Foto: material de campanha.
terça-feira, 22 de junho de 2021
Aposentadoria incentivada abre espaço para mais comissionados de Fabrício
Foto: material de campanha.
quarta-feira, 16 de junho de 2021
Auditoria Emperrou em Fabrício
Foto: divulgação de campanha
quarta-feira, 26 de maio de 2021
A Última e Escondida Fábrica de Ferro ainda de pé em João Monlevade
Quem visita ainda hoje a paisagem do Monlevade Antigo pode se deparar
com a imponência do Solar Monlevade, construção assobradada em estilo colonial
que foi sede administrativa da fábrica de ferro homônima e morada da respectiva
família por quase um século, em torno da qual, muito posteriormente, se
instalou o Museu.
No entanto, não se vê sinal ou vestígio do edifício onde funcionou o estabelecimento metalúrgico, reconhecido, historicamente, como o maior e mais importante a funcionar durante o Império Brasileiro. Hoje, o que resta de pé da Fábrica de Ferro Monlevade, instalada a partir de 1828, é o estigma que se convencionou em designá-la como “uma pequena forja catalã” e nada mais. Sera? A resposta é um definitivo não. A pequena forja catalã jamais existiu. A Fábrica de Ferro Monlevade não era catalã, não era pequena e não foi apenas uma (farei um vídeo sobre o tema). Sob o ponto de vista da estrutura física do estabelecimento, existiram um total três fábricas de ferro da Família Monlevade. A primeira foi a Fábrica Velha, que funcionou de 1828 a 1853, tendo sido instalado seu edifício, abaixo do Solar Monlevade, onde hoje se localiza a Rua dos Contratados. A segunda foi a Fábrica Nova, que funcionou de 1853 a 1891, instalada pouco abaixo do local em que funcionou a primeira. A terceira foi a Fábrica de Ferro de Francisco Monlevade, instalada na margem esquerda do Rio Piracicaba, onde hoje é o Bairro Jacuí. E o mais interessante é que o histórico e sólido edifício da Fábrica de Ferro de Francisco Monlevade segue de pé e em funcionamento, apesar de não se dedicar, diretamente, ao ramo metalúrgico. Trata-se do belo edifício da foto, construído a partir de 1891,quando o engenheiro Francisco Monlevade, neto do patrono do Município, associou-se à Companhia Nacional de Forjas e Estaleiros, a fim de reequipar o estabelecimento consagrado pelo avô.
A Fábrica de Ferro de Francisco Monlevade funcionou de 1891 a 1897,
quando encerrou suas atividade em função da falência da Companhia Nacional de
Forjas e Estaleiros, e era, extraordinariamente, equipada com maquinário
moderno, destacando-se o incrível Martelo-Vapor estadunidense, com 1,5 tonelada
de malho e a potente turbina hidráulica francesa de 600 cavalos, que
aproveitava o potencial hidráulico do Rio Piracicaba para mover uma série de outros maquinismos, tais como o laminador, o ventilador e máquinas de fazer machados,
enxadas, pregos, ferraduras, cravos, etc. Grande parte do atual acervo do Museu Monlevade é oriundo da Fábrica de Ferro de Francisco Monlevade.
O edifício da Fábrica de Ferro de Francisco Monlevade era tão sólido e moderno que a Belgo-Mineira o aproveitou para instalar nele a casa de máquinas da hidrelétrica do Jacuí. Certamente, é um dos edifícios industriais mais antigos em funcionamento no Brasil. Foi o segredo mais bem guardado e escondido por mais de 85 anos pela Belgo-Mineira que você só descobriu aqui, no Blog Monlewood. Aquela conversa de que, quando o grupo Arbed chegou a Monlevade para instalar a moderna siderúrgica a partir de 1935, só se encontrava de pé o Solar Monlevade não é verdadeira. O magnífico edifício da Fábrica de Ferro de Francisco Monlevade também se encontrava de pé. Então, sorria, monlevadense, ainda existe uma Fábrica de Ferro de pé em João Monlevade (fotos recentes), apesar de mantida, literalmente, escondida e de não aberta à visitação!
terça-feira, 25 de maio de 2021
Fabrício no Jornal
quinta-feira, 13 de maio de 2021
Um Outdoor, Meia Verdade e Muito Dinheiro Público
Outdoor da ampla campanha publicitária do governo Laércio/2024/Fabrício/Candidato anuncia “mudança no trânsito” como realização dos 120 dias de mandato.
