terça-feira, 24 de maio de 2022
Do Compromisso de Auditoria do PT ao Assentimento do Santa Madalena
sexta-feira, 20 de maio de 2022
"Farra do Lixo": Rejeitado Recurso que Impedia Remessa do Processo para o Tribunal de Justiça
Ontem, os desembargadores do Tribunal de
Justiça de Minas Gerais rejeitaram mais um recurso interposto por um dos
envolvidos naquele que foi o maior escândalo de corrupção já descoberto
no Município e que ficou conhecido, popularmente, como a Farra do Lixo, depois
de desbaratado pelo advogado Fernando Garcia, isto é, euzinho, mediante representação
documentada junto ao Ministério Público local.
A Farra do
Lixo consistiu numa série de irregularidades administrativas verificadas durante
a gestão do ex-prefeito inelegível, Carlos Moreira (foto de campana), na contratação por
parte do Município de empresa para a prestação do serviço de coleta do lixo
urbano. Durante
a execução do contrato, que superou o limite legal de 60 meses de vigência, era
realizada por Carlos Moreira e companhia uma média de dois termos aditivos
anuais, sem justificativas plausíveis, sempre majorando o valor do mesmo, o que
rapidamente extrapolou o limite legal da
licitação que foi realizada na modalidade tomada de preços. O valor do prejuízo
causado aos cofres públicos de João Monlevade pela Farra do Lixo e calculado
pelo Ministério Público no ano de 2010 foi da ordem de 3,9 milhões de reais. Se reajustado, este valor, que deverá ser
restituído ao erário, deve superar os 5 milhões de reais.
Ontem, o
Tribunal de Justiça de Minas Gerais rejeitou o último recurso que suspendeu a
tramitação do processo da Farra do Lixo, impedindo-o de ser remetido para
apreciação em segunda instância. Caso seja confirmada a sentença condenatória
da Farra do Lixo no Tribunal de Justiça, o ex-prefeito inelegível, Carlos Moreira,
ficará novamente inelegível por mais 8 anos.
quinta-feira, 19 de maio de 2022
Segue a Destruição do Legado Arquitetônico de Louis Ensch
É estarrecedor como o monlevadense, no geral, não tem tido
capacidade nem sensibilidade para preservar a arquitetura legada por Louis
Ensch. O que não foi demolido, tem sido descaracterizado, dia a dia.
Falo do outrora belíssimo conjunto arquitetônico da Avenida Aeroporto e da Rua Dr. Geraldo Soares de Sá (foto), na Vila Tanque, que já foi tão representativo da Cidade Industrial de Louis Ensch. A arquitetura é uma das mais primordiais formas de arte da civilização. Aquelas casas são imensamente amplas e possuem construção muito sólida, demandando pouquíssima alteração. O máximo seria alguma reforma para atualizar os banheiros, a cozinha e nada mais. No entanto, não é o que se tem visto Em vez, de um consenso para conservarem a arte, ou seja, a arquitetura das casas e a homogeneidade do casario, depois de vendidas pela Belgo Mineira, os atuais proprietários se engajaram numa disputa de puro exibicionismo para, supostamente, apontar quem tem mais capacidade econômica de modificá-las. Um ergue um puxadinho no telhado, o vizinho ergue um maior. O outro desfigura parte da fachada, o vizinho desfigura a fachada inteira. E o resultado tem sido a descaracterização sistemática da arquitetura e, por conseguinte, a destruição da arte e, portanto, de um insubstituível elemento da identidade local. Prova de que a capacidade econômica, por si só, não é sinônimo de alto nível cultural. Lembro-me de quando era criança, descia aquelas ladeiras em disparada a bordo de meu carrinho de rolimã fechado, de dois metros de comprimento e, na volta, quando tinha de rebocar todo aquele peso morro acima com o auxílio de uma corda, parava várias vezes para retomar o fôlego, tendo a grata oportunidade de apreciar a beleza arquitetônica daquele casario homogêneo. No início, achava que todas as casas eram iguais. Mas, depois, percebi que apesar de muito parecidas, não havia nenhuma casa igual a outra. Cada uma tinha algum elemento arquitetônico diferente da outra. O gradil das casas era baixo e, em virtude das muitas amizades de infância, tínhamos acesso aos quintais delas, por onde passávamos para chegar à mata, onde colhíamos morangos silvestres e atravessávamos o riacho dependurados no cipó. Hoje tudo acabou, não há mais a beleza arquitetônica do casario, carrinhos de rolimã, até porque os passeios também foram modificados, impedindo o trânsito deles, nem acesso à mata. Definitivamente, não estamos evoluindo.
