pé não somente o Solar, como também a última Fábrica de Ferro deles. Esta aí, a Fábrica de Ferro que faltava e que, depois de descoberta, precisa ser aberta à visitação para bem da formação da identidade e até o turismo local.
quinta-feira, 26 de agosto de 2021
O Relatório de 1853 de João Monlevade
quinta-feira, 12 de agosto de 2021
Subsídio para a Enscon é Vergonhoso e Irresponsável
É, realmente, vergonhoso e irresponsável o subsídio que o
governo Laércio/2024/Fabrício/Candidato pretende conceder à Enscon, concessionária
do serviço de transporte público urbano.
É vergonhoso porque a Enscon presta um serviço de péssima
qualidade e o preço da tarifa é um dos mais caros de Minas. Hoje, a Enscon não
é fiscalizada em absolutamente nada pela administração pública, apesar de
faturar milhões e de prestar um serviço publico de natureza essencial,
diretamente, ligado ao direito de ir e vir dos munícipes. A Enscon não cumpre o
contrato que celebrou com o Município e nunca foi punida por isso. Ela não
respeita os horários, itinerários nem os trajetos que os coletivos devem percorrer,
tudo de acordo o que é mais lucrativo para ela. Ela coloca ônibus na hora que
ela quer e do jeito que ela quer. A Enscon, por exemplo, suprimiu os trocadores,
reduzindo pela metade sua folha de pagamentos, mas jamais fez repercutir tal
economia no preço da tarifa. Ao contrário, abocanhou-a como lucro, colocando
dezenas de mães e de pais de família na rua. É irresponsável porque é a Enscon quem
comunica à Prefeitura quantos quilômetros, quantos passageiros, quanto de combustível,
quanto de pneu, etc, foram contabilizados naquele mês. Ela não é mais fiscalizada, não existem mais
aqueles fiscais da Prefeitura que colhiam os dados a bordo dos coletivos nos
pontos finais. É como se fosse a raposa quem comunicasse quantos ovos o
galinheiro produziu naquele mês. Além disso, a planilha de custos, utilizada no
Conselho Municipal de Transporte (CMT) para compor o preço da tarifa é obsoleta
e obscura, de modo que não permite a aferição do lucro da empresa. É obvio que
a empresa busca o lucro, mas por se tratar de prestação de serviço público
essencial, seu lucro não pode ser exorbitante. Há 30 anos, o CMT reajusta o
preço da passagem de ônibus, sem conhecer o lucro da empresa. É como alguém conceder
aumento de salário para um funcionário sem saber quanto ele ganha, ou alguém
pagar pelo abastecimento do carro, sem saber quantos litros foram colocados no
tanque. A planilha de custos da Enscon é um cheque em branco avalizado pelos
prefeitos. E dar cheque em branco é coisa de gente irresponsável, sobretudo,
quando se trata de dinheiro público. Assim, se agissem como mínimo
responsabilidade, a primeira providência a ser tomada para se discutir a
concessão de subsídio à Enscon seria revelar para o povo o lucro dos últimos 60
meses da empresa, coisa que ninguém nunca fez, nenhum vereador. E o repasse do
transporte escolar que o Município faz para Enscon? Durante a pandemia, as
aulas presenciais foram suspensas, junto do transporte de estudantes, e o que
aconteceu? A Prefeitura seguiu realizando os repasses para Enscon? Ninguém
tocou no assunto.
“Garantia do transporte público no Município” se faz com
fiscalização, transparência e cumprimento do contrato pela empresa, não com
subsídio financeiro. Se a empresa pede subsídio, a primeira coisa a ser
reavaliada é sua capacidade econômica de prestar o serviço. E quem não tem
capacidade econômica, apesar do imenso favoritismo que tem desfrutado, não pode prestar um serviço público da
envergadura do transporte coletivo. O governo municipal perdeu uma ótima
oportunidade de rescindir o contrato com a Enscon, por descumprimento
contratual, e realizar uma licitação com ampla concorrência
de modo a melhorar qualidade do serviço e o alto preço da tarifa. Mas ao
contrário, preferiu subsidiar o péssimo serviço prestado pela Enscon, o que tem
lhe causado imenso desgaste. Para quem ainda estava a acreditar que o governo Laércio/2024/Fabrício/Candidato
representava a mudança, está aí o subsídio da Enscon para comprovar o
contrário.
Prefeitura não comunica sobre intervenção no Solar Monlevade
O Conjunto Arquitetônico do Solar Monlevade, que foi a morada
do patrono do Município e sede da Fazenda Carvoeira, Mina e Fábrica de Ferro
Monlevade é tombado para fins de preservação, conforme disposto na respectiva
Lei Orgânica:
Art. 170. Ficam
tombados, para o fim de preservação, e declarados monumentos naturais,
paisagísticos, artísticos ou históricos, sem prejuízo de outros que venham a
ser tombados pelo Município:
[...]
IX - o conjunto arquitetônico original da Fazenda Solar;
Significa dizer que qualquer intervenção que venha a ser
realizada no Conjunto Arquitetônico do Solar Monlevade depende de aprovação prévia
do Conselho Municipal de Patrimônio Histórico.
Recentemente, como pode ser visto pela foto acima, a Arcelormittal
instalou andaimes, telas e tapumes em volta do Solar Monlevade, de modo a se
concluir que o mesmo sofre algum tipo de intervenção.
Contudo, até o momento, a Prefeitura não comunicou
absolutamente nada a respeito da intervenção ora sofrida pelo Solar Monlevade,
nem sobre a necessária aprovação do Conselho Municipal de Patrimônio Histórico,
nem sobre o que realmente ocorre naquele que é um dos mais valorosos monumentos
históricos da cidade. E se não houve a devida autorização, a Prefeitura se
encontra de braços cruzados por quê?
Como se vê, a política de preservação do patrimônio histórico
de João Monlevade segue obscura como sempre, o que, sem dúvida, vem alimentando
o absurdo histórico de destruição e de modificação de bens culturais, tristemente,
verificado aos longos das últimas décadas no Município.
Monlewood
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