De fato, a restauração da
configuração do trânsito no centro comercial, alterado de maneira desastrosa
pela última prefeita, foi um dos compromissos de campanha do PT. Contudo, não
se pode utilizar dinheiro público para anunciá-la como ação de governo quando a mesma se encontra realizada pela
metade. Ponto chave da alteração
realizada no trânsito de Carneirinhos pela última prefeita foi a malfada
supressão do retorno que existia no Cabritinho. Aquele retorno era super
importante para a fluência do trafego de veículos na região central, pois possibilitava que os
motoristas evitassem as avenidas Getúlio Vargas e Wilson Alvarenga, que sofrem
muitas contenções naquele ponto. Possibilitava o mesmo até para quem vinha dos
bairros, eventualmente, passando pelo beco do hotel. Naquele ponto complicado, toda evasão
de tráfego é bem vinda.
O que não é mais possível.
Apesar de prometida a restauração de toda a configuração anterior do trânsito
na região comercial da cidade, o governo municipal não restabeleceu o retorno
que lá existia, muito embora a venha anunciado como realização de governo.
Trata-se de uma meia verdade. E quem sempre se utilizou de meio de comunicação
para veicular meias verdades e manipular
o eleitorado foi o ex-prefeito inelegível Carlos Moreira. A diferença é que
agora fazem isto com dinheiro público.
quinta-feira, 6 de maio de 2021
Poluição Visual
terça-feira, 4 de maio de 2021
Dois Pontos de Partida Desconsiderados por Laércio
sexta-feira, 30 de abril de 2021
Quebra-mola na Avenida
Insisto. O nível cultural de uma cidade pode ser medido pela quantidade de quebra-molas encontrados em suas ruas. Quanto maior o número deles, menor será o nível cultural daquela localidade. Infelizmente, a administração Laércio/2024 Fabrício/Candidato já instalou seu primeiro quebra-molas (foto) e não foi em qualquer lugar. Ele foi instalado na Avenida Getúlio Vargas, a principal do Município.
Mesmo disfarçados de faixas de pedestres, como é o caso, os quebra-molas aumentam o consumo dos veículos, o que contribui para o acréscimo da emissão de gases estufas e da poluição atmosférica, danificam a suspensão dos mesmos e denunciam uma cultura de desobediência às regras em geral, sobretudo as de segurança, como o limite de velocidade nas vias. No caso de instalado na Getúlio Vargas, que tem sido cenário de enxurradas e inundações sazonais, os famigerados quebra-molas ainda podem produzir o represamento das águas, agravando ainda mais a situação. Sob o ponto de vista ambiental, um quebra-molas na Avenida Getúlio Vargas não faz o menor sentido diante, por exemplo, do princípio de se “pensar globalmente e agir localmente”. Veja como é ilógico. A administração instalou um quebra-molas que aumenta o consumo dos veículos e, conseqüentemente, a emissão de gases estufa que agravam as mudanças climáticas. E quando a tempestade cair, aquele quebra-molas ainda vai atuar para represar a inundação, potencializando-a.
Quem utilizou muito os famigerados quebra-molas de forma eleitoreira foi a última administração. Como se vê, nada mudou, apesar de já existirem alternativas eletrônicas para os mesmos.
quarta-feira, 28 de abril de 2021
Chico: o Rei Preto de Minas Gerais, o primeiro coroado no Brasil
Um país que ignora sua verdadeira história é como uma pessoa que sofre de amnésia. Se por algum motivo perdemos a memória individual, deixamos de ser quem somos, perdemos nossa identidade e tornamo-nos incapazes. Com o país e sua memória coletiva, isto é, a história nacional, não é diferente. No Brasil, há pouquíssima consciência histórica e a história lecionada nos bancos escolares é quase sempre enganosa e muito deturpada. Deturpação muito recorrente sobre a história brasileira é a de que “Portugal apenas enviou degredados para o Brasil”, o que, definitivamente, não é a verdade história. Em 1808, por exemplo, o intrépido Rei Dom João VI, evadindo-se do contexto desfavorável napoleônico, transferiu toda sua corte para o Rio de Janeiro, fato extraordinário sem paralelo no mundo e fundamental, sobretudo, para a unidade territorial brasileira. A partir daí, iniciou-se a única linhagem real das Américas, constituída por figuras importantíssimas para a história brasileira, como Dom Pedro I, Dona Leopoldina da Áustria e Dona Amélia de Leuchtenberg, Dom Pedro II e Dona Teresa Cristina das Duas Sicílias, a Princesa Isabel e até Dona Maria da Glória, a belíssima e desconhecida princesa brasileira, nascida no Palácio São Cristóvão no Rio de Janeiro, que assumiu o trono de Portugal.