E tudo isso vem
ocorrendo ao arrepio da Casa de Cultura, do Conselho de Patrimônio Cultural e
da Prefeitura, cujo mandatário é, justamente, morador da Vila Tanque. É muito triste ver
tudo se acabando e sendo destruído. De
outro lado, também houve aqueles que reformaram as casas, conservando a sua
originalidade. Estes estão de parabéns pela sensibilidade artística. Hoje, o
casario mais bem conservado e representativo da arquitetura monlevadense é o
conjunto arquitetônico da Rua Imbé, também no Bairro Vila Tanque, com aquelas
belíssimas casas suspensas.
segunda-feira, 9 de maio de 2022
Núcleos da Fundação Crê-Ser na Estruturação Política de Fabrício
Política se faz com pessoas. A verificar-se a forma como foi estruturado o atual governo do prefeito Laércio Ribeiro (PT), resta claro que o mesmo não se trata de uma repetição de seu mandato de 1996. Politicamente, a atual administração se encontra composta por cerca de 80% de cargos comissionados indicados por Fabrício, muitos deles, gente de confiança do ex-prefeito inelegível Carlos Moreira, pois Fabrício não apenas é egresso do moreirismo, como hoje é seu maior herdeiro. Nos bastidores do governo é, perfeitamente, visível que a prefeitura e a administração pública indireta se encontram aparelhadas, quase que exclusivamente, para eleger Fabrício prefeito em 2024, o que é muito lamentável, já que o Município precisa se desenvolver e Fabrício, na verdade, é um apolítico, pois tem sido governo nos últimos 15 anos. Fabrício foi, Simone e agora também o é no governo do PT. Ou seja, Fabrício representa o chamado “centrão”, que é aquele espectro que não tem projeto político para Monlevade, a não ser o de se alinhar ao governo de situação, seja ele qual for, em troca de cargos na Prefeitura e nas fundações e autarquias municipais.
Amostra disso é o que vem se desenrolando na Fundação Crê-ser.
Recentemente, foram inaugurados mais dois núcleos da Fundação Crê-ser, um no
Bairro Amazonas, outro no Nova Monlevade, num total de oito. Adivinha quem é a
diretora executiva da Fundação Crê-ser! Helenita Melo Lopes, ninguém menos do
que a mãe de Fabrício, cujo salário, entre janeiro e abril de
2022, variou de R$ 9.018,11 à R$ 15.030,17, conforme se fez constar do Portal
da Transparência do Município.
Agora, eu te pergunto: esses núcleos da fundação Crê-ser que
estão sendo rapidamente inaugurados, um atrás do outro, serão utilizados para
complementar os estudos dos alunos da rede pública municipal de ensino, ou se transformarão comitês
políticos de Fabrício em 2024?
quinta-feira, 5 de maio de 2022
Sistema de TV brasileiro foi quase todo montado durante a ditadura
Então vamos lá, vamos parar de repetir as coisas como papagaios e vamos pensar, que é o que deveria distinguir o ser humano dos animais irracionais.
O atual sistema de televisão brasileiro composto pela Rede
Globo, SBT, Bandeirantes e Record foi quase todo montado durante a Ditadura
Militar que perdurou de 1964 a 1988. A Globo foi fundada em 1965, em função do
Golpe de 1964, pelo poderoso grupo de mídia estadunidense Time-Life, houve até
uma CPI na época, que obviamente, acabou em pizza. SBT e Bandeirantes foram fundados
em 1981 e 1967, respectivamente, ou seja, em plena vigência da ditadura. A
única que não foi fundada na ditadura foi a Record, que é de 1953. Contudo, a
emissora passou por vários donos e fazes, de tal modo que a Record que existe
hoje foi re-fundada em 1989, logo após a redemocratização, mas ainda dentro de
um sistema concebido pela ditadura. Só por este motivo, ou seja, por ter sido
fundado durante um regime ditatorial, o sistema de televisão brasileiro deveria
ter passado por uma reformulação completa, após redemocratização do país em
1988, coisa que nunca aconteceu. Se o Brasil se pretende uma democracia de
fato, ele jamais poderia conviver um sistema de mídia fundado sob os ditames de
uma ditadura.