Então, não é verdade que somos um país fundado por degredados, como nos ensinaram nos bancos escolares. Somo um país de reis e de rainhas, muito deles nascidos aqui. Mas, muito antes de Dom João vir para o Brasil ou de Maria da Glória assumir o trono de Portugal, foi, solenemente, coroado no Brasil um rei, que, apesar de negligenciado pela história adotada como a oficial, foi tão ou até mais importante quanto os demais para a constituição da identidade brasileira, a ponto de seu reinado ter passado incólume pela proclamação da República, seguindo vigente ainda hoje, quase trezentos anos depois de sua aclamação. Seu nome é Chico Rei.
Inicialmente, Chico Rei chamava-se Galanga. Ele era sumo-sacerdote do deus Zambi-Apungo e rei de uma sociedade semi-feudal no Reino do Congo, África, quando foi capturado junto de toda sua corte por traficantes de escravos e trazido para o Brasil, desembarcando no porto do Rio de Janeiro. Batizado de Chico, Galanga e muitos de seus súditos foram vendidos no Rio de Janeiro para o minerador Augusto de Andrade Góis e conduzidos para Vila Rica, onde foram empenhados nos trabalhos de mineração nas galerias subterrâneas da famosa Mina de Ouro da Encardideira, que leva este nome curioso em razão da composição um tanto viscosa, colorida de ocre, característica do mineral aurífero de seus veios, o que fazia com que os mineiros, depois de um dia inteiro de trabalho, deixassem seu subterrâneo com os corpos e as vestimentas encardidos dos pés à cabeça.
Costumamos imaginar que a sociedade colonial brasileira era, rigidamente, dividida em apenas duas classes, a dos senhores brancos e a dos escravos negros. Não era assim. O português é um povo, extremamente, românico, no sentido de herdeiro do legado civilizatório-cultural do antigo Império Romano. E em Roma era muito comum o costume da alforria, ou seja, o hábito de se oportunizar ao escravo a aquisição de sua liberdade. Nas Minas Gerais, as alforrias podiam se dar de várias formas, pelo batizado, pelo casamento, por disposição de última vontade ou até mesmo pela compra da carta de alforria pelo próprio escravo, sempre com intermediação da Igreja. Na mineração do ouro era muito comum o senhor permitir que o escravo embolsasse pequenos ganhos apurados nos domingos ou nos dias santos. Também eram comuns pequenos prêmios para o escravo que ultrapassasse uma cota de ouro estabelecida em determinada ocasião. Extravios de ouro também não eram poucos.
Assim, pouco tempo depois de ingressar na Encardideira, Chico já exercia sua liderança real entre os demais escravos, muitos deles seus antigos súditos, e conquistava a confiança de seu senhor e proprietário da mina, Augusto de Andrade, na medida em que os filões revelavam somas absurdas do metal precioso. Então, pelo preço de um quilo e meio de ouro que acumulou no trabalho extra, Chico comprou sua própria carta de alforria. Pouco tempo depois, comprou também a alforria do filho, Muzinga, e o libertou. Comprou outra, mais uma e não parou mais. Libertou todos os súditos que com ele haviam sido escravizados naquela Mina de Ouro. Logo, Chico era o único feitor a adentrar as galerias insalubres da Encardideira, que produziria ainda muito mais ouro até apresentar os primeiros sinais de possível exaustão. Então, já adoecido e julgando-a exausta, Augusto de Andrade vendeu a Mina da Encardideira para Chico, tornando-o o primeiro negro proprietário de lavra de ouro de Minas Gerais. Após o negócio, a Mina da Encardideira, milagrosamente, passa a produzir ainda mais ouro do que antes, milagre que é atribuído à Santa Efigênia, a santa africana. Então, Chico compra mais e mais alforrias e manda construir no alto do Morro da Cruz a majestosa Igreja de Santa Efigênia, que é caiada com o ocre chamejante do minério da Encardideira .
A sociedade de antigamente era muito diferente da nossa atual. Ela era, por exemplo, muito mais organizada. Aos homens livres era, praticamente, obrigatória a associação às irmandades religiosas que regiam todos os aspectos da vida do indivíduo, desde os registros civis, passando pela alfabetização, formação ética, cultural, etc, indo até a assistência social. E cada irmandade possuia seu estatuto e diretoria própria que era representada por um presidente. Assim, uma vez libertos, Chico e seus súditos se viam obrigados a se associarem a uma irmandade religiosa. A escolhida foi a Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos Alforriados. Assim, em 6 de janeiro, data do calendário católico em que é comemorado o dia de Reis, no ano de 1747, ou seja, muito antes de Dom João VI ser entronado rei, no Rio de Janeiro, Chico é, solenemente, coroado pelo bispo de Mariana rei da Irmandade do Rosário dos Homens Pretos e passa a viver com sua corte no Palácio Velho.
Também tendemos a pensar que antigamente não existia mídia. Outro erro. Característica marcante da sociedade mineradora do sec. XVIII é, justamente, a profusa adoção de diferentes meios de mídia, que eram quase todos monopólio da Igreja. Antigamente não existiam as mídias modernas, como o rádio, a TV e a internet. Todos os outros meios de mídia como a literatura, a pintura, a escultura, a música, o teatro, etc, já existiam há milênios. A própria missa, cuja freqüência também era obrigatória, constituía poderoso meio de mídia, assim como as imagens, os retábulos e altares barrocos, etc. Outro meio de mídia, especialmente, marcante na sociedade mineradora do sec. XVIII eram as procissões religiosas. A única procissão do catolicismo é a de Corpus Christi. Em Ouro Preto, ainda hoje, há procissões religiosas quase que diariamente, muitas das vezes, mais de uma por dia. O mineiro é, extremamente, cerimonioso, midiático e as procissões protocolares pelas ruas dos núcleos mineradores, que também dependiam de autorização da Igreja, eram uma forma, sobretudo, de afirmação social, de circulação dos valores em que se fundavam as irmandades, de se influenciar e de se relacionar com as irmandades de outras paróquias, etc.
Assim, naquele distante dia de reis do ano de 1747, Vila Rica foi surpreendida por uma procissão festiva que desconhecia. Agora, consagrado como Chico Rei e acompanhado de sua rainha e de sua corte, todos trajados em ricas indumentárias, o cortejo toma as ruas de Vila Rica numa numerosa procissão, que, seguida por músicos e dançarinos ao batuque dos tambores, caxambus, marimbas e ganzás resgatados do Congo, se desdobra em vários atos cerimoniais, encerrando-se num banquete triunfal. E para se enquadrar ao ideário colonial, Chico Rei, habilmente, substitui o deus pagão Zambi-Apungo, de quem era sumo-sacerdote no Congo, pelas evocações à N. S. do Rosário. A esta festa se chamou Congado, em referência ao reino original de Chico Rei, o Congo.
O desconhecimento de nossa história nos leva ainda a crer que nossa matriz cultural africana foi assimilada com mais intensidade na Bahía, ou no Rio de Janeiro. Também não é verdade. Foi em Minas Gerais.
O pragmatismo português, aliado ao costume das alforrias e conjugado à maior quantidade de ouro já descoberta pela humanidade, literalmente, comprou pela liberdade de dezenas de milhares de escravos. O que mais chamava a atenção de quem visitasse a Vila Rica do sec. XVIII, principalmente, dos estrangeiros que a visitavam, era seu imenso contingente de pretos, pardos e mulatos libertos.
A sociedade mineradora constituia-se, na verdade, de um lado, por uma elite branca, do outro, por um enorme contingente de escravos negros e, entre os dois, um ainda maior contingente de ex-escravos, que, uma vez libertos, passavam a compor uma pujante e diversificada classe média, dedicando-se à prestação dos mais variados serviços a que o ouro podia pagar, como carpintaria, costura, sapataria, forjaria, transporte, construção, comércio e muitos outros extintos hoje em dia. Muitos se tornavam artífices. Foi a primeira vez que o Brasil flexibilizou o modelo rígido da Casa Grande/Senzala. Donde se depreende que a primeira classe média do Brasil é preta. Aliás, Vila Rica estava tão predestinada a ser preta que até seu ouro era preto. A peculiaridade específica do PH das águas do Rio Tripuí, cantado na Arcádia Mineira como “Pátrio Ribeirão”, associada à presença de ouro e de ferro em seu leito, resultava num fenômeno natural de galvanização que revestia as pepitas de ouro com uma finíssima camada escura de ferro. Daí, o nome Ouro Preto.