Mas,
infelizmente, não pára por aí. Além de fundado pela ditadura, o sistema de
televisão aberto brasileiro também é um monopólio dissimulado. Muito embora
seja constituído por 4 canais de TV, não há ampla concorrência no sistema, pois
ele é formado por apenas uma grande emissora, a Rede Globo, e outras 3
emissoras médias, o SBT, a Band e a Record, situação que, por exemplo, não
acontece nos EUA, onde o sistema comporta 4 grandes emissoras, dezenas de
médias e centenas de pequenas.
E a Rede
Globo é a maior emissora não porque ela seja competente, etc, mas sim porque o
sistema fundado pela ditadura lhe concedeu de mão beijada o monopólio de 70% do
faturamento do setor. Na prática, nenhuma
outra emissora concorre com a Rede Globo, a não ser pontualmente. Se há alguma concorrência,
ela ocorre apenas entre as médias emissoras: SBT, Band e Record. Aliás, as
outras emissoras apenas existem para dissimular que o sistema não é um
monopólio da Globo.
Outra característica
indesejável do sistema é que ele é extremamente conservador por não contar com
um programa sério para se debater política. Não se engane, o Brasil só é o país
do futebol, porque o futebol é o tema mais pautado pela grande mídia brasileira
que ainda é a televisão. Se tivéssemos programas sérios para se debater
política na TV, já poderíamos ter resolvido muitos de nossos problemas. Ainda
há outras questões problemáticas. A Globo, por exemplo, é uma mídia sem ética,
o que é um erro grave civilizatório. A função da mídia é sempre a de
influenciar o comportamento das massas. Ela informa, enquanto influencia comportamento.
Ela entretém enquanto influencia comportamento. Os enredos das novelas da Rede
Globo são pautados pela “lei de Gerson” e exibem todos os expedientes de
desonestidade possíveis. Quem assiste é testemunha disso! Não tenha dúvida,
todo esse comportamento reprovável exibido nas novelas da Globo são replicados
na sociedade brasileira, pois é essa a função da mídia. A problemática ainda
atinge o SBT que é utilizado pelo seu proprietário para vender os produtos
financeiros e os bens de consumo que suas empresas comercializam, o que é
completamente antiético. Se você tiver à disposição um canal de TV para fazer
publicidade dos produtos comerciais ou financeiros de suas empresas, você também
ficará imensamente rico. E o cara ainda é idolatrado! A Bandeirantes, historicamente, é muito
voltada para o futebol. E como já dito, o Brasil só é o país do futebol porque
o esporte é um dos temas mais pautados pela TV brasileira. Se amanhã, o futebol
for banido da programação da TV e substituído pelo críquete, em menos de uma
década o Brasil se transforma no país do críquete. A Record é utilizada para cobrar dízimo e
vender coisa ungidas, situação ainda pior do que a do SBT.
O que o
Brasil precisa é de uma grande reformulação no seu sistema de grande mídia que ainda
é a TV. Se o Brasil se pretende uma democracia de fato, não pode mais conviver
com um modelo de mídia fundado e estruturado por um regime ditatorial, nem com
o monopólio de apenas uma emissora. Precisamos, urgentemente, de concorrência,
pluralidade e, portanto, de realizar a reforma dos meios de comunicação.
segunda-feira, 2 de maio de 2022
Ex-prevedor condenado por falsa acusação de segregação racial vai palestrar em Encontro Afro
O ex-provedor do HM, José Roberto Fernandes, multi-condenado
pela Justiça em função da prática de uma série de atos ilícitos quando “administrou”
aquela casa de saúde, entre eles, por acusar, falsamente, médico do Corpo Clínico
de cometer segregação racial no Hospital Margarida, vai palestrar em Encontro
Afro, segundo anuncia “outdoor” instalado em avenida da cidade (fotos).
Pertinente se faz relembrar que enquanto esteve à frente do
hospital, José Roberto Fernandes, foi responsável pela consecução do maior
golpe já realizado na praça monlevadense, quando inúmeras cartelas do então
tradicional Bingo do Margarida foram vendidas, o evento foi suspenso pela
Justiça, por ter perdido seu caráter beneficente como fundamentou o Ministério Público, e o valor arrecadado
evaporou, sem deixar rastro.
Agora, o autor do golpe do Bingo, que mentiu e utilizou uma
questão tão séria como a racial para prosseguir o Corpo Clínico do HM, vai
palestrar em Encontro Afro. Monlevade está virada de ponta-cabeça!
quarta-feira, 27 de abril de 2022
Derrota para Fabrício: Heineken vai para Passos
Foto: divulgação
Recentemente,
depois de a Heineken desistir de se instalar em Pedro Leopoldo, a prefeitura de
João Monlevade entrou no páreo para o Município sediar a fábrica da cervejaria.
O investimento previsto seria de 1,8 bilhão de reais, com a criação de centenas
de postos de trabalho diretos e indiretos.
A disputa
foi encabeçada, localmente, pelo secretário municipal de planejamento e
desenvolvimento econômico e vice-prefeito Fabrício Lopes (Avante). Na ocasião o
prefeito Laércio Ribeiro chegou a argumentar que o município possuía recursos
hídricos em abundância, o que, segundo ele, era um diferencial em relação às outras
cidades que também pleiteavam a fábrica. Contudo, a tentativa não avançou -
desculpe o trocadilho. Hoje a imprensa mineira divulgou que a fábrica da
cervejaria será instalada no município de Passos, no sul do estado.
“Recursos
hídricos em abundância”, por si só, jamais serão são suficientes para atrair a
instalação de uma grande cervejaria, se o Departamento de Água e Esgotos (DAE)
não tem a capacidade de fornecê-los a seus consumidores de forma continuada e
segura. Certamente, as constantes interrupções no abastecimento de água tratada
anunciados pelo DAE, semanalmente, pesaram para a derrota do município na
disputa.
domingo, 24 de abril de 2022
"Rolé nas Gerais" da Rede Globo
Então, para se enquadrar aos anseios manifestados pelo povo
brasileiro nos protestos de 2013, a Globo Minas incluiu em sua grade de
exibição o programa “Rolê nas Gerais”, que hoje é aquele que se propôs a pautar a maior e mais grave questão social brasileira: os guetos
de exclusão a que se chamam favelas. Quando vi, não acreditei. A
Globo pautando favela!!? Achei muito estranho porque a Globo tem um histórico
conservador e será somente quando as muitas realidades das favelas passarem a
ser pautadas pela grande mídia que as coisas poderão mudar no Brasil. A Rede Globo
foi fundada em função do Golpe de 64, que como todos, foi um golpe conservador,
destinado a conservar os status quo e, portanto, a impedir que um governo progressista promovesse as várias reformas institucionais, anunciadas
naquela ocasião. A Globo também não tem um programa
sério para discutir política, o que reafirma o quão conservadora ela
é. Aliás, o Brasil, hoje, só é o país do futebol porque o futebol é
um dos temas mais pautados pela Globo. Se o Brasil pudesse contar com um programa na grande mídia para discutir política, certamente, já poderia estar muito
mais adiantado em todas as áreas. Mas, há atrasados 57 anos, isso não
ocorre.
Então, diante de um inédito programa na Globo que se propunha a
pautar as favelas de Minas Gerais, eu não podia fazer outra coisa, senão assistir. Assisti e, como suspeitado, o
resultado não foi um tremendo engodo. Infelizmente, programa “Rolé nas
Gerais” não pauta as diversas realidades das favelas mineiras, mas apenas o
aspecto cultural das mesmas. Tudo que distingue o Brasil e estabelece a identidade
nacional é em grande medida afro-brasileiro. Há cultura na favela. Isso é
inegável e uma amostra da imensa capacidade desdobramento do povo brasileiro,
porque produzir cultura naquele ambiente de exclusão social por si só já é um
ato de heroísmo. Contudo, não é pautando, dissimuladamente, apenas a cultura das
favelas que tal realidade será superada. É preciso, mais do que
isso, pautar a situação de exclusão completa que define as favelas brasileiras.