Exemplar típico da classe média de Vila Rica, constituída por ex-escravos, é o de Antônio Francisco Lisboa, o Mestre Aleijadinho, que, desconhecido das novas gerações de brasileiros e venerado na Europa como a encarnação mulata de Michelangelo, era filho da escrava Isabel e foi alforriado pelo pai português, quando de seu batismo, tornado-se mestre-artesão de extrema qualidade, respeitado e demandado por toda Minas Gerais.
O fenômeno da massificação das alforrias em Minas Gerais é, extremamente, importante para a compreensão de como se deu a assimilação da matriz cultural africana em nosso país. Os EUA, por exemplo, onde também houve emprego massivo de mão de obra escravizada de origem africana é, no entanto, muito menos africanizado do que o Brasil. Isso se deve ao fato de que nos EUA não se praticava o costume das alforrias. Era quase impossível um escravo adquirir sua liberdade nos EUA. Diferentemente, do que ocorria na América Portuguesa, conforme demonstra a trajetória de Chico Rei. É claro que muito se assimilou da Senzala. É inegável, por exemplo, que o prato nacional brasileiro, a feijoada, tem sua origem na Senzala. Mas, muito mais se assimilou por meio do imenso contingente de ex-escravos, também chamados de forros, que tanto marcaram e movimentaram a sociedade mineradora. Ouso dizer até que se Chico Rei não tivesse existido, não haveria nem samba no Brasil. No Carnaval, por exemplo, quem saia às ruas de Vila Rica em cortejos para tocar tambores africanos eram os forros, nunca os escravos. Ao escravo era proibida a participação no Carnaval, a filiação a irmandades religiosas, etc. E muitos dos forros eram congadeiros. Os tambores que repicavam no Congado eram os mesmos tocados no Carnaval. Claro que o Samba não veio do Congado. Mas, foi a ascensão social do negro na sociedade mineradora, representada pelas dezenas de milhares de alforrias e pela posterior associação à irmandades do Rosário, que permitiu uma muito maior assimilação da matriz africana, que mais tarde, produziria o samba, pois o Congado se tornou um padrão de libertação e de inclusão social de escravos que se difundiu por quase toda a colônia. É muito difícil encontrar dentre as centenas de núcleos mineradores de Mias Gerais do sec. XVIII algum que não tenha sua Igreja de N. S. do Rosário dos Homens Pretos Alforriados e sua respectiva Guarda de Marujos. Muito além de Minas Gerais, ainda hoje existem Guardas de Marujos do Congado em São Paulo, Rio de Janeiro, Goiás, Mato Grosso, Tocantins, Bahía, etc. Como dito, a Proclamação da República não foi capas de derrubar a monarquia de Chico Rei.
Então, da próxima vez em que se deparar com um cortejo de marujos de N. S. do Rosário na rua, lembre-se que o Congado não é apenas folclore. Muito mais do que folclore, o Congado foi um padrão de libertação em massa de escravos e a primeira grande afirmação da cultura negra na sociedade brasileira, amplamente, responsável pela assimilação da matriz africana no Brasil. Não somos um país de degredados, como, falsamente, nos ensinaram nos bancos escolares. Somos um país de reis e rainhas. E um deles fundou as bases de seu reinado de maneira tão emblemática, extraordinária e transcendente que sua coroa ainda hoje pode ser vista a desfilar pelas ruas de Minas Gerais, etc, nas festas do Dia de Reis, N. S. do Rosário, São Benedito, Santa Efigênia, etc.
terça-feira, 20 de abril de 2021
Três Complicadores de um Trampolim para Fabrício
Depois de ter passado o eleitor monlevadense por uma série de prefeitos jovens que muito embora, apesar de anunciadamente promissores, apresentaram pouco resultado administrativo nas últimas duas décadas, a eleição de Laércio no ano passado representou, sobretudo, o desejo do eleitor monlevadense em reviver a situação político-administrativa experimentada quando o chefe do Executivo exerceu seu primeiro mandato como tal, a partir de 1996. Em suma, diante do fracasso dos últimos prefeitos, o que queria o eleitor monlevadense era ver de novo o governo Laércio de 1996, que de fato, se comparado aos últimos, foi uma boa administração: a cidade era limpa, bem cuidada, havia atmosfera cultural, saúde e educação funcionavam muito melhores, apesar de muito menos recursos orçamentários, etc. Mas, infelizmente, não foi o que aconteceu na composição política do governo. Depois de 100 dias de formado e já consolidado, é visível que o prefeito Laércio Ribeiro não conduziu a composição política de seu governo, de modo a repetir o bom resultado de 1996. Ao contrário, as estruturas levantadas revelam que o atual governo Laércio foi, na verdade, montado como um trampolim para eleger Fabrício prefeito daqui a 4 anos. Neste caso específico e ainda diante do desejo do eleitor manifestado pelas urnas, o fato de ter-se montado um governo para eleger Fabrício prefeito na próxima eleição acaba esbarrando em três questões complicadoras.
A primeira delas é , justamente, o resultado administrativo,
que o eleitor tanto deseja. Fabrício é um político de centro, ou seja,
apresenta apoio em troca de cargos no governo, independente de qual venha a ser
o espectro político com quem se negocia. Fosse político em Brasília, Fabrício
seria do chamado Centrão, que são aqueles muitos partidos que votam com o
governo em troca de cargos nas estatais e ministérios. O Centrão não tem lado
político, não é de esquerda nem de direita, ele apenas busca se entranhar no
governo, em troca de cargos. Daí, o conceito de fisiologismo. E foi o que Fabrício fez nos últimos 10 anos. Foi
secretário no governo prandinista, foi base de apoio na Câmara do governo
Teófilo, foi vice-prefeito no governo Simone/Moreira e agora é vice de Laércio.
Tudo, sem resultado político algum para o Município. Veja que Fabrício
participou dos últimos três governos locais, justamente, aqueles de piores
resultados administrativos nas últimas décadas. Nunca se viu, por exemplo, Fabrício se manifestar a
favor ou contra as principais questões do Município, como o Bingo do Hospital
Margarida, o hospital Santa Madalena, a péssima qualidade do serviço de
transporte público, a imundice do Município, etc, etc. E o motivo é simples. Ou as instituições
municipais se engajam num projeto político de desenvolvimento para João Monlevade ou elas se
engajam em projetos pessoais de poder. As duas coisas elas não podem fazer ao
mesmo tempo. E ser eleito em função de um resultado que não será perseguido não é
nada bom para a avaliação popular de nenhum governo.
A segunda questão complicadora é que um apoio para a
candidatura de Fabrício poder-se-ia até ser articulada agora, desde que ela
dependesse de um resultado positivo do governo Laércio, o que, definitivamente,
não é o caso. O mais prudente a se fazer teria sido montar um governo
desenvolvimentista, voltado para a produção de resultado administrativo e, a
partir da consolidação de tal resultado, transmitir a boa avaliação do governo à Fabrício de modo
a fortalecer a sua candidatura. Mas, não foi o que se fez. Ao se montar um governo de centro para eleger
Fabrício daqui a quatro anos, o mesmo
passa a não depender do bom resultado político do governo Laércio pra tentar sua candidatura. Assim,
independentemente, de Laércio obter ou não um bom resultado administrativo Fabrício virá
candidato. Aliás, diante da conformação do atual governo, um possível resultado
ruim da administração Laércio pode ser um cenário eleitoral até mais vantajoso para Fabrício, pois foi assim que ele agiu com a ex-prefeita Simone, o que
novamente vai na contramão da obtenção do manifesto resultado desejado pelas urnas. Duvido nada
que, diante do atual estado de coisas, em 2024 a chapa seja Fabrício e Simone, de vice.
Por fim, a terceira questão complicadora de se formar um
governo para eleger Fabrício em 2024 reside no adiantamento prematuro do
processo eleitoral, o que, além de mais uma vez prejudicar o resultado
administrativo, pois desvia o foco da administração, também pode tumultuar
muito o campo político local, principalmente na Câmara, onde a maioria do
governo é muito estreita.