E isso, o programa “Rolé nas Gerais” não faz. A favela vai muito além da
pobreza! É preciso pautar as favelas como os guetos de exclusão que
elas são. É preciso pautar a ausência de acesso aos serviços públicos
essenciais que vigora e define as favelas, como o arruamento, o ordenamento
urbano, as condições das moradias, o abastecimento de água, a coleta de lixo, o fornecimento de eletricidade e serviços de comunicação, a
coleta do esgoto, a saúde, a educação, a segurança, o direito de ir e vir, etc,
etc. É preciso mostrar como a ausência de acesso, sobretudo, ao serviço de
educação faz com que as pessoas excluídas nas favelas ocupem postos de
trabalho, nos quais trabalharão toda uma vida sem jamais aferirem o suficiente
para adquirem dignidade e terem acesso aos bens e serviços do Brasil. É preciso
pautar a infância nas favelas e mostrar como é difícil para as crianças o
acesso a uma educação de qualidade, pois por definição não há escolas nas
favelas, salvo raras exceções. É preciso mostrar a dificuldade de estudar, a
falta de estrutura para tal e como as crianças ficam, completamente,
desassistidas naquele ambiente de exclusão social. É isso que queremos ver no
programa “Rolé nas Gerais”, a realidade nua e crua das favelas. Para quem se
deixa influenciar pela Rede Globo é muito difícil pensar, mas o Brasil apenas
se tornará um país desenvolvido e rico quando as massas forem integradas à
sociedade brasileira e, portanto, quando não existirem mais favelas, como
os guetos de exclusão que são. E de engodo, já basta a ditadura monocromática
do futebol. Na próxima, vou escrever sobre o "Globo Esporte", que deveria se chamar "Globo Futebol".
quarta-feira, 20 de abril de 2022
O Programa "Tô Indo" da Globo na Alienação Cultural do Mineiro
terça-feira, 29 de março de 2022
Retórica da Arcelormittal diminui a História de João Monlevade
Este quase bordão de “uma pequena forja catalã, fabriqueta de enxadas”, seguramente, foi cunhado dentro da Usina. Infelizmente, é o que se ouve e o que se aprende, erroneamente, nas escolas locais sobre a história do minerálogo e metalurgista francês João Antonio de Monlevade (retrato). Na verdade, sob o ponto de vista da estrutura do estabelecimento, não existiu apenas uma, mas sim três as fábricas de ferro da Família Monlevade: a Fábrica Velha, que funcionou de 1828 a 1853, a Fábrica Nova, que funcionou de 1853 a 1888 e a fábrica a cargo de Francisco Monlevade, neto do patrono do Município, que funcionou a partir de 1891, mediante investimento da Companhia Nacional de Forjas e Estaleiros. Elas também não eram pequenas. A mais consagrada, a Fábrica Velha, por exemplo, rendia cerca de meia tonelada de ferro por dia e foi a primeira a fabricar o dito metal e o carvão em escala industrial. Também foi pioneira em produzir as maiores peças de ferro ate então já fabricadas no Brasil, com peso aproximado de uma tonelada. Os equipamentos de forja da Fábrica Velha, como os marteletes hidráulicos, o laminador e o grande massame, também não eram catalães, mas sim ingleses. Catalão era apenas o método de se obtenção do ferro. E seu principal produto jamais foi a enxada, como propõe o discurso da Arcelormittal, mas sim as mãos de pilão, que eram blocos de 80 quilos de peso em ferro forjado, empregados no Engenho Mineiro de Pilões (foto) que eram muito utilizados nas Minas de Ouro do sec. XIX para o processamento do quartzito aurífero.
Monlevade já foi muito estudado por
diversos historiadores que são unânimes em caracterizar seu empreendimento
metalúrgico como a maior e mais importante Fábrica de Ferro a Funcionar durante
o Brasil-Império, fornecedora preferencial de artefatos de ferro paras as Minas
de Ouro, sobretudo as das companhias inglesas, como o Gongo Soco, o Morro
Velho, Pari, etc.
Recentemente, assistindo o excelente
documentário A Colônia Luxemburguesa, no capítulo dedicado a João Monlevade, vi
e ouvi o representante a Arcelormittal dizendo que “...nessa forja, ele
(Monlevade) produzia, a partir do minério de ferro, pequenos produtos a base
dessa matéria prima. Arados, pás, enxadas, foices, ferramentas que eram
utilizados muito na região, na áreas rurais para agricultura...” Veja que,
muito diferente do que revelam os registros históricos, o discurso da
Arcelormittal é sempre no sentido de diminuir a obra de Monlevade, associando-a
agricultura. Veja que o representante da Usina falou em “pequenos produtos”,
“pás, enxadas e foices”, “utilizados” “nas áreas rurais para agricultura”. É
sempre assim!
Mas, então, por que a Arcelormittal
tem adotado tal discurso há décadas, se na verdade, Monlevade foi o único a
produzir peças de ferro de até uma tonelada de peso, tendo a Mineração do Ouro
e não a agricultura como cliente preferencial? Já pensei muito sobre isso! As
conclusões que cheguei são as seguintes. Primeiro, que é para não se despertar
o interesse local sobre a história de Monlevade. Quando se diz que Monlevade
produzia apenas pequenos artefatos de ferro para a agricultura, como foices,
pás e enxadas, diminui-se o interesse por sua obra, já que, por exemplo,
qualquer fazenda cafeeira do mesmo período também possuía uma pequena forja
para o fabrico de tais ferramentas. E sem o interesse pela obra de Monlevade,
haverá menos turistas e gente para serem recebidos no Museu, em torno do qual
se encontra instalada a Usina da Arcelormittal. Considerando ainda que a
Arcelormittal demoliu grande quantidade de patrimônio histórico, como a Praça
Ayres Quaresma, a Cidade Alta, o casario da Rua dos Contratados, os sobrados do
Social Clube, etc, a impressão que se tem é que a siderúrgica não quer mesmo gente
transitando no seu entorno. Deve ser também para não testemunharem a imensa
poluição do lugar, que se encontra muito acinzentado, tomado por particulado
siderúrgico. Outra razão possível para a diminuição da obra de Monlevade por
parte da Arcelormittal é o desejo de liberalidade na utilização do patrimônio
histórico, sem a imposição de qualquer tipo de restrição que possa ser
ocasionado pelo tombamento para fins de preservação. O Solar/Museu Monlevade,
por exemplo, apesar de tombado pela Lei Orgânica, não é um museu turístico e,
ultimamente, tem ficado mais fechado do que aberto. E não é só ele. Lembre-se
bem de que as fábricas de ferro da Família Monlevade foram três e não apenas
uma. Das duas primeiras existem, atualmente, ruínas super interessantes, que
merecem tombamento. Mas, o edifício da terceira Fábrica de Ferro Monlevade,
onde funcionou a Companhia Nacional de Forjas e Estaleiros, a partir de 1891,
ainda se encontra de pé e é utilizado, industrialmente, pela Arcelormittal.
Trata-se do edifício das fotos, localizado no Bairro Jacuí. A Arcelormittal se
apoderou daquele edifício para instalar nele os geradores da Hidrelétrica do
Jacuí, sem jamais revelar que se tratava de um bem histórico único para o
Município, pois se trata da Fábrica de Ferro Monlevade ainda de pé, apesar de
não tombado por lei. Dessa forma, ela nunca teve de mantê-lo aberto à
visitação, assim como jamais teve qualquer de restrição na utilização do bem.
Há alguns anos, a Arcelormittal realizou uma “reforma” no edifício da Companhia
Nacional de Forjas e Estaleiros que suprimiu uma série de belíssimas arcadas
neoclássicas que existiam em sua base suspensa, sobre o leito do Rio
Piracicaba. Aliás, a Arcelormittal parece ter grande aversão a arcadas
neoclássicas, pois além de demolir a arcada da Praça Ayres Quaresma, também
suprimiu a do edifício da Companhia de Forjas e Estaleiros.
Então é por isso que a história de Monlevade é tão diminuída e tão deturpada pela própria Arcelormittal, para que não haja turistas em seu entorno a testemunhar a imensa poluição que afeta o local e para que a siderúrgica possa utilizar os bens históricos locais, sem qualquer restrição. Porque quem por ventura estudar a história verdadeira de João Monlevade, in loco, como foi o meu caso, invariavelmente vai chegar rapidinho até o edifício da Companhia Nacional de Forja e Estaleiros e, então, também vai querer visitá-lo, abri-lo ao turismo e preservá-lo. Tudo o que a Arcelormittal não quer porque representa custo para a empresa, mesmo que ínfimo, se comparado à sua lucratividade.

